Cerca de 150 canários peruanos são incinerados por falta de documentação sanitária

Por David Arioch

Os 144 canários foram incinerados na sede da Polícia Militar Ambiental (PMA) (Foto: PMA-MS)

Na semana passada, 144 canários peruanos foram resgatados de uma casa no bairro Dom Bosco, em Corumbá (MS). No entanto, o que tem chocado ativistas que atuam em defesa dos animais é que pelas aves “terem entrado” em território brasileiro sem documentação sanitária obrigatória elas tiveram um destino bastante cruel.

Os 144 canários foram incinerados na sede da Polícia Militar Ambiental (PMA). A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (IAGRO) alegou que os animais teriam de ser sacrificados porque poderiam colocar em risco a fauna avícola e a avicultura comercial.

Governo brasileiro negocia ampliação da exportação de carne halal

Por David Arioch

Tereza Cristina com o ministro da Agricultura da Indonésia negociando ampliar as exportações de carne halal do Brasil (Fotos: Mapa/Save Movement)

A ministra da Agricultura Tereza Cristina se reuniu ontem com o ministro da Agricultura da Indonésia, Amran Sulaiman, para discutir a abertura do mercado de carnes brasileiras para o país asiático.

A ministra disse que o Brasil tem condições de suprir a demanda por proteína animal da Indonésia, que é um país bem mais populoso que o Brasil.

“É um país que tem 270 milhões de pessoas. Se você somar o Vietnã e Indonésia, teremos um mercado de quase 300 milhões de pessoas que podem consumir vários produtos do agro brasileiro”, disse Tereza Cristina, acrescentando que o Brasil tem condições de vender carne a preços mais baixos que a Austrália.

Como 87% da população da Indonésia se identifica como muçulmana, caso o país concorde em se abrir mais para o mercado de carnes brasileiras, as exportações devem atender aos preceitos do abate halal.

Nesse processo, o animal não passa por nenhum suposto procedimento de insensibilização e recebe um corte no pescoço em movimento de meia-lua, que culmina no corte dos três principais vasos – jugular, traqueia e esôfago.

Esse tipo de abate, assim como o kosher, tem feito parte de muitas discussões sobre “bem-estar animal” em diversos países. No início do ano, por exemplo, a região de Flandres, na Bélgica, aprovou a proibição de abates halal e kosher, sob a justificativa de que como os animais não são submetidos a nenhum método de insensibilização, o sofrimento é ainda mais evidente.

De acordo com Ali Saifi, diretor-executivo da Cdial Halal, empresa de referência em certificação halal, até 2020 o Brasil tem condições de ampliar as exportações de carne halal em pelo menos 60%. Atualmente o país exporta para 22 países de cultura predominante islâmica – o que representa mais de dois milhões de toneladas de carne halal.

Nelson Barbudo (PSL) quer mais apoio do governo para a pesca esportiva

Por David Arioch

“A pesca do tucunaré-açu atrai pescadores esportivos de todo mundo” (Foto: Agência Câmara)

Na semana passada, o deputado Nelson Barbudo (PSL-MT) protocolou o Projeto de Lei (PL) 2877/2019, que propõe alterações na lei de Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca com o objetivo de beneficiar os praticantes da pesca esportiva.

Barbudo defende que a biodiversidade de peixes e a variedade de ambientes de pesca (bacias hidrográficas, lagos, reservatórios de hidrelétrica e mais de oito mil quilômetros de costa) confere ao Brasil um enorme potencial para atrair pescadores do mundo inteiro.

“A atividade carece, entretanto, de apoio governamental e normas específicas que possibilitem a plena organização do segmento”, afirma.

O deputado do PSL afirma que a diferenciação dos conceitos de pesca amadora e pesca esportiva na Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca é essencial para a posterior regulamentação específica da pesca esportiva.

