Empresas de alimentos à base de vegetais tiveram ganhos recordes de US$ 13 bi em 2017 e 2018

Por David Arioch

“Investidores e empreendedores reconhecem a vasta oportunidade de mercado enquanto essas indústrias tomam forma”, acrescenta Barbera (Fotos: Divulgação)

De acordo com um relatório divulgado ontem pelo Good Food Institute (GFI), empresas de alimentos à base de vegetais tiveram ganhos recordes de 13 bilhões de dólares em 2017 e 2018. Além disso, conseguiram levantar 16 bilhões em investimentos na última década.

“Investidores e empresários estão capitalizando uma mudança global na forma como a carne é produzida. A oportunidade de mercado é enorme. A mudança de valores do consumidor criou um mercado favorável às alternativas aos alimentos de origem animal, e já vimos um crescimento acelerado nesse espaço nos mercados de varejo e foodservice”, avalia o diretor-executivo da GFI, Bruce Friedrich.

O GFI aponta que a maior rodada de investimentos foi conquistada no ano passado nos Estados Unidos pela Impossible Foods ao levantar 189 milhões de dólares, seguida por 65 milhões da Ripple Foods, 50 milhões da Beyond Meat e 50 milhões da Califia Farms (que produz alternativas aos laticínios).

Segundo o diretor de inovação da GFI, Brad Barbera, as empresas do ramo estão crescendo rapidamente em consequência da inovação em produtos, maior ênfase em qualidade, mais investimentos e uma mudança nos valores de consumo.

“Investidores e empreendedores reconhecem a vasta oportunidade de mercado enquanto essas indústrias tomam forma”, acrescenta Barbera.

DxE SP vai realizar manifestação contra o consumo de animais no Dia das Mães

Por David Arioch

Os membros do DxE vão percorrer ruas e estabelecimentos de São Paulo no domingo (Foto: DxE São Paulo)

O grupo Direct Action Everywhere (DxE) São Paulo vai realizar uma manifestação contra o consumo de animais no próximo domingo, no Dia das Mães.

Os membros vão percorrer ruas e estabelecimentos de São Paulo, visando conscientizar sobre a importância de mães de outras espécies terem o direito à liberdade, amor e respeito, assim como o direito à companhia de seus filhos, segundo o DxE.

O grupo faz uma referência ao fato de os bezerros serem separados precocemente das vacas, como parte da realidade comum da cadeia de produção leiteira.

A manifestação terá como ponto de encontro a Estação Oscar Freire, do metrô, de onde os manifestantes devem partir às 13h. Para participar, basta estar no local nesse horário. Os cartazes utilizados durante a manifestação serão disponibilizados pelo DxE.

ONG Four Paws resgata 47 animais mantidos em zoo em Gaza

Por David Arioch

Animais foram encaminhados para o santuário da vida selvagem Al Ma’wa for Nature and Wildlife, na Jordânia (Foto: Four Paws/Divulgação)

A organização Four Paws International resgatou 47 animais do zoológico de Rafah, na Faixa de Gaza no mês passado. Entre os resgatados estavam leões, macacos, lobos, porcos-espinhos, raposas, avestruzes, emas, aves exóticas, cães, gatos e uma hiena.

De lá, os animais foram encaminhados para o santuário da vida selvagem Al Ma’wa for Nature and Wildlife, na Jordânia, com exceção dos leões enviados para o santuário Lionsrock, na África do Sul, que é mais apropriado para grandes felinos.

Além dos animais estarem vivendo em condições insalubres, segundo a Four Paws, outro problema é que eles poderiam ser pegos no fogo cruzado entre israelenses e palestinos. A organização lamenta que em janeiro quatro filhotes de leões congelaram até a morte no zoológico de Rafah em decorrência do frio extremo e da negligência.

Outro caso de maus-tratos envolve uma leoa que teve as unhas cortadas para que os visitantes do zoológico pudessem” brincar com ela”.

“Vários outros animais morreram no zoológico por causa da completa falta de cuidados veterinários. Essa missão de resgate foi adiada várias vezes devido à escalada da violência e ao fechamento de fronteiras na região de Gaza”, justifica a organização.

No entanto, o chefe da missão Amir Khalil, que é médico veterinário, declarou que durante o transporte dos animais houve uma união que contribuiu para que tudo acabasse bem.

“Graças à cooperação de todas as autoridades foi possível trazer os animais em segurança. De Israel à Palestina e à Jordânia, foi impressionante ver como essas três nações trabalharam juntas pelos animais de Rafah”, enfatiza Khalil.

