Crescimento do veganismo favorece o mercado global de leite de coco

Por David Arioch

“O leite de coco é uma das principais substâncias visadas pelos fabricantes de produtos veganos” (Foto: Getty)

De acordo com uma pesquisa realizada pela Market Research Future e divulgada este mês, o crescimento do veganismo está favorecendo o mercado global de leite de coco. Outros fatores que também têm contribuído é a conscientização sobre os benefícios do leite de coco para a saúde e também consumidores que estão abandonando o consumo de laticínios por motivos diversos.

Esses fatores combinados deram ao mercado de leite de coco uma projeção de taxa de crescimento anual composta de pelo menos 14,61% até 2023 – o que pode significar um crescimento de cerca de 2,35 bilhões de dólares nos próximos quatro anos.

“Um dos principais fatores que impulsionam o mercado global de leite de coco é a crescente popularidade do movimento vegano no mundo todo”, informa o relatório.

E acrescenta: “O leite de coco é uma das principais substâncias visadas pelos fabricantes de produtos veganos, já que os veganos não consomem leite animal e, portanto, dependem de alternativas vegetais, como leite de soja ou leite de coco.”

Embora a Market Research Future também tenha citado outros fatores, a empresa conclui que a popularidade do movimento vegano em áreas desenvolvidas do mundo provavelmente impulsionará o mercado global de leite de coco durante o período de previsão de crescimento.

Entre as empresas citadas como líderes nesse mercado e que devem investir ainda mais na produção de leite de coco está a brasileira DuCoco, que conta com mais de 1,5 mil funcionários, distribuídos em sete fazendas no Ceará, duas fábricas em Itapipoca (CE) e Linhares (ES), e três centros de distribuição e um escritório central em São Paulo.

Produtor e músico Simon Cowell adere ao veganismo aos 59 anos

Foto: Getty images

Foto: Getty images

O ex-apresentador, produtor e autor do programa “American Idol”, relatou que fez a mudança antes do seu 60º aniversário no final deste ano de propositadamente: “Quero entrar na sexagésima década da minha vida”.

“Um amigo meu, que é médico, recomendou que eu falasse com um especialista e eu o fiz por capricho, confesso. Eu era alérgico a melão, então não comi a fruta por seis meses, mas fui ver esse especialista e ele explicou como funcionava e aquilo fazia sentido”, disse Cowell em uma entrevista recente ao jornal The Sun. “Em 24 horas, mudei minha alimentação e não olhei para trás desde então. Você se sente melhor, você parece melhor. Eu cortei muitas das coisas que nunca deveria ter comido e me refiro principalmente a carne, laticínios, trigo e açúcar – essas foram as quatro principais coisas”.

Uma mudança fácil para o veganismo

A mudança foi mais fácil do que ele esperava, disse Cowell ao The Sun. Além de abandonar os alimentos aos quais ele é alérgico, a estrela diz que também desistiu do peixe, tornando-se totalmente vegano.

“Eu amei essas ‘comidas de conforto’ por muito tempo, isso é tudo o que eu tenho comido a minha vida toda. Eu amo tortas de geleia, hambúrgueres, espaguete à bolonhesa. Eu posso comer peixe, mas este ano eu estou me tornando vegano por inteiro.

Cowell afirma que foi muito mais fácil do que ele imaginava. “Eu costumava tomar iogurte de manhã e mudei para iogurte de leite de amêndoa. Eu coloco leite de amêndoa ate no meu no meu chá”.

Simon Cowell nunca se sentiu melhor desde que se tornou vegano aos 59 anos.

A mudança também pode ter sido motivada por uma queda em 2017 que veio como resultado de um estilo de vida pouco saudável.

O treinador de 59 anos diz que entrar em uma rotina alimentar mais regrada o transformou e a dieta está melhorando seus níveis de energia e ajudando-o a dormir.

“Quando você entra em um padrão e cria o hábito, isso trás uma sensação bastante agradável. Isso me ajudou a dormir e eu acordei me sentindo menos cansado. Eu notei uma enorme diferença entre como me sinto hoje e cerca de uma semana atrás”.

“Eu tenho mais energia e foco e não foi difícil. Eu não gosto de usar a palavra dieta porque essa é a razão pela qual eu nunca fiz uma dieta antes – a palavra dieta me deixa infeliz”.

