A União Internacional Protetora dos Animais (UIPA) publicou nota, através das redes sociais, por meio da qual repudiou a exploração de cachorros em buscas por vítimas em Brumadinho (MG) e expôs o risco ao qual esses animais são submetidos. A entidade lembrou ainda que solicitou ao Comando Operacional do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais para que não levasse cães “nas buscas por desaparecidos”, mas que foi “desatendida”.

Foto: MAURO PIMENTEL / AFP
“Sabe-se que os bombeiros se valem de roupas e de aparatos de segurança próprios para atuarem em ocorrências de risco, ao passo que os cães são expostos, sem segurança alguma, à nocividade dos rejeitos tóxicos. A absorção, pela pele, de metais pesados é certa”, escreveu a ONG. “Animal algum deveria ser obrigado a enfrentar um risco, capaz de lesar sua integridade física e até a sua vida, como aconteceu a vários cães usados pelas equipes de salvamento do World Trade Center”, completou.
A ONG disse também que policiais e bombeiros trabalham no resgate de vítimas “por opção, consentindo no risco de aquisição de sequelas e até de morte”. Ao contrário de um cachorro, “que não tem escolha, que não consente no enfrentamento de uma situação de risco. Sem capacidade de entender e de reagir, simplesmente aceita uma conjuntura que lhe é imposta”.
A UIPA citou, também, a vedação à crueldade animal contida na Constituição Federal. “A vida do animal também é tutelada, inclusive juridicamente. Vale lembrar que a Constituição da República impõe ao Poder Público vedar as práticas que submetam animal à crueldade. Cabe, pois, às autoridades, salvaguardá-lo de riscos, e não submetê-lo, diretamente, a tal situação”, disse.
O parecer de especialistas, que reforçam que cães atolados não farejam por se sentirem ameaçados, já que a preocupação com a sobrevivência fala mais alto, também foi apontada pela entidade. “E a lama, por sua liquefação, também não permite a subida à superfície dos gases da putrefação”, escreveu a ONG, que lembrou que “não existe justificativa moral nem técnica” para explorar cachorros em buscas por corpos e sobreviventes.
“Triste exploração sem fim a dos animais. Sem defesa e sem protesto”, finalizou.