Projeto de lei prevê criação de Disque-Denúncia de Maus-Tratos e Abandono de Animais

“Abandono com falta de água, comida e local adequado para o animal também se caracteriza como maus-tratos” (Foto: Neil Moralee)

Está tramitando na Câmara dos Deputados o projeto de lei 48/2019, que prevê a criação do Disque-Denúncia de Maus-Tratos e Abandono de Animais. De autoria do deputado Fred Costa (Patri-MG), o projeto permite que o denunciante possa ter a sua identidade preservada.

“Maus-tratos vão além daquela agressão física. Abandono com falta de água, comida e local adequado para o animal também se caracteriza como maus-tratos”, diz Costa, acrescentando que atualmente as denúncias ficam sem amparo legal por não haver atribuições específicas dos órgãos públicos acionados para esse fim.

O PL também defende que o governo federal possa firmar convênios com os estados para um trabalho de política conjunta na apuração de denúncias e encaminhamento para órgãos fiscalizadores.

A proposta, semelhante ao PL 4542/2016, do ex-deputado Felipe Bornier, tramita em Brasília em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, segundo a Agência Câmara.

Documentário “Uma Oração pela Compaixão” estreia em Londres em maio

Documentário defende uma relação mais compassiva com os animais não humanos (Foto: Reprodução)

No dia 23 de maio, o documentário “A Prayer for Compassion” ou “Uma Oração pela Compaixão”, que defende uma relação mais compassiva com os animais não humanos, estreia no Prince Charles Cinema, na Leicester Square, em Londres.

No filme, Thomas Jackson sai em missão cruzando a América do Norte e depois partindo para Marrakesh, no Marrocos, para participar da Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), onde ele faz uma pergunta que é um desdobramento de um questionamento feito séculos antes da era cristã por Sidarta Gautama (Buda):

“A compaixão pode crescer até incluirmos todos os seres? As pessoas que se identificam como religiosas ou espirituais podem adotar o chamado de incluir todos os seres humanos e não humanos no nosso círculo de respeito, carinho e amor?”

Jackson faz a mesma pergunta em várias partes do subcontinente indiano. O objetivo é questionar inclusive lideranças espirituais e religiosas se elas ou as crenças que defendem, e principalmente da maneira como defendem, não estão sendo semiplenas e antropocêntricas e especistas no que diz respeito à relação com os animais.

Nesse percurso, o documentarista se depara com diferentes perspectivas, e muitas favoráveis à sua posição de instigar a reflexão sobre a objetificação animal.

Com um caráter meditativo e filosófico, o objetivo de “Uma Oração pela Compaixão” é apresentar razões para estimular as pessoas a participarem ativamente da construção de um mundo compassivo, em que os animais não sejam simplesmente vistos como coisas, objetos e meios para um fim. O documentário deve ser disponibilizado online em breve.

Fotógrafos criam projeto que fornece gratuitamente imagens sobre a exploração animal

Foto: Moving Animals

Um casal de fotógrafos britânicos criou em 2018 o projeto Moving Animals, que fornece gratuitamente fotos e vídeos de conscientização sobre a exploração animal que podem ser utilizadas por ativistas de qualquer parte do mundo.

“Desde então temos testemunhado, documentado e arquivado práticas com animais nas indústrias ao redor do mundo”, informam Amy Jones e Paul Healey.

Antes de iniciarem o projeto, eles trabalharam para a organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA) no Reino Unido, realizando registros da realidade dos animais utilizados como bens de consumo e entretenimento.

“Nosso trabalho pretende destacar que a exploração animal mundial é um círculo obscuro de abusos, atrelado à oferta e demanda, ao dinheiro e a práticas não expostas”, justificam.

O Moving Animals também produz imagens para campanhas de organizações e grupos que necessitam de algum tipo de material específico.

“Fornecemos imagens gratuitas para ativistas e organizações, e também criamos o nosso próprio conteúdo. Ampliando a conscientização sobre o sofrimento dos animais, queremos incentivar as pessoas a se afastarem dessas práticas”, enfatizam.

No site do projeto é possível encontrar imagens já disponibilizadas em pelo menos 12 categorias, o que inclui entretenimento, indústrias de laticínios, ovos e carne, indústria da pesca, exploração de animais como meio de transporte e animais abandonados, entre outras.

Ativistas pedem que Maia paute PL que proíbe o abate de jumentos

Nos últimos anos, alguns criadores e representantes do governo brasileiro e baiano passaram a viabilizar o abate desses animais (Foto: Divulgação)

Criado pelo deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), o PL 1218/2019 quer elevar o jumento a patrimônio nacional e proibir o abate do animal em todo o país. Atualmente a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos tem feito um apelo a todos que são contra o envio dos jumentos aos matadouros para enviarem mensagens via Instagram ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A recomendação é pedir que Maia paute o projeto e o envie para votação na Semana Nacional dos Projetos da Causa Animal em agosto. Segundo Izar, não há como aceitar os maus-tratos a que estão sendo submetidos esses animais, apenas visando a exploração comercial.

Inserido na cultura brasileira, os jumentos foram explorados como animais de carga