Uso de maconha com fins veterinários é aprovado pela Câmara Alta da Califórnia

Por David Arioch

Maconha medicinal é uma aliada no tratamento de artrite em animais (Acervo: Walkndogs)

De acordo com informações da agência Associated Press (AP), no final do mês passado a Câmara Alta da Assembleia Legislativa da Califórnia aprovou por unanimidade projeto de lei que prevê o uso de maconha com fins veterinários, desde que prescrito por profissional da área. Agora o PL segue para votação na Câmara Baixa da AL.

A ideia de criar um projeto de lei garantindo o direito de os médicos veterinários prescreverem maconha medicinal no tratamento de animais surgiu porque alguns profissionais, que já defendiam a utilização, estavam tendo problemas com o Conselho de Medicina Veterinária.

A justificativa para o uso é que o canabidiol é considerado seguro no tratamento de artrite e outros problemas de saúde.


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Animais resgatados da farra do boi continuarão sendo mortos em SC

Por David Arioch

Para evitar identificação, os farristas tiram o brinco do boi (Foto: Guto Kuerten)

No dia 7 de maio, o Grupo de Advocacia Animalista Voluntário de São Paulo (GAAV) protocolou, com a titularidade da ONG Princípio Animal e por encomenda do movimento Brasil Contra Farra (BCF), um agravo de instrumento contra decisão que garante a manutenção da condenação à morte de bovinos resgatados da farra do boi em Santa Catarina.

No entanto, hoje o GAAV e o Brasil Contra Farra foram informados de que o agravo foi rejeitado pela Justiça. O desembargador que analisou o caso alegou que os “semoventes”, em referência aos animais resgatados, “serão mortos por questões sanitárias”.

A decisão gerou indignação porque em caso de recursos encaminhados para a segunda instância o padrão é agendar uma audiência que permita à defesa fazer uma sustentação oral, o que não aconteceu nesse caso, segundo a advogada Letícia Filpi, do GAAV.

“Recebemos a decisão dos desembargadores de surpresa porque não foi marcada a audiência. A Bárbara Hartmann Cardoso, que é advogada em Santa Catarina, estava se preparando para a sustentação oral e eles julgaram de surpresa”, revela Letícia.

E acrescenta: “Estamos indignadas porque não dá pra entender como um sistema judiciário funciona dessa forma. Nós precisamos que o nosso direito seja preservado.”

Letícia lamenta que os animais vitimados pela farra do boi já sofrem em decorrência de maus-tratos nas mãos dos farristas e, depois de serem resgatados de uma prática cruel e inconstitucional, ainda são mortos. Isto porque teoricamente esses animais representam um risco ao rebanho saudável.

Porém, Letícia Filpi enfatiza que a maioria traz um furo na orelha, o que significa que são animais saudáveis que simplesmente tiveram os brincos retirados. Sendo assim, não há justificativa para o abate.

O que o GAAV, Brasil Contra Farra e Princípio Animal estão requerendo há meses é que os animais sejam colocados em quarentena para avaliação de estado de saúde. Se forem saudáveis, o abate praticado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) não se justifica perante a lei.


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Ibama resgata 505 peixes ameaçados de extinção em Altamira (PA)

Por David Arioch

Os animais serão levados ao Laboratório de Aquicultura de Peixes Ornamentais do Xingú (Foto: Ibama)

O Ibama encontrou na última quarta-feira (12) uma carga com 505 acaris-zebra e 2 acaris-tubarão no aeroporto de Altamira (PA). O responsável foi preso por agentes da Polícia Federal (PF) ao tentar embarcar em voo com destino a Manaus (AM).

Os animais resgatados serão levados ao Laboratório de Aquicultura de Peixes Ornamentais do Xingu (Laquax), da Universidade Federal do Pará (UFPA), que realiza testes de reprodução da espécie. A saúde dos acaris será avaliada para eventual devolução à natureza.

O acari-zebra é endêmico da Volta Grande do Rio Xingu e está ameaçado de extinção. Sua captura pode resultar em multa de R$ 5 mil por unidade. A Lei n° 9.605/1998 prevê detenção de um a três anos para quem transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes cuja captura esteja proibida.

