Mais de dois milhões de tubarões e raias ficam presos em redes de pesca por ano

Foto: Getty Images

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Os tubarões e as raias são mais vulneráveis a serem capturados por pequenas redes de pescaria do que se acreditava até aqui, com cerca de 2,5 milhões desses animais presos anualmente nesses equipamentos na costa da África Oriental, conforme informações recentemente divulgadas.

Os pesquisadores descobriram que as taxas de captura não intencionais de algumas espécies poderiam ser 73% maiores do que o que é realmente relatado – e inclui tartarugas e vacas marinhas (manatess).

Obter uma avaliação completa e correta da captura acidental é fundamental para entender o impacto ecológico das operações de pesca e para proteger as espécies vulneráveis.

Os pescadores distribuem redes e linhas de pesca por milhares de quilômetros nos oceanos do mundo todo diariamente, conforme informações do Daily Mail.

É inevitável que essas redes atinjam não apenas os peixes para os quais foram lançadas, o que já uma agressão a esses animais, mas também outras espécies por extensão.

Dados surpreendentes mostram que até 40% de todas as capturas efetuadas no mundo são feitas de maneira não intencional.

Esta chamada “captura acidental” pode incluir espécies vulneráveis e ameaçadas como golfinhos, aves marinhas, tubarões e tartarugas.

Na pesca de larga escala, esses pobres animais pegos por engano são jogados de volta ao mar mortos ou feridos mortalmente.

Em pescarias menores, no entanto, as espécies capturadas não intencionalmente são frequentemente mantidas pelos pescadores e vendidas independentemente às vezes, mesmo quando além de anti-ético, isso é ilegal. Animais não são produtos para serem comercializados.

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“A pesca de pequena escala representa 95% da atuação de pescadores em todo o mundo e cerca de 35% da captura total de peixes”, disse o autor do estudo Andrew Temple, cientista ambiental da Universidade de Newcastle.

“Apesar disso, essa atividade recebe muito pouca atenção”, declara ele

Em seu estudo, Temple e seus colegas analisaram as capturas não intencionais de 21 locais de pesca diferentes nas costas do Quênia, Madagascar e Zanzibar, na África Oriental.

As capturas de pesca em cada local foram monitoradas durante um ano inteiro.

A partir da captura de animais contadas por eles, os resultados obtidos pelos pesquisadores extrapolaram as taxas anuais de captura divulgadas na região.

“O objetivo do projeto era começar a entender o impacto que a pesca de pequena escala está tendo no meio ambiente, registrando uma linha de base de fauna vulnerável, como tartarugas, raias e tubarões”, disse Temple.

“E o que descobrimos foi uma enorme discrepância entre os números que estão sendo declarados e o número real que é capturado – mais de 2,5 milhões de tubarões e raias por ano”.

No total, 59 espécies de vida marinha – um total de mais de 4 mil animais de espécies costeiras, oceânicas e até mesmo de águas profundas – foram apanhados pelas pescarias monitoradas.

Estes números incluíam três tartarugas marinhas e um dugongo (comumente apelidado de “vaca do mar”), que é uma espécie vulnerável.

Das espécies capturadas, as raias e os tubarões eram, de longe, as mais comuns – com tubarões-de-chão, tubarões de réquiem, tubarões-martelo e tubarões-cabeças-de-caça dominando as estatísticas.

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Enquanto as espécies maiores foram capturadas em menor número, uma fêmea de tubarão branco e um tubarão-baleia de 6 metros de comprimento também estavam entre os animais vitimados pelas redes.

A captura anual total dessas espécies vulneráveis equivale a 35 mil toneladas.

‘Nós olhamos apenas uma região do mundo, mas é provável que dados equivocados semelhantes estejam ocorrendo em pescarias de pequena escala em todo o planeta”, disse o coautor do estudo da Universidade de Newcastle, Per Berggren.

Isso significa que os 2,5 milhões de tubarões e raias não registrados e capturados que os pesquisadores descobriram, provavelmente representam apenas uma pequena fração do real prejuízo às espécies em todo o mundo.

