Abaixo-assinado do Nação Vegana Brasil contra o Festival de Carne de Cachorro de Yulin ultrapassa 2,1 milhões de assinaturas

Por David Arioch

A estimativa é de que até dez mil animais serão abatidos, segundo a organização Humane Society International (Acervo: HSI)

Entre os dias 21 e 29 de junho vai ser realizado em Yulin, na China, o Festival de Lichia e Carne de Cachorro. A estimativa é de que até dez mil animais serão morte, segundo a organização Humane Society International (HSI).

O primeiro festival foi realizado em 2009, e surgiu a partir da crença de que comer carne de cachorro durante o verão chinês traz sorte e boa saúde. Há até mesmo uma crença de que afasta doenças e aumenta o desempenho sexual dos homens.

O problema é que o custo disso é a morte violenta de milhares de cães, além de gatos, que com certeza não gostariam de ter suas vidas precocemente usurpadas para atender interesses humanos não imprescindíveis, assim como fazemos com bois, vacas, porcos, frangos, galinhas, etc.

Embora tenha se tornado tradicional, já tem alguns anos que o Festival de Lichia e Carne de Cachorro, mais conhecido como Festival de Yulin, conquistou má fama fora da China. Ademais, não são poucos os cães e gatos servidos no evento que são abatidos aos olhos do público.

Em oposição ao evento, o movimento Nação Vegana Brasil criou um abaixo-assinado que já conta com mais de 2,1 milhões de assinaturas. “Queremos que a pressão contra o festival tenha muita mais força e, por isso, achamos importante sermos recebidos pela Embaixada da China em Brasília”, informa Kaz Raquel Sabino.

Por isso, além das assinaturas, o Nação Vegana Brasil pede que as pessoas apoiem a iniciativa ligando para a Embaixada da China ou enviando um e-mail solicitando que o movimento seja recebido em Brasília para a entrega formal das assinaturas.

Para apoiar a campanha, ligue para a Embaixada da China (em Brasília) ou para o Consulado (em São Paulo):

(61) 2195-8200 ou 2195-8271

(11) 3069-9895 ou 3069-9877

Ou envie um e-mail para: chinaemb_br@mfa.gov.cn ou consuladochinasaopaulo@gmail.com

Caso não tenha assinado ainda o abaixo-assinado, clique aqui.

Consumo de carne pode reduzir eficácia de medicamentos

Por David Arioch

Indústria farmacêutica lucra cinco bilhões de dólares por ano com a produção de antibióticos para animais criados para consumo (Foto: Shutterstock)

O consumo de carne pode reduzir a eficácia de medicamentos. Não é difícil chegar a essa conclusão considerando quatro trabalhos – um relatório da Animal Pharm, que desenvolve estudos globais sobre nutrição e saúde animal, uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e outra pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique e um estudo da ONU divulgado no final de abril.

O primeiro aponta que a indústria farmacêutica lucra cinco bilhões de dólares por ano com a produção de antibióticos para animais criados para consumo – como bovinos, suínos, aves, etc. Só nos Estados Unidos, o maior produtor de carne bovina, seguido pelo Brasil, cerca de 70% dos antibióticos comercializados são destinados a animais que mais tarde serão abatidos.

O problema é que o uso contínuo de antibióticos, antifúngicos e antivirais, ainda comum na produção mundial de carne, segundo a Animal Pharm, pode fazer com que tanto animais criados para consumo quanto seres humanos sejam afetados por doenças em que o tratamento consiste no uso de medicamentos já ineficazes em lidarem com as chamadas superbactérias.

Segundo a Animal Pharm, no mundo todo as empresas farmacêuticas continuam fazendo lobby contra a regulamentação mais rigorosa dos antimicrobianos que têm uma ampla gama de usos. De acordo com o diretor de políticas da organização Sustainable Food Trust, Richard Young, assim que as empresas produzem um antibiótico, surge o dever de ganhar o máximo possível de dinheiro para os seus acionistas.

“Essa é uma indústria muito sofisticada, com uma longa história de lobby. O problema é que grande parte dos dados usados ​​pelos reguladores é gerada por cientistas ligados às empresas farmacêuticas”, enfatiza o editor da Animal Pharm, Joseph Harvey.

Ele acrescenta que o uso excessivo de antibióticos tem despertado particular preocupação na Ásia, América Latina e África Austral, países que inclusive sustentam frágil legislação contra o uso de alguns tipos de antibióticos.

