Empresa vegana lança alimento para ajudar a combater a subnutrição na África

Por David Arioch

Power Gari, rico em nutrientes e parecido com a farinha de aveia (Foto: JUST/Divulgação)

Recentemente a marca vegana JUST, mais conhecida pelo JUST Egg, “o ovo sem ovo”, lançou um produto para ajudar a combater a subnutrição na África. O Power Gari, que é rico em nutrientes e parecido com a farinha de aveia, é resultado de dois anos de desenvolvimento.

“Nós passamos dois anos na Libéria trabalhando com a comunidade para criar uma solução de longo prazo para um sistema alimentar falido”, informa o diretor de mercados emergentes da JUST, Taylor Quinn, que vive na Libéria.

Para além da África Ocidental, Quinn destaca que atualmente 2,1 bilhões de pessoas no mundo todo lutam para colocar comida nutritiva na mesa, e que a criação do Power Gari é uma das soluções para esse problema tão grave.

“Musu é uma das minhas vizinhas. Ela é uma mãe que quer alimentar seus filhos com boa comida. O problema não é falta de comida, mas sim a falta de nutrientes”, explica, em referência à necessidade de oferta de um produto nutritivo e acessível à população.

O Power Gari é produzido em parceria com a empresa liberiana Kawadah Farms, que adquire matéria-prima diretamente de pequenas agricultoras. “Milhões de refeições de Power Gari serão servidas este ano”, garante Taylor Quinn.

Avaliada em um bilhão de dólares, a JUST lançou o seu “ovo sem ovo” no final de agosto de 2018 nos Estados Unidos, e o produto vem conquistando o mercado norte-americano pela semelhança em sabor e textura, embora seja baseado em dois ingredientes principais e talvez improváveis para a maioria – proteína isolada de feijão mungo e cúrcuma. O produto também já está disponível no mercado chinês.

Depois que as ações da Beyond Meat, mais famosa pelo hambúrguer vegetal Beyond Burger, fecharam em alta de 163% na estreia em Wall Street no início do mês, quando a empresa passou a ser avaliada em 3,8 bilhões de dólares após a oferta pública inicial (IPO), a startup JUST anunciou este mês que pretende seguir o mesmo caminho.

Abaixo-assinado com mais de 2,1 milhões de apoios contra Festival de Carne de Cachorro vai ser entregue na Embaixada da China

Por David Arioch

O objetivo é mostrar que o Brasil é contra a realização desse evento e que, além de injustificável, prejudica a imagem internacional dos chineses (Foto: HSI)

No dia 12 de junho, às 11h, o movimento Nação Vegana Brasil vai entregar na Embaixada da China, em Brasília, um abaixo assinado com mais de 2,1 milhões de apoios contra o Festival de Carne de Cachorro. O objetivo é mostrar que o Brasil é contra a realização desse evento e que, além de injustificável, prejudica a imagem internacional dos chineses.

Chamado oficialmente de Festival de Lichia e Carne de Cachorro, o evento realizado em Yulin, na província de Guangxi, entre os dias 21 e 29 de junho, deve abater cerca de 10 mil cães este ano, segundo a organização Humane Society International (HSI).

O primeiro festival foi realizado em 2009, e surgiu a partir da crença de que comer carne de cachorro durante o verão chinês traz sorte e boa saúde. Há até mesmo uma crença de que afasta doenças e aumenta o desempenho sexual dos homens.

O problema é que o custo disso é a morte violenta de milhares de cães, além de gatos, que com certeza não gostariam de ter suas vidas precocemente usurpadas para atender interesses humanos não imprescindíveis, assim como fazemos com bois, vacas, porcos, frangos, galinhas, etc.

Embora tenha se tornado tradicional, já tem alguns anos que o Festival de Yulin, como também é conhecido, conquistou má fama fora da China. Ademais, não são poucos os cães e gatos servidos no evento que são abatidos aos olhos do público.

Caso queira assinar o abaixo-assinado, clique aqui.

Documentário que explora os conflitos de uma mulher que se dedica aos animais estreia nos EUA no dia 31

Por David Arioch

Kathy tem uma relação de amor e respeito com patos, galinhas, gansos e perus, entre galináceos de outras espécies (Foto: For the Birds/Divulgação)

No dia 31, estreia nos Estados Unidos o documentário “For the Birds”, que explora os conflitos de uma mulher que se dedica aos animais.

Dirigido pelo cineasta vegano Richard Miron, o filme conta a história de Kathy, que tem uma relação de amor e respeito com patos, galinhas, gansos e perus, entre galináceos de outras espécies – resgatados de situações de maus-tratos e matadouros.