“Reduzir esse número é essencial para proteger a vida no mar, mas também para salvaguardar a sustentabilidade futura dessas espécies” acrescentou Berggren.

“Políticas protetivas e uma gestão eficaz são necessárias para abordar o estado de saúde das populações de tubarões vulneráveis”, acrescentou a coautora do estudo, Selina Stead.

A professora Stead conclui que o estudo “deixa claro para os governos de que mais ações são necessárias para combater o extermínio de espécies vulneráveis como os tubarões”.

As conclusões e dados completos do estudo foram publicadas na revista Biological Conservation.

Tubarão mais rápido do mundo está ameaçado de extinção

“Nossos resultados são alarmantes, embora não surpreendentes” (Foto: Revista Science)

Considerado o tubarão mais rápido do mundo, o tubarão-mako, que chega a mais de 40 km/h, está ameaçado de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza.

“Nossos resultados são alarmantes, embora não surpreendentes, porque descobrimos que os tubarões que se desenvolvem lentamente estão desprotegidos da pesca excessiva e tendem a ser os mais ameaçados”, informa a organização.

Atualmente o comércio de barbatanas e de carne de tubarões é o que tem aproximado os tubarões-mako da extinção. Até alguns anos atrás, a espécie havia sido classificada pela IUCN como “vulnerável”, mas a pesca comercial a colocou em situação mais crítica.

De acordo com a organização internacional WildAid, o ser humano é uma ameaça muito maior aos tubarões do que o oposto. Prova disso é a estimativa de que 100 milhões de tubarões são mortos a cada ano no mundo todo.

Suas barbatanas, que são usadas no preparo de sopas em países asiáticos, sob a alegação de que supostamente trazem benefícios à saúde, são cortadas e muitas vezes eles são devolvidos ao mar onde têm uma morte lenta e dolorosa.

O consumo de sopa de barbatanas tem custado a morte de aproximadamente 73 milhões de tubarões por ano; e não há qualquer comprovação dos benefícios apontados pelos defensores desse hábito.

Outro ponto desfavorável é que as toxinas que hoje contaminam os oceanos passam por biomagnificação no organismo dos tubarões, o que significa que o consumo de qualquer parte desse animal pode aumentar o risco de demência e envenenamento por metais pesados como o mercúrio.

Ainda assim, sopas de barbatanas de tubarão continuam a ser servidas em casamentos, restaurantes e reuniões de negócios na Ásia. A WildAid enfatiza que a caça de tubarões é uma grande ameaça ao meio ambiente, já que esses animais são vitais para o equilíbrio dos ecossistemas do oceano.

Os tubarões são apontados por defensores da vida marinha como importantes indicadores da saúde do oceano, assim como os tigres são indicadores de uma floresta saudável e, com o impacto da caça desses animais, os ecossistemas marinhos podem entrar em colapso.

Pesquisa revela que 17 espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção

O apetite humano é um dos principais fatores que tem levado os tubarões à beira da extinção, alertam os cientistas após uma nova avaliação do status de conservação da espécie.

Dezessete das cinquenta e oito espécies avaliadas foram classificadas como ameaçadas de extinção, de acordo com o Grupo Especialista em Tubarões da União Internacional para a Conservação das espécies (IUCN) na quinta-feira passada, em uma atualização da Lista Vermelha de Animais e Plantas Ameaçados, referência para o mundo todo.

“Nossos resultados são alarmantes”, disse Nicholas Dulvy, que preside o grupo de 174 especialistas de 55 países.

“Os tubarões são animais de crescimento particularmente lento, bastante procurados e desprotegidos por leis, tendem a ser os mais ameaçados”.

Essa categoria inclui o tubarão-mako shortfin, cuja velocidade de cruzeiro de 40km/h (25km/h) – pontuada por explosões de mais de 70km/h – torna-o o mais rápido de todos os tubarões.