“Como exemplo, citamos o Estado do Amazonas, no qual a atividade de pesca esportiva movimenta cerca de R$ 70 milhões ao ano, sendo cerca de R$ 10 milhões apenas no município de Barcelos, onde a pesca do tucunaré-açu atrai pescadores esportivos de todo mundo”, argumenta.

Duas baleias são encontradas mortas em área de proteção ambiental em SC

Por David Arioch

Um dos animais era uma fêmea de baleia jubarte medindo aproximadamente 7,8 metros (Foto: Udesc/Divulgação)

De acordo com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), duas baleias foram encontradas mortas na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca em Santa Catarina no final de semana.

Um dos animais era uma fêmea de baleia jubarte medindo aproximadamente 7,8 metros, que encalhou na Praia da Cigana, em Laguna, na noite de sexta-feira. A outra baleia era da espécie minke, e já estava em avançado estado de decomposição. Apenas a coluna vertebral foi localizada em meio às pedras no costão da Praia do Luz, em Imbituba.

A Secretaria de Obras da prefeitura de Laguna recolheu a carcaça da jubarte e a enterrou após exames e coletas de amostras por pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Já a ossada da baleia-de-minke foi recolhida e destinada pela equipe da Udesc e do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

Como ajudar em caso de encalhe de algum mamífero marinho?

– Entre em contato com autoridades responsáveis

– Não tente remover a rede, caso o animal esteja enroscado em uma;

– Registre o local da ocorrência;

– Fotografe o animal para possibilitar a identificação da espécie e documentação do caso;

– Em caso de animais vivos, jamais tente devolver o animal para a água por conta própria. Pode ser perigoso devido ao tamanho e peso;

– Ajude a isolar a área mantendo pessoas e animais domésticos afastados;

– Evite respirar ar expirado pelos animais, pois há risco de contágio de doenças;

– Não se aproxime da cauda. Animais grandes em situação de debilidade física podem se tornar ariscos e usar a cauda como meio de defesa.

Montanhista Dean Maher é o primeiro vegano a escalar a face sul do Everest

Por David Arioch

“Estou muito orgulhoso de anunciar que me tornei o primeiro vegano do mundo a escalar o monte Everest (face sul)” (Foto: Dean Maher/Instagram)

O montanhista Dean Maher se tornou o primeiro vegano a escalar a face sul do monte Everest. Ele publicou uma foto do feito no Instagram há três dias.

Além de não usar nenhum equipamento envolvendo matéria-prima ou insumo de origem animal, Maher aproveitou a oportunidade para fazer uma declaração:

“Estou muito orgulhoso de anunciar que me tornei o primeiro vegano do mundo a escalar o monte Everest (face sul). Não usei penugem, nem couro, nem lã, nem seda, etc, mostrando que não é preciso ferir os animais para realizar seus maiores sonhos.”

Maher recebeu orientação do também montanhista Kuntal Joisher, que também é vegano e atingiu o topo do Everest em 2016.

Indústria de carnes vegetais registrou US$ 19,5 bi em vendas em 2018

Por David Arioch

Hedin aponta que disponibilidade e preços, se tratando de alternativas à carne, são fatores-chave (Foto: Molly Patrick)

De acordo com um relatório da empresa global de pesquisa de mercado Euromonitor International, a indústria de carnes vegetais registrou 19,5 bilhões de dólares em vendas em 2018.

“O consumo de carne está sendo reduzido principalmente por consumidores que tentam reforçar hábitos alimentares mais saudáveis e se preocupam com as mudanças climáticas”, informa o consultor da Euromonitor, David Hedin, acrescentando que a preocupação com o bem-estar dos animais também tem contribuído pra isso.

Na pesquisa Estilos de Vida, da Euromonitor, é destacado que 41,9% dos entrevistados dizem crer que as mudanças climáticas afetarão negativamente suas vidas entre 2019 e 2024, com residentes no Reino Unido, Estados Unidos e Rússia expressando a maior preocupação entre os cidadãos globais sobre as questões ambientais.