Saiba mais

A Four Paws atua na Faixa de Gaza desde 2014 e já havia resgatado todos os animais de dois zoológicos em 2014 e 2016 – de Al-Bisan e Khan Younis. O trabalho deve prosseguir ainda para a retirada de animais de mais dois zoológicos situados em Gaza.

Maior evento de produtos veganos e vegetarianos da Europa chega à China

O potencial de vendas para empresas estrangeiras já é enorme e aumentará maciçamente nos próximos anos” (Foto: VeggieWorld)

A VeggieWorld, considerada a maior feira de produtos veganos e vegetarianos da Europa, vai ser realizada na China entre os dias 17 e 19 deste mês. Segundo os organizadores, 40 marcas internacionais devem participar, atraindo pelo menos 10 mil pessoas.

“A China ainda é uma gigante adormecida no mercado de produtos veganos. O potencial de vendas para empresas estrangeiras já é enorme e aumentará maciçamente nos próximos anos”, avalia o diretor-geral da VeggieWorld, Hendrik Schelkes.

Entre as marcas que confirmaram participação estão a Beyond Meat, Green Monday e JUST – esta última criadora do “ovo vegano” baseado em feijão mungo e cúrcuma, lançado nos Estados Unidos no final de agosto de 2018.

“Oferecemos aos participantes uma plataforma especializada para testar produtos junto ao consumidor, estabelecer novos canais de vendas e trocar ideias com parceiros internacionais”, informa Schelkes.

A VeggieWorld será em Hangzhou, na província de Zhejiang, considerada a cidade com o maior número de veganos e vegetarianos na China. Além disso, a realização da feira um mês antes do Festival de Carne de Cachorro de Yulin, realizado em outra província, é vista como mais uma forma de mostrar como o consumo de animais é desnecessário.

No ano passado, o instituto de pesquisas Plant & Food (PFR), da Nova Zelândia, em parceria com a empresa de pesquisa de mercado Mintel e o Ministério das Indústrias Primárias da Nova Zelândia, concluiu uma pesquisa que revelou que 39% da população da China está reduzindo o consumo de carne – o que inclui chineses e estrangeiros vivendo no país.

Os participantes que representam esse percentual informaram que estão dando mais prioridade ao tofu, algas marinhas e outras fontes de proteínas de origem vegetal. O resultado chamou a atenção do governo da Nova Zelândia que tem a China como um dos maiores destinos de suas exportações.

O relatório surpreendeu também porque historicamente os chineses sempre foram grandes consumidores de carne, principalmente de porco. Porém, segundo a Plant & Food, o cenário está mudando.

O resultado também abriu um precedente para a Nova Zelândia se inteirar ainda mais do mercado de fontes de proteínas de origem vegetal. “Precisamos construir nossa compreensão do consumo de proteínas e das atitudes dietéticas nesse mercado para nos prepararmos para quaisquer mudanças futuras em relação ao comportamento do consumidor”, enfatiza o relatório.

Uso de sacolas de plástico na Austrália cai 80% em três meses

Por David Arioch

Objetivo é reduzir a contribuição causada pela poluição plástica (Foto: AFP)

De acordo com informações da Associação Nacional de Varejo da Austrália, o uso de sacolas de plástico no país caiu 80% em três meses, depois que grandes redes varejistas decidiram parar de oferecer sacolas de plástico.

Embora tenha havido um pouco de resistência por parte de uma parcela dos consumidores, a adaptação não tem sido considerada difícil. Alguns varejistas registraram redução de até 90% do uso de sacolas plásticas.

A iniciativa das grandes redes, antes responsáveis pela maior demanda e oferta de sacolas de plástico no país, segundo a associação, tem estimulado empresas menores a trilhem esse caminho em benefício do meio ambiente.

Recentemente a organização de conservação da vida marinha Sea Shepherd criou uma campanha mostrando que um simples saco plástico, que parece inofensivo aos nossos olhos, pode representar o sofrimento extremo e até a morte de milhares de animais que habitam os oceanos.

A campanha diz que “o plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre”. No novo trabalho de conscientização e sensibilização da Sea Shepherd, animais marinhos como focas e tartarugas são apresentados em situações de agonia e impotência ao entrarem em contato com elementos plásticos comuns no cotidiano e descartados sem os devidos cuidados.

No mês passado, o Projeto de Lei do Senado (PLS 263/2018), que prevê proibição do uso de canudos e sacolas plásticas em todo o Brasil, além de microplásticos em cosméticos, foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA).

