
Foto: PETA/Reprodução
Esta semana, o Consórcio Internacional de Ciências da PETA anunciou que Patrícia Zoio, estudante de doutorado da Universidade NOVA de Lisboa, ganhou o prêmio Early-Career Scientist Award oferecido pela instituição, para participar de curso de formação sobre métodos de testes que não utilizam animais. Patrícia está desenvolvendo um modelo skin-on-a-chip (pele em chip, na tradução livre) que poderia substituir o uso de animais em testes de pele em laboratório a longo prazo.
O curso de verão do Centro de Pesquisa Conjunta da Comissão Europeia, que acontece de 21 a 24 de maio em Ispra, Itália, permitirá que os participantes conheçam e explorem alguns dos avanços mais recentes no campo de testes que não envolvem animais.
Patrícia participará de palestras e sessões interativas e visitará um laboratório dedicado ao desenvolvimento de alternativas para testes em animais.
O que são “órgãos em chip”
Em 2017, engenheiros biológicos da Universidade de Harvard inventaram um microchip que pode ser revestido com células humanas vivas para testes de drogas, modelos de doenças e medicina personalizada.
O “Organ in a chip” é um chip tridimencional multi-canal de cultura de células microfluídicas que simula as atividades, mecânica e a resposta fisiológica de órgão, revestido de células humanas vivas, como se fosse um tipo de órgão artificial. A tecnologia foi responsável por introduzir um novo modelo de organismos humanos multicelulares in vitro.
No vídeo abaixo pode ser acompanhada uma rápida introdução à tecnologia de “órgãos em chip”
A importância de incentivos como esses
Milhões de coelhos, ratos, porquinhos-da-índia e outros animais são explorados em laboratórios, enfrentando procedimentos horríveis que podem ferí-los de diversas formas, causando sofrimento físico e psicológico e traumas.
Cientistas estão trabalhando para acabar com essas experiências cruéis e desnecessárias com animais. Este prêmio tem como objetivo ajudar nas pesquisas a substituir o uso de animais em testes de toxicidade para produtos químicos.
O Consórcio também apresentou vários outros ganhadores Early-Career Scientist Awards, que terão as despexas pagas para participar de conferências e workshops, como o Instituto de Métodos Práticos de In Vitro para o Laboratório de Toxicologia In Vitro e o 20º Congresso Internacional de Toxicologia In Vitro.
Esses prêmios são vitais para garantir que a próxima geração de toxicologistas esteja equipada com o conhecimento e as habilidades necessárias para implementar testes modernos e livres de crueldade, que são cruciais para um futuro onde os experimentos com animais sejam coisa do passado.
Modelos com tecido humano podem salvar ratos e coelhos
O Consórcio também forneceu aos pesquisadores tecnologia livre de custos. Por exemplo, uma parceria com a empresa de biotecnologia Epithelix, propiciou aos pesquisadores modelos tridimensionais de tecido humano do trato respiratório que podem ser usados para testar cosméticos, produtos farmacêuticos, produtos químicos industriais, pesticidas e produtos domésticos sem o uso de animais.
Os organizadores do prêmio também se uniram à MatTek Corporation para distribuir modelos tridimensionais de tecido humano sem custos que podem substituir o uso de coelhos em testes onde os produtos químicos são aplicados diretamente em seus olhos e pele e o uso de ratos em testes de inalação mortais nos quais os animais indefesos são espremidos em tubos estreitos e forçados a inalar substâncias tóxicas.
Além desses tecidos tridimensionais, centenas de milhares de quilos de equipamentos de teste da VITROCELL – dispositivos que podem ser usados para expor células a produtos químicos em vez de animais – também foram disponibilizados.
No geral, o Consórcio e seus membros doaram milhões de libras para melhorar e implementar métodos de teste que não envolvam animais, incluindo o financiamento de seu desenvolvimento e validação e a organização de oficinas gratuitas, webinars e oportunidades de treinamento para cientistas.