Hedin aponta que disponibilidade e preços, se tratando de alternativas à carne, são fatores-chave para ampliar o interesse por produtos à base de vegetais.

De acordo com uma recente pesquisa da Research & Markets, o segmento deve valer US$ 3 bilhões só nos EUA até 2024. Há uma estimativa de crescimento anual de 24% nos próximos cinco anos.

O diferencial, segundo a Research & Markets, é que as empresas estão levando a sério fatores como sabor, cor e textura para realmente conquistarem consumidores que não se veem abandonando ou substituindo a carne.

“Parcerias estratégicas são vitais para expansões no mercado de carne baseada em vegetais”, aponta o relatório. Outro diferencial desse mercado é que as opções vegetais são consideradas mais saudáveis do que as oferecidas pela indústria convencional de carnes.

Marca brasileira Tássia Ely desenvolve peças com couro de animais silvestres

Por David Arioch

Segundo a empresa, as matérias-primas de suas peças resultantes do abate de animais silvestres são certificadas e regularizadas pelo Ibama (Fotos: Reprodução)

“Uma marca de couros nobres e exóticos é conhecida por suas peças elegantes e atemporais, com um distinto senso de estilo”, se define a marca Tássia Ely, do Rio Grande do Sul, que desenvolve “produtos exóticos” à base de couro de python, jacaré, raposa e coelho.

Segundo a empresa, as matérias-primas de suas peças resultantes do abate de animais silvestres são certificadas e regularizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Em colaboração com uma equipe de profissionais altamente qualificados e matérias-primas cuidadosamente selecionados, a Tássia Ely vem ganhando grande reconhecimento no mercado de luxo”, afirma a empresa.

Além da loja virtual, os produtos da marca são comercializados em dezenas de lojas dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Paraíba. A lista completa de lojas pode ser consultada no site tassiaely.com.

Proposta do deputado Fred Costa quer acelerar atendimento aos animais em casos de desastre

Por David Arioch

“Vidas animais que estavam na ‘rota da lama’ foram severamente afetadas” (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

Protocolada na semana passada, uma proposta do deputado Fred Costa (PATRI-MG) quer acabar com a morosidade no atendimento aos animais em casos de desastre.

Por meio do Projeto de Lei (PL) 2924/2019, Costa quer garantir a celebração de convênios entre a União e conselhos regionais de medicina veterinária para a contratação emergencial de profissionais em casos de desastres ambientais.

A proposta também obriga os responsáveis por desastres ao ressarcimento de despesas para contratação de médicos veterinários. No entanto, os profissionais precisam ter treinamento específico para atendimento a animais nessas situações.

O PL também prevê a realização anual de reuniões com a presença de representantes dos conselhos regionais de medicina veterinária para alinhamento das políticas de prevenção e de ações emergenciais coordenadas em caso de eventos classificados como desastres.

“Em desastres de grandes proporções, como o rompimento da Barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), não só vidas humanas são comprometidas. Todo o ecossistema local sofre grandes prejuízos, especialmente a fauna da região afetada”, justifica Fred Costa.

E acrescenta: “Vidas animais que estavam na ‘rota da lama’ foram severamente afetadas. Além da triste realidade das vítimas e familiares da tragédia, diversos animais morreram ou ficaram à deriva em meio à lama que cobriu a região.” O projeto aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Vencedor do Lush Prize enfatiza que testes em animais não trazem resultados confiáveis

Por David Arioch

Renato com a professora Marize Valadares no dia da premiação do Lush Prize: “Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana” (Foto: Divulgação)

Vencedor do prêmio internacional Lush Prize, que premia as melhores iniciativas de substituição aos testes em animais em pesquisas toxicológicas, o pesquisador Renato Ivan de Ávila nasceu em Goiânia e tem a Universidade Federal de Goiás (UFG) como norte da sua formação profissional.

