Deputado diz que caça a javalis será legalizada o mais rápido possível em SP

Por David Arioch

A regulamentação da caça de javalis é uma das pautas prioritárias da bancada ruralista da Alesp (Fotos: Thais Bilenky/Folhapress/Wikimedia Commons)

Na semana passada, em entrevista ao programa Mercado & Companhia, do Canal Rural, o deputado Frederico D’Avila (PSL) disse que a caça a javalis será legalizada o mais rápido possível em São Paulo.

“Já conversei com o líder do governo na Assembleia, deputado Carlão Pignatari, conversei com o governador João Doria e com o secretário [da agricultura] Gustavo Junqueira e vamos agora regulamentar a legislação dentro do estado”, destacou.

A regulamentação da caça de javalis é uma das pautas prioritárias da Frente Parlamentar da Agricultura e Irrigação da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). D’Avila acrescentou que vai pedir regime de urgência na legalização.

Vale lembrar que no último dia 4 foi publicada no Diário Oficial da União uma nova portaria que permite o uso de cães de qualquer espécie e de armas brancas, como facas, na caça a javalis.

A publicação é resultado de uma atualização nas regras de caça da espécie estabelecidas pelo Ibama, que tem como presidente Eduardo Fortunato Bim, nomeado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que quando concorreu à eleição para deputado federal no ano passado teve como uma das principais bandeiras a defesa da caça.

Mais de 2,7 mil fazendas leiteiras fecharam as portas nos EUA em 2018

População dos EUA está consumindo 37% menos leite do que nos anos 1970 (Foto: WWF)

De acordo com informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 2.731 fazendas leiteiras fecharam as portas nos EUA em 2018. Somente no estado de Wisconsin o total de fazendas que saíram do mercado chegou a 590 no ano passado. Já o estado da Pensilvânia teve 370 fazendas fechadas em 2018.

A Dairy Farmers of America, associação de produtores de leite dos Estados Unidos, divulgou recentemente um relatório informando que em 2018 a indústria de laticínios sofreu queda nas vendas no valor de 1,1 bilhão de dólares em comparação com 2017.

Um relatório publicado pelo The Washington Post mostrou que a população dos EUA está consumindo 37% menos leite do que nos anos 1970. Como consequência, alguns laticínios foram além e mudaram completamente de ramo nos últimos anos, como é o caso da Elmhurst, de Nova York, que fechou sua indústria de produtos lácteos em 2016, após 80 anos, para inaugurar a Elmhurst Milked, de alternativas vegetais.

Independente de causa, e na contramão da crise no mercado leiteiro, estão as alternativas aos laticínios baseadas em vegetais, que têm ocupado cada vez mais espaço e atraído até mesmo a atenção e interesse de empresas do ramo leiteiro.

Nos Estados Unidos, além do surgimento de novas marcas não lácteas a cada ano, a Dean Foods, segunda maior companhia leiteira do país, além de fechar laticínios e romper contratos com dezenas de produtores de leite só no estado da Pensilvânia, se tornou acionista da marca de leites vegetais Good Karma, que segue em ascensão nos EUA.

A previsão é de crescimento global de alternativas aos lácteos de mais de 40% até 2023, segundo a ResearchandMarkets. Vale lembrar também que foi em 2018 que a Marcus Dairy, um dos maiores laticínios de Connecticut, anunciou o encerramento do contrato com 52 fazendas por causa da queda na demanda por leite.

Morre advogada que lutava para que o ecocídio fosse reconhecido como crime contra a humanidade

Por David Arioch

Em 2010, Polly Higins publicou um livro que expõe o corporativismo e as práticas políticas que minam a proteção ambiental (Foto: Polly Higgins Website)

No domingo, a advogada e ambientalista britânica Polly Higgins faleceu em decorrência de câncer. Ela se tornou conhecida internacionalmente depois de dedicar dez anos à luta para que o ecocídio fosse reconhecido como um crime internacional contra a humanidade.

A advogada, que era especialista em direito corporativo e trabalhista, desistiu de um emprego muito bem remunerado em Londres e vendeu a própria casa para lutar pela criação de uma lei internacional que responsabilizasse criminalmente executivos e políticos por danos causados aos ecossistemas.

