Resíduos de café podem substituir o óleo de palma

Por David Arioch

Objetivo da Revive Eco é criar um produto final que possa ser utilizado na indústria alimentícia, cosmética e farmacêutica, assim reduzindo o impacto ambiental do óleo de palma (Fotos: Getty)

A startup escocesa Revive Eco, fundada por Scott Kennedy e Fergus Moore, está extraindo e purificando o óleo encontrado nos resíduos de café com a finalidade de substituir o óleo de palma, que tem sua produção em grande escala associada à devastação do habitat dos orangotangos.

O objetivo é criar um produto final que possa ser utilizado na indústria alimentícia, cosmética e farmacêutica, e assim reduzir a aquisição de óleo de palma proveniente de áreas comprometidas pelo desmatamento.

Kennedy e Moore contam que depois de trabalharem tanto tempo em cafés e restaurantes eles notaram que o volume de descarte de resíduos de café é muito grande, e que algo precisava ser feito.

“Só no Reino Unido, bebemos 55 milhões de xícaras de café por dia, levando a mais de meio milhão de toneladas de resíduos de café desperdiçados. Nós estamos nos esforçando para mudar radicalmente a mentalidade em relação a isso e mostrar que os materiais ainda podem ter um valor enorme, mesmo depois de usados para o seu propósito principal”, argumentam.

A previsão é de que o óleo de resíduos de café em substituição ao óleo de palma esteja pronto em Glasgow, na Escócia, a partir de junho. Em entrevista ao Good Morning Scotland, da BBC, os fundadores da Revive Eco declararam que a longo prazo eles querem construir um negócio que possa ser levado para outros países.

Populações de orangotangos caíram pela metade na última década
De acordo com informações da Orangutan Foundation International, as populações de orangotangos caíram pela metade na última década. Este é um dado preocupante considerando que os orangotangos já somaram centenas de milhares de indivíduos.

“A destruição e a degradação da floresta tropical, particularmente a floresta das terras baixas, em Bornéu e Sumatra, é a principal razão pela qual os orangotangos estão ameaçados de extinção”, lamenta a Orangutan Foundation.

Entre as atividades humanas que têm contribuído para isso estão a exploração madeireira, incluindo a extração ilegal, conversão de florestas em plantações de óleo de palma, mineração e derrubada de mata para a construção de estradas, além de incêndios e comércio ilegal de animais.

Ativistas veganos libertam nove mil faisões no Reino Unido

Por David Arioch

“Um caminho foi feito para que as aves se dirigissem para a floresta e para longe das estradas” (Foto: Reuters)

Este mês, ativistas veganos do grupo Animal Liberation Front (ALF) libertaram nove mil faisões de uma fazenda em Suffolk, na Inglaterra. A incursão aconteceu em Mildenhall como parte de uma ação que, além de garantir a liberdade das aves, também visa chamar atenção para a realidade dos animais criados para serem usados em atividades de caça.

Um porta-voz da ALF disse que eles pretendem continuar libertando faisões porque isso acaba pressionando os caçadores e quem lucra de alguma forma com essa atividade a sair do mercado.

“Um caminho foi feito para que as aves se dirigissem para a floresta e para longe das estradas. Usamos grãos para atraí-las por essa direção”, revelou um porta-voz da ALF, segundo o jornal britânico The Times.

No Reino Unido, a caça às aves estimula a criação anual de mais de 35 milhões de faisões e perdizes. Muitos desses animais são soltos na natureza para serem mortos por “esporte”.

“Embora haja alegações de que as aves são comidas, um grande número delas é descartada ou incinerada, porque há pouca demanda por carne de caça”, informa Chris Lufingham, diretor de campanhas da League Against Cruel Sports.

Outro ponto crítico em relação à caça de aves é que as fêmeas usadas como reprodutoras são criadas em gaiolas. “Nossa investigação secreta revelou o sofrimento contínuo daquelas aves reprodutoras, que definham aos milhares em condições terríveis”, declara Isobel Hutchinson, diretora da Animal Aid. Pesquisa da entidade também revelou que 80% dos britânicos se opõem ao confinamento desses animais.

“A frustração que elas experimentam em cativeiro as levam a se atacarem e a voarem continuamente em direção ao teto da gaiola em uma tentativa improdutiva de fugir”, enfatiza Isobel.