Após a graduação em farmácia, se especializou em farmacologia clínica, concluiu mestrado em ciências farmacêuticas e doutorado em ciências da saúde – parte conduzido na Lund University, da Suécia.

Mas foi antes, em 2008, que despertou o interesse pela pesquisa científica, quando foi introduzido a um projeto de iniciação científica. Ávila conta que a responsável foi a professora Marize Campos Valadares, que o orientou durante a iniciação científica até a finalização do doutorado.

“Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana”, revela.

Após a graduação, Renato trabalhou no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Goiás (LACEN-GO), onde adquiriu experiência como professor da Residência Multiprofissional da Secretaria da Saúde de Goiás.

“Ano passado, fui professor temporário de toxicologia para alunos de graduação em farmácia na UFG e também em disciplina de biossegurança para diferentes cursos – farmácia, direito, engenharias, medicina, biomedicina, veterinária etc”, informa.

Hoje, considerando a atual conjuntura política, Renato de Ávila não vê boas oportunidades para continuar no Brasil. Por isso tomou a decisão de trabalhar, a partir de junho, na empresa sueca de biotecnologia SenzaGen, em parceria com a Lund University.

Em entrevista ao VEGAZETA, o pesquisador fala sobre o interesse em buscar alternativas aos testes em animais, premiações e o futuro da pesquisa toxicológica, entre outros assuntos. Confira:

Como surgiu o interesse por desenvolver uma alternativa aos testes em animais? Trabalho que você já tem desenvolvido há dez anos.

Nesses 10 anos, a minha área de pesquisa é a Toxicologia, uma ciência que procura investigar os efeitos danosos que substâncias químicas ou misturas possam causar no organismo humano. Apesar de ser uma área de estudo antiga, veio de um grupo de pesquisa que reconhece que a Toxicologia, assim como outras partes da ciência, ainda usa protocolos obsoletos envolvendo animais.

São obsoletos, uma vez que causam dor e sofrimento desnecessário aos animais e são modelos que falham, ou seja, não trazem resultados confiáveis. Como dizem pesquisadores de referência na nossa área, “o homem não é um camundongo de 70 kg” e, por isso, há diferenças entre o organismo do homem e de outros animais.

Nessa perspectiva, meu desafio é desenvolver modelos inovadores, sem animais, que imitem melhor o organismo humano na busca de respostas sobre o que pode ser tóxico ou não, seja um medicamento, um cosmético ou um agrotóxico, por exemplo.

 Então o projeto é bem mais amplo do que criar uma alternativa para a substituição dos testes sem animais na indústria cosmética?

É mais amplo. Meu projeto é voltado para investigar se alguma substância ou produto pode ocasionar alergias severas quando em contato com a pele (esse evento é clinicamente conhecido como dermatites alérgicas de contato).

Nesse sentido, toda substância ou produto que, de forma intencional (ex.: cosmético) ou não (ex.: agrotóxico), possa entrar em contato com a pele deve ter a resposta para a seguinte pergunta: tem potencial ou não para promover alergias na pele? Essa é uma pergunta que fabricantes de cosméticos, medicamentos, agrotóxicos, dentre outros, devem investigar para solicitar a venda do seu produto em algum país.

Com o meu trabalho, propus uma estratégia eficaz, sustentável e livre de animais de laboratório e até com capacidade preditiva superior aos modelos animais historicamente usados para avaliar o potencial alergênico de produtos. No Brasil, é uma área de extrema carência e por isso necessitamos de autonomia tecnológica.

Para isso, é fundamental investimento em Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (PD&I) para adequar os modelos inovadores atuais às nossas necessidades regulatórias e científicas. Com isso, meu projeto veio a contribuir para o fortalecimento das bases científicas e tecnológicas para a implementação e desenvolvimento de experimentação sustentável in vitro (sem animais de laboratório) no Brasil.