O acaris-zebra também integra o Anexo III da Convenção Internacional das Espécies de Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), que relaciona espécies de animais e plantas que precisam ter sua exploração restrita ou impedida.


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Caçadores de rinocerontes são condenados a 25 anos de prisão na África do Sul

Por David Arioch

No momento da detenção, a polícia já havia ligado os suspeitos a dez ações de caça no Cabo Oriental, Mpumalanga e KwaZulu-Natal (Foto: Spaps)

Acusados de mais de 55 crimes praticados contra rinocerontes entre 2013 e 2016, os caçadores Forget Ndlovu, Jabulani Ndlovu e Sikhumbuzo Ndlovu foram condenados recentemente a 25 anos de prisão, de acordo com publicação do Eyewitness News, de Joanesburgo, na África do Sul.

Com os caçadores, a polícia encontrou um chifre de rinoceronte avaliado em valor equivalente a mais de 312 mil reais, além de um dardo e dois carros alugados. No momento da detenção, a polícia já havia ligado os suspeitos a dez ações de caça no Cabo Oriental, Mpumalanga e KwaZulu-Natal.

O representante da polícia Khaya Tonjeni disse que o juiz justificou que considerou todas as possibilidades para coibir esse tipo de ação, e ao determinar que todas as sentenças sejam cumpridas simultaneamente, ele garantiu 25 anos de prisão para cada um dos três homens.

Valorização comercial mantém rinoceronte na mira dos caçadores

Atualmente, cada chifre de rinoceronte no mercado asiático vale de 100 a 300 mil dólares, segundo informações da organização Activists for Animals Africa (AAA). Essa valorização comercial é vista com preocupação porque aproxima algumas espécies da extinção. O último rinoceronte-negro do oeste, por exemplo, foi extinto em 2011, assim como uma subespécie do rinoceronte javanês no Vietnã.

Independente de espécie, o rinoceronte é um dos animais mais visados por caçadores e traficantes no continente africano. A motivação é sempre a mesma. Há muito tempo, o chifre de rinoceronte é valorizado comercialmente e usado como ingrediente na medicina tradicional asiática.

“Eles alegam que o chifre de rinoceronte possui propriedades de cura de câncer, assim como capacidade de curar a impotência. Mas não há qualquer evidência médica que apoie essa afirmação”, garante a Activists for Animals Africa.

Segundo a organização World Wide Fund for Nature (WWF), embora os rinocerontes-brancos do sul da África estejam protegidos em santuários, restam apenas três remanescentes dos rinocerontes-brancos do norte, e esses são mantidos sob guarda no Ol Pejeta Conservancy, em Nanyuki, no Quênia.

Hoje em dia, a violência contra os rinocerontes não acontece mais “à moda antiga”. Redes de crime organizado envolvidas na matança de rinocerontes contam com helicópteros, equipamentos de visão noturna, tranquilizantes veterinários e silenciadores.

Os crimes ocorrem principalmente à noite quando a patrulha policial é menor. “Isso não é uma típica caça ilegal. Há sindicatos criminosos coordenando [caçadas] na África do Sul. São altamente organizados, coordenados e usam tecnologias avançadas”, revela a FAA, sediada em Joanesburgo, na África do Sul.


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Brasil pode ganhar lei que classifica desastre ecológico como ecocídio

Por David Arioch

A criação do PL 2787/19 é uma sugestão da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanhou o caso de Brumadinho (Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo)

Na quarta-feira (12) vai ser discutido no Plenário da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 2787/19, de autoria coletiva, que defende a tipificação do ato de provocar desastres ecológicos como ecocídio.

A ideia é criar um tipo penal específico para acabar com a impunidade em casos de rompimento de barragens e em outras situações de grande impacto ambiental que decorrem diretamente da ação humana.

O projeto defende que ações que resultem na destruição significativa da flora, mortandade de animais ou estado de calamidade pública, devem gerar pena de quatro a 20 anos de prisão.

Além disso, prevê multa que pode variar de dois mil reais a um bilhão de reais, indo muito além do teto atual que é de 50 milhões de reais. Sobre casos de rompimentos de barragens, a matéria do PL destaca o seguinte:

“Em primeiro lugar, cria um tipo penal específico para aquele que der causa a rompimento de barragem pela inobservância das normas técnicas aplicáveis ou das determinações da autoridade licenciadora e da entidade fiscalizadora da segurança de barragem, com modalidades dolosa e culposa.”