Harvey destaca que bactérias em humanos e animais criados para consumo continuam mostrando resistência aos antimicrobianos mais amplamente utilizados:

“Por exemplo, a resistência à ciprofloxacina é muito alta em [casos de] campilobacteriose, que causa infecções severas transmitidas por alimentos, e isso reduz a eficácia do tratamento. As salmonelas, que são resistentes a múltiplas drogas, também continuam a se espalhar por toda a Europa e isso tem sérias implicações para a saúde pública.”

Já falando especificamente do Brasil, no ano passado a organização World Animal Protection (WAP) financiou uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), que identificou a presença generalizada de bactérias resistentes a antibióticos em amostras de carne comercializadas em grandes redes de hipermercados do Brasil – como Carrefour, Extra, Pão de Açúcar e Walmart.

Pesquisas realizadas no Brasil, Austrália, Europa, EUA, China e Tailândia já haviam mostrado que quanto maior o uso de antibióticos, especialmente na ração ou água, maiores são as taxas de bactérias resistentes a antibióticos presentes entre animais criados em sistemas intensivos, segundo a WAP.

Há uma estimativa de que mais de 131 mil toneladas de antibióticos são utilizadas todos os anos nas cadeias de criação da pecuária mundial. Segundo levantamento do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, sediado na Suíça, os porcos são os animais que mais recebem antibióticos.

Após o desmame precoce, normalmente os leitões têm as caudas cortadas e são castrados sem anestesia, e é nessa etapa que começam a receber as primeiras doses de antibióticos, de acordo com informações do estudo comandado pelo pesquisador e epidemiologista Thomas van Boeckel.

Já as porcas mães são medicadas para que não desenvolvam infecções causadas por ferimentos e pelo estresse de viver por toda a vida em gaiolas do tamanho de uma geladeira comum.

O uso de medicamentos também é uma alternativa para evitar doenças em galpões superlotados de animais, onde o estresse é constante, e as condições facilitadoras da proliferação de superbactérias.

Se tratando da avicultura, um dos usos mais comuns são dos antibióticos ionóforos, que ajudam a estimular o crescimento e o ganho de peso do animal ao mesmo tempo em que se evita a coccidiose, doença intestinal que afeta frangos e galinhas quando ingerem os próprios excrementos ou de algum parceiro em confinamento. No entanto, com o uso frequente, os efeitos vão sendo minados.

No final do mês passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) também divulgou o seu próprio relatório sobre o assunto, destacando que nesse ritmo até 2050 dez milhões de pessoas no mundo poderão morrer a cada ano devido a doenças resistentes a medicamentos.

Segundo a publicação, infecções que não respondem a remédios são responsáveis por pelos menos 700 mil óbitos anualmente. Dessas mortes, 230 mil são causadas por formas de tuberculose capazes de sobreviver a diferentes fármacos.

O relatório aponta que doenças comuns, como infecções respiratórias, urinárias e também infecções sexualmente transmissíveis, estão se tornando cada vez mais difíceis de serem tratadas.

Fundador da Sea Shepherd ganha mais um documentário sobre o seu trabalho em defesa dos oceanos

Por David Arioch

Watson: “São 42 anos de campanha em prol da vida selvagem no oceano” (Foto: Barbara Veiga/Sea Shepherd)

O fundador da organização de conservação da vida marinha Sea Shepherd, o canadense Paul Watson, ganhou no mês passado mais um documentário sobre a sua vida como um ambientalista defensor dos oceanos.

Dirigido por Lesley Chilcott, de documentários como “Uma Verdade Inconveniente”, o filme “Watson” é qualificado pelo próprio homenageado como um bom trabalho. “Realmente cobre a minha vida – é mais do que ‘Whale Wars’. São 42 anos de campanha em prol da vida selvagem no oceano”, disse Watson ao jornal diário AM New York.

“Whale Wars – Defensores de Baleias” foi uma série veiculada pelo Animal Planet em 2008, que mostrava as táticas do grupo para bloquear navios baleeiros e garantir que as leis contra a caça de grandes mamíferos marinhos como as baleias fossem respeitadas.

À frente da Sea Shepherd, Watson fez história, e hoje a Sea Shepherd provavelmente é a organização mais conhecida quando se fala em ações diretas de defesa da vida marinha. E foi por querer buscar esse caminho que Paul Watson se afastou da organização do meio ambiente mais famosas do mundo – o Greenpeace.

