ratos explorados

Projeto de lei na Ucrânia banirá testes de cosméticos em animais

O Ministério da Saúde da Ucrânia anunciou em sua página do Facebook que irá apresentar um projeto de lei que proibirá a realização de testes de cosméticos em animais, fazendo as empresas optarem por alternativas livres de crueldade.

ratos explorados

Foto: Getty Images

“Um dos aspectos importantes do novo regulamento é banir os testes de cosméticos em animais e fornecer às empresas estrangeiras e nacionais a possibilidade de utilizar os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos, particularmente as alternativas de testes de cosméticos”, declarou o Ministério.

A regulamentação dos produtos cosméticos é elaborada com base nas normas da União Europeia. O Ministério da Saúde ucraniano planeja fornecer um período de transição para as empresas se adequarem às novas demandas para testes de cosméticos, permitindo que o mercado de cosméticos ucraniano se desenvolva sem explorar animais no processo.

“Esta decisão baseia-se no fato de que, atualmente, a Ucrânia não possui nenhum método alternativo para testar a segurança dos cosméticos. A União Européia também teve o período de transição para a implementação de novas demandas para os testes de cosméticos,” explicou o Ministério.

Recentemente, a Sérvia implementou uma lei que proíbe a matança de animais para a produção de peles. A lei havia sido aprovada em 2009, mas a implementação foi adiada até agora para os empresários adaptarem seus negócios à medida.

A população da Ucrânia está prestando mais atenção à questão do abuso de animais, com destaque para a caça e para a exploração dos cães nessa prática, além da matança de cachorros abandonados. O parlamento da Ucrânia considerará os projetos de lei sobre a proteção dos direitos animais.

Mais de 13 milhões de animais são explorados para fins científicos

Estatísticas revelam que mais de 13 milhões de animais foram explorados em pesquisas científicas, testes e estudos em Queensland, Austrália, durante todo o ano de 2018. Isso foi um aumento de 194% em relação ao ano anterior, quando foi calculado um total de 4,52 milhões de animais explorados.

galinhas

Foto: Getty Images

Segundo o relatório anual do Comitê de Ética Animal da Austrália, aves domésticas como galinhas e patos compunham o maior grupo de animais explorados para fins científicos no período entre 2017 e 2018, com mais de 12 milhões, seguidos por quase meio milhão de “outros mamíferos nativos”, que incluíam raposas voadoras e bandicoots, uma espécie de marsupial australiano.

Tartarugas, bois, cangurus, coelhos, cães, baleias e golfinhos, gambás, porcos, gatos, coalas, ratos e vombates também foram explorados.

Dos 154 projetos científicos do ano passado, quase 70% envolveram “intervenção consciente sem anestesia”, 3,2% envolveram animais inconscientes sem recuperação, enquanto 1,9% tiveram a morte dos animais como ponto final.

Isso significa que a morte do animal era uma medida deliberada da coleta de dados, e poderia incluir testes de toxicidade ou estudos de doenças nos quais se planejava que os animais morreriam.

“Inconsciente sem recuperação” poderia envolver o ensino de técnicas cirúrgicas em animais vivos e anestesiados que não poderiam se recuperar após o procedimento, ou animais assassinados para uso científico posterior, como ratos e sapos para dissecação.

O detalhamento completo de quantos indivíduos estavam envolvidos em cada categoria de projeto não foi fornecido pelo comitê.

Mais da metade dos projetos eram estudos ambientais; um em cada quatro eram para a “manutenção e melhoria de espécies ou saúde e bem-estar humanos”; 10% dos projetos tinham intenção “educativa”; 3,2% eram para a “compreensão da biologia humana ou animal”; e 5,8% para melhorar a gestão ou produção animal.

A diretora-executiva da Humane Research Australia, Helen Marston, disse que sua organização queria que a pesquisa com animais fosse eliminada, já que algumas das coisas às quais os animais foram expostos eram “verdadeiramente horrendas”.

“Além da óbvia crueldade em explorar os animais envolvidos como ferramentas de pesquisa, isso não é relevante para a medicina humana, pegar dados de um animal e os usar para correlacionar com os humanos”, disse ela.

“Existem tantas alternativas que são mais humanas e mais específicas, e precisamos abandonar esses métodos retrógrados de pesquisa.”

três corações humanos em miniatura dentro de jarros com equipamentos

Como corações humanos em miniatura irão revolucionar os testes científicos para medicamentos

Durante décadas, empresas farmacêuticas realizaram testes em animais e ensaios clínicos para determinar a eficácia e a segurança de novas fórmulas de drogas. Mas esses métodos provaram ser caros, perigosos e altamente ineficientes. Para consertar isso, a empresa global de biotecnologia Novoheart desenvolveu os primeiros corações humanos em miniatura usando células-tronco.

três corações humanos em miniatura dentro de jarros com equipamentos

Foto: Novoheart

Fundada por Ronald Li, Kevin Costa e Michelle Khine em 2014, a empresa está em uma missão para transformar a indústria médica, oferecendo um novo padrão para testes de precisão que proporcionam economia de tempo e custos sem precedentes.