A justificativa para a criação do projeto de lei foram os trágicos acontecimentos em Mariana (MG), no final de 2015, e de Brumadinho (MG), no início deste ano, que expuseram de forma clara a fragilidade da legislação penal em relação ao tema.

Ainda que haja uma tentativa de atribuir responsabilidades nesses casos, a legislação brasileira permite hoje questionamentos jurídicos e protelação de processos – o que impede a possibilidade de se aproximar de uma resolução que possa ser classificada como justiça.

Em caso de rompimento de barragens, ocultação de informações também passa a ser crime. A criação do PL 2787/19 é uma sugestão da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanhou o caso de Brumadinho.


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Deputado defende que ampliação de pena contra maus-tratos aos animais pode facilitar o trabalho da polícia

Por David Arioch

“Estamos sim em um novo tempo, um tempo em que os animais não estão sendo vistos apenas como se fossem coisas, mas como sujeitos de direitos” (Fotos: Agência Câmara/Getty Images)

Na semana passada, em entrevista ao programa Jogo Rápido, da Agência Câmara, o deputado Delegado Antônio Furtado (PSL-RJ), coordenador do estado do Rio de Janeiro da defesa da causa animal, disse que a ampliação da pena para quem pratica maus-tratos aos animais pode dar mais autonomia à polícia para prender os agressores em flagrante.

“Há dez anos eu já acompanhava casos de maus-tratos de animais e a pessoa assinava um termo de compromisso e era liberada”, cita Furtado e acrescenta que ainda hoje o agressor só precisa comparecer ao juizado especial – isto “porque se trata de um crime de menor potencial ofensivo”, segundo a atual legislação brasileira.

O deputado enfatiza que iniciativas como a do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que teve o seu projeto aprovado pelo Senado no final do ano passado, e que visam alterar a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, ampliando a pena contra maus-tratos, são realmente válidas para garantir mais proteção aos animais.

Antônio Furtado defende que crimes contra animais são realmente graves: “A gente não pode aceitar por exemplo que um dano a uma coisa possa chegar a uma pena de três anos de prisão enquanto ofensa à saúde de um animal tem uma pena de até um ano. Isso é inadmissível.”

Segundo o delegado, a sociedade pode sair fortalecida com a mudança legislativa. “Estamos sim em um novo tempo, um tempo em que os animais não estão sendo vistos apenas como se fossem coisas, mas como sujeitos de direitos”, declarou.


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Sociedade Vegetariana Judaica abre as portas do primeiro Centro Vegano Judaico do mundo

Por David Arioch

A inauguração foi prestigiada por mais de 300 apoiadores, além da parlamentar e vegana Kerry McCarthy, do Partido Trabalhista Britânico (Foto: JVS/Divulgação)

A Sociedade Vegetariana Judaica abriu esta semana as portas do primeiro Centro Vegano Judaico do mundo na sua sede na Finchley Road, na Grande Londres, na Inglaterra. E a iniciativa só foi possível graças a centenas de apoiadores que realizarem doações por meio de uma campanha de financiamento coletivo.

“Estamos muito satisfeitos em abrir as portas para o primeiro Centro Vegano Judaico do mundo no momento certo, quando os centros comunitários estão em falta, e quando a produção de produtos de origem animal se tornou mais cruel do que nunca”, disse a diretora da JVS, Lara Balsam, ao Jewish News.

E acrescentou: “Esperamos inspirar a criação de muitos desses centros ao redor do mundo, atendendo à crescente demanda e interesse pelo veganismo judaico.”

A inauguração foi prestigiada por mais de 300 apoiadores, além da parlamentar e vegana Kerry McCarthy, do Partido Trabalhista Britânico.

Fez parte da programação oficinas de culinária vegana, de jardinagem e discussões sobre ética alimentar no judaísmo com os rabinos Jonathan Wittenberg e Debbie Young-Somers. Além de uma nova cozinha, o Centro Vegano Judaico conta com salas de reuniões e jardim.