Depois de consultar a população, em atitude inédita na Grã-Bretanha, o governo do País de Gales anunciou que vai proibir a caça esportiva de aves até maio deste ano. Sobre o assunto, a ministra do meio ambiente, Hannah Blythyn, complementou que os alugueis de espaços públicos para a caça de aves não devem ser renovados, considerando a opinião pública e a preocupação com o bem-estar animal.

Há 33 anos, explosão em Chernobyl reduziu a expectativa de vida dos animais

Por David Arioch

“Os cães de Chernobyl foram expostos à raiva por causa de predadores selvagens” (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

No dia 26 de abril de 1986, a explosão do reator da Unidade 4, que espalhou materiais radioativos no meio ambiente, mudou a vida de milhares de animais que viviam em um raio de 30 quilômetros da Usina Nuclear de Chernobyl.

Após a tragédia, a União Soviética comandou uma evacuação de mais de 120 mil pessoas de Pripyat, no norte da Ucrânia, e das vilas vizinhas. Ninguém pôde levar nada, nem seus companheiros animais, que foram obrigatoriamente abandonados, mesmo com a resistência dos moradores.

No livro “Chernobyl Prayer: A Chronicle of the Future”, de 2016, a autora Svetlana Alexievich relata que os cães latiam e uivavam tentando entrar nos ônibus que partiam de Pripyat, mas os soldados do Exército Soviético os chutavam para longe.

“Eles correram atrás dos ônibus por muito tempo. Famílias desoladas fixaram bilhetes em suas portas: ‘Não mate nossa Zhulka. Ela é uma boa cadela.’” Como havia muitos cães, dispersos por toda Prypiat e por outras aldeias que faziam parte da Zona de Exclusão, uma parcela significativa sobreviveu, inclusive migrando para as florestas, onde desenvolveram capacidade de sobrevivência.

Com o tempo, os cães tiveram seus descendentes, e são esses animais que hoje povoam Chernobyl e a Zona de Exclusão. Há alguns anos, um homem foi contratado para capturá-los e matá-los, sob a alegação de que não havia recursos para cuidar dos animais. Ele se recusou a fazer o serviço.

Quem trabalha na localidade já está acostumado com a presença canina e reserva uma parte de sua refeição para alimentá-los. A estimativa da organização Clean Futures Fund, dos Estados Unidos, que ajuda cidades afetadas por acidentes industriais, é de que há mais de 250 cães vivendo em torno da usina nuclear, outros mais de 225 cães na Cidade de Chernobyl e centenas de cães nos postos de controle de segurança e em outras localidades da Zona de Exclusão.

“Os cães de Chernobyl foram expostos à raiva por causa de predadores selvagens”, informa a Clean Futures. Em Chernobyl, a expectativa de vida dos cães é bastante reduzida por causa da exposição à radiação. A maioria tem no máximo quatro ou cinco anos e poucos ultrapassam os seis anos.

Apesar de tudo, os cães que moram perto dos postos de controle têm cabanas feitas pelos guardas de Chernobyl. Com o tempo, eles aprenderam também que a presença humana pode significar sempre uma chance de ganhar comida. Prova disso é que vários podem ser vistos na entrada do Café Desyatka, onde normalmente esperam receber dos clientes um pouco de borscht, uma tradicional sopa de beterraba.

O trabalho da Clean Futures Fund também ajuda a levar alento aos animais. A organização montou clínicas na localidade para oferecer atendimento veterinário, incluindo um programa de vacinação e castração.

Natalie Portman faz discurso pró-vegano para milhares de estudantes em Los Angeles

Por David Arioch

“A coisa mais linda que você pode fazer é se importar, deixar seu coração aberto até que a dor do outro pareça a sua própria” (Foto: We Day California/Divulgação)

A atriz Natalie Portman discursou na última quinta-feira para 16 mil estudantes no We Day California, realizado em Los Angeles. Ela aproveitou a oportunidade para fazer um discurso pró-vegano.

“Laticínios e ovos não vêm apenas de vacas e galinhas, vêm de fêmeas. Estamos explorando corpos femininos e abusando da magia das fêmeas para obter ovos e leite”, declarou a atriz, deixando claro que ela acredita que é importante que mulheres que são feministas considerem que na exploração animal também há subjugação de fêmeas.

“As mães são separadas de seus filhos por causa do leite. Os animais adoecem e são mantidos em condições de superlotação para produzirem laticínios e ovos. Não é preciso muito para traçar uma linha entre a maneira como tratamos os animais e os humanos”, enfatizou.