“O desenvolvimento de medicamentos tradicionalmente baseia-se em culturas de células e modelos de pequenos animais para prever toxicidade e eficácia cardíacas,” afirma Kevin Costa, diretor científico da Novoheart.

“Mas eles não são especialmente preditivos de como um medicamento se comportará quando entregue a pacientes humanos, e tanto a indústria farmacêutica quanto as agências reguladoras vêm buscando ativamente alternativas melhores.”

Uma alternativa pioneira

Depois de 20 anos de pesquisa pioneira, Costa, Li e seus colegas demonstraram uma solução que consiste em um “coração-em-um-jarro” em miniatura que pode prever como as drogas podem reagir em um paciente humano.

Ele replica uma das quatro principais câmaras do coração humano, com uma parede fina o suficiente para não precisar de suprimento de sangue. “Com esse modelo 3D avançado, conseguimos reproduzir algumas das principais respostas ao carregamento mecânico, estimulação elétrica e tratamentos com drogas,” explica Costa.

“Conseguimos fazer mini-corações saudáveis ​​para detectar possíveis efeitos cardiotóxicos de drogas. Também fizemos corações doentes portadores de anormalidades genéticas específicas, em parceria com empresas farmacêuticas que estão desenvolvendo medicamentos para o tratamento das doenças, mas que não possuem modelos que mimetizam adequadamente os sintomas humanos para testar sua nova terapêutica.”

Além do coração em miniatura, a empresa criou um conjunto complementar de testes cardíacos derivados de células-tronco humanas chamado MyHeart Platform. Usando essas tecnologias, os especialistas obtêm informações sobre o impacto que as drogas podem causar no coração. Eles podem detectar efeitos benéficos ou reações adversas perigosas, potencialmente fatais – como ritmos cardíacos irregulares.

Costa acredita que essas soluções podem revolucionar a medicina tornando as terapias mais seguras e eficazes para os pacientes, além de reduzir o desperdício de recursos. “No geral, estamos testemunhando uma tendência de toda a indústria para explorar ensaios baseados em células-tronco humanas como um afastamento dos tradicionais testes em animais,” diz ele.

Entre os primeiros sucessos da empresa, ele não apenas demonstrou o modelo de coração em miniatura, mas também foi listado na TSX Venture Exchange do Canadá. No entanto, Costa admite que Novoheart teve que superar muitos desafios. Ele diz: “Um obstáculo que estamos enfrentando é o momento em que a indústria farmacêutica precisa adotar novas tecnologias, mas entendemos que isso requer persistência, enquanto continuamos a oferecer ciência de alta qualidade e inovação impulsionadora de fronteiras.”

Um futuro brilhante

Olhando para o futuro, Costa diz que a Novoheart continuará aperfeiçoando suas tecnologias e investindo em pesquisas futuras. “Por exemplo, desenvolvemos um biorreator modular que nos permite monitorar múltiplos mini-corações, ou organoides cardíacos, de uma só vez,” continua ele.

“Isso pode potencialmente ser estendido a mini-órgãos além do coração, que podem ser conectados para simular interações no nível dos sistemas entre o coração e outros órgãos do corpo. Se, em última instância, quisermos perceber o potencial de substituir estudos em animais por estudos com organoides baseados em humanos, então haverá a necessidade de criar sistemas compreendendo diferentes tipos de órgãos.”

Em suas instalações de Pesquisa e Desenvolvimento na Califórnia, a Novoheart está desenvolvendo ativamente novos hardwares e softwares que fazem interface com seus tecidos de coração humano projetados. O objetivo é melhorar o rendimento, a sensibilidade e a precisão dos ensaios biológicos.

“À medida que os ensaios se tornam mais sofisticados, os conjuntos de dados geram aumento de tamanho e complexidade, o que exige uma mineração extensiva para utilizar plenamente as gravações de grande valor feitas com esses tecidos,” conclui Costa.

“Desenvolvemos algoritmos de aprendizado de máquina para analisar os dados de maneira imparcial e abrangente, para maximizar as informações que podemos obter de forma eficiente e eficaz a partir desses ensaios. Nossos testes inteligentes de última geração prometem ser ainda mais poderosos do que são agora.”