A iniciativa de Polly Higgins poderia servir como uma ferramenta de grande importância para a preservação da flora, da fauna e para coibir ações que favoreçam prejuízos ambientais de grandes proporções; além de ser de muita valia enquanto recurso contra aqueles que desempenham ações que estão acelerando as mudanças climáticas e assim prejudicando a humanidade como um todo.

A advogada e ambientalista publicou um livro sobre o assunto intitulado “Erradicading Ecocide”, lançado em 2010 e que expõe o corporativismo e as práticas políticas que minam a proteção ambiental, e criou um fundo fiduciário para os chamados “protetores da Terra”. Até hoje o projeto defendido por Polly Higgins não foi reconhecido como lei. No entanto, ela sempre dizia que sua equipe daria continuidade ao seu trabalho.

Caso o ecocídio fosse reconhecido como crime contra a humanidade, ativistas acreditam que a lei poderia realmente fazer com que executivos de grandes empresas e políticos sejam responsabilizados por práticas criminosas contra o meio ambiente, diferente de hoje. E Polly Higgins acreditou nisso até o último momento. “Minha equipe jurídica continuará sem se intimidar”, avisou a advogada e ambientalista antes de falecer, segundo publicação do jornal britânico The Guardian.

Consumo de carne é um dos problemas mais urgentes do planeta

Por David Arioch

Segundo Brown e O’Reilly, não será possível cumprir as metas do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas sem uma redução em massa na escala da pecuária | Foto: Pixabay

Emissões de gases do efeito estufa geradas pela pecuária rivalizam com a pegada de carbono dos setores de transporte rodoviário, aéreo e espacial juntos. O alerta é da dupla de empreendedores norte-americanos Ethan Brown e Patrick O’Reilly, fundadores da Beyond Meat e Impossible Foods, que encontraram alternativas para o consumo de carne animal.

Seus negócios foram reconhecidos pelo Campeões da Terra, o prêmio ambiental mais importante das Nações Unidas, concedido pela ONU Meio Ambiente. Segundo Brown e O’Reilly, não será possível cumprir as metas do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas sem uma redução em massa na escala da pecuária.

Carne de vegetais

Pensando em soluções para o problema, Brown fundou em 2009 a Beyond Meat, uma companhia que identificou os principais componentes da carne de origem animal para extrai-los de plantas. A empresa usa ingredientes como ervilhas, beterrabas, óleo de coco e amido de batata para produzir uma carne mais sustentável.

“A carne é composta por aminoácidos (a base das proteínas), lipídeos (gorduras), minerais e água. Os animais usam os seus sistemas digestivo e muscular para transformar a vegetação e a água em carne. Nós estamos indo direto na planta, dispensando o animal e fabricando carne diretamente”, explica Brown.

O atual CEO da Beyond Meat conta que sempre se questionou se não existiria um jeito melhor de produzir proteína para o consumo humano. Afinal, cerca de 80% das terras sob atividade agrícola são usadas para a produção de ração para o gado ou para a pastagem. Outras preocupações o atormentavam — a pecuária não é uma das maiores fontes de emissões dos gases do efeito estufa? Determinadas quantidades e tipos de proteína animal não são prejudiciais para nossa saúde?

“Essas quatro coisas continuavam voltando à minha cabeça: saúde humana, mudanças climáticas, recursos naturais e implicações para o bem-estar animal [provocadas] pelo uso de animais para [fazer] carne. E o que me fascinava era que você podia enfrentar todas essas preocupações simultaneamente, apenas mudando a fonte de proteína para a carne, de animais para plantas”, afirma Brown.

Para o fundador da Beyond Meat, é necessário mudar o foco — da origem da carne para a sua composição. “Milho, soja e trigo dominam a agricultura nos Estados Unidos. Podemos trocar isso. Se você pegar o mesmo pedaço de terra para cultivar proteína direto das plantas, podemos cortar os recursos naturais necessários, usando a terra mais eficientemente.”

