Governo cria programa para oferecer refeições veganas a estudantes na Irlanda

Por David Arioch

“A oferta de refeições adequadas e nutritivas para a saúde, aprendizado, atenção e realização educacional de uma criança é inestimável” (Foto: Kristin Lojeunesse/VT)

A partir de setembro, 7,2 mil estudantes do ensino fundamental serão beneficiados por um programa governamental que oferece opções de refeições veganas na Irlanda. A princípio, o projeto Hot School Meals Scheme vai financiar opções alimentares sem ingredientes de origem animal para alunos de 36 escolas.

Com investimento de um milhão de euros este ano e 2,5 milhões em 2020, a intenção é permitir que as escolhas possam oferecer pelo menos uma opção vegana e uma vegetariana aos estudantes – respeitando suas crenças e filosofias de vida.

“A oferta de refeições adequadas e nutritivas para a saúde, aprendizado, atenção e realização educacional de uma criança é inestimável”, disse a Ministra da Proteção Social, Regina Doherty.

Rede de fast food sueca lança a sua própria imitação de carne

David Arioch

“Desenvolvemos o nosso próprio hambúrguer à base de vegetais para conquistar os amantes da carne” (Foto: Divulgação/Max Burgers)

Com 135 unidades na Escandinávia, a rede de fast food sueca Max Burgers lançou recentemente sua própria imitação de carne baseada em vegetais. O produto que recebeu o nome de “Delifresh Plant Beef” foi desenvolvido ao longo de três anos pelo chef Jonas Mårtensson.

“Começamos a buscar por uma opção que se encaixasse no cardápio do Max, mas rapidamente percebemos que nenhum dos produtos que encontramos poderia atender aos nossos requisitos de bom gosto. Então desenvolvemos o nosso próprio hambúrguer à base de vegetais para conquistar os amantes da carne”, informou Mårtensson em comunicado da Max Burgers enviado à imprensa.

Segundo o chef, a prova de que o resultado foi satisfatório é que seu filho que gosta muito de carne não foi capaz de perceber a diferença. A opção está disponível como substituta de carne em qualquer lanche disponível no cardápio do Max Burgers.

A diretora de inovação e desenvolvimento da rede, Claes Petersson, disse que a proteína à base de vegetais é a proteína do futuro. “Nosso objetivo é mostrar a todos os consumidores de carne que eles podem ter um bom hambúrguer sem carne”, disse Claes.

O Max Burgers começou a oferecer opções sem carne em 2016, e desde então viu suas vendas quadruplicarem em apenas um ano. Hoje há opções de lanches e milk-shakes sem ingredientes de origem animal. A meta é alcançar 50% de vendas em 2022 baseadas em opções sem carne.

Brasileiros estão dispostos a pagar mais por voos com menor impacto ambiental

Por David Arioch

Pesquisa foi conduzida com 800 passageiros de voos internacionais entre os dias 1º e 10 de abril (Foto: Divulgação/Infraero)

Pesquisa da rede de organizações brasileiras Aliança REDD+ Brasil, que conta com a participação do Instituto Centro de Vida (ICV), revela que 68% dos entrevistados pagariam entre cinco a oito reais a mais por bilhete se soubessem que o valor seria revertido para redução ou compensação das emissões de carbono do seu voo.

A informação é resultado de uma pesquisa sobre os hábitos de consumo, percepção e opiniões dos brasileiros sobre as emissões de gases de efeito estufa da aviação civil. A pesquisa, encomendada à empresa IDEIA Big Data, foi conduzida com 800 passageiros de voos internacionais entre os dias 1º e 10 de abril. Todos os entrevistados viajaram de avião para fora do país nos últimos 12 meses ou pretendem viajar nos próximos 12 meses, e são responsáveis pelo pagamento da própria passagem aérea.

O estudo revelou que 89% dos entrevistados não conseguem citar nenhuma companhia que tenha preocupação com a redução de carbono ou compensação, assim como também não se posicionaram sobre a afirmação das companhias estarem prejudicando o meio ambiente – 52% não concordaram, nem discordaram. Porém, a grande maioria (75%) consente que voar em uma companhia área que se preocupa com a redução de carbono é importante.

“Em geral, jovens demonstram maior preocupação com as emissões de carbono emitidas durante voos internacionais de longa duração e seus impactos no meio ambiente”, destaca Pedro Soares, do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).

Ao decidir comprar uma passagem aérea para viajar para fora do país, quase metade dos entrevistados revela não possuir preocupação com as emissões de carbono. Ainda assim, sete em cada 10 entrevistados acreditam que companhias aéreas que se comprometem a reduzir ou compensar essas emissões terão maior preferência dos clientes.