Ele recebeu algumas críticas da apresentadora de TV Lorraine Kelly sobre seu novo estilo de vida. “Isso é uma cerveja vegana?” Ela perguntou, referindo-se a Corona Light, que é vegana. “Eu me pergunto se eles vão aceitar Simon Cowell em sua comunidade?”

Cowell fala em nome dos animais

A mudança de Cowell para uma alimentação vegana também pode ter sido motivada por razões éticas. Uma foto recente em sua conta do Instagram apresenta seu cachorro Daisy, que ele conta ter sido resgatado de Barbados.

Em maio passado, a estrela também emprestou seu nome a uma petição, junto com quase 100 outras celebridades, conclamando a Indonésia a acabar com o comércio de carne de cachorro.

“Esses animais, muitos deles cães de estimação roubados, são submetidos a métodos cruéis e brutais de captura, transporte e morte”, escreveram as celebridades, “e o imenso sofrimento e medo que devem suportar é de partir o coração e é absolutamente chocante”.

Conheça os três principais países que estão aderindo ao veganismo

 Foto: ZHANG GUO RONG / CHINA DAILY

Foto: ZHANG GUO RONG / CHINA DAILY

Quais os países mais veganos do mundo? Comunidades pesquisadas nos EUA, na Índia e na China descobriram que as populações estão adotando uma alimentação baseada em vegetais pela saúde, meio ambiente e ética.

Novas pesquisas revelaram que populações nos EUA, na China e na Índia provavelmente adotam novos métodos de produção de carne, como carne vegana e baseada em células.

Segundo a pesquisa 63% dos indianos responderam que estão “muito ou extremamente propensos a comprar regularmente carne à base de vegetais | Foto: AFP

Segundo a pesquisa 63% dos indianos responderam que estão “muito ou extremamente propensos a comprar regularmente carne à base de vegetais | Foto: AFP

A pesquisa realizada com 3 mil pessoas foi conduzida pela Universidade de Bath, o Centro de Prioridades de Longo Prazo e o Good Food Institute (GFI), uma organização sem fins lucrativos que promove o avanço da agricultura baseada em vegetais e agricultura celular (cultivo de carne em laboratório), foi publicada recentemente na revista Sustainable Food Systems (Sistemas de Alimentação Sustentável, na tradução livre).

Quais são as populações “mais veganas”?

O estudo perguntou aos participantes das três nações mais populosas do mundo – EUA, China e Índia – suas opiniões e sentimentos sobre carne feita a base de vegetais e carne limpa. A Ásia carregava muitas expectativa por parte dos pesquisadores por ser uma região importante, extremamente populosa, já que o consumo de carne deve subir nos próximos anos.

Uma taxa de 62% dos entrevistados na China e 63% na Índia responderam que estão “muito ou extremamente propensos a comprar regularmente carne à base de vegetais”. Os EUA ficaram atrás com apenas 33%. Os entrevistados estavam menos interessados em carne limpa (desenvolvida em laboratório): 30% para os EUA, 59% para a China e 49% para a Índia.

Comida vegana nos EUA, Índia e China

A GFI (Good Foods Institute) concluiu que os três países apresentam “um forte interesse do consumidor” em carne feita a base de vegetais e carne limpa, mas o estudo observa que os recrutados para o questionário na China e na Índia eram de comunidades “desproporcionalmente urbanas, de alta renda e com boa educação”.

Os participantes em todos os países mostraram-se mais confortáveis com a ideia de comida vegana quando é algo já familiar a eles. Os hambúrgueres à base de vegetais estão impulsionando as vendas em restaurantes nos EUA; a marca Right Treat, com sede em Hong Kong, produz o Omnipork, uma versão vegana da proteína chinesa popular; a startup indiana de alimentos Good Dot faz carnes sem animais versáteis o suficiente para serem usadas em uma grande variedade de receitas.

Um percentual de 30% dos americanos entrevistados no estudo se mostrou interessado em experimentar a carne limpa | Foto: PETA

Um percentual de 30% dos americanos entrevistados no estudo se mostrou interessado em experimentar a carne limpa | Foto: PETA

A presença de carne limpa também está crescendo nos três países. Memphis Meats, Blue Nalu e JUST nos EUA; Dao Foods International, na China; e a GFI e o Instituto de Tecnologia Química deverão abrir uma instalação de produção e pesquisa de carne limpa em Mumbai no próximo ano.

O apelo vegano

O que está impulsionando a maior aceitação da tecnologia vegana e de novos alimentos?

Os entrevistados entre os chineses vêem a carne vegana como mais saudável do que a versão tradicional e muitos esperam que a carne limpa tenha um valor nutricional mais alto que a de origem animal.