Segundo uma pesquisa da Universidade de Michigan, na comparação com seu correlato de origem animal, o hambúrguer da Beyond Meat usa 99% menos água e 93% menos espaço de plantio em seu processo de produção, além de gerar 90% menos emissões de gases do efeito estufa e consumir 46% menos energia.

Brown defende a transição de áreas atualmente dedicadas à plantação de ração animal para safras de proteína que podem ser usadas diretamente para o consumo humano, sob a forma de carne feita de vegetais. Com isso, o empreendedor defende que é possível promover o crescimento econômico sustentável em zonas rurais dos EUA e de outros países.

Em busca da melhor carne do mundo

O professor de Bioquímica e membro da Academia Nacional de Medicina, Patrick O’Reilly, quer acabar com o uso de animais na produção de alimentos — uma prática que ele descreve como a “tecnologia mais destrutiva” do mundo. O problema, avalia o pesquisador, vai levar a humanidade a um “desastre ecológico”. Segundo O’Reilly, atualmente 45% da superfície do planeta Terra é utilizada para pastagem ou para o cultivo de vegetais transformados em ração para a pecuária.

À procura de um substituto para a carne animal, a equipe de O’Reilly descobriu um ingrediente — o heme, uma molécula que tem ferro e é encontrada em todas as células de animais e plantas. Ela é a responsável pelos sabores e aromas da carne “tradicional”. O time do pesquisador viu ainda que, adicionando um gene de vegetal a células de levedura, era possível produzir a substância em quantidades ilimitadas, com uma fração minúscula do impacto ambiental.

As descobertas levaram à criação da Impossible Foods, que produz carne sem animais. A companhia fixou uma meta ambiciosa — promover a eliminação do uso de animais na fabricação de comida até 2035.

Em relação ao hambúrguer bovino, ele diz que o Impossible Burger utiliza 75% menos água e 95% menos terras aráveis em sua fabricação, gerando 87% menos emissões de gases do efeito estufa.

“Se tem algo que aprendi, é que os grandes problemas globais não são responsabilidades de outra pessoa. Esse problema não ia ser resolvido implorando aos consumidores para que comessem leguminosas e tofu, em vez de carne e peixe. E não seria suficiente encontrar apenas um jeito melhor de fazer carne. Para ter sucesso, precisaríamos fazer a melhor carne do mundo”, afirma O’Reilly.

Para o acadêmico e empreendedor, o uso de animais nos sistemas alimentares será em pouco tempo “uma tecnologia obsoleta”. Fazer carne diretamente das plantas permitirá diversificar e baratear a produção, além de tornar o alimento mais saudável, aposta o criador da Impossible Foods.

Preocupado com o meio ambiente, prefeito de Nova York anuncia corte de 50% na compra de carne

Por David Arioch

Foto tirada ontem durante o lançamento do programa em Nova York (Foto: Michael Appleton)

Preocupado com o meio ambiente, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, do Partido Democrata, anunciou ontem o corte de 50% na compra de carne por parte da prefeitura, além da gradual eliminação da aquisição de carne processada. A medida está sendo adotada como forma de ajudar a reduzir os gases causadores do efeito estufa.

“São exatamente os tipos de ações políticas que acreditamos que são necessárias para melhorar a saúde pública e enfrentar os desafios ambientais das próximas décadas”, disse Craig Willingham, diretor-adjunto do Instituto de Políticas Alimentares Urbanas da Universidade da Cidade de Nova York.

O prefeito de Nova York também foi parabenizado por Jeff Sebo, diretor do Programa de Mestrado em Estudos Animais, da Universidade de Nova York.

“Quero estender meus sinceros agradecimentos ao prefeito de Blasio e a todos os outros do governo de Nova York por dar esse passo importante para enfrentar a mudança climática e a desigualdade econômica. Se quisermos evitar que o pior aconteça, então precisamos agir agora, e na ausência de liderança federal, precisamos que cidades como Nova York assumam a liderança”, declarou.

Quem também ficou muito feliz com a atitude foi o presidente do Brooklyn, Eric Adams, que deixou de se alimentar de animais em 2016 e ampliou recentemente a sua fama ao transformar o Brooklyn em uma referência para vegetarianos e veganos.