Junto com seu primo, o longfin, os dois tubarões-makos são altamente valorizados por sua carne e barbatanas, consideradas uma iguaria pelas tradições chinesas e outras culinárias do paladar asiático.

“Hoje em dia, um dos animais mais pescados em alto mar é o tubarão-mako”, disse Dulvy à AFP. “É também um dos menos protegidos.”

Em maio, as nações participantes do tratado, votarão uma proposta feito pelo México para colocar o tubarão-mako shortfin no Apêndice II da CITES, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas.

O fato entrar para o Apêndice II da CITES, infelizmente não proibiria a pesca ou o comércio desses animais, mas o regularia, o que já seria algum ganho no sentido de proteger a espécie.

Seis das espécies analisadas foram listadas como “criticamente em perigo”, três delas pela primeira vez: o tubarão whitefin swellshark (Cephaloscyllium albipinnum), o cação-anjo argentino (Squatina argentina), tubarão-anjo (Squatina oculata)

O grupo de especialistas em tubarões da IUCN está conduzindo uma revisão de dois anos com mais de 400 espécies de tubarões.

Para os animais terrestres, os biólogos da conservação concentram-se no tamanho da população e alcance geográfico para fazer a avaliação da ameaça de extinção.

Para os tubarões e outros animais marinhos, eles usam outra abordagem, procurando, em vez disso, a rapidez com que as populações diminuem.

Pior do que pensávamos

Mas isso requer uma referência, especialmente para espécies pelágicas ou das que vivem em oceano aberto, explicou Dulvy.

Apenas nos últimos 10 anos os cientistas conseguiram estabelecer uma referência, em parte com a ajuda das pescarias de atum que começaram a manter contagens de tubarões que eram pegos por acaso.

“Uma década depois, sabemos agora que a situação é muito pior do que imaginávamos”, disse Dulvy.

Ironicamente, as organizações de controle da pesca, que tem feito um bom trabalho policiando as capturas de atum, aumentaram o incentivo para que os pescadores mirassem nos tubarões para obter uma renda extra.

“No Oceano Índico” – ao longo das costas do Mar da Arábia e da Baía de Bengala – “a pesca do atum é na verdade uma pesca de tubarão, com capturas eventuais de atum”, disse Dulvy.

À luz de suas novas descobertas, o Shark Specialist Group (Grupo de Especialistas em Tubarões) está pedindo por “severas normas de vigilância e proteção para esses animais no que diz respeito a pesca nacional e internacional, incluindo proibições completas de captura das espécies avaliadas como ‘ameaçadas’ ou ‘criticamente ameaçadas'”, disse Sonja Fordham, vice-presidente do grupo e membro da The Ocean Foundation.

Os tubarões dominaram os oceanos do mundo por cerca de 400 milhões de anos, desempenhando um papel fundamental nas cadeias alimentares globais.

Mas esses “reis dos mares” se mostraram especialmente vulneráveis à predação humana: crescem lentamente, tornam-se sexualmente maduros relativamente tarde e produzem poucos filhotes.

O tubarão esporão de olho verde (Squalus chloroculus) – recém classificado como ameaçado de extinção – tem um período de gestação de quase três anos, que é o mais longo no reino animal.

Um estudo de revisão por pares de 2013 estimou que mais de 100 milhões de tubarões são capturados todos os anos para alimentar a demanda de um mercado de barbatanas, carne e óleo de fígado.

Mais da metade das espécies de tubarões e seus parentes são categorizados como ameaçados ou quase ameaçados de extinção.

Especialistas dizem que 17 espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção

O Grupo Especialista em Tubarões da União Internacional para a Conservação (IUCN) divulgou, na última quinta-feira (21), que 17 das 58 espécies avaliadas foram classificadas como ameaçadas de extinção.

“Nossos resultados são alarmantes”, disse Nicholas Dulvy, que preside o grupo de 174 especialistas de 55 países.

“Os tubarões que são especialmente lentos no crescimento, procurados e desprotegidos da pesca excessiva tendem a ser os mais ameaçados.”

