Vaca baleada em fuga de matadouro enfrenta policiais e tiros para tentar escapar da morte

Foto: Reprodução / Shutterstock

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Numa tentativa de escapar da morte certa em um matadouro de Kansas City (EUA), uma vaca em fuga enfrentou os tiros que os policiais disparavam em sua direção, e continuou sua escapada desesperada por 1,7 km enquanto seus perseguidores seguiam em seu encalço.

O animal acabou indo parar nos trilhos do trem e quando um policial se aproximou para tentar retirá-la do local, ela avançou para ele, o que ele alega que o teria “obrigado” a atirar nela em “defesa própria”. O policial não se feriu em nenhum momento.

O departamento de segurança pública de Valley Center postou no Facebook que respondeu ao estranho chamado de um animal desgovernado em fuga, na quinta feira última, e enviou oficiais para cuidar do caso.

A obstinação do animal era tão grande que nem os tiros dos policiais foram capazes de detê-la, e a vaca permaneceu em fuga pelos campos próximos ao local do ocorrido alcançando a distância de quase dois km.

Atingida por uma das balas e encurralada pelos policiais a vaca foi recapturada e devolvida ao matadouro Richards Cold Storage pelos policiais.

Matadouro de onde a vaca fugiu e para onde foi devolvida após ser capturada | Foto: Google

Matadouro de onde a vaca fugiu e para onde foi devolvida após ser capturada | Foto: Google

Brook Volkman, do matadouro, informou que o tiro foi de raspão e isso não teria prejudicado a comercialização da carne do animal.

Esta colocação flagra de forma clara e irrefutável a visão que alguns seres humanos compartilham de que os animais são produto de consumo, uma matéria prima ou comodite. E não vidas.

Àqueles que recorrem à desculpa de que os animais não tem sentimentos ou consciência do que ocorre com eles, para se justificar pela ingestão de carne e pelas mortes contínuas, o exemplo da vaca que arrisca tudo, até a própria vida, para escapar ao matadouro, mostra que ela sabia muito bem o destino que a esperava.

Defesa Civil diz não ter autorizado morte de animais a tiros em Brumadinho (MG)

A Defesa Civil de Minas Gerais emitiu um comunicado, nesta terça-feira (29), por meio do qual informou que “em nenhum momento” autorizou que animais ilhados ou presos à lama em Brumadinho (MG), em decorrência de rompimento de uma barragem da Vale, fossem mortos “aleatoriamente” ou através de métodos que estejam “em desacordo com as normas”.

Imagem: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

O órgão afirmou que os animais encontrados vivos estão recebendo alimentação, água e cuidados para que sobrevivam até que seja possível resgatá-los, mas que há outros que “não reúnem condições para resgate com vida em decorrência do estado e características do local do desastre”. De acordo com a Defesa Civil, “para esses casos, uma equipe de veterinários está apta a realizar a eutanásia por meio de injeção letal”. As informações são do UOL.

O sacrifício é, segundo o órgão, utilizado em “casos extremos” e apenas veterinários estão autorizados a realizar o procedimento “quando é constatado que as condições de bem-estar e saúde dos animais encontram-se irreversivelmente comprometidas e sem possibilidade de recuperação”.

O tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros, afirmou que, via de regra, o sacrifício é feito por meio de injeção letal, “mas, evidentemente, outras situações específicas devem ser analisadas considerando as dificuldades de acesso que a gente tem em alguns locais”. Segundo ele, 26 animais já foram resgatados.

“Os animais resgatados com vida estão sendo encaminhados para um sítio próximo ao local, onde recebem tratamento, alimentação, medicamentos e todo o aporte necessário por uma equipe de veterinários”, afirmou a Defesa Civil.

Para a ativista Luisa Mell, a Vale “faz pouco caso dos animais” e atrapalha o trabalho das ONGs de proteção animal.