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Chefe da ONU defende fim dos subsídios aos combustíveis fósseis

Por David Arioch

Subsidiar combustíveis fósseis significa gastar o dinheiro de contribuintes para “impulsionar furacões, espalhar secas, derreter geleiras, branquear corais: destruir o mundo” (Foto: Getty Images)

“É necessário taxar a poluição, não as pessoas, e acabar com os subsídios para combustíveis fósseis”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no final do mês passado durante a Cúpula Mundial da Coalizão R20, uma organização ambiental apoiada pela ONU e fundada por Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia.

A ideia de subsidiar combustíveis fósseis como uma maneira de melhorar a vida das pessoas não poderia estar mais errada, disse o chefe da ONU na capital da Áustria, Viena. Subsidiar combustíveis fósseis significa gastar o dinheiro de contribuintes para “impulsionar furacões, espalhar secas, derreter geleiras, branquear corais: destruir o mundo”, declarou Guterres.

Ele pediu também a descarbonização de infraestruturas urbanas, uma pausa na construção de minas de carvão e a promoção de consumo e produção sustentáveis. “Em resumo, precisamos de uma economia verde, não de uma economia cinza.”

Financiar uma sociedade “pós-carbono”

Na preparação para a Cúpula da ONU sobre o Clima, em setembro, o secretário-geral encarregou o presidente da França, o primeiro-ministro da Jamaica e o emir do Catar de mobilizar apoio internacional para assegurar a meta de 100 bilhões de dólares.

O valor foi aceito por Estados-membros da ONU na Conferência de Paris sobre o Clima, em 2015, e é necessário para avançar medidas climáticas de mitigação e adaptação no mundo em desenvolvimento.

Investidores precisam parar de “financiar a poluição, ampliar empreendimentos verdes e aumentar empréstimos para soluções de baixa emissão de carbono”, insistiu, acrescentando que o setor privado e comunidades de investimentos precisam apoiar uma “agenda climática ousada e ambiciosa”, à medida que ações climáticas não são boas apenas para pessoas e para o planeta, mas também podem ser boas para os negócios.

“Lado positivo da nuvem ameaçadora”

Relembrando sua recente viagem a Tuvalu, um Estado insular no Pacífico Sul que corre o risco de ser inundado pelos crescentes níveis dos oceanos, Guterres destacou o fato de que “raramente um dia se passa” sem notícias de outro desastre, como enchentes, secas, incêndios florestais e tempestades extremas.

No entanto, há um “lado positivo da nuvem ameaçadora”, porque, embora a situação atual seja extremamente séria, a mudança para uma economia verde irá render benefícios profundos para as sociedades do mundo todo, com ar e água mais limpos, menos poluição e uma agricultura livre de produtos químicos.


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Extintas na natureza, 50 ararinhas-azuis chegarão ao Brasil por meio de acordo com a Alemanha

Por David Arioch

Depois de um período de adaptação em viveiro, elas serão, enfim, soltas na natureza (Foto: Camile Lugarini/ICMBio)

Em cinco meses, 50 ararinhas-azuis devem chegar ao Brasil, repatriadas da Alemanha. O retorno à casa foi anunciado ontem (sexta-feira) durante a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a ONG alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), que mantém as aves.

Ao chegarem, provavelmente no mês de novembro, as ararinhas serão levadas para o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul, unidade de conservação criada no ano passado, em Curaçá, na Bahia, especialmente para receber as aves. O local é habitat histórico da espécie, considerada extinta na natureza desde 2000 após ser alvo durante anos de caçadores e traficantes de animais.

Depois de um período de adaptação em viveiro, elas serão, enfim, soltas na natureza. Atualmente, existem apenas 163 ararinhas-azuis em cativeiro no mundo – 13 estão no Brasil, 147 na Alemanha, quatro em Singapura e duas na Bélgica.

Em território nacional, as 13 aves estão alojadas em criadouro na Fazenda Cachoeira, em Minas Gerais. Duas delas são filhotes e nasceram na semana passada. O dono do criadouro na Fazenda Cachoeira, Edson Gontijo, mostrou-se empolgado com a assinatura do acordo. Ele disse estar feliz em contribuir para um projeto tão importante para a biodiversidade brasileira, que é o repovoamento da ararinha-azul.

Ao chegar ao Brasil, as ararinhas vão para o Centro de Reintrodução e Reprodução da Ararinha-azul, que está sendo construído no interior do Refúgio de Vida Silvestre, em Curaçá.