Na lista vermelha de extinção também está o mako shortfin, que nada de 40 km a 70 km / h –  o mais rápido de todos os tubarões.

Considerados uma iguaria na China e em outras regiões da Ásia, o mako shortfin e mako longfin, são perseguidos e caçados por sua carne e barbatanas

“Hoje, uma das maiores pescarias de tubarão em alto mar é a do mako”, disse Dulvy à AFP. “É também um dos menos protegidos.”

O tubarão-anjo-da-cara-branca, o tubarão-anjo-da-argentina e o tubarão-anjo-albino entraram pela primeira vez na lista como “criticamente ameaçados”.

A Lista Vermelha

De acordo com o Daily Mail, uma proposta será votada em maio para listar o mako shortfin no Apêndice II da CITES, o que regularia sua pesca.

O Shark Specialist Group pede “limites imediatos de pesca nacionais e internacionais, incluindo proibições completas de desembarque das espécies avaliadas como ‘ameaçadas’ ou ‘criticamente ameaçadas'”.

Homem arrasta tubarão amarrado pela barbatana em lancha e é preso por apenas dez dias

O vídeo chocante, postado no Facebook, mostrou Wenzel atirando na cabeça de um tubarão com uma arma e foi possível ouvir homens rindo ao verem o animal sangrar.

Segundo um especialista em tubarões, o animal já estava morto no momento em que foi arrastado.

Durante o julgamento, Wenzel sorria quando foi perguntado se ele estava sob a influência de drogas ou álcool no momento da pesca.

“Há algo engraçado nisso?” perguntou o juiz do Circuito de Hillsborough, Mark Wolfe.

“Não, senhor”, respondeu ele.

Robert Benac também é acusado no caso e aguarda julgamento. As acusações foram retiradas contra um terceiro homem – Spencer Heintz – preso após o vídeo ser divulgado em 2017. As informações são do Daily Mail.

Wenzel recebeu uma punição de apenas 10 dias de prisão, 11 meses de liberdade condicional e também deverá cumprir 100 horas de serviço comunitário. Os promotores pediram metade dessas horas sejam cumpridas em um abrigo de animais. Sua licença de pesca de água salgada foi revogada por cinco anos.

“Esta é uma criança privilegiada”, disse Marie Galbraith, membro do Florida Voices for Animals.

“Essa punição é muito leve”.

Tubarão de 400 anos é o animal mais velho do mundo

Tubarão de 400 anos é o animal mais velho do mundo

Estamos a todo momento tentando desvendar o nosso próprio passado, sem perceber, que muito dele foi visto pelos olhos de criaturas ainda vivas. Existem animais que vivem mais de um século, ou muito mais que isso.

Quer um exemplo? As tartarugas da Ilhas Galápagos podem chegar a viver 170 anos de idade. Mas acredite, esse não é o teto máximo. O ser humano descobriu qual é o animal mais velho do mundo, e vai contar para vocês.

Os Tubarões-da-Groenlândia são os animais vertebrados mais velhos do mundo. Eles crescem cerca de 1 cm por ano, e só atingem a maturidade sexual aos 150 anos. Os pesquisadores só conseguiram identificar isso através da datação por radiocarbono, determinando as idades de 28 desses animais. Eles conseguiram estimar que uma fêmea morta recentemente tivesse cerca de 400 anos.

O recorde anterior era o de uma baleia-da-Groenlândia (Balaena mysticetus) com idade estimada de 211 anos. Mas a coisa ficaria feia se os invertebrados entrassem no jogo. Nessa competição, o título ficaria com um molusco de 507 anos conhecido como Ming, que teria vivido de 1499 a 2006.

Julius Nielsen, biólogo marinho na Universidade de Copenhague, junto a outros autores, escreveu um artigo sobre o tema na revista científica Science. “Sabíamos que estávamos lidando com um animal incomum, mas acho que todos na equipe ficaram muito surpresos de saber que são tão velhos”, afirmou o cientista.