Aqueles a favor da carne sem animais na Índia estavam mais preocupados com a sustentabilidade e a ética da produção de carne.

Nos EUA, 91% dos interessados em carne vegana eram onívoros, enquanto a carne limpa era mais atraente para indivíduos com “alto apego ao sabor carne”.

O estudo revela como o marketing para comercialização de carne vegana em diferentes países será essencial ao sucesso da empreitada, de acordo com a GFI.

Natalie Portman faz discurso pró-vegano para milhares de estudantes em Los Angeles

Por David Arioch

“A coisa mais linda que você pode fazer é se importar, deixar seu coração aberto até que a dor do outro pareça a sua própria” (Foto: We Day California/Divulgação)

A atriz Natalie Portman discursou na última quinta-feira para 16 mil estudantes no We Day California, realizado em Los Angeles. Ela aproveitou a oportunidade para fazer um discurso pró-vegano.

“Laticínios e ovos não vêm apenas de vacas e galinhas, vêm de fêmeas. Estamos explorando corpos femininos e abusando da magia das fêmeas para obter ovos e leite”, declarou a atriz, deixando claro que ela acredita que é importante que mulheres que são feministas considerem que na exploração animal também há subjugação de fêmeas.

“As mães são separadas de seus filhos por causa do leite. Os animais adoecem e são mantidos em condições de superlotação para produzirem laticínios e ovos. Não é preciso muito para traçar uma linha entre a maneira como tratamos os animais e os humanos”, enfatizou.

Natalie Portman disse que se tornou vegetariana muito cedo por causa da sua relação com os animais, mas que há alguns anos optou pelo veganismo porque percebeu que seria realmente a melhor forma de causar menos impacto no planeta.

Ela recomendou que os estudantes não deixem os pessimistas desmotivá-los. “Então, muitas pessoas zombam dos veganos, certo? Muitas pessoas zombam de alguém que se preocupa com alguma coisa profundamente, certo?”, frisou.

E continuou: “A coisa mais linda que você pode fazer é se importar, deixar seu coração aberto até que a dor do outro pareça a sua própria, se importar tanto que você gaste seu tempo certificando-se de que a mudança está acontecendo, e é por isso que todos vocês estão aqui hoje. Quer se trate de questões ambientais, direitos animais, direitos das mulheres, igualdade, nunca tenha medo de mostrar o quanto se importa.”

No ano passado, Natalie Portman narrou o documentário “Comer Animais”, inspirado no livro homônimo de Jonathan Safran Foer, voltado à discussão sobre a agropecuária industrial, que representa 99% de todos os animais criados para consumo nos Estados Unidos, incluindo carnes, ovos e laticínios.

Em 2018, ela também gravou um curto vídeo em defesa dos direitos animais. Natalie aparece falando sobre o escritor polonês Isaac Bashevis Singer, vencedor do Nobel de Literatura que foi um dos maiores divulgadores do vegetarianismo e dos direitos animais no universo literário e judaico do século passado.

Além de afirmar que não se tornou vegetariano pela sua saúde, mas sim pela saúde dos animais, Singer fez uma declaração, como bem citado por Natalie Portman no vídeo, que chamou bastante atenção quando a sua autobiografia “Shosha” foi lançada em 1978:

“Nós fazemos com as criaturas de Deus o que os nazistas fizeram conosco.” Isaac Bashevis Singer e sua família, que conheceram as consequências do Holocausto, viveram na mesma região da Polônia que a família de Natalie. Singer até hoje é considerado um dos maiores escritores judeus de todos os tempos.

‘Direitos animais andam de mãos dadas com direitos humanos’, defende o coletivo Feminivegan

Com o objetivo de unir as lutas pelos direitos dos animais e das mulheres, e também abordar temas relativos aos trabalhadores, surgiu o coletivo Feminivegan. Através das redes sociais, o grupo dissemina informações para conscientizar a população. Para explicar melhor a proposta do Feminivegan, o coletivo deu uma entrevista exclusiva à ANDA. Confira abaixo.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: Há quanto tempo o coletivo existe e como surgiu a ideia de criá-lo?

Feminivegan: O coletivo existe desde 11 de março de 2018. A ideia surgiu depois que Ana Motha sentiu a necessidade de trazer mulheres feministas para o veganismo, de mostrar para as pessoas que é possível, que é acessível e que pessoas periféricas podem ser veganas. O veganismo sempre foi um movimento político, sempre teve um viés anticapitalista. Mas com o passar dos anos, com o avanço do liberalismo, de ONGs neoliberais bem-estaristas, foi perdendo a essência e se tornando uma dieta da moda.