As mulheres tendem a concordar mais com a afirmação (75%) se comparado com os homens (65%). Com relação a preço, 68% dos respondentes mostraram disposição até de pagar entre cinco a oito reais a mais por bilhete se soubessem que o valor seria revertido para redução ou compensação das emissões de carbono do seu voo. Apenas 18% não estão dispostos a pagar a mais por isso.

“Os consumidores estão cada vez mais conscientes de sua responsabilidade nas emissões de carbono e precisam compartilhar os custos do combate às mudanças climáticas. As companhias aéreas que se anteciparem na adoção dessas ações terão mais chances de fidelizar esses clientes”, destaca Paula Bernasconi, coordenadora de Incentivos Econômicos para Conservação do ICV.

Documentário vegano é exibido em praça pública no Recife

Por David Arioch

“Muitas lágrimas, e muitas promessas de mudança em relação à alimentação” (Foto: 269life Nordeste/Vozes em Luto Nordeste)

No sábado, o documentário vegano “Dominion”, do australiano Chris Delforce, foi exibido na Praça José Sales, no bairro da Torre, no Recife (PE). A exibição, que fez parte da programação do 1º PunkVeg Fest, organizado pela banda punk vegana Guerra Urbana, contou com iniciativa dos movimentos 269life Nordeste e Vozes em Luto Nordeste.

“Foi incrível presenciar cada reação de empatia e reflexão dos presentes. Muitas lágrimas, e muitas promessas de mudança em relação à alimentação. Essa é a real intenção dos movimentos 296life Nordeste e Vozes em Luto Nordeste, levar o veganismo abolicionista a todos aqueles que não têm a oportunidade de conhecê-lo”, informam.

Além da exibição do filme, os movimentos também levaram alimentos veganos para o público experimentar. “Para que entendam que podemos nos alimentar bem sem causar danos aos animais, a nós mesmos e ao planeta”, justificam.

Com duas horas de duração, o documentário “Dominion”, que completou um ano no mês passado, explora seis facetas primárias da relação humana com os animais – animais de companhia, vida selvagem, pesquisa científica, entretenimento, vestuário e alimentos. A partir daí, se propõe a questionar a moralidade e a validade do nosso domínio sobre o reino animal.

Código Florestal Brasileiro completa sete anos, mas o cenário não é de comemorações

Por David Arioch

Alteração do Código Florestal Brasileiro representa mais permissividade em relação ao desmatamento (Foto: Getty Images)

O Código Florestal Brasileiro está completando sete anos, mas o cenário não é de comemorações. No início do mês, o deputado Sérgio Souza (MDB-PR), que se orgulha de ser um defensor da agropecuária (como afirma em seu próprio site), conseguiu aprovação do seu relatório à Medida Provisória 867/2018.

A proposição de Souza altera o Código Florestal Brasileiro e prevê mais anistia para o desmatamento no Brasil, além de promover redução das reservas legais em alguns biomas como o Cerrado.

Souza obteve quinze votos favoráveis e apenas três contrários – do senador Paulo Rocha (PT-PA) e dos deputados Nilto Tatto (PT-SP) e Rodrigo Agostinho (PSB-SP). A qualquer momento poderemos receber a notícia de que a matéria já encaminhada para votação na Câmara e no Senado pode ter sido aprovada.

Afinal, há pouca divulgação e pouca contestação sobre essa iniciativa que promove insegurança jurídica em relação ao Código Florestal Brasileiro e o coloca em risco depois de tanto trabalho realizado para garantir a sua aprovação em 2012.

Não podemos ignorar também que o atual chefe do Serviço Florestal Brasileiro, por indicação do presidente Jair Bolsonaro, é o senhor Valdir Colatto (MDB-SC), que até o ano passado tentava viabilizar o seu Projeto de Lei (PL) 6268/2016.

Esse PL, “ressuscitado” este ano pelo deputado Alexandre Leite (DEM-SP), que o desarquivou, prevê tanto a liberação da caça no Brasil quanto o relaxamento das leis ambientais – trazendo consequências tanto para o Código de Caça Brasileiro, editado em 1967, quanto para o Código Florestal Brasileiro.

Como deputado, Colatto foi um dos mais combativos membros da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) – afamado por colocar os interesses dos grandes ruralistas acima do meio ambiente.