Audiência do caso de crueldade contra macacos explorados em testes é suspensa

Na Alemanha, um processo judicial de crueldade animal contra funcionários do Instituto Max Planck de Cibernética Biológica (MPI) foi suspenso. Os pesquisadores do MPI foram acusados ​​de causar sofrimento a três macacos durante a pesquisa que aconteceu em 2014.

um macaco ensanguentado e encolhido no canto de uma cela

Foto: Cruelty Free International e Soko Tierschutz

Processos criminais foram lançados pelo gabinete do procurador estadual, mas de acordo com a Cruelty Free International, o tribunal distrital de Tübingen anunciou que houve um acordo de um pagamento em dinheiro no valor de quatro a cinco dígitos em vez do julgamento.

As acusações tinham seguido uma investigação secreta conjunta sobre o MPI pela Cruelty Free International e pela organização de bem-estar animal alemã Soko Tierschutz, revelando que os macacos foram submetidos a grandes cirurgias na cabeça, privação de água e contenção física.

“Estamos extremamente desapontados pelo fato da audiência ter sido suspensa e as alegações de crueldade contra animais não serem abordadas agora”, disse a Dra. Katy Taylor, diretora de Ciência e Assuntos Regulatórios da Cruelty Free International – que agora está pedindo pela divulgação de um relatório preparado pela Universidade de Bochum, que foi apresentada pelo advogado de defesa dos pesquisadores.

“Durante nossa investigação no Instituto Max Planck, ficamos chocados com o nível de sofrimento a que os macacos foram submetidos. Os macacos são animais inteligentes e sociais e é absolutamente terrível para eles serem tratados dessa maneira.”

MPI disse que havia acabado com a exploração de macacos nesses experimentos em 2017.

FDA desenvolve métodos de simulação para substituir testes em animais

Pesquisadores da agência Food and Drug Administration dos Estados Unidos esperam que novos métodos de simulação sejam capazes de mostrar se os medicamentos para animais em desenvolvimento são equivalentes aos aprovados, sem a necessidade de estudos envolvendo mortes de animais.

um cachorro olhando para cima, através das grades que estão entre ele e a câmera.

Foto: Getty Images

Se validarem seus métodos de simulação, as empresas farmacêuticas poderiam potencialmente obter aprovação para alguns medicamentos genéricos e reformulações sem realizar estudos envolvendo testes em animais. As informações da FDA indicam que essas empresas usariam as simulações.

Em um comunicado publicado neste outono, o comissário da FDA Scott Gottlieb, MD, disse que a agência está tentando reduzir e substituir testes envolvendo animais em pesquisas científicas.

“Antes de aprovar um medicamento animal, a FDA deve ter dados para entender como uma substância se comporta no corpo de um animal”, afirma o anúncio do Dr. Gottlieb. “Como parte da geração desses dados, desenvolvedores de medicamentos animais realizam estudos de bioequivalência, que comparam produtos farmacêuticos (isto é, um produto original aprovado e uma versão genérica proposta) para ver se eles são similares o suficiente para vinculá-los em termos de segurança e eficácia.”

Neste outono, as autoridades da FDA planejam iniciar um estudo de nove meses durante o qual eles testarão três formulações de ivermectina e praziquantel, ingredientes da Iverhart Max. As formulações terão diferentes taxas de dissolução para as duas drogas. Ivermectina é usada para tratar cães com dirofilariose, e praziquantel é usado para tratar cães com vermes.

Pesquisadores da agência criarão um modelo físico para simular a dissolução dos mesmos medicamentos no trato gastrointestinal de um cão. “Em vez de usar animais, os patrocinadores seriam capazes de usar os dados de dissolução in vitro para extrapolar o modo como suas funções genéricas ou reformuladoras funcionam no corpo em comparação com o produto original aprovado,” disse Siobhan DeLancey, porta-voz do Centro de Medicina Veterinária da FDA

O desenho do estudo da FDA poderia, por exemplo, ajudar os pesquisadores a evitar a exploração de cães para verificar a equivalência de duas drogas antiparasitárias que têm ação local e não sistêmica e absorção, de acordo com o documento conceitual e o anúncio do Dr. Gottlieb. Hoje, isso provavelmente exigiria estudos terminais com um grande número de cães.

DeLancey disse que a FDA começou a incentivar as empresas farmacêuticas a desenvolverem e validarem alternativas aos testes em animais, incluindo testes de dissolução in vitro e modelagem computacional. Mas ainda há um longo caminho a percorrer para o fim desta prática retrógrada na FDA. Para medicamentos toxicológicos, a agência ainda está realizando estudos com animais vivos, incluindo estudos terminais.