Somniosus microcephalus, o tubarão-da-Groenlândia, pode chegar a medir até cinco metros de comprimento. Eles nadam lentamente nas águas geladas e profundas do Atlântico Norte.

Agora que foi descoberto a idade real desses animais, a sua existência corre perigo, devido a caça e pesca. Além disso, os tubarões-da-Groenlândia ainda podem estar se recuperando de um período de pesca excessiva após a Segunda Guerra Mundial. Os fígados dos tubarões eram usados para óleo de máquinas, e eles foram caçados em grande escala até o desenvolvimento de uma alternativa sintética reduzir a demanda pelo animal.

“Quando você avalia a distribuição da espécie pelo Atlântico Norte, é bem raro ver fêmeas em idade reprodutiva, e mais raro ainda encontrar recém-nascidos ou indivíduos juvenis”, afirmou Nielsen. “Parece que a maioria é subadulta. E isso faz sentido: se você teve toda essa pressão de pesca, todos os animais mais velhos não estão mais por aqui. E não há muitos indivíduos aptos a reproduzir. Ainda existe, porém, uma boa quantidade de ‘adolescentes’, mas ainda levará mais cem anos para se tornarem ativos sexualmente”, completou.

Fonte: R7

O apetite humano ameaça a megafauna que resta

Cerca de 150 espécies de grandes animais estão em risco de extinção por sua carne, barbatanas, chifres ou ovos

SAM TSANG/SOUTH CHINA MORNING POST VIA GETTY IMAGES

Para os imperadores chineses da dinastia Song (960-1279 desta era) a sopa de barbatana de tubarão já era uma iguaria. Na qualidade de um prato influía a dificuldade de obter seus ingredientes, e capturar um esqualo perigoso devia ser uma grande oferenda ao imperador. Além disso, acreditava-se em uma espécie de transmutação, pela qual a força e a ferocidade do animal passavam para quem comia sua carne. Tais atavismos transformaram este prato em um símbolo de status. Até recentemente, na China, todos os casamentos, jantares de negócios ou banquetes oficiais que se prezassem deveriam incluir sopa de barbatanas de tubarão. E mesmo considerando que esses adendos têm pouco sabor e o principal ingrediente do caldo é o frango.

Cerca de trinta espécies de tubarões, peixes-serra, tubarões-martelo e outros peixes cartilaginosos estão ameaçados de extinção por causa do desejo de muitos chineses de agradar a seus hóspedes. De acordo com um estudo recente sobre ameaças à megafauna, eles fazem parte do grupo dos grandes vertebrados mais perseguidos. Existem cerca de 200 espécies de animais de grande porte que estão perdendo população e 150 delas estão em risco de extinção por culpa de vários apetites humanos.

“Nosso estudo mostra que, além da perda ou degradação do habitat, a caça direta por humanos é a maior ameaça para os maiores animais do mundo”, diz o professor de ecologia da Universidade do Estado do Oregon (EUA) e principal autor do estudo, William Ripple. “Há muitas causas pelas quais os humanos estão matando a megafauna.” Às vezes, é para subsistência, às vezes para interesses comerciais, em outras, para fins medicinais ou simples hobby, às vezes a morte é intencional e às vezes não intencional, por captura acidental”, acrescenta.

A investigação, publicada na Conservation Letters, catalogou como megafauna os mamíferos e peixes de mais de 100 quilogramas e os anfíbios, répteis e pássaros que excedem 40 quilos. Encontraram um total de 292 espécies com dados suficientes sobre o seu estado de conservação e seus riscos principais. Seus resultados mostram que 70% das espécies de megafauna estão perdendo população e 59% estão ameaçadas de extinção, com algumas em risco crítico. Dois dados confirmam que os seres humanos se nutrem dos maiores animais: entre as espécies de todos os tamanhos, metade perde população e um quinto está ameaçada.

Entre a dezena de ameaças, além da perda de habitat, os pesquisadores analisaram o impacto de espécies invasoras, poluição, desmatamento, avanço da agricultura, mudanças climáticas … Embora muitas espécies sofram impactos de várias frentes, a caça está presente em 98% das ameaçadas. O item caça também inclui pesca.