Ela é responsável por 200 aves e colocou em risco até mesmo o próprio casamento pelo seu trabalho em prol dos animais. Essa é uma das facetas exploradas por Miron, que destaca também como o universo da defesa animal está longe de ser simples como muita gente imagina.

O que começa como uma história sobre a batalha de Kathy contra outros grupos de defesa animal, se transforma lentamente em um drama íntimo sobre os custos do seu amor e compaixão pelos animais. Ela é obrigada a lidar com as mais diferentes lutas.

“Nós os amamos, comemos, os resgatamos, os confinamos – as contradições continuam. Já vi muitos documentários sobre direitos animais, mas havia uma determinada e sutil realidade que senti que eu não estava vendo na tela. Então comecei a fazer um filme que explorasse as morais áreas turvas da forma como tratamos os animais”, justifica.

Além do olhar sobre a questão animalista e vegana, em “For the Birds”, Miron quis também voltar a sua atenção para a fundamentação e consequência das escolhas humanas quando se voltam mais para os seres não humanos. O documentário estreia em Nova York no dia 31 e em Los Angeles no dia 14 de junho. Em julho, o filme vai ser disponibilizado nas plataformas digitais.

Tereza Cristina diz que exportação de “gado em pé” para o Vietnã é um mercado novo que se abre

Por David Arioch

Eles querem a carne brasileira. É um mercado novo que se abre, um país que tem 100 milhões de pessoas”, destacou (Fotos: Mapa/Save Movement)

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, que se reuniu com o primeiro-ministro do Vietnã, Nguyen Xuân Phúc, disse ontem que o país asiático está disposto a abrir o mercado de carne bovina para o Brasil no segundo semestre deste ano.

De acordo com a ministra, os vietnamitas demonstraram grande interesse na compra de “boi em pé”. “Eles querem a carne brasileira. É um mercado novo que se abre, um país que tem 100 milhões de pessoas”, destacou.

Em contrapartida à compra de “gado em pé”, o Vietnã quer exportar camarão e ampliar a venda de peixe da espécie panga no Brasil.

Bombeiro vegano processa governo de Ontário por deixá-lo sem comida

Por David Arioch

“Minhas crenças devem ser respeitadas, inclusive enquanto eu estiver trabalhando no combate a incêndios florestais” (Foto: Animal Justice/Divulgação)

O bombeiro canadense Adam Knauff, que atua no Corpo de Bombeiros de Ontário há 11 anos, está processando o governo por violar o seu direito de acesso à comida vegana enquanto trabalhava em Williams Lake, na Colúmbia Britânica.

Knauff, que atuou em um incêndio de grandes proporções por dez dias, trabalhando cerca de 16 horas diárias, teve de lidar com a falta de comida – mesmo desempenhando um trabalho que exigia muito vigor físico e não oferecia a possibilidade de se ausentar.

Segundo a organização Animal Justice, que representa o bombeiro, ele disse que repetidamente pediu que fornecessem comida vegana, mas o pedido continuou sendo ignorado. Adam Knauff então foi obrigado, em muitas situações, a ficar com fome para não trair as suas próprias convicções.

Por causa de suas queixas, o Corpo de Bombeiros ainda o puniu disciplinarmente e o deixou sem salário. “Sou vegano porque não quero prejudicar ou matar animais. Por mais de 20 anos, esse sistema de crenças influenciou todos os aspectos da minha vida e me tornou consciente da epidemia global que envolve o abuso de animais para alimentação”, justificou na terça-feira.

E acrescentou: “Minhas crenças devem ser respeitadas, inclusive enquanto eu estiver trabalhando no combate a incêndios florestais. O veganismo tem um potencial incrível para mudar o mundo promovendo a compaixão e o respeito pelos outros, e isso deve ser celebrado – não punido, desprezado ou menosprezado.”

Em queixa ao Tribunal de Direitos Humanos de Ontário, o bombeiro afirmou que foi discriminado por ser vegano, e percebeu isso no momento em que seus supervisores inviabilizaram qualquer possibilidade de ele receber comida vegana.

Desde 2016, o Código de Direitos Humanos de Ontário prevê atenção às necessidades dos veganos, já que o veganismo está classificado como uma crença não-religiosa, uma filosofia de vida fundamentada em um posicionamento ético. Portanto, seus adeptos não podem ter seus direitos negados – aponta a Animal Justice.