Os modelos historicamente usados para a avaliação toxicológica de alergenicidade envolvem o uso de camundongos e porquinhos-da-índia. Para se ter uma ideia, a literatura mostra que o desempenho desses ensaios animais em relação aos dados humanos é de 72%.

Meus resultados, usando técnicas 100% livre de animais de laboratório, alcançaram um desempenho superior a 90% e, a depender do ensaio, um valor máximo de 100%. Assim, evidencia-se a superioridade preditiva das tecnologias in vitro quando comparadas com os protocolos que usam animais de laboratório.

 Vocês levaram quanto tempo para desenvolver uma estratégia de testes, baseado no mapa molecular do processo alérgico, capaz de determinar se uma substância causa ou não alergia? E como esse trabalho foi desenvolvido?

Essa busca foi longa, durante os quatro anos do meu doutorado. O mapa molecular dos principais eventos celulares e bioquímicos do processo alérgico foi publicado pela Organisation for the Economic Co-operation and Development (OECD) em 2012, portanto algo bem recente. Em cima desse conhecimento, estabelecemos métodos inovadores que avaliam se um produto ou substância tem a capacidade de reagir com as proteínas da pele e promover alterações nas células da pele que culminem para o desenvolvimento de alergias.

Assim, utilizamos proteínas sintéticas e células humanas cultivadas em laboratório, entre elas queratinócitos, uma das células mais presentes na pele, e células dendríticas que são responsáveis por processar e identificar substâncias alergênicas no organismo.

Uma parte das minhas análises foi conduzida na Lund University, sob a orientação da professora Malin Lindstedt. Em seu grupo de pesquisa, tive a oportunidade de ser treinado em uma tecnologia inovadora, chamada GARD (Genomic Allergen Rapid Detection), baseada no conhecimento dos 200 genes humanos que são alterados por substâncias alergênicas.

Esse ensaio foi desenvolvido pelo grupo da professora Malin e hoje é um produto comercial disponível para indústrias e pesquisas que adotam práticas tecnológicas inovadoras livres do sofrimento animal.

De onde veio o investimento para a pesquisa e quantas pessoas participaram do projeto?

Contou com investimento de diferentes instituições e entidades. No Brasil, contou com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FUNAPE) da UFG, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). No nível internacional, o prêmio “Lush Prize” também foi investido no projeto, juntamente com o apoio da Swedish Foundation for Strategic Research e da Faculdade de Engenharia (LTH) da Lund University.

Contei com a participação de uma equipe multiprofissional, de diferentes backgrounds, entre farmacêuticos, químicos, odontólogos e engenheiros, entre eles: Danillo F. M. C. Veloso, Gabriel C. Teixeira, Thaisângela L. Rodrigues, Tim Lindberg, Malin Lindstedt, Simone G. Fonseca, Eliana M. Lima, Marize C. Valadares.

Você foi bolsista do Ciência Sem Fronteiras, certo? Seria possível desenvolver esse trabalho sem o programa?

Realizei parte do meu doutorado (nove meses) na Lund University com investimento do Ciência Sem Fronteira. Foi uma experiência muito relevante, tanto a nível profissional como pessoal. Pude ser treinado em técnicas inovadoras e tive contato com importantes pesquisadores da minha área.

Pude desenvolver parte da minha pesquisa lá, aumentando o impacto do meu trabalho. Aprendi bastante e pude repassar o conhecimento para o meu grupo de pesquisa e alunos. Morar em outro país também me permitiu crescimento pessoal e também tive uma troca cultural bastante interessante, uma vez que a cidade onde morei era uma cidade universitária.

Além de ser uma das 100 melhores universidades do mundo, a Lund University tem um processo de internacionalização do ensino e pesquisa muito interessante, e recebi anualmente alunos de todos os lugares do mundo. Então foi uma troca muito rica de experiências e conhecimentos.

Como você analisa a atual situação do Brasil em relação a cortes de investimentos em pesquisa científica e educação?