Durante o período de adaptação, as aves ficarão sob a guarda da ACTP, que mantém 90% das ararinhas-azuis em cativeiro do mundo após receber os exemplares que estavam em instituição no Catar, recentemente fechada.

“É uma responsabilidade enorme”, disse Martin Guth, presidente da ACTP, que pagará pelo novo Centro de Reintrodução. A analista ambiental Camile Lugarini, do ICMBio, disse que a reintrodução na natureza será um processo cauteloso.

As primeiras solturas serão feitas em conjunto com maracanãs (Primolius maracana), uma outra espécie de arara, com hábitos semelhantes aos da ararinha-azul – ambas utilizam ocos de caraibeira (ipê-amarelo) para fazer seus ninhos, entre outras similaridades. Segundo a analista, antes de desaparecer, o último macho de ararinha-azul chegou a formar par com uma fêmea de maracanã.

A soltura, ainda segundo ela, está prevista no Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha Azul (PAN Ararinha-Azul), coordenado pelo ICMBio e publicado em 2012. As ações do plano têm o objetivo de aumentar a população manejada em cativeiro e recuperar o habitat de ocorrência histórica da espécie, visando à sua reintrodução à natureza.

Saiba Mais

Descoberta no início do século 19 pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix, e exclusiva da Caatinga brasileira, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) teve sua população dizimada pela ação do homem. A última ararinha conhecida na natureza desapareceu em outubro de 2000 e até hoje não se sabe se morreu ou foi capturado por alguém.

Desde então, as poucas que restaram em coleções particulares vêm sendo usados para reproduzir a espécie em cativeiro. Quase todas no exterior. A ararinha endêmica da Caatinga é considerada uma das espécies de aves mais ameaçadas do mundo. Em 2000, foi classificada como Criticamente em Perigo (CR) possivelmente Extinta na Natureza (EW), restando apenas indivíduos em cativeiro.


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Mais de 90% da população mundial vive em áreas onde os níveis de poluição do ar estão abaixo dos padrões de segurança

Por David Arioch

Milhões de mortes prematuras em todo o mundo podem ser atribuídas a substâncias nocivas na atmosfera como resultado de atividades humanas (Foto: Flickr/Thomas Hobbs)

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 90% da população mundial vive em áreas onde os níveis de poluição do ar estão abaixo dos padrões de segurança.

Milhões de mortes prematuras em todo o mundo podem ser atribuídas a substâncias nocivas na atmosfera como resultado de atividades humanas. A poluição do ar custa à economia global cinco trilhões de dólares por ano em gastos com saúde e bem-estar.

A poluição atmosférica põe em perigo a nossa saúde, os nossos habitats, mas também o nosso patrimônio ambiental comum. Tem um impacto negativo nas áreas terrestres, marinhas e costeiras e causa perturbações nos ecossistemas reguladores que são fundamentais para a qualidade de vida global das sociedades humanas e para a saúde das terras, mares e outras espécies vivas:

“Reduzir a poluição do ar é proteger o meio ambiente, preservando a biodiversidade e mitigando a mudança climática, o que compõe um dos desafios mais prementes de hoje.”

Essa observação está destacada no primeiro Relatório de Avaliação Global sobre Biodiversidade, lançado em maio pela Unesco, durante o encerramento do plenário da Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES).

O relatório alerta para a deterioração sem precedentes da natureza e de seus processos ecológicos e evolutivos que nos fornecem ar de qualidade, água fresca e solos saudáveis.

Também enfatiza a necessidade de tomar ações coletivas urgentes e imediatas para preservar a estrutura viva do planeta. Fazer isso é nosso dever de solidariedade para as gerações futuras, segundo a Unesco.

“Reduzir a poluição do ar exige não apenas mudança tecnológica, mas também uma mudança de mentalidade em relação a questões ambientais, políticas inovadoras e regulação social”, defende a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay.

E acrescenta: “Sabemos que quanto mais as pessoas se aproximam de seu ambiente natural, mais provável é que apreciem a natureza e sua biodiversidade, tenham consciência de nossa herança comum e compreendam a importância fundamental do ar puro de que todos dependemos para a vida, bem-estar e para o futuro do nosso planeta.”