Animais mortos a tiros em Brumadinho reafirmam o pouco valor que damos ao que não é humano

Não há como negar que quando se trata de vidas não humanas escolhe-se sempre o caminho mais fácil e mais barato (Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo)

Ontem e hoje, vários meios de comunicação do Brasil repercutiram que animais ilhados, presos na lama ou feridos estão sendo executados por agentes a bordo de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Brumadinho, Minas Gerais. A justificativa é que pouco pode ser feito por esses animais, então resta apenas matá-los.

Realmente não há nenhuma outra solução? Será que os animais afetados pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, e que já foram mortos a tiros não tinham nenhuma chance de salvação ou de, em último caso, serem eutanasiados? No domingo, o Ministério Público de Minas Gerais cobrou da Vale um plano de resgate de animais. Se os animais estão sendo mortos, isso deixa claro que não há um plano de resgate.

Veterinários, ativistas e outros voluntários que se deslocaram a Brumadinho, percorrendo centenas e até milhares de quilômetros, têm reclamado que o acesso aos animais tem sido não apenas dificultado, mas proibido. Se há pessoas dispostas a ajudar por que não aproveitar essa disponibilidade? Ainda que haja animais em áreas sensíveis ou que o acesso só possa ser permitido por via aérea, isso não significa que todos estejam na mesma situação ou que ninguém possa contribuir de alguma forma.

Desde domingo há reclamações sobre a falta de boa vontade da Vale e do poder público em disponibilizar aeronaves para ajudar no resgate de animais. A primeira reclamação partiu do deputado estadual Noraldino Junior e ontem da ativista Luisa Mell. E eles não são os únicos. Muita gente tem se queixado a respeito. No entanto, para matar os animais a tiros há helicópteros disponíveis.

Não há como negar que quando se trata de vidas não humanas escolhe-se sempre o caminho mais fácil e mais barato. Não há uma cobrança mais enfática de uma atitude por parte da Vale. Prova disso é que muitos jornais divulgaram que o Ministério Público recomendou ou sugeriu que a Vale resgate os animais. Recomendar ou sugerir, embora seja a prerrogativa do MP, não ajuda muito quando falamos de vidas, não de coisas inanimadas como objetos.

Infelizmente ainda vivemos em uma sociedade que qualifica os animais como alimentos, produtos, mão de obra, transporte, entretenimento, meios para um fim. Reconhecemos que eles existem e estão vivos, mas nem por isso atribuímos um valor mais do que superficial às suas vidas. Situações como essa descortinam a nossa hipocrisia. Afinal, é apenas mais uma comprovação de que os tratamos como sujeitos menores, substituíveis e mesmo insignificantes.

Os animais merecem que suas vidas sejam interrompidas a tiros? Os colocamos em situações lamentáveis que surgem em decorrência da nossa presunção, displicência, ganância e egotismo. Ainda assim, achamos justo e misericordioso matá-los a tiros, como se suas vidas não fossem tão importantes para eles como as nossas são importantes para nós. Nem assassinos em série são mortos dessa forma por iniciativa do Estado.

De helicóptero, agentes matam a tiros animais presos à lama em MG

Um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez voos rasantes ontem, segunda-feira (28), em uma região atingida pela lama, após rompimento de barragem da Vale, no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), para que um agente armado com um fuzil pudesse atirar em animais e matá-los. Os policiais buscavam animais ilhados, presos na lama ou feridos.

Foto: Telmo Ferreira/Framephoto/Estadão Conteúdo

Foram mais de 20 disparos. Os animais mortos estavam em uma área próxima ao local em que mais de 20 brigadistas tentavam abrir um ônibus, com vítimas dentro, que estava coberto pela lama.

Muitos animais foram afetados pelo crime ambiental. Ao longo de todo trecho da cidade de Brumadinho, é possível encontrar bois ilhados ou com os corpos atolados à lama.

A decisão de matar os animais foi confirmada pelo chefe da Defesa Civil de Minas Gerais, o coronel Evandro Geraldo Borges. “O que vamos fazer? Deixar o animal sofrendo? Estamos sim, com equipe em campo executando esse trabalho, mas essa decisão só é tomada nos casos em que não há outra opção”, disse. “Não tem jeito. Tem animal preso, outro com perna quebrada. Temos de fazer escolhas, de retirar as pessoas, ir atrás de sobreviventes. Tudo que está sendo feito foi pensado. É isso”, completou.