ANDA: Há uma relação entre os direitos dos animais e das mulheres que levou a junção das duas causas no coletivo? Se sim, qual?

Feminivegan: Sim, o fato de que toda a indústria que explora os corpos dos animais é sustentada pelo corpo de uma fêmea não humana, com inseminações artificiais, por exemplo. Como nossa capacidade reprodutiva é controlada, como no caso das mulheres que trabalham no setor frigorífico, que muitas vezes têm gestações controladas, para não atrapalhar a produção. Para nós, os direitos animais andam de mãos dadas com os direitos humanos, ou derrubamos o capitalismo e libertamos todos, ou nada mudará.

ANDA: Quantas pessoas integram o feminivegan? Vocês costumam se reunir para debater temas relativos ao coletivo?

Feminivegan: Atualmente, não temos um número certo. Passamos por uma “reforma”, e agora, estamos em fase de formação de novas integrantes, que ainda não são consideradas membros do Femini. No total, são 69 mulheres no grupo de formação. Sim, nos reunimos e realizamos oficinas de militância.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: O que é o “ecofeminismo”?

Feminivegan: O Ecofeminismo é a quinta corrente apontada por Karen Warren, no final da década de 80 do século XX, ou o que ela chama de feminista transformativa, enfatizando as diferentes conexões entre a opressão exercida pelos homens sobre a natureza (naturismo) e a opressão exercida pelos homens sobre as mulheres (machismo).

Referência: A perspectiva ecoanimalista feminista antiespecista, Sônia Teresinha Felipe.

ANDA: O trabalho desenvolvido pelo coletivo nas redes sociais tem sido bem aceito?

Feminivegan: Sim, recebemos muitas mensagens de apoio e de interesse em participar do coletivo.

ANDA: Quais temas são debatidos pelo coletivo no Instagram?

Feminivegan: Direitos animais, direitos das mulheres e da classe trabalhadora.

ANDA: Além das redes sociais, vocês atuam de alguma outra forma?

Feminivegan: Passamos por uma “reforma” para que isso aconteça. Desde a criação do coletivo, nossa intenção era levar o veganismo para as ruas, para as periferias. Agora, com tudo resolvido, pretendemos realizar trabalhos voluntários em escolas e com pessoas em situação de rua.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: Como vocês se sentem estando à frente deste projeto?

Feminivegan: Nos sentimos felizes, fazendo o que muitas mulheres fortes fizeram no passado, mas que não tiveram tanto espaço. Esperamos fazer a diferença, sair do discurso e mudar a vida de muitas pessoas.

ANDA: De que forma um coletivo que une os direitos das mulheres aos dos animais em uma luta única traz benefícios para a sociedade?

Feminivegan: O Femini além de defender os direitos dos animais e das mulheres, é anticapitalista. Acreditamos que libertar animais não humanos, sem uma mudança no sistema não resolve os problemas do mundo. Atualmente, temos um governo amparado pela bancada ruralista, que além de explorar animais humanos e não humanos, nos envenena dia a dia com milhares de agrotóxicos, por exemplo. Ou seja, libertar animais considerados de produção, sem libertar os trabalhadores, sem libertar humanos, não muda nada. Por isso, lutamos por soberania alimentar para a classe trabalhadora, lutamos pelo direito das pessoas escolherem o que querem comer, mas sabendo de tudo que envolve aquele alimento. A classe trabalhadora conscientizada tem nas mãos o poder de libertar os animais, parando a produção dos frigoríficos, parando o transporte dos animais, etc. Esse é o nosso trabalho na sociedade, fazer as pessoas despertarem!

Campanha vegana tem Leonardo da Vinci como tema

Foto: PETA

Foto: PETA

Chapéu: Inspiração

Título: Campanha vegana tem Leonardo da Vinci como tema

Olha: No 500º aniversário da morte do gênio e artista a PETA pede aos admiradores da personalidade histórica que deixam de comer carne como ele

A organização que atua pelos direitos animais PETA lançou uma campanha que pede aos admiradores do influente artista, matemático, arquiteto, pensador, inventor entre outras habilidades, Leonardo da Vinci, que deixem de comer carne como ele.