Watson justifica que a sua saída do Greenpeace teve um motivo bem simples – uma agenda passiva e ineficaz. Além do seu trabalho contra navios baleeiros e caçadores marinhos, Watson se orgulha do trabalho que a Sea Shepherd faz limpando praias e oceanos de várias partes do mundo.

Com mais de quatro décadas atuando em defesa dos oceanos, Watson sintetiza com simplicidade e objetividade o seu chamado para esse trabalho: “A mensagem que tento transmitir a todos é muito simples. Se os oceanos morrerem, todos morreremos.”

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Em 2011, o fundador da Sea Shepherd ganhou um documentário intitulado “Eco-Pirate: The Story of Paul Watson”, dirigido por Trish Dolman.

Cineasta James Cameron defende drástica redução da produção de alimentos de origem animal

Por David Arioch

Para James Cameron, o problema dos produtos de origem animal está muito além dos apontamentos relacionados às consequências ambientais (Foto: Alistair Guthrie)

Participando do Just Transition Summit, em New Plymouth, na Nova Zelândia, o cineasta James Cameron e a ambientalista Suzy Amis defenderam que para valorizar uma economia de baixa emissão de carbono, que é o tema do evento, é importante priorizar a produção de alimentos de origem vegetal e reduzir drasticamente a produção de alimentos de origem animal.

Cameron, que é diretor e roteirista de filmes como Alien, O Exterminador do Futuro, Titanic e Avatar, disse que só o setor de laticínios responde por 22% das emissões de carbono enquanto a agropecuária é responsável por 48%.

O casal, que atualmente vive em uma fazenda de cinco mil hectares no sul de Wairapapa, onde cultivam vegetais orgânicos, incluindo frutas e oleaginosas, enfatizou que não adianta falar em economia de baixa emissão de carbono e ignorar a importância de uma mudança nas nossas relações de consumo, na produção de alimentos e nos hábitos alimentares.

Suzy Amis declarou que seria mais econômico investir na produção de vegetais do que na criação de animais para consumo – e citaram a própria experiência no cultivo de vegetais e na produção de proteínas de origem vegetal, como parte do trabalho que desenvolvem com a Verdient Foods, no Canadá. “Podemos alimentar muito mais pessoas e cuidar melhor da terra, do ar e da água”, reforçou.

Para James Cameron, o problema dos produtos de origem animal está muito além dos apontamentos relacionados às consequências ambientais. Ele disse que o impacto que podemos experimentar no futuro se ignorarmos todos esses sinais que demandam mudanças pode ser desastroso para a própria democracia e para a paz no mundo.

Bernie Sanders diz que fazendas industriais são uma ameaça

Por David Arioch

“É inacreditável para mim que os republicanos no Congresso tenham trabalhado horas extras para isentar as fazendas industriais das leis ambientais” (Foto: Getty Images)

No domingo, o senador Bernie Sanders, do estado de Vermont, que na eleição passada concorreu à indicação do Partido Democrata para disputar a presidência dos Estados Unidos, disse que as fazendas industriais [que respondem por até 99% da criação de animais para consumo nos EUA] são responsáveis por 1,4 trilhão de libras de dejetos residuais da criação de animais para consumo.

Ainda manifestando a sua antipatia pela grande produção agropecuária, Sanders continuou:

“São uma ameaça à água que bebemos e ao ar que respiramos, e é inacreditável para mim que os republicanos no Congresso tenham trabalhado horas extras para isentar as fazendas industriais das leis ambientais.”

O senador do estado de Vermont é defensor do fim dos subsídios do governo para a agropecuária e defende a redistribuição de subsídios para pequenos agricultores nos EUA.

Sanders recebeu elogios pela sua postura e alguns seguidores no Twitter pediram que ele abordasse também em algum momento a realidade da crueldade contra os animais na agropecuária.

Botos continuam sendo mortos e usados como iscas de pesca no Brasil

Por David Arioch

Endêmico da Amazônia, o que facilita a matança de botos é a ausência de fiscalização (Foto: WAP)

No Brasil, botos continuam sendo mortos para serem usados como isca de pesca da piracatinga, uma espécie de peixe que ganhou valor comercial principalmente nos últimos dez anos.

Endêmico da Amazônia, o que facilita a matança de botos é a ausência de fiscalização, ainda que seja um animal protegido pela legislação brasileira desde 1987.