Prefeito cria Semana da Consciência Vegana no Canadá

Por David Arioch

Semana da Consciência Vegana termina no domingo com o Kelowna VegFest 2019 (Foto: Kelowna Vegan Festival/Divulgação)

O prefeito de Kelowna, na Colúmbia Britânica, Colin Basran, criou a Semana da Consciência Vegana na cidade, a pedido dos coordenadores do Kelowna VegFest. A iniciativa que inclui a oferta de eventos e outras atividades até domingo, quando será realizado o tradicional festival vegano local, é uma forma de aproximar mais as pessoas da realidade do veganismo.

Esta semana, além de mostrar como o veganismo é possível, ainda serão oferecidas palestras sobre como se tornar um empreendedor vegano, nutrição vegana no esporte e jornada rumo ao desperdício zero. “Nossa equipe está profundamente comovida ao ver uma comunidade vegana se unindo”, enfatiza a direção do restaurante vegano Naked Cafe.

No domingo, pelo menos 70 expositores vão participar do Kelowna VegFest, que também oferece palestras, aulas de ioga, apresentações musicais e oficinas de culinária. Segundo a organização do evento, Kelowna está se tornando conhecida por ser vegan-friendly, e hoje é fácil encontrar opções para veganos na cidade de pouco mais de 130 mil habitantes.

Veganismo está ganhando espaço na África do Sul

Por David Arioch

Scheckter’s Raw na Cidade do Cabo, na Regent Street, em Sea Point, uma das opções para veganos (Foto: Inside Guide)

De acordo com informações do Google Trends, a África do Sul é um dos 30 principais países onde o veganismo está se tornando mais popular atualmente. Ocupando a 23ª posição, a África do Sul é uma nação onde o veganismo está ganhando mais espaço.

Para se ter uma ideia, em 2014 a pontuação da África do Sul tratando-se de veganismo era de 14 e no ano passado já subiu para 27, ou seja, quase o dobro em quatro anos. Segundo o Google, as províncias do Cabo Ocidental e do Cabo Oriental concentram o maior número de veganos.

Entre as cidades mais indicadas para quem busca opções veganas na África do Sul, considerando pontuação de 100 a 54 pontos, estão Stellenbosch, Randburg, Cidade do Cabo, Sandton (na Região Metropolitana de Joanesburgo) e Porto Elizabeth.

Infelizmente, a capital sul-africana não está entre as cidades mais populares entre veganos, segundo o Google. Joanesburgo obteve apenas 35 pontos, ficando atrás de Roodepoort, Kempton Park, Centurião e Midrand.

Depois da África do Sul, há alguns países insulares do continente onde o veganismo não é uma filosofia de vida tão desconhecida – como Seychelles, Namíbia, Maurício, Ilha da Reunião e Botsuana.

Embora a Etiópia não apareça nas pesquisas, o país é conhecido por oferecer inúmeras opções alimentícias para veganos. Exemplos? Basta considerarmos alimentos como o Injera, um tipo de pão ázimo sem glúten; e Shiro, um prato à base de pó de grão-de-bico cozido com o típico molho berbere vermelho.

Outras opções são o Atkilt Wot, um combinado de repolho, cenoura e batatas cozidas em um molho leve; Azifa, uma salada de lentilhas; e Gomen, à base de couve e especiarias cozidas, além de muitos outros pratos.

Claro, embora os dados do Google Trends sejam uma boa referência para viajantes e curiosos, é possível encontrar mais opções em outros países e regiões do continente africano que não entram nas estatísticas do Google.

Parlamentares recebem manifesto contra a liberação da caça no Brasil

Por David Arioch

Segundo o Ibope, 93% da população é contra leis de liberação e incentivo à caça no país (Foto: Criene/Thinkstock)

Parlamentares que fazem parte das comissões em defesa dos animais e do meio ambiente receberam esta semana, no auditório Freitas Nobre, no subsolo da Câmara dos Deputados, um manifesto da sociedade civil contra a liberação da caça no Brasil.

Entre os participantes estavam os coordenadores da Frente Ambientalista, deputado Nilto Tatto (PT-SP); da Frente em Defesa dos Direitos dos Animais, deputado Fred Costa (Patri-MG); da Subcomissão em Defesa dos Direitos dos Animais, deputado Célio Studart (PV-CE); e da Comissão de Meio Ambiente, deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP).

A organização World Wide Fund for Nature também participou da entrega e destacou que a maioria dos brasileiros é contra a liberação da caça. A WWF Brasil lembrou que, segundo pesquisa encomendada pela organização junto ao Ibope, 93% da população é contra leis de liberação e incentivo à caça no país.