Natalie Portman disse que se tornou vegetariana muito cedo por causa da sua relação com os animais, mas que há alguns anos optou pelo veganismo porque percebeu que seria realmente a melhor forma de causar menos impacto no planeta.

Ela recomendou que os estudantes não deixem os pessimistas desmotivá-los. “Então, muitas pessoas zombam dos veganos, certo? Muitas pessoas zombam de alguém que se preocupa com alguma coisa profundamente, certo?”, frisou.

E continuou: “A coisa mais linda que você pode fazer é se importar, deixar seu coração aberto até que a dor do outro pareça a sua própria, se importar tanto que você gaste seu tempo certificando-se de que a mudança está acontecendo, e é por isso que todos vocês estão aqui hoje. Quer se trate de questões ambientais, direitos animais, direitos das mulheres, igualdade, nunca tenha medo de mostrar o quanto se importa.”

No ano passado, Natalie Portman narrou o documentário “Comer Animais”, inspirado no livro homônimo de Jonathan Safran Foer, voltado à discussão sobre a agropecuária industrial, que representa 99% de todos os animais criados para consumo nos Estados Unidos, incluindo carnes, ovos e laticínios.

Em 2018, ela também gravou um curto vídeo em defesa dos direitos animais. Natalie aparece falando sobre o escritor polonês Isaac Bashevis Singer, vencedor do Nobel de Literatura que foi um dos maiores divulgadores do vegetarianismo e dos direitos animais no universo literário e judaico do século passado.

Além de afirmar que não se tornou vegetariano pela sua saúde, mas sim pela saúde dos animais, Singer fez uma declaração, como bem citado por Natalie Portman no vídeo, que chamou bastante atenção quando a sua autobiografia “Shosha” foi lançada em 1978:

“Nós fazemos com as criaturas de Deus o que os nazistas fizeram conosco.” Isaac Bashevis Singer e sua família, que conheceram as consequências do Holocausto, viveram na mesma região da Polônia que a família de Natalie. Singer até hoje é considerado um dos maiores escritores judeus de todos os tempos.

Tatu paraplégico ganha rodinhas no ES

Por David Arioch

Bolinha ainda segue o tratamento intensivo no Cetas (Foto: Paulo Sena/Iema)

No Espírito Santo, Bolinha foi enviado há cinco meses para o Centro de Reabilitação e Triagem de Animais Silvestres (Cetas), situado no Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), depois de ser encontrado em uma rodovia.

O animal estava bastante debilitado e apresentando sinais de que não vivia na natureza, mas também não tinha sido atropelado. Bolinha na realidade estava anêmico e com sinais de maus-tratos. Além disso, a sua falta de mobilidade em decorrência de paraplegia era consequência de desnutrição e doenças.

Com o tempo, Bolinha começou a ganhar peso e a cada semana seu quadro evoluía, segundo informações do Cetas. Hoje, embora já esteja bem melhor, Bolinha ainda segue o tratamento intensivo e não é possível dizer se o animal poderá voltar a andar.

No entanto, se conseguir, ainda assim o tatu-galinha deverá continuar em cativeiro porque foi retirado muito cedo da natureza, o que significa que ele não sabe como se alimentar, se esconder e a lidar com as adversidades.

Cresce demanda por chocolate sem nada de origem animal

Por David Arioch

Divulgação

De acordo com informações da ReportBuyer, está crescendo a demanda por chocolate sem nada de origem animal e de melhor qualidade com fins culinários. Em resposta a essa tendência, um relatório publicado hoje mostra que o mercado global está sendo impulsionado especificamente por “chocolates veganos, orgânicos e livres de glúten”.

“Os fornecedores estão se concentrando no lançamento de produtos inovadores com um apelo premium. O crescente lançamento de produtos com chocolates orgânicos, sem glúten, veganos e funcionais é indicativo do aumento de fornecedores que operam no mercado mundial de confeitos de chocolate”, informa o relatório.

No entanto, a ReportBuyer aponta que entre os desafios da atualidade está a flutuação dos preços das matérias-primas, o que interfere no volume de produção. Ainda assim, a previsão é de que a partir da produção de chocolates sem nada de origem animal o mercado alcance uma taxa de crescimento anual composta de pelo menos 3% até 2023.