Parlamentares que votaram a favor do relatório do deputado Sérgio Souza:

Senador Lasier Martins (Pode-RS)

Senador Nelson Trad (PTB-MS)

Senador Irajá Abreu (PSD-TO) – Filho da senadora Kátia Abreu

Senador Chico Rodrigues (DEM-RO)

Deputado Sérgio Souza (MDB-PR)

Deputado Pedro Lupion (DEM-PR)

Deputado Nelson Barbudo (PSL-MT)

Deputado Evandro Roman (PSD-PR)

Deputado Domingos Sávio (PSDB-MG)

Deputado Neri Geller (PP-MT)

Deputado Luizão Goulart (PRB-PR)

Deputado Marco Feliciano (Pode-SP)

Deputado Zé Vitor (PMN-MG)

Milhões de pássaros são mortos por ano na colheita noturna de azeitonas

Por David Arioch

“Os governos locais e as comunidades locais, nacionais e internacionais precisam urgentemente avaliar o impacto da prática e tomar medidas para acabar com ela” | Foto: Pixabay

Há uma estimativa de que 2,6 milhões de pássaros canoros são mortos a cada inverno durante a colheita noturna de azeitonas na Andaluzia, segundo o The Independent. A luz das colheitadeiras deixa as aves desorientadas e elas acabam sendo sugadas durante a colheita. Mas isso não acontece apenas na Andaluzia, mas também em outros países – como Portugal, França e Itália.

Na realidade, de acordo com pesquisadores, em qualquer país onde se realiza a colheita noturna de azeitonas com o auxílio de máquinas. À noite, as aves ficam empoleiradas nos galhos das oliveiras e acabam sendo afetadas pela colheita mecanizada que começa em outubro e termina em janeiro.

Muitas dessas aves migram do Centro e do Norte da Europa para a bacia do Mediterrâneo nos meses de inverno. Aparentemente, o que motiva as colheitas noturnas é que as azeitonas preservam os sabores aromáticos quando as temperaturas abaixam mais ao escurecer.

“A máquina não causa nenhum problema nesse sentido se usada durante o dia porque as aves podem ver e escapar enquanto as máquinas são operadas. No entanto, durante a noite eles usam luzes muito fortes que confundem os pássaros e os levam à morte ao serem sugados pelas colheitadeiras”, destacou a pesquisadora Vanessa Mata, do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Recursos Genéticos de Portugal.

Em Portugal, cerca de 96 mil aves são mortas a cada inverno, já sobre a França e Itália, onde o procedimento também é utilizado, não há dados conhecidos. O The Independent afirma que nem Portugal, França ou Itália tomaram alguma iniciativa a respeito até agora. Na Andaluzia há uma discussão em andamento, mas enquanto uma legislação contra a prática não for aprovada, o massacre de pássaros deve continuar.

“Os governos locais e as comunidades locais, nacionais e internacionais precisam urgentemente avaliar o impacto da prática e tomar medidas para acabar com ela”, apontou Vanessa Mata.

Há uma estimativa da Sociedade Real pela Proteção dos Pássaros de que o número de aves caiu em 44% em decorrência da agricultura intensiva nas últimas três décadas.

Woody Harrelson pede que governador do Texas proíba realização do “pega porco”

Por David Arioch

Foto: Christinne Muschi/Reuters

O ator Woody Harrelson está pedindo ao governador Greg Abbott para proibir a realização do “pega porco” em Banderas, no Texas, prática realizada em uma espécie de arena e que consiste em perseguir e ensacar porcos selvagens, e diante de uma plateia barulhenta.

Segundo Harrelson, esse tipo de atividade, que se tornou “tradicional” há 17 anos, além de assustar os animais, também é bastante cruel.

“Tenho muito orgulho do meu estado natal e do espírito compassivo e independente dos meus colegas texanos. É por isso que fiquei chocado ao saber da crueldade a que os porcos são submetidos a algo chamado ‘Bacon Bash’ realizado perto de Bandera”, escreveu o ator em carta enviada ao governador.

Sobre a prática, Harrelson lembrou também que o transporte desses animais viola as leis do Texas em relação à circulação de porcos selvagens.

ONU defende que uso sustentável dos recursos florestais é uma solução para lidar com as mudanças climáticas

Por David Arioch

Florestas atuam como sumidouros de carbono e podem remover poluentes da atmosfera | Foto: Pixabay

Segundo a ONU, o uso sustentável de recursos ajuda a melhorar o estado das florestas e habitats e, por extensão, assegura a segurança econômica e alimentar das comunidades locais. Além disso, as florestas atuam como sumidouros de carbono e podem remover poluentes da atmosfera.

Isso as torna uma ferramenta altamente versátil para combater a poluição do ar e mitigar as mudanças climáticas. Todos os anos, elas absorvem um terço do dióxido de carbono liberado pela queima de combustíveis fósseis em todo o mundo.