“Leonardo da Veggie: coma como um gênio”, é o tema da nova campanha da ONG que foi lançada seguindo as celebrações do 500º aniversário da morte de Leonardo da Vinci.

A campanha inclui uma apresentação pública do novo anúncio de Leonardo da Veggie em Milão, Itália – onde o artista passou a maior parte de sua vida e onde muitas de suas criações famosas podem ser vistas ainda hoje.

Da Vinci foi a primeira grande figura histórica que discutiu a ideia do especismo, o conceito de que ser humano seria razão suficiente para ter maiores direitos morais do que os animais não-humanos. Ele enfatizou que os humanos também são animais e, portanto, não têm o direito de negar os direitos de outros seres de viver.

Ele também parou de consumir carne e produtos derivados de animais, afirmando: “Se realmente somos, como nós mesmos nos descrevemos, os reis dos animais, por que criamos outros animais apenas para que eles possam nos dar seus filhotes a fim de agradar nosso paladar?”.

Da Vinci também falou sobre os pintinhos que “nunca chegarão a nascer” porque os humanos roubam e comem os ovos de galinhas e era conhecido por usar roupas de linho em vez de pele ou couro. Ele também costumava comprar pássaros engaiolados que eram vendidos como animais de estimação, e libertava-os

Além de defender os animais em terra, Da Vinci era conhecido por falar de animais marinhos, como lagostas e caranguejos, dizendo: “Que ironia cruel para aqueles cujo habitat natural é a água serem mortos em água fervente”.

“Leonardo da Vinci expressou ideais veganos centenas de anos antes que a palavra “vegana” fosse inventada”, disse o vice-presidente sênior da PETA, Dan Mathews, em um comunicado.

“Enquanto o mundo marca o 500º aniversário do falecimento de Da Vinci, a PETA está honrando seu legado encorajando seus admiradores a respeitar os animais e parar de comê-los”.

Anteriormente, a Da Vinci foi homenageado pela PETA em sua coleção limitada de selos postais “Vegetarian Icons” dos EUA, que celebra famosos defensores dos direitos animais ao longo da história.

Campanha pró-vegana contra o consumo de ovos se espalha por pontos de ônibus

Por David Arioch

Objetivo é destacar que o consumo de ovos impõe privação e sofrimento às galinhas (Foto: Divulgação/Egg-Truth)

Uma campanha pró-vegana idealizada pelo site Egg-Truth está se espalhando por pontos de ônibus em Toronto, no Canadá. O objetivo da iniciativa, que pede aos consumidores para não consumirem ovos, é destacar que esse consumo impõe privação e sofrimento às galinhas – e também pedir para que os transeuntes deem uma olhada nas informações disponíveis no site.

Afinal, uma galinha selvagem bota 10 a 15 ovos por ano, mas podendo chegar a 30, e apenas no período natural de reprodução. Porém, as galinhas modernas, que produzem os ovos mais consumidos em todo o mundo, foram manipuladas geneticamente para botarem até 350 ovos por ano.

Além disso, a produção de ovos é extremamente exaustiva, porque o ovo requer muitos nutrientes, especialmente o cálcio que é um importante nutriente da casca. Para cada casca de ovo produzida, uma quantidade considerável de cálcio é drenada do corpo de uma galinha.

Por isso, as galinhas poedeiras geralmente sofrem de osteoporose, e têm ossos bem frágeis se comparados aos das galinhas selvagens. Há casos em que a deficiência é tão grande que elas sofrem de quebra de ossos mesmo sem fazer esforço.

Além do uso de luz artificial nas granjas, como forma de condicionar as galinhas a botarem ovos fora do seu ciclo natural, há também outra prática reprovável que é deixar as galinhas sem comida e água por dias.

Aparentemente, isso causa um choque no organismo da galinha e a estimula a botar mais ovos caso a produção tenha caído ou estagnado. A prática pode ser aplicada algumas vezes antes da galinha se enviada ao matadouro.

Outro ponto de reflexão é que galinhas poedeiras exploradas em níveis industriais não raramente sofrem de prolapso uterino, câncer de ovário, peritonite, esteatose (síndrome do fígado gorduroso) e fadiga crônica. Normalmente, uma galinha pode viver por pelo menos dez anos, mas no sistema industrial a sua expectativa de vida é de um a dois anos.

Guitarrista Brian May incentiva fãs a optarem por produtos veganos

O guitarrista e compositor britânico Brian May, da lendária banda de rock Queen, publicou esta semana no Instagram uma foto do seu par de calçados veganos da marca italiana Yatay. Ele deixou claro que realmente não faz muito sentido um ativista dos direitos animais usar calçados com matéria-prima de origem animal.