Vale lembrar também que no mês passado o prefeito Bill de Blasio anunciou que todas as escolas públicas da cidade de Nova York terão a “Segunda Sem Carne” no biênio 2019-2020. O projeto OneNYC 2050, que prevê corte na compra de carne, pode ser consultado online.

Curitiba Blues Festival permite entrada de animais e oferece opções gastronômicas veganas

Ingressos estão à venda no site do Eventim por R$ 35 (Foto: Divulgação)

Além de muita música e cerveja artesanal, o Curitiba Blues Festival que ocorre na capital paranaense no dia 4 de maio, a partir das 11h, vai oferecer opções gastronômicas para quem não consome nada de origem animal – como a moqueca vegana.

De acordo com a organização do evento, que será realizado nos jardins do Museu Oscar Niemeyer, esse é mais um bom motivo para quem gosta de blues, mas é vegano ou vegetariano, prestigiar o Curitiba Blues Festival.

Outro diferencial é a oferta de atividades para crianças e animais domésticos. Como o evento é pet friendly, ou seja, permite a entrada e permanência de animais domésticos, haverá também comércio de produtos para eles e uma feira de adoção em parceria com o Instituto Fica Comigo.

Entre as atrações do Curitiba Blues Festival estão nomes já conhecidos no cenário musical curitibano, como Décio Caetano e convidados, Gringos Washboard Band, Ricardo Maranhão Trio feat. Indiara Sfair, Tony Caster & The Black Mouth Dogs e Wes Ventura. Ingressos estão à venda no site da Eventim por R$ 35. Para comprar, clique aqui.

Acompanhe as novidades sobre o evento no Facebook e no Instagram: @curitibabluesfestival

Deputado Vitor Lippi é contra PL que proíbe criação de pássaros em cativeiro

A justificativa do deputado é que o projeto de lei é prejudicial ao setor de criação de animais (Fotos: IMA-AL/Agência Câmara)

Ontem, o deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP) se manifestou contra o Projeto de Lei 3264/2015, que proíbe a criação de passeriformes nativos ou exóticos em cativeiro em todo o território nacional.

A justificativa do deputado é que o projeto de lei é prejudicial ao setor de criação de animais e pode inviabilizar “toda a atividade econômica relacionada às aves canoras e ornamentais, segmento que está se destacando cada dia mais no setor pet brasileiro e global”.

Em oposição à proibição, Lippi apresentou no último dia 17 um requerimento de redistribuição para análise na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços.

Na matéria do projeto de lei de autoria da deputada Shéridan Oliveira (PSDB-RR) consta que só deve ser permitida a criação de passeriformes em cativeiro com finalidade exclusivamente conservacionista, com o fim de salvar a espécie da extinção e promover sua reintrodução nos ambientes naturais.

“Os pássaros necessitam, para seu normal desenvolvimento, alimentação e reprodução, viver em liberdade. Os pássaros estão adaptados para voar e explorar vastos espaços. Confiná-los dentro de exíguas gaiolas, onde mal podem se mover, privando-os do contato com o diversificado e estimulante ambiente natural, é um ato de crueldade”, aponta o PL.

E acrescenta: “Não é necessário manter pássaros em gaiolas para desfrutar o canto dos sabiás, dos pintassilgos e dos canários, o voo dos beija-flores e dos pardais, o trabalho artesanal do joão-de-barro e a beleza da gralha azul e do bico-de-ferro, apenas para dar alguns pouquíssimos exemplos.” As aves da ordem passeriformes somam quase seis mil espécies.

Caiado sanciona lei que regulamenta vaquejada como atividade desportiva e cultural em Goiás

Por David Arioch

A proposta foi aprovada em segunda votação na AL no dia 21 do mês passado (Acervo: Agência Brasil)

Na última terça-feira (23), o governador Ronaldo Caiado (DEM) sancionou o projeto de lei de autoria do deputado Henrique Arantes (PTB), que regulamenta a vaquejada como atividade desportiva e cultural em Goiás. A proposta foi aprovada em segunda votação no dia 21 do mês passado.

A presidente da Comissão Especial de Proteção e Defesa Animal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), Pauliane Rodrigues da Silva, criticou a decisão. Ela defende que o correto é prezar pela vida do animal, não causar sofrimento, como acontece na vaquejada. A advogada vai se reunir com a comissão para avaliar o que pode ser feito para inviabilizar a lei.

