A professora e secretária de Desenvolvimento Social de Brumadinho, Sirlei Brito Ribeiro, de 48 anos, foi encontrada morta abraçada ao corpo de uma cadela em meio à lama em Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem da Vale. A suspeita é de que Sirlei tenha entrado em uma caminhonete para fugir do local e, em seguida, ao lembrar da cadela, tenha voltado em casa para resgatá-la. A tentativa, no entanto, não deu certo, e as duas morreram juntas.

Professora era apaixonada pelos animais (Arquivo Pessoal)
O marido de Sirlei, o engenheiro geólogo Edson Albanez, conta que a professora trabalhava pelas pessoas e “amava os animais” que, para ela, “eram como filhos”. Ela é uma das 134 pessoas encontradas mortas em Brumadinho. Outras 199 estão desaparecidas. As informações são do portal BHAZ.
A suspeita em relação à caminhonete ocorreu devido à posição em que estava a chave do carro quando o veículo foi localizado pelo Corpo de Bombeiros – que indica que a caminhonete estava ligada.
A cadela Bibi, que Sirlei abraçava quando foi encontrada morta, foi o único animal da família a não sobreviver ao rompimento da barragem. Todos os outros conseguiram fugir, inclusive Lisbela, uma rottweiler de dois anos. Os animais foram levados para abrigos.
No momento do rompimento da barragem, a professora estava em casa com uma funcionária e um jardineiro que trabalhava para a família há uma década. De acordo com ele, Sirlei perguntou sobre o barulho que ouviu no momento em que a lama começou a tomar conta da cidade. Foi então que o jardineiro saiu correndo e gritou para que a professora e a funcionária fugissem também. Sirlei, no entanto, ficou. A equipe de resgate acredita que ela chegou até a caminhonete, mas voltou para salvar Bibi.

Casa da professora ficou destruída após rompimento de barragem (Reprodução/Facebook)
O marido havia ido a Belo Horizonte para participar de uma reunião de trabalho. Ele havia convidado a esposa para acompanhá-lo, já que ela estava de férias, mas ela não quis ir. “Parece que fui rejeitado por Deus. Saí às 11h para uma reunião às 12h. Reuniões são comuns às 10h, em outros horários, mas na hora do almoço, não. Eu fui tirado de lá. Sinto como se Ele tivesse dito pra mim ‘você ainda tem que ficar aí, tem muito a fazer. Ela já está com o exercício de vida resolvido’”, disse. “E eu acredito nisso pela pessoa especial, generosa que ela sempre foi. É uma solidão imensa, uma dor profunda por ficar sem ela. Mas eu agradeço pela oportunidade de amá-la”, acrescentou.
Edson conta que a esposa sempre trabalhou em prol da comunidade e era muito querida na região em que morava. “A Sirlei criou a associação comunitária, construiu um centro comunitário, trabalhou para a instalação de poste de iluminação, era advogada e fazia trabalhos sem cobrar. Todo mundo a conhecia. Resolvia tudo o que podia. Queria salvar o mundo ao redor dela”, contou.
Após a morte da esposa, com quem viveu por 13 anos, e a perda da casa, Edson decidiu mudar seu estilo de vida e se dedicar ao ativismo social, assim como Sirlei fazia. “Tudo o que eu construí em 40 anos de trabalho eu perdi. Tinha uma casa super luxuosa. Gastei uma fortuna na construção e nos artigos dentro dela. Fiquei com a roupa do corpo. Essas coisas todas não têm o menor significado. Vou viver uma vida simples, servindo às pessoas. Eu recebo uma mensagem que é pra eu começar de novo de outra forma”, concluiu.