“Prefiro ser lembrado por acelerar o fim da crueldade contra os animais” (Fotos: Brian May/Instagram

May elogiou a Yatay e disse que pretende incorporá-los às apresentações da sua nova turnê. E visando estimular 1,6 milhão de fãs a optarem por produtos veganos, declarou:

“Não é preciso ser vegano para comer comida vegana ou comprar coisas veganas. Mas toda vez que você investe em produtos veganos, você investe na saúde do planeta e nos animais que vivem nele, incluindo nós mesmos.”

Há alguns anos, o jornal britânico Sunday Express publicou um artigo intitulado Why I have to speak for the Animals (Por que eu tenho que falar pelos animais). No texto assinado por Brian May, ele enfatiza que prefere ser lembrado por ajudar a diminuir a crueldade contra os animais:

“Alguém me perguntou recentemente como eu gostaria de ser lembrado. We Will Rock You? Tocando no Palácio de Buckingham? Eu disse, dada a escolha, que prefiro ser lembrado por acelerar o fim da crueldade contra os animais e por ter semeado as sementes de verdadeiro respeito em relação a maneira como tratamos todas as criaturas. Parece uma mudança radical de carreira para mim, não é?”

E acrescenta: “Meu amor pela música é inabalável, juntamente com meu amor pela astrofísica, estereoscopia e Photoshop, mas o meu amor pelos animais me levou a deixar a minha guitarra em segundo plano para tentar dar voz aos animais. Então, diariamente, me torno impopular com várias pessoas, que ainda acreditam que os animais foram colocados na Terra para serem usados e abusados pelos seres humanos. Humano é o nome que damos a nós mesmos, e há um adjetivo derivado disso, implicando compaixão, sensibilidade e justiça: a palavra “humano”.

Equatoriano transforma frutas que seriam descartadas em sorvetes e smoothies veganos

Sabe aquelas frutas que não são comercializadas porque não atendem os padrões estéticos do mercado, que não podem ser exportadas? Estamos falando de frutas que não são consideradas bonitas, que são pequenas demais, grandes demais ou que trazem alguma pequena deformação.

Produtos são oferecidos nos sabores Goiaba, cacau, coco, café tropical, cacau com menta e green vibe (Fotos: Divulgação)

Contra o desperdício de alimentos, é exatamente esse tipo de fruta que a empresa equatoriana Takay Foods está transformando em mistura para sorvetes e smoothies veganos. Cerca de 80% da matéria-prima da Takay são frutas esteticamente indesejadas pelo mercado exportador, e que costumam ser descartadas pela indústria.

Goiaba, cacau, coco, café tropical, cacau com menta e green vibe (uma combinação de frutas e sementes que refletem a biodiversidade do Equador) são os seis sabores oferecidos pela marca até agora. A Takay também utiliza ingredientes como sementes de linhaça e chia, além de sal marinho.

Sediada em Guayaquil, a maior cidade do Equador, a empresa idealizada e fundada por Lucho Escobar já está comercializando seus produtos livres de glúten e de organismos geneticamente modificados (OGM) também nos Estados Unidos – nas redes Whole Foods, Heb, Sprouts, Gelsons e Bristol Farms.

Esse ativista costmava te desafiar, agora ele está indo atrás do seu paladar

Foto: Jo-Anne McArthur

Foto: Jo-Anne McArthur

*Traduzido por Eliane Arakaki

Bruce Friedrich passou décadas tentando persuadir as pessoas a parar de comer carne. Quando ele viu isso não estava funcionando, ele colocou seu foco em criar alternativas melhores.

Bruce Friedrich costumava ser o cara que invadia desfiles de moda para espalhar sangue falso nas modelos que usavam casacos de pele. Isso quando ele não estava distribuindo panfletos nos campus da universidades ou criando vídeos para expor a terrível realidade da produção de carne.

Mas ele percebeu em um certo ponto que seu ativismo não estava atingindo o objetivo – Levando menos pessoas a matar, comer e usar animais.

“Tentamos convencer o mundo a se tornar vegano e isso não funcionou”, disse Friedrich em uma entrevista recente.

Hoje em dia, ele espera que o capitalismo possa funcionar onde o ativismo e a persuasão não alcançaram.