Na vaquejada, dois homens montados em cavalos perseguem um boi com o objetivo de derrubá-lo puxando-o violentamente pelo rabo. Em outubro de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional uma lei estadual do Ceará que regulamentava a atividade como prática desportiva e cultural.

No entanto, em novembro do mesmo ano, o presidente Michel Temer sancionou uma lei que elevou a vaquejada à manifestação cultural.

Comissão vota hoje medida que prevê mais anistia para o desmatamento no Brasil

Por David Arioch

Área já desmatada equivale à soma dos territórios dos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe (Foto: Daniel Belrá)

A Comissão Mista da Medida Provisória (MP 867/2018) se reúne nesta quarta-feira a partir das 14h30 para analisar e votar pela prorrogação da adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA). Se a maioria for favorável, a proposta deve seguir para a Câmara e depois para o Senado.

Embora o prazo original para a anistia de infrações ambientais por desmatamento no Brasil tenha terminado em dezembro de 2018, a MP defende prorrogação para 31 de dezembro deste ano, como forma de beneficiar mais proprietários ou posseiros rurais inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR). A proposta de autoria do Poder Executivo durante o Governo Temer permite a regularização de desmatamentos praticados até julho de 2008.

A iniciativa é vista com preocupação, considerando que, segundo pesquisadores do Instituto de Manejo e Certificação Agrícola (Imaflora) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), os produtores rurais brasileiros já tiveram anistia de aproximadamente 41 milhões de hectares desmatados ilegalmente e que não prevê qualquer obrigação de restauração da área.

De acordo com os pesquisadores, a área equivale à soma dos territórios dos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Sendo assim, proporcionar mais anistia àqueles que têm favorecido o desmatamento no país também coloca ainda mais em risco o Código Florestal.

Um dos maiores defensores da medida é o deputado Sérgio Souza (MDB) que criticou no mês passado a campanha internacional The Million Dollar Vegan, que convidou o Papa Francisco a experimentar uma dieta livre de alimentos de origem animal durante a Quaresma.

Vale lembrar também que o atual chefe do Serviço Florestal Brasileiro, nomeado em janeiro deste ano, é o ex-deputado federal e agropecuarista Valdir Colatto (MDB-SC), autor do projeto de lei que prevê a liberação da caça no Brasil.

Quando atuava como deputado, Colatto se empenhou em prorrogar o prazo de inscrição dos ruralistas no Cadastro Ambiental Rural e também quis impedir que os dados dos proprietários rurais cadastrados fossem divulgados.

99% dos frangos criados nos EUA passam a vida inteira confinados

Frangos que serão abatidos e que jamais conhecerão a liberdade de ciscar pelo campo ou sentirão o sol tocando suas penas (Acervo: Jim Mason)

De acordo com uma pesquisa divulgada na semana passada pelo Sentience Institute, 99% dos frangos criados nos Estados Unidos passam a vida inteira confinados em fazendas industriais, ou seja, não conhecem a realidade fora do “sistema de produção”.

Esse é o total de frangos que serão abatidos e que jamais conhecerão a liberdade de ciscar pelo campo ou sentirão ao ar livre o sol tocando suas penas. É um percentual surpreendente considerando que só nos EUA foram criados 8,4 bilhões de frangos para consumo em 2018.

Além disso, o relatório revela que 98,2% das galinhas poedeiras, 98,3% dos porcos e 70,4% dos bovinos também são criados em fazendas industriais, em sistema intensivo de produção. E essa realidade não é tão diferente em outros países que exploram economicamente essas atividades em grandes proporções.

No Brasil, por exemplo, foram mortos 5,70 bilhões de frangos em 2018, com o Paraná respondendo por 31,4% do volume nacional, seguido por Rio Grande do Sul (15%) e Santa Catarina (13,4%).

O Sentience Institute também destaca que todos os peixes criados em cativeiro no país seguem padrões muito semelhantes aos das fazendas industriais, embora os dados sobre a realidade da psicultura no país sejam bem limitados.