“O consumo é muito grave. Inclui um enorme tráfico ilegal de subsistência e comercial para os mercados legais e ilegais”, diz o pesquisador Gerardo Ceballos, do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México e coautor do estudo. “É parte do que chamamos de ‘aniquilação da natureza’. A maior parte deste consumo se deve a dois fatores: a miséria em que vive um grande número de pessoas no planeta e a ganância das máfias, principalmente asiáticas (chinesas), que dominam o mercado negro.”

Há espécies caçadas por sua carne, pele, penas e até mesmo os ovos, como o avestruz somali, colocado em extremo perigo pela caça de subsistência. Em outras, a condenação está em seus ornamentos, e isso vem de longe, como acontece com elefantes e rinocerontes. Mas é a comida, geralmente de pratos supostamente requintados, que está matando muitos dos poucos animais de grande porte que restam. Entre essas iguarias está a carne da salamandra-gigante-da-China, o único anfíbio da lista, o único grande anfíbio que resta.

“A situação das populações da salamandra-gigante-da-China é absolutamente crítica”, diz Samuel Turvey, pesquisador do Instituto de Zoologia da Sociedade Zoológica de Londres. Autor de vários livros sobre extinções causados por humanos, Turvey participou entre 2013 e 2016 de uma extensa campanha para conhecer o status desse anfíbio. Foram realizados estudos de campo em 97 condados da China e entrevistados cerca de 3.000 moradores. “Não encontramos nenhuma salamandra gigante na natureza”, diz o zoólogo britânico, que não tomou parte do estudo da megafauna. As únicas que eles viram foram espécimes fugidos de fazendas onde são criadas como gado.

Embora este animal esteja há muito tempo sob risco de extinção, de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, as autoridades chinesas ainda não proibiram sua captura (fora das áreas protegidas) e seu consumo. Talvez o caso dos tubarões possa servir como referência: com eles a pressão sobre a oferta parece não funcionar, mas, sim, as ações para reduzir sua demanda.

Na maioria dos países, e também na China, a pesca de algumas espécies é proibida, mas não a de outras, e as barbatanas dos tubarões são muito parecidas com as de outros animais. Uma pesquisa recente da Universidade de Hong Kong, principal porto e mercado desses apêndices, mostrou que pelo menos um terço das barbatanas pertencia a espécies que aparecem ameaçadas na Lista Vermelha.

“Os dados apontam que as capturas mundiais de tubarões superaram um milhão de toneladas por ano, mais do que o dobro de seis décadas atrás. Esta superexploração ameaça hoje quase 60% das espécies de tubarões, a maior proporção entre todos os vertebrados”, disse em uma nota a bióloga Yvonne Sadovy, da universidade da ex-colônia britânica.

“A exclusividade de um produto natural combinada com a sua reduzida disponibilidade em liberdade aumenta seu preço e o torna um produto atraente para as redes de negócios, incluindo o extenso tráfego ilegal, que se mostrou muito difícil de ser controlado pelas autoridades”, acrescentou.

No entanto, de acordo com estatísticas oficiais, o consumo de barbatanas de tubarão na China caiu 80% nos últimos anos. De acordo com um relatório da organização ambientalista e ativista WildAid, a importação dessas partes do animal teve redução similar. Em um contexto em que tanto a Europa quanto os Estados Unidos perseguem esse comércio, a pressão das organizações conservacionistas levou o Governo chinês a retirar a sopa de tubarão de seus banquetes oficiais. As campanhas contra este prato por parte de organizações como a WildAid decolaram com os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Hoje as principais redes hoteleiras o tiraram de seus cardápios e começa a ser malvisto festejar o casamento com este caldo.