Melhorar a qualidade do ar continua a ser uma das prioridades, de acordo com a ONU Meio Ambiente, considerando que as centrais elétricas emitem quantidades estratosféricas de dióxido de carbono por ano. Os custos diretos da poluição do ar para a saúde podem ser medidos em bilhões e até trilhões de dólares.

Juntamente com a necessidade de mudar para fontes de energia limpa, as florestas são aliadas efetivas e naturais na luta por um ar mais limpo — e essenciais para garantir um futuro sustentável para as comunidades que dependem delas.

Cerca de 80% da população do mundo em desenvolvimento utiliza recursos florestais não madeireiros para necessidades nutricionais e de saúde, segundo a Fundação Connecting Natural Values ​​and People.

Realidade virtual mostra como é ser pássaro em uma gaiola

Por David Arioch

Quem colocava os óculos escolhia entre ser uma arara mantida em cativeiro ou gozando de liberdade (Fotos: Getty/Proteção Animal Mundial)

No final de semana, a organização Proteção Animal Mundial ofereceu em seu estande no 14º Avistar – Encontro Brasileiro de Observação de Aves, realizado na Universidade de São Paulo (USP), a oportunidade de os visitantes experimentarem como é ser pássaro em uma gaiola.

“O primeiro vídeo, que é a da arara em cativeiro, foi horrível. Se eu já me senti incomodada, imagina o animal ali a vida inteira. Mas o segundo vídeo, da ave voando livre, foi uma experiência mil vezes melhor. E é o certo, o animal no lugar dele, ninguém mexendo com ele nem nada, foi incrível”, relatou a estudante Diana Malta que participou da experiência de realidade virtual.

Quem colocava os óculos escolhia entre ser uma arara mantida em cativeiro ou gozando de liberdade. “Nosso intuito foi colocar as pessoas na pele dessas aves, mesmo que por um instante, e fazê-las entender o estresse e a crueldade que esses animais sofrem nos cativeiros e, como contraponto, a liberdade e o direito à vida inerentes ao voo livre que só podem ser possíveis com as aves livres em seu habitat natural”, explicou o gerente de vida silvestre, João Almeida.

Pesquisadores dão início a projeto para salvar mico-leão-de-cara-preta

Por David Arioch

Só é possível encontrar o mico-leão-de-cara-preta no Norte do Paraná e em São Paulo (Foto: Celso Margaf)

Eles são pequenos, ágeis e têm pelos de um dourado vívido. Só é possível encontrar o mico-leão-de-cara-preta no Norte do Paraná e em São Paulo. Ainda assim, suas aparições são raras, afinal a mais otimista estimativa é de que haja, no máximo, 900 indivíduos desta simpática espécie de primata.

Um Projeto liderado pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) quer mudar esse panorama. A iniciativa é apoiada pelo ICMBio e tem foco especial no Parque Nacional do Superagui (PR), que corresponde a 70% do território ocupado por este animal.

O Projeto deve durar 18 meses. Em março deste ano, foram iniciadas as atividades de campo no Ariri, área de ocorrência da espécie no litoral sul de São Paulo. Para esta fase, foram contratados dois moradores da comunidade do Ariri que já possuem experiência com a espécie em trabalhos anteriores com ações de pesquisa e conservação.

“Esta é a fase de localização dos grupos em toda a área de distribuição – ilha de Superagui, área continental e nas duas áreas protegidas no Parque Nacional de Superagui e Parque Estadual do Lagamar de Cananeia”, informa o ICMBio.

Como o mico é uma espécie bastante carismática, tem um grande potencial para a sensibilização ambiental. Também serão realizados trabalhos de ações de educação ambiental com foco nos moradores da região, gerando engajamento e alertando para a importância da conservação da espécie.

Estima-se que cerca de metade da população está protegida no Parque, o restante está na parte continental. Esta, inclusive, é uma ameaça à conservação da espécie, porque, com a construção do canal que separou o continente da Ilha de Superagui, as populações também ficaram isoladas, culminando na diminuição de variabilidade genética.

Além disso, a longo prazo, o aquecimento global também pode comprometer a sobrevivência do mico-leão-de-cara-preta. O aumento do nível do mar prejudica o território da espécie que é próximo da cota zero do nível do mar, tanto no continente quanto na ilha.

As estimativas de adultos com condições de reprodução não passam de 250 indivíduos. A maturidade sexual deste animal gira em torno de 1,5 a 2 anos e eles são em geral, monogâmicos, ainda que haja alguns registros de poligamia. A gestação da fêmea dura aproximadamente quatro meses e geralmente com dois filhotes por vez.