O PL é resultado de uma sugestão legislativa feita no portal e-Cidadania, e contou com 20 mil apoiadores. Segundo matéria do PL, ficam proibidas a fabricação, importação, distribuição e venda de sacolas plásticas para guardar e transportar mercadorias.

A proibição se estende a utensílios plásticos descartáveis para consumo de alimentos e bebidas – como é o caso dos canudos. A exceção é para as sacolas e utensílios descartáveis feitos com material integralmente biodegradável.

Mercado de queijos vegetais deve registrar crescimento sem precedentes nos próximos anos

Por David Arioch

“Espera-se que o mercado global de queijo vegano testemunhe um crescimento substancial, devido à crescente demanda da população vegana” (Foto: iDeliciate)

De acordo com uma pesquisa publicada recentemente pela MarketResearch.biz, o mercado de queijos vegetais deve registrar crescimento sem precedentes nos próximos anos.

Entre os países que o relatório aponta como promissores em relação a esse mercado está o Brasil. “Espera-se que o mercado global de queijo vegano testemunhe um crescimento substancial, devido à crescente demanda da população vegana e da população intolerante à lactose”, informa o relatório.

A pesquisa aponta que até 2027 as empresas que estão investindo nesse mercado têm condições bastante favoráveis de crescimento, considerando o aumento da população que está optando por queijos sem ingredientes de origem animal por fatores diversos.

No entanto, um dos obstáculos desse mercado ainda é o custo de produção mais elevado do que do queijo convencional, o que exige soluções que começam na seleção da matéria-prima.

Por enquanto, em âmbito global, os queijos vegetais que estão em maior evidência e atraindo mais consumidores são baseados em soja, amêndoas, coco, castanha-de-caju, amendoim e avelãs.

O mercado hoje se divide principalmente em tipos de queijos como muçarela, parmesão, cheddar, cream cheese e ricota. A expectativa é de que em especial a muçarela vegetal registre crescimento mais significativo.

Isto porque há uma demanda crescente por alternativas de queijos vegetais na preparação de pizzas e hambúrgueres – o que deve ser alavancado por redes de fast food.

O relatório aponta também que supermercados, hipermercados, lojas especializadas e de conveniência estão abrindo espaço para esse tipo de produto. Há inclusive hipermercados que estão investindo na fabricação de queijos vegetais.

Outro relatório da Research and Markets prevê que esse mercado deve registrar taxa de crescimento anual composta de pelo menos 8% até 2023.

Mundo não está a caminho de frear mudanças climáticas

Por David Arioch

Agropecuária, apontada por muitos pesquisadores como uma das principais responsáveis pelo aquecimento global (Acervo: Deforestation Amazonia)

“Não estamos no caminho para cumprir metas de mudanças climáticas e conter aumentos de temperatura”, informou recentemente o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Petteri Taalas.

“Concentrações de gases causadores do efeito estufa estão novamente em níveis recordes e, se a tendência atual continuar, podemos ver aumentos de 3 a 5 graus Celsius até o fim do século”, afirmou.

Dados de cinco órgãos que monitoram de forma independente as temperaturas globais e que formaram a base do relatório anual mais recente da OMM indicam que 2018 foi o quarto ano mais quente já registrado.

“Vale repetir que somos a primeira geração a entender completamente as mudanças climáticas e a última geração capaz de fazer algo sobre isso”, disse Taalas.

Os comentários do secretário-geral da OMM apoiam as descobertas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Em seu relatório sobre aquecimento global de 1,5°C, o órgão concluiu que a temperatura média global na década anterior a 2015 era 0,86°C acima dos níveis pré-industriais.

Entre 2014 e 2018, no entanto, esta média cresceu para 1,04 °C acima da base pré-industrial, disseram especialistas do IPCC.

“É mais do que apenas números”, afirmou a vice-secretária-geral da OMM, Elena Manaenkova, destacando que “cada fração de um grau de aquecimento faz uma diferença à saúde humana e ao acesso a água fresca e comida”.

A extinção de muitos animais e plantas também está ligada ao aquecimento global, assim como a sobrevivência de recifes de corais e da vida marinha.

“Isto faz uma diferença à produtividade econômica, segurança alimentar e para a resiliência de nossas infraestruturas e cidades”, declarou Elena.

E acrescentou: “Isto faz uma diferença à velocidade de derretimento de geleiras e fornecimento de água e ao futuro de ilhas e comunidades costeiras. Cada porção extra importa.”