A organização fundada por Friedrich em 2015, o Good Food Institute, está no centro de uma nova indústria que busca alternativas à carne que não percam em sabor ou preço. Sua organização, sediada em Washington, faz de tudo, desde a criação de fundos de capital de risco até a realização de parcerias entre investidores e startups.

O trabalho transformou Friedrich, de 49 anos, em um porta-voz das pessoas que perceberam que fazer os outros se sentirem mal em comer carne não os faz consumir menos.

“Você pode ficar azul de tanto falar com as pessoas sobre como os animais sofrem”, disse Suzy Welch, ativista pelos direitos animais e escritora. “Então Bruce veio e disse: ‘Pode haver uma alternativa’”.

Welch e seu marido, Jack Welch, ex-executivo-chefe da General Electric, conheceram Friedrich em 2015. Desde então, o casal se tornou financiador do Good Food Institute, e eles confiaram nele para avaliar as cerca de meia dúzia de empresas nas quais eles investiram dinheiro.

Há sinais iniciais de que a estratégia de Friedrich está avançando. Empresas como a Impossible Foods e a Beyond Meat estão se tornando marcas fortes. As vendas de alternativas a carne aumentaram 22% no ano passado e 18% no ano anterior, segundo a Euromonitor International.

Mas também estão transformando a organização do Sr. Friedrich em um saco de pancadas. O Instituto Good Food tem enfrentado fazendeiros que criam de bois e vacas, que têm promovido legislações de nível estadual que criariam dificuldades para que as startups comercializassem suas proteínas alternativas para os comedores de carne.

Quando Friedrich escreveu um ensaio para o The Wall Street Journal, elogiando o conglomerado de alimentos Tyson por sua adoção de proteínas vegetais, ele foi denunciado por amantes da carne por vender “tolices hipócritas” e foi acusado por veganos por promover alimentos processados de uma empresa que ainda mata animais.

“Não os parabenize!”, dizia um comentário em tom de crítica destinado ao Sr. Friedrich.

Agora ele passa mais tempo refletindo sobre os comentários dos comedores de carne do que sobre seus antigos aliados, os veganos.

“Eu não me importo muito se vegetarianos ou veganos são favoráveis”, disse ele.

“Não queremos que as pessoas pensem de maneira diferente sobre sua comida. Queremos mudar a comida”.

Os anos de ativismo

O Sr. Friedrich foi criado em Norman, Oklahoma (EUA), onde seu pai era professor universitário. Ele não tinha muito contato com animais ou com a agricultura, a não ser pela viagem ocasional de pesca com seus avós, da qual ele se recorda com algum pesar.

Ele foi um ativista desde cedo, mas sua questão de escolha foi inicialmente a pobreza. No Grinnell College, em Iowa, ele dirigiu a filial local de uma organização focada na pobreza mundial. Depois de se formar, mudou-se para Washington, D.C., e passou seis anos vivendo no abrigo católico Catholic Worker, onde recebia um salário de 5 dólares por semana e usava roupas vindas das doações de que outros residentes que não as queriam mais.

Enquanto hoje ele anda todo penteado e bem barbeado, naquela época ele tinha a aparência hippie do “visual Jesus” – cabelo comprido e barba espessa.

O Sr. Friedrich cresceu luterano e se converteu ao catolicismo enquanto vivia no abrigo, seu ativismo foi em parte resultado de sua fé. Ao contrário de alguns ativistas, ele disse, ele não é motivado por nenhum apego sentimental ou emocional a outras criaturas.

Ele se tornou vegano depois de ler o livro “Dieta para um Pequeno Planeta”, e decidiu dedicar sua vida à causa enquanto vivia no abrigo e leu o livro “O Cristianismo e o Direito Animal”.

“Eu não tinha uma afinidade especial com os animais”, disse ele. “Eu tenho um temperamento muito alemão, baseado em lógica, para o bem e para o mal”.

O Sr. Friedrich conseguiu um emprego na People for the Ethical Treatment for Animals (PETA) e se casou com outra líder da organização. Eles tiveram um filho, que agora está grande.

Durante seus quase 15 anos na PETA, ele se tornou o líder de campanhas públicas. Ele foi responsável por algumas das campanhas mais importantes da organização, incluindo a Kentucky Fried Cruelty, a Wicked Wendy’s e a Murder King, que destacaram o tratamento de animais atendidos por cadeias de fast food.

O Sr. Friedrich costumava estar nas linhas de frente. Ele foi preso pelos incidentes com sangue falso na Fashion Week. Ele também tirou a roupa e correu na frente do Palácio de Buckingham, com o site GoVeg.Com pintado em seu corpo, pouco antes da chegada do presidente George W. Bush.