A solução, portanto, poderia estar no combate à demanda com a arma da educação. Peter Knights, CEO da WildAid, explica: “Nossas campanhas, apoiadas pelas mídias governamentais e lideradas por ícones como Yao Ming [ex-jogador da NBA] e outras celebridades chinesas mudaram as atitudes do público em relação às barbatanas de tubarão. Quando as pessoas estão informadas sobre o declínio das populações de tubarões e seu impacto sobre a saúde dos ecossistemas marinhos, e descobrem a crueldade na forma de capturá-los, a sopa dá mais vergonha do que prestígio.”

Fonte: El País

Australiano usa bebê tubarão para fumar erva

Foto: YouTube / Ky Sinh

Foto: YouTube / Ky Sinh

Você pode fazer um bong (aparelho com entrada e saída de ar, utilizado para fumar qualquer tipo de erva, normalmente cannabis, tabaco e derivados) de praticamente qualquer coisa. Desde garrafas de bebida até brinquedos ou enfeites, enfim, algo em que se possa enfiar um canudo e inalar a fumaça da erva aquecida. Recentemente, um pescador australiano transformou um bebe tubarão em um bong. Ao colocar uma saída de ar em formato de cone na cabeça do animal morto e outra em formato de puxador de ar em sua barbatana, Billy Brislane criou o que poderia ser chamado de “o primeiro bong de tubarão” do mundo. Ele ainda postou um vídeo onde faz uso do bong ao som da música Tubarão Bebê tocando ao fundo. Como não poderia deixar de ser, isso causou intensas reações nas mídias sociais.

Billy, que é moderador de um grupo popular do Facebook chamado Fried Fishing (Pesca Frita, na tradução livre), se tornou conhecido fazendo bizarrices como essa. Sua página tinha mais de 25 mil seguidores quando esse artigo foi escrito, e está lotada de vídeos de mau gosto, como um em que ele pendura um caranguejo em seus mamilos e um peixe em seu pênis. Ele é basicamente o Stevie-O* da comunidade de pesca australiana. Porém, as imagens do bong de tubarão mexeram realmente com os internautas, causando severas críticas nos vários comentários postados em diversas mídias sociais.

“Os seres humanos precisam fazer melhor do que isso. Os tubarões não são troféus, brinquedos ou cachimbos … Que vergonha dessa pessoa e de qualquer outra que pense que isso seja remotamente normal”, dizia um comentário. Outra pessoa escreveu: “Você só pode estar louco”.

Em defesa própria, Billy respondeu ao seus detratores avisando que o tubarão havia sido “pego por engano por seu amigo quando os dois estavam pescando no sábado” e que “era tabaco” o que ele estava fumando no vídeo.
“Depois de duas noites em que o tubarão ficou na caixa de gelo foi que eu tive essa ideia”, ele disse. “Não havia nenhuma possibilidade dele estar vivo”.

Outras pessoas entraram no debate adotando uma linha de argumento similar, dando ênfase ao fato de que o tubarão já estava morto quando Billy o transformou em um bong. “Eu não entendo porque as pessoas ficaram tão ofendidas”, escreveu uma pessoa no Facebook. “Não se pode fazer piada sobre nada mais”

Não é primeira vez que Billy atrai a atenção para si mesmo. No mês passado, ele apareceu nas manchetes do jornal New South Welshman depois de capturar cinco tubarões grandes no rio Macleay, perto de Coffs Harbour – alguns dos quais ele afirmou que tinham arraias, filhotes de tubarões e golfinhos dentro de seus estômagos. Desde então, ele anunciou que planeja “sair das mídias sociais” em função das fortes reações causadas pelo bong de tubarão, mencionando ter recebido mensagens abusivas e até ameaças de morte, além de estar preocupado com sua própria saúde mental. Em um post posterior, ele afirmou que as reclamação em andamento levaram os policias ate a casa dele.

“Eu só quero agradecer ao bando de covardes que reclamou ao ponto da polícia vir atrás de mim”, ele escreveu. “Honestamente eu desisto”.

Steve-O*: protagonista da série americana exibida na televisão “Jackass” onde os participantes expunham-se a situações de perigo real para conseguir audiência, entre elas grampear o próprio escroto a perna, tatuar uma caricatura de si mesmo nas costas