Normalmente arpões e redes são utilizados na captura e na morte dos botos, e o que intensifica a preocupação é que se trata de um animal dócil com capacidade de viver até 30 anos e com baixo índice de reprodução.

Após o abate, pedaços de botos são colocados em caixas que funcionam como pequenos currais fluviais, que atraem as piracatingas, que costumam se alimentar de restos de outros animais. Então é feita a captura e o abate dos peixes visados comercialmente.

Em 2014, o Ministério do Meio Ambiente estabeleceu uma moratória para tentar acabar com a pesca de piracatinga. No entanto, tudo indica que não foi o suficiente para coibir, de fato, a matança de botos.

E uma prova dessa ineficiência é que no último dia 11, de acordo com a Portaria nº 19/2019, publicada no diário eletrônico do Ministério Público Federal (MPF), o procurador da República Valdir Monteiro Júnior solicitou envio de ofício ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pedindo documentos comprovando a instalação de bases de fiscalização onde os botos são vulneráveis.

“Informe se já existe algum tipo de cooperação para a fiscalização com outros órgãos públicos ambientais (federais, estaduais ou municipais), empresas privadas ou organização não governamental ou forças armadas acerca do enfrentamento da matança de botos-vermelhos na Amazônia para servirem de iscas para a pesca maciça e ilegal da espécie da piracatinga”, cobra em trecho da portaria.

Além disso, a piracatinga, que tem sua pesca associada à matança de botos, é um peixe apontado como tendo alta concentração de mercúrio no organismo. E por esse motivo em 2017 o governo colombiano proibiu a comercialização da espécie após resultados de análises feitas pela Universidade de Los Andes.

Lewis Hamilton publica que a crueldade contra os animais “dói muito em seu coração”

Por David Arioch

Imagem publicada por Lewis Hamilton no Stories do Instagram esta semana (Foto: Getty)

O piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton publicou esta semana em seu Stories no Instagram uma foto de um asno visivelmente cansado puxando uma carroça.

Junto à imagem, o piloto que decidiu se abster do consumo de alimentos de origem animal em 2017, depois de assistir ao documentário “What the Health”, de Kip Andersen e Keegan Kuhn, declarou o seguinte:

“Eu só queria poder estar lá para dar a este belo animal um abraço, tirá-lo da dor e levar luz para sua vida. É um mundo tão cruel, como alguém pode fazer essas coisas com outros seres. Me dá muita dor no coração.”

Hamilton, que a princípio decidiu cortar alimentos de origem animal da alimentação por uma questão de saúde, começou a criar publicações casuais em defesa dos animais a partir de fevereiro, quando compartilhou com seus seguidores no Instagram uma crítica à matança de baleias na Islândia.

Projeto de lei prevê multa de R$ 10 mil para participantes da farra do boi em SC

Por David Arioch

“Fica vedada a participação de pessoas em qualquer ritual típico conhecido como “farra do boi” no Estado de Santa Catarina”, informa a matéria do PL 0103.7/2019 (Foto: PMSC)

Um projeto de lei de autoria do deputado estadual Marcius Machado (PR) prevê multa de R$ 10 mil para participantes da farra do boi em Santa Catarina, além de proibir o abate de animais saudáveis resgatados da farra.

“Fica vedada a participação de pessoas em qualquer ritual típico conhecido como “farra do boi” no Estado de Santa Catarina”, informa a matéria do PL 0103.7/2019.

De acordo com o deputado, a farra do boi é um ritual típico do litoral brasileiro, trazido pelos descendentes de açorianos, que consiste em soltar um boi com fome, em um local ermo e assim, correr atrás do animal, com pedaços de pau, pedras, chicotes, facas, cordas lanças até que fique exausto.

“Estando próximo de morrer, os ‘farristas’ o matam e dividem a carne. Ou seja, a crueldade acaba com um churrasco”, destaca Machado. O projeto de lei lembra que a farra do boi é proibida desde 1998, com a promulgação da Lei Federal nº 9605/1998, e mais tarde, com a criação da Lei Estadual nº 12.854/2003, que versa sobre o Estatuto de Proteção aos Animais.

“Ainda há a necessidade de endurecer a penalidade/sanções com o fim de coibir práticas nefastas, como forma de educação, para que as próximas gerações não cometam o mesmo erro. Como diz o slogan: farra do boi não é cultura, mas sim tortura”, enfatiza o deputado.