Pra mim, é muito frustrante o cenário atual. Passamos por cortes nos últimos quatro anos, mas nada tão preocupante havia sido visto como agora. Para se ter uma ideia, o atual presidente havia prometido para 2019 o menor orçamento dos últimos 14 anos para o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Em março desse ano, propôs o bloqueio de 42% desse orçamento – o que já era pouco, tornou-se escasso. Sem falar no bloqueio de investimentos impostos ao MEC. As consequências disso são diversas, como atraso tecnológico e perda dos jovens pesquisadores brasileiros para outras nações.

Precisamos de prioridades para o Brasil. Nossos governantes têm que entender que não há desenvolvimento econômico sustentável se não há educação de boa qualidade. Não há possibilidades de um país alcançar autonomia tecnológica se não há investimento em PD&I. Essa receita foi – e ainda é – adotada por diversas potências tecnológicas mundiais, entre elas EUA, Suécia, Alemanha, Coreia do Sul, Japão etc.

Renato, o prêmio de 10 mil libras do Lush Prize foi de grande ajuda no projeto?

O meu projeto já estava sendo desenvolvido quando ganhei o prêmio. Contudo, estávamos com a possibilidade de o projeto não ser finalizado pela falta de investimento. O Lush Prize permitiu que eu finalizasse minha pesquisa.

O que é preciso agora para ampliar a penetração dessa alternativa aos testes em animais no meio comercial?

O projeto foi realizado com técnicas in vitro, sendo que algumas já estão disponíveis em nível comercial. Contudo, tem sido estabelecido que apenas uma técnica in vitro não pode substituir o modelo animal – mas a integração de duas ou mais técnicas sim.

Nesse sentido, a inovação do trabalho foi investigar a forma em integrar diferentes técnicas e determinar sua aplicabilidade para produtos acabados, ou seja, para aquele cosmético ou medicamento comprado pelo consumidor. Assim, conseguimos identificar quais técnicas funcionam melhor, que são superiores aos testes animais, quando associadas em uma estratégia de testes in vitro.

Associado a isso, precisamos que a legislação acompanhe esse ganho tecnológico. Precisamos que as agências regulatórias, como a Anvisa, aceitem ensaios in vitro para avaliação toxicológica de produtos e substâncias químicas. Isso tem sido feito recentemente no Brasil, quando o Concea [Conselho Nacional de Experimentação Animal] reconheceu em 2014 a aplicabilidade dos métodos alternativos à experimentação animal. A partir de então, a Anvisa também passou a reconhecer esse ganho em 2015.

Além disso, precisam-se ter recursos humanos capacitados nas práticas inovadoras livres de animais. Nesse sentido, o grupo de pesquisa por meio do qual desenvolvi toda minha formação, o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro (Tox In/UFG), coordenado pela professora Marize, faz treinamentos periódicos para alunos, pesquisadores, profissionais da indústria e da área regulatória. Com esse trabalho importante na disseminação de métodos livres de animais no Brasil, nosso grupo ganhou o segundo Lush Prize, dessa vez na categoria Training, ano passado.

Você recebeu dois prêmios internacionais como jovem pesquisador. O projeto foi o mesmo ou tem alguma diferença?

Para a premiação, submeti a primeira parte do meu trabalho, realizado totalmente no Brasil, aqui na UFG. Nessa primeira parte, realizei melhoramentos de uma técnica existente. Esses refinamentos permitiram que a técnica se tornasse mais barata, com o uso de menos solventes orgânicos (portanto, uma técnica ambientalmente correta) e com aplicabilidade para identificar substâncias que se tornam alergênicas quando expostas a luz solar (o que é muito importante para países de alta incidência solar como o Brasil). E tudo isso sem o uso de animais. Esses dados foram publicados em um periódico muito importante da minha área [https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0887233317300875?via%3Dihub].