Para a pesquisa, o Ibope ouviu mais de duas mil pessoas com idade a partir de 16 anos de 142 cidades brasileiras de todas as regiões.

Filhote de peixe-boi é resgatado na Flona de Caxiuanã (PA)

Por David Arioch

O peixe-boi foi encontrado este mês pelos moradores da comunidade Itaperú, no Rio Anapú (Foto: ICMBio)

Servidores da Floresta Nacional de Caxiuanã (PA) resgataram um filhote de peixe-boi-da-Amazônia (Trichechus inunguis). O animal é um macho de aproximadamente um mês de idade, pesa seis quilos e foi batizado de Itaperúzinho, em homenagem à comunidade ribeirinha onde o localizaram.

O peixe-boi foi encontrado este mês pelos moradores da comunidade Itaperú, no Rio Anapú, se debatendo às margens do rio, e, segundo os moradores, não estava junto da mãe. Os moradores resgataram o animal e entraram em contato com a chefia da Flona de Caxiuanã. Foi acionado então um plano de resgate do mamífero, já que devido ao pouco tempo de idade e a identificação de ferimentos, havia risco de morte.

Itaperúzinho foi colocado num tanque improvisado e transportado até o município de Portel, com apoio da Coordenação Regional do ICMBio de Belém, que disponibilizou um veterinário especializado para prestar as orientações sobre os cuidados preliminares a serem adotados. Depois o mamífero foi transportado para Santarém, onde existe um centro de reabilitação e reintrodução da espécie à natureza.

Este é o segundo resgate de peixe-boi da Amazônia na Flona de Caxiuanã. Em 2016, foi resgatada na Vila do Brabo, na comunidade Santo Antônio, uma fêmea chamada Kaluanã. Ela também recebeu os cuidados iniciais da equipe da Flona e posteriormente foi auxiliada pelo Grupo de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (GEMAM) e veterinários do grupo Bioma, pertencente à Universidade Federal do Pará (UFPA).

Kaluanã foi transferida para o zoológico da Unama, em Santarém, para receber os cuidados necessários para sua reabilitação e devolução ao seu habitat.

Bulgária se torna exemplo em manejo florestal

Por David Arioch

Os recursos permitiram que o país ampliasse ainda mais seus programas ambientais (Foto: Valentin Valkov/Shutterstock)

A Bulgária, cujas florestas cobrem mais de um terço de sua área terrestre, é um dos pontos de maior biodiversidade da Europa. Ursos marrons, linces e lobos podem ser encontrados em suas florestas, que também abrigam centenas de espécies de aves, bem como uma grande variedade de tipos de árvores, incluindo faias, pinheiros, abetos e carvalhos.

O país tem uma longa tradição de práticas de manejo florestal. Programas de monitoramento em grande escala estão em vigor e as comunidades locais são conhecidas por manter um olhar atento sobre o ambiente natural. Juntos, esses fatores permitiram que as autoridades nacionais aproveitassem ao máximo sua biodiversidade.

Mais de 90% da colheita anual de ervas silvestres e cultivadas são vendidos como matéria-prima para Alemanha, Itália, França e Estados Unidos, tornando a Bulgária um dos principais fornecedores mundiais neste setor. Ao ganhar experiência na proteção e uso sustentável de produtos florestais não madeireiros, o país se tornou modelo para outras nações dos Bálcãs.

Nos últimos doze anos, a Bulgária recebeu 335,3 milhões de dólares em financiamento da União Europeia para projetos de conservação. Essas iniciativas foram implementadas pelo Ministério do Meio Ambiente e da Água, por parques nacionais e naturais, municípios e organizações sem fins lucrativos.

Os recursos permitiram que o país ampliasse ainda mais seus programas ambientais e assegurasse que seus recursos florestais continuassem sendo utilizados de maneira sustentável. No entanto, Miroslav Kalugerov, diretor do Serviço de Proteção da Natureza da Bulgária no Ministério do Meio Ambiente e da Água, sabe por experiência que receber dinheiro para proteção ambiental não leva necessariamente ao sucesso.

Ele afirma que, embora o acesso a informações abrangentes seja vital para o bom gerenciamento de qualquer recurso natural, é apenas um primeiro passo em direção às soluções ambientais. “Sem dados, a conservação da natureza é caótica, os objetivos podem não ser cumpridos e a conservação de produtos florestais não madeireiros é impossível”, diz Miroslav.