Para apoiar o projeto de lei, clique aqui. Antes é preciso preencher um cadastro para confirmar dados pessoais.

FAO sugere introdução de refeições vegetarianas para ajudar a combater as mudanças climáticas

Por David Arioch

Foto: Pixabay

Ontem a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicou algumas sugestões que podem ser adotadas por qualquer pessoa que queira minimizar a contribuição às mudanças climáticas.

Segundo a FAO, condições imprevisíveis estão dificultando a produção dos alimentos necessários para uma população em crescimento, mas ressalta que ainda há tempo para agir. “É aqui que todo indivíduo tem o poder de fazer a diferença”, de acordo com a organização.

A primeira sugestão é adotar uma dieta mais sustentável, com a introdução de refeições vegetarianas em que a carne seja substituída por alimentos que demandam menos recursos naturais no processo de produção. Exemplos são as leguminosas como feijões, lentilhas, ervilhas e grão-de-bico.

“Mais recursos naturais são usados ​​para produzir carne, especialmente a água. Milhões de hectares de floresta tropical também são cortados e queimados para transformar terras em pastagens e campos para o gado”, justifica a FAO, em referência a ações que favorecem o aquecimento global.

A organização recomenda comprar apenas o que precisamos, fazendo uma lista e criando planos de refeições para evitar compras por impulso: “Quando você joga fora sua comida, você está desperdiçando os recursos hídricos que foram gerados. Por exemplo, são necessários 50 litros de água para produzir uma laranja!”

Outra sugestão diz respeito à valorização dos produtores locais – agricultores familiares e pequenas empresas:

“Você também ajuda a combater a poluição, reduzindo as distâncias de entrega de caminhões e outros veículos. A mudança climática está colocando em risco os meios de subsistência de milhões de agricultores. Sem eles, não teríamos comida em nossos pratos. As escolhas que fazemos hoje são vitais para um futuro seguro para a alimentação.”

Argentinos estão consumindo cada vez menos carne

Por David Arioch

Em 2017, os funcionários da Casa Rosada, a sede presidencial argentina, começaram a experimentar o “Lunes Vegano” (Foto: Fernando de Andreis)

Os argentinos estão consumindo cada vez menos carne, segundo a Câmara da Indústria e Comércio de Carne e Derivados da Argentina (Ciccra). Só no primeiro trimestre de 2019, a entidade registrou queda de 15% em comparação a 2018. Em consequência dessa redução a produção de carne foi 6,1% menor do que no mesmo período do ano passado.

Embora a Argentina ainda seja um dos maiores consumidores de carne do mundo, hoje só a capital Buenos Aires já conta com mais de 60 restaurantes vegetarianos e veganos, além de outros que oferecem opções para quem não consome nada de origem animal.

Sem dúvida, a cultura da carne na Argentina ainda é muito forte, mas a busca por alternativas baseadas em vegetais está em ascensão no país. Uma prova disso é o sucesso de restaurantes como o La Reverde (Parrilita Vegana), especializado em carnes vegetais e que preza pelo “dirty eating”.

No local, entre os pratos preferidos dos clientes estão o choripán vegan (um sanduíche cheio de seitan) e o vacío (equivalente ao bife de fraldinha) emparelhado com chimichurri.

Outra curiosidade é que o primeiro restaurante orgânico certificado da Argentina, o Bio Solo Orgánico, que abriu suas portas há 17 anos no bairro boêmio de Palermo, tem entre seus pratos mais populares o risoto de quinoa, seitan à milanesa e escalope de pão ralado, além de um flan vegano de leite de coco com doce de leite.

Jogadores como Lionel Messi e Sergio Agüero também ajudaram a abrir espaço para uma nova consciência argentina em relação ao consumo de vegetais quando decidiram adotar uma alimentação vegetariana durante a última Copa do Mundo. Agüero chegou a dizer que não se alimentar de animais fez desaparecer suas recorrentes lesões musculares – o que serviu de incentivo principalmente aos mais jovens.

Além disso, em 2017, os funcionários da Casa Rosada, a sede presidencial argentina, começaram a experimentar o “Lunes Vegano”, que equivale à Segunda Sem Carne no Brasil. Quando realizada, uma lousa é colocada do lado de fora: “Segunda-feira sem carne: melhora sua saúde, desafia você a fazer algo novo, é boa para o planeta. Coma vegetais. Coma de maneira diferente.”