Em nota, a Polícia Rodoviária Federal afirmou que os tiros foram dados seguindo protocolos de segurança, “a pedido e sob a coordenação de uma veterinária, integrante do Conselho de Veterinária de Minas Gerais e supervisionado pelo comando das operações de resgate”.

O coronel lembrou que há outra parte da equipe empenhada em socorrer animais “em condições de serem retirados” da lama. Um deles é o boi Resistente. O animal recebeu esse nome, dado pelos agentes, por lutar pela vida apesar das circunstâncias. O boi recebeu feno e água. Nesta terça-feira (29), ele deve ser sedado para que seja retirado, com vida, do local.

Para a Dra. Vânia Fátima de Plaza Nunes, médica veterinária do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, a opção de atirar nos animais se deve à impossibilidade de sacrificá-los de outra forma. “Pra você fazer uma injeção letal, você tem que ter acesso a um vaso. Em geral, a gente faz a administração da medicação na carótida e aí tem diferentes protocolos para fazer o sacrifício. Numa situação de risco, com o animal sofrendo, o tiro feito no local certo e da forma correta vai fazer com que o animal morra imediatamente. É por isso que existem estudos, em diferentes locais, para trabalhar esse tipo de questão. Os protocolos internacionais para sacrifício de animais em situações emergenciais e de risco oferecem essa possibilidade sim. Isso não é uma prática que começou agora e nem é uma irresponsabilidade”, afirmou.

 

Nota da Redação: a decisão da Vale e das autoridades públicas de sacrificar animais atirando contra eles, de dentro de um helicóptero, ao alegar não haver condições de salvá-los, evidencia a forma como a vida animal está sendo desvalorizada em Brumadinho. A atitude da empresa descumpre decisões do Ministério Público e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que, em atendimento a um pedido do deputado Noraldino Júniro (PSC), determinaram que os animais fossem resgatados e não mortos. A explicação, dada por médicos veterinários, de que sacrificar animais através de tiros de armas de fogo faz parte de um protocolo para situações emergenciais não minimiza a crueldade desse ato. Diante disso, a ANDA registra um posicionamento abolicionista favorável à vida e, portanto, espera que a Vale aja de forma ética, resgatando os demais animais. 

 

Lince-ibérico é encontrado morto com mais de 300 balas alojadas no corpo

Um lince-ibérico foi encontrado morto com mais de 300 balas alojadas no corpo em Córdoba, na Espanha. A denúncia foi feita pelo biólogo Miguel Simón, diretor do Life Iberlince, um programa de conservação da espécie.

(Foto: Pixabay)

O animal foi encontrado na última sexta-feira (28) e uma radiografia que mostra as balas alojadas no animal foi divulgada no Twitter por Simón. As informações são do portal Público.

O lince era monitorado pelo programa conservacionista e tinha recebido o nome de Marvel. Ele nasceu em 2015 e, portanto, tinha apenas três anos de idade. “Acontecimentos como este são dramáticos para o esforço de dois países [Espanha e Portugal] e 22 parceiros”, lamentou o biólogo.

Em 2018, 27 lince-ibéricos foram mortos por atropelamento na Espanha. A caça da espécie, no entanto, não tem ocorrido com frequência, segundo Luis Suárez, do programa de espécies da World Wildlife Fund, em entrevista à rádio Cadena SER.

Apesar das mortes, a evolução da espécie, em geral, é considerada “positiva” pelo ambientalista. Isso porque 125 filhotes nasceram neste ano, de acordo com dados provisórios do Ministério da Transição Ecológica. Com esses nascimentos, fontes do ministério consideraram, durante entrevista à rádio, que fazendo uso de “muitas precauções”, o número de linces-ibéricos no país registrou aumento de 50 animais em 2018 em relação a 2017, alcançando a quantidade de 650 animais.