O relatório da OMM é parte das evidências científicas que foram usadas em 14 de dezembro em Katowice, na Polônia, durante a Conferência do Clima.

PL defende tratamento como alternativa ao sacrifício de cães com leishmaniose

Por David Arioch

Também está está tramitando na Câmara uma proposta que prevê a oferta de vacinação obrigatória e gratuita contra a doença | Foto: Pixabay

O Projeto de Lei 884/2019, de autoria do deputado Paulo Bengtson (PTB-PA), defende tratamento como alternativa ao sacrifício de cães com leishmaniose.

A proposta que em breve será analisada por algumas comissões prevê que seja autorizado o tratamento realizado sob a responsabilidade de médico veterinário cadastrado nos órgãos de controle de zoonoses.

“O projeto procura garantir aos proprietários o direito de tratarem seus animais em vez de sacrificá-los”, destaca o deputado, acrescentando que hoje em dia a eutanásia é praticada indiscriminadamente em casos de leishmaniose.

“Ao contrário do que tem sido divulgado, a Organização Mundial de Saúde e vários pesquisadores questionam a eficácia do sacrifício de animais como medida de combate à Leishmaniose Visceral Canina”, aponta Paulo Bengtson, que é médico veterinário.

Vale lembrar também que está tramitando na Câmara uma proposta que prevê a oferta de vacinação obrigatória e gratuita contra a doença, e que já foi aprovada por duas comissões.

Escola inglesa vai mostrar às crianças a origem da carne

Por David Arioch

Na instituição, porcos têm sido criados desde setembro de 2018, com a participação dos alunos (Foto: Yorkshire Evening Post)

A escola primária Farsley Farfield, situada no norte da Inglaterra, vai mostrar às crianças a origem da carne, como parte de um projeto sobre a produção de alimentos.

A instituição tem criado porcos desde setembro de 2018 com a participação dos alunos. Os animais serão mortos a partir de junho e as crianças vão testemunhar o processo.

“Os porcos não serão animais domésticos e só estarão conosco por nove meses. Os porcos viverão o dobro das raças comerciais modernas e terão uma vida verdadeiramente livre”, alegou o diretor da Farsley Farfield, Peter Harris, segundo o jornal britânico The Guardian.

O projeto foi criticado por um ex-estudante da instituição de ensino, Ix Willow, que atua em defesa dos animais.

“[Porcos] são animais amigáveis ​​que podem viver por cerca de 12 anos. As escolas têm o dever de cuidar das crianças. Ao ensinar que não há problema em explorar e matar animais, isso está sendo violado, e também pode ser traumatizante para as crianças conhecerem os animais e saber que eles vão morrer”, criticou Willow.

Em sua justificativa, o diretor da escola disse que a iniciativa de mostrar o processo de criação e abate de animais teve grande apoio dos pais.

“Há conselhos educacionais em produção que explicam que esses porcos são mais bem tratados do que a grande maioria dos porcos”, declarou o diretor da escola.

Rede de restaurantes veganos vai abrir mais 37 unidades nos EUA

Por David Arioch

“Apostamos em alimentos integrais, alimentos à base de vegetais, e por isso gostamos de fazer a nossa própria comida” (Foto: Divulgação)

A rede de restaurantes veganos By Chloe anunciou recentemente que vai abrir mais 37 unidades nos Estados Unidos até 2023, além de franquias no Canadá, Reino Unido e Oriente Médio.

Atualmente a By Chloe conta com 13 restaurantes nos EUA, e a recepção tem sido tão positiva que a rede decidiu levar o negócio a um novo nível.

E o que vai ajudar na expansão da rede que aposta em opções alimentares mais saudáveis e “ecológicas” é um financiamento de 31 milhões de dólares que a By Chloe conseguiu por intermédio da empresa de investimentos Bain Capital.

Segundo o portal Cheddar, de produtos, tecnologia e serviços, a cadeia de restaurantes, diferente de outras empresas do ramo, não pretende comercializar produtos como o Beyond Burger ou Impossible Burger:

“Apostamos em alimentos integrais, alimentos à base de vegetais, e por isso gostamos de fazer a nossa própria comida, porque sabemos o que há nela. Nós não temos nenhum problema com os outros, mas achamos que temos um ponto de vista único de diferenciação, oferecendo nosso próprio suprimento de comida”, justifica o CEO da By Chloe, Patrik Hellstrand.

O que também tem influenciado decisões como a da rede By Chloe é que em três anos o número de pessoas nos EUA que dizem que são veganas aumentou em 600%, de acordo com a Report Buyer.