Comissão de Meio Ambiente aprova proibição do uso de canudos e sacolas plásticas

Por David Arioch

De acordo com o Banco Mundial, Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Projeto de Lei do Senado (PLS 263/2018), que prevê proibição do uso de canudos e sacolas plásticas, além de microplásticos em cosméticos, foi aprovado ontem pela Comissão de Meio Ambiente (CMA).

O PL é resultado de uma sugestão legislativa feita por Rodrigo Padula de Oliveira no portal e-Cidadania, e contou com 20 mil apoiadores. De acordo com a Agência Senado, o projeto recebeu pedido de urgência e agora segue para votação em Plenário.

Segundo matéria do PL, ficam proibidas a fabricação, importação, distribuição e venda de sacolas plásticas para guardar e transportar mercadorias, além de utensílios plásticos descartáveis para consumo de alimentos e bebidas – como é o caso dos canudos. A exceção é para as sacolas e utensílios descartáveis feitos com material integralmente biodegradável.

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, com produção anual de 11,3 milhões de toneladas. Desse total, apenas 1,28% é reciclado. O plástico derivado do petróleo pode levar mais de 300 anos para se decompor contra o plástico biodegradável que requer 30 a 180 dias.

Além disso, o descarte incorreto provoca a poluição do solo e da água, além da morte de animais por engasgamento ou enroscamento. Os microplásticos contidos nos cosméticos também demoram para se degradar e se acumulam nos rios e oceanos – gerando impacto no ciclo de vida e na cadeia alimentar dos animais.

Conforme informações da Agência Senado, o relatório do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), favorável à proposta, lido na reunião pelo senador Confúcio Moura (MDB-RO), menciona a situação de animais marinhos mortos por ingestão de plásticos. As tartarugas marinhas, por exemplo, são os animais mais ameaçados no Brasil por esse tipo de contaminação.

O relator do projeto destacou que substituir o plástico petroquímico pelo biodegradável de origem renovável resultará na redução do plástico encaminhado a aterros sanitários e no encurtamento do ciclo de vida do produto.

Grupo de defensores dos animais cria petição e pede apoio contra rodeio em Vila Velha (ES)

Por David Arioch

Pouco se fala também no estresse ao qual o animal é submetido na arena (Foto: Ricardo Nasi/G1)

Um grupo de defensores dos animais de Vila Velha (ES) criou recentemente uma petição e está pedindo apoio contra a realização do “Rodeio Solidário” na cidade, organizado pela Igreja Católica Perpétuo Socorro e com o apoio da prefeitura.

O evento vai ocorrer entre os dias 16 e 19 de maio no Parque Municipal da Prainha. E, para ajudar a fortalecer a oposição ao rodeio e buscar apoio também fora da cidade, o grupo criou uma campanha no Avaaz.org pedindo que as pessoas assinem a petição que até o momento recebeu pouco mais de cinco mil assinaturas.

A justificativa do grupo é de que o rodeio envolve condicionamento e violência contra os animais, já que um touro, em condições normais, não agiria como em uma arena. Outro apontamento é que nos últimos anos surgiram inúmeras denúncias que comprovam os maus-tratos sofridos pelos animais em eventos com rodeios.

O exemplo mais recente foi registrado na ExpoLondrina, onde os animais receberam inclusive golpes na cabeça fora da arena, conforme vídeo divulgado pela ONG Bendita Adoção. Além disso, no ano passado, no Adamantina Rodeo Festival, um touro fraturou as duas patas traseiras.

Além disso, pouco se fala também no estresse ao qual o animal é submetido na arena em decorrência não apenas da violência física, mas também do barulho, da narração do locutor e da gritaria.

Para apoiar a campanha “Diga Não à Tortura Animal nos Rodeios”, clique aqui. 

Atriz Mayim Bialik diz que entidades em defesa dos animais deveriam parar de servir carne em seus eventos

Por David Arioch

“Qualquer tipo de pessoa pode fazer a escolha de se tornar vegana e sem que isso seja caro” (Foto: Getty)

Em entrevista publicada hoje pela Animal Equality no site LoveVeg, a atriz e neurocientista vegana Mayim Bialik, que conquistou fama mundial com a personagem Amy Farrah Fowler, da série The Big Bang Theory, foi questionada sobre qual mito ela gostaria de desmascarar em relação ao veganismo.

“Que [o veganismo] é apenas para pessoas brancas e ricas. Qualquer tipo de pessoa pode fazer a escolha de se tornar vegana e sem que isso seja caro”, respondeu.