Mas o provocador não era dogmático. Os colegas de Friedrich disseram que ele estava disposto a jogar suas velhas ideias e estratégias ao mar, mesmo quando isso significasse uma parceria com antigos oponentes.

Durante a chamada campanha McCruelty, Friedrich passou de demonstrar o lado de fora do McDonald’s (com as refeições infelizes falsas, cheias de galinhas de plástico ensanguentadas) para negociador direto com a empresa e até elogiá-la quando melhorou as condições de vida de suas galinhas poedeiras.

“Ele sempre teve essa capacidade de ver amigos e aliados em potencial, onde outros só viam inimigos”, disse Milo Runkle, que começou como voluntário na PETA com o Friedrich e fundou a Mercy for Animals.

Friedrich sempre achou que a batalha seria vencida por meio da persuasão às pessoas pararem de comer carne. Muitos dos vídeos e documentários que ele fez foram focados em vencer os consumidores, como o pequeno documentário “Meet Your Meat”, narrado por Alec Baldwin.

“Eu realmente pensei que só precisávamos educar as pessoas sobre o fato de que não há diferença moral entre comer um animal doméstico e comer um animal de fazenda”, disse ele. “Por um bom tempo, eu falei sobre a inevitabilidade da nossa vitória, puramente através da educação.”

Mas o consumo per capita de carne nos Estados Unidos continuou subindo. Em partes do mundo que crescem mais rapidamente, como a China e o Brasil, o aumento foi ainda mais acentuado.

Lobby, Pesquisa, Divulgação

O Sr. Friedrich deu um tempo da PETA em 2009 e passou dois anos lecionando inglês e educação cívica em uma escola de ensino médio em Baltimore.

Esses anos coincidiram com a criação de start-ups que queriam enfrentar a indústria da carne. A Beyond Meat foi fundada em 2009 e a Impossible Foods começou em 2011. Antes, já haviam hambúrgueres vegetarianos, mas as novas empresas se concentravam na criação de produtos com sabor suficiente para atrair carnívoros.

Quase todos os fundadores dessas empresas contam – como o Friedrich – que chegaram ao negócio depois de perceber que os esforços para impedir as pessoas de comer animais não estavam funcionando.

Pat Brown, o fundador da Impossible Foods e ex-professor da Universidade de Stanford, decidiu formar sua empresa depois de organizar uma conferência sobre os problemas criados pela pecuária e perceber o pouco impacto que o evento teve.

“Toda a educação e toda a consciência do problema, e a preocupação com o problema, não resolvem o problema”, disse ele. “Só precisamos entregar o mesmo valor aos consumidores, mas usar uma tecnologia melhor para produzi-lo”.

Friedrich passou a considerar então fundar sua própria empresa de alimentos. Mas ele decidiu que faria mais diferença criando uma organização sem fins lucrativos que fornecesse um conjunto de recursos compartilhados para todas as empresas do setor.

O Good Food Institute, que Friedrich fundou com 540 mil dólares da Mercy for Animals, tem 65 funcionários e departamentos separados para lobby, pesquisa científica e engajamento corporativo.

Até agora, as empresas de carnes de origem vegetal tiveram mais sucesso, mas o Good Food Institute também está investindo recursos significativos para ajudar as empresas que querem cultivar células de carne em laboratórios.

A ideia é criar tantas alternativas à carne quanto possível, e Friedrich está usando todas as ferramentas à sua disposição, desde a incubadora de novas empresas até a criação de fundos de capital de risco, dois dos quais vieram do Good Food Institute.

Um dos grandes empreendedores do Vale do Silício, Paul Graham, que fundou a Y Combinator, escreveu recentemente no Twitter que acreditava que as start-ups levariam “a uma rápida transformação da carne em algum momento”.

Mas Graham disse que previu efeito colateral que seria um grande golpe para nas fazendas familiares e criaria mais desigualdade econômica.

Os substitutos da carne serão criados por novas empresas, startups o que significa mais “Bezoses”, disse ele, referindo-se ao fundador da Amazon, Jeff Bezos.

Friedrich discorda. Ele acredita que um movimento em direção a uma dieta vegana ajudaria as fazendas menores em detrimento dos grandes conglomerados de carne. Mas a mudança “tem que acontecer”, disse ele.

“Precisamos mudar a carne, porque não vamos mudar a natureza humana”, disse ele.