O investimento recebido com o Lush Prize foi fundamental para a finalização da segunda parte do projeto. Essa parte envolveu um trabalho mais desafiador do ponto de vista técnico-científico, em que estabelecemos uma estratégia integrada de testes para avaliação do potencial alergênico de “misturas da vida real” (ou seja, de produtos acabados na forma que chega ao consumidor, como o cosmético e o medicamento disponível na prateleira).

Além disso, esse trabalho teve um impacto na necessidade de estabelecer políticas públicas de saúde que garantam a qualidade de produtos cosméticos: detectamos casos de adulteração e falsificação de tinturas naturais de cabelo contendo henna com uma substância sintética altamente alergênica e que estudos mostram um potencial de promover câncer, chamada para-fenilenodiamina (PPD).

Nossas análises utilizando a estratégia de ensaios mostraram que esses produtos adulterados apresentam um risco aumentado para o consumidor, uma vez que apresentam o potencial maior em desencadear dermatites alérgicas. Os dados dessa pesquisa foram recentemente publicados em um jornal de alto impacto [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/cod.13294].

 Como você analisa a realidade nacional e internacional de pesquisas nessa área? Acredita o banimento dos testes em animais no mundo pode ser uma realidade próxima?

A legislação brasileira a respeito de métodos substitutivos à experimentação animal é recente. Somente em 2008 foi aprovada a Lei Arouca que legisla sobre a experimentação com animais e incentiva a adoção de métodos substitutivos aos animais de laboratório.

Em 2014, tivemos um marco regulatório com o reconhecimento de métodos alternativos pelo Concea e, mais tarde, pela Anvisa. Além disso, os grupos de pesquisa e indústrias vêm se estruturando para se adequarem a essa necessidade. Outros países, como aqueles da União Europeia, já estão bem à frente e inclusive são exemplos para o Brasil.

Apesar de ser um movimento recente no Brasil, temos obtidos ganhos de forma bem progressista. Por exemplo, conforme estabelecido na Resolução do Concea nº 18/2014, em setembro de 2019, estabelecerá o prazo final para que o Brasil faça a substituição dos tradicionais métodos animais de avaliação de alguns parâmetros toxicológicos por métodos inovadores.

Por exemplo, o tradicional ensaio de avaliação de irritação ocular, chamado Teste de Draize, não será mais permitido no Brasil para qualquer produto, seja cosmético, medicamento ou agrotóxico. O Teste de Draize é um exemplo de protocolo animal obsoleto: é um teste que foi desenvolvido por volta de 1944 e que consiste em aplicar um produto no olho de coelhos vivos e verificar alterações oculares indicativas de irritação.

Apesar de ser um método antigo, nunca passou por acreditação científica, e mesmo assim vem sendo historicamente aceito pelas agências regulatórias do mundo todo. Hoje, como temos métodos superiores livres de dor e sofrimento animal e que imitam melhor as condições fisiológicas do organismo humano, esse ensaio finalmente poderá ser banido no Brasil para qualquer tipo de produto – e não apenas para cosméticos como ocorre na União Europeia, por exemplo.

Então a sociedade está caminhando para práticas inovadoras e humanizadas. E isso tem sido fruto dos investimentos realizados que permitem que a Ciência avance – e a sociedade também.

Mercado vegano será inaugurado em agosto em Edimburgo, na Escócia

Em agosto vai ser inaugurado em Edimburgo, na Escócia, um mercado vegano que promete oferecer tudo que um vegano precisa e um pouquinho mais.

(Foto: Getty Images)

Além de produtos considerados de consumo básico, incluindo verduras, frutas e legumes, o mercado também vai comercializar carnes, queijos e leites vegetais, além de lanches e outros tipos de mantimentos.

De acordo com o empreendedor Alasdair Corbett, a intenção é facilitar a vida dos veganos. A loja será na Easter Road em Leith. A escolha do nome, que deve ser divulgado em breve, está sendo feita via Facebook, segundo o Edinburgh Live.