Mayim recomendou também que os pais que desejam que seus filhos sejam veganos, assim como os dela, precisam apenas buscar informações, se educarem sobre o assunto:

“Escrevi um livro de receitas com o Dr. Jay Gordon com todas as informações nutricionais que os pais precisam saber para criarem crianças veganas saudáveis. Não é difícil. Eu garanto!”

A atriz e neurocientista também enfatizou que o seu sonho é que entidades em defesa dos animais parem de servir carne em seus eventos.

“Há maneiras de alimentar os convidados sem tirar a vida de todos aqueles frangos e bois. Muitas pessoas nem comem seus pratos principais; pouparia muito dinheiro e vidas. Vamos lá, colegas defensores!”, pediu.

Mayim Bialik também utiliza o seu canal no YouTube para abordar ocasionalmente o veganismo e os direitos animais. No ano passado, ela publicou um vídeo, com quase 421 mil visualizações, explicando que não há razão para as pessoas verem a alimentação vegana com estranhamento, sendo que muitos alimentos consumidos por veganos também são consumidos por quem não é.

Para exemplificar, ela cita massas, batata-frita, etc. Além disso, explica de forma bem amistosa que quando uma pessoa experimenta um prato vegano que não tenha agradado ao seu paladar, isso não significa que haja motivos para generalizações.

A atriz vegana também diz que se uma pessoa não se importa, de fato, com os direitos animais ou com o bem-estar animal, ela poderia considerar pelo menos os benefícios da abstenção do consumo de alimentos de origem animal para o meio ambiente, já que isso também é de suma importância para a humanidade.

Mayim Bialik cita uma série de impactos negativos associados à agropecuária. Com uma perspectiva otimista, ela sugere que pessoas que consideram o veganismo “impraticável” ou “muito difícil de seguir”, que pensem nos alimentos que elas já podem consumir, que estão ao seu alcance.

Faz sentido instituir o Dia Nacional do Rodeio no Dia dos Animais?

Por David Arioch

Senador Wellington Fagundes (PR-MT) quer tornar o dia 4 de outubro o Dia Nacional do Rodeio (Fotos: Agência Senado/Coletivo Vida)

Na última terça-feira, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou relatório do senador Wellington Fagundes (PR-MT), que quer tornar o dia 4 de outubro o Dia Nacional do Rodeio, conforme Projeto de Lei Complementar (PLC) 108/2018.

Isso significa que o Dia Nacional do Rodeio pode ser celebrado no Dia Mundial dos Animais, que também é Dia de São Francisco de Assis. Mas será que Francisco de Assis ou os animais que são obrigados a participarem dos rodeios concordariam com isso? De qualquer forma, a análise do projeto será encaminhada para o Plenário do Senado.

Em sua justificativa, Wellington Fagundes destacou que é médico veterinário e que, ao contrário do que é disseminado de forma equivocada, nos rodeios o bem-estar do animal está em primeiro lugar.

Se isso é verdade, por que a cada ano cresce no Brasil e no mundo as campanhas e a oposição popular aos rodeios? A verdade é que mais pessoas estão entendendo que a defesa dos rodeios não tem nada a ver com a defesa da tradição, mas sim com dinheiro.

Há menos de duas semanas, a ONG Bendita Adoção divulgou um vídeo registrado por moradores de Londrina (PR) que mostra animais recebendo golpes na cabeça fora da arena da ExpoLondrina.

No ano passado, no Adamantina Rodeo Festival, um touro fraturou as duas patas traseiras. Há inúmeros relatos e testemunhos contra os rodeios. Pouco se fala também no estresse ao qual o animal é submetido na arena em decorrência não apenas da violência física, mas também do barulho, da narração do locutor e da gritaria.

Instituir o Dia Nacional do Rodeio, e no Dia dos Animais, é zombar dos animais e dos brasileiros. A defesa da atividade na realidade tem apenas um interesse – econômico. O rodeio sequer é brasileiro, logo não faz o menor sentido associá-lo à ideia de elemento cultural nacional.

Com exceção da montaria em cutiano, todos os outros elementos do rodeio são importados dos Estados Unidos – incluindo trajes, equipamentos e termos. Na defesa da prática, Fagundes disse que o rodeio nasceu do trabalho nas fazendas. Sim, mas não no Brasil. Prova disso é que o verdadeiro sertanejo brasileiro, criado na roça, não se veste e nunca se vestiu como o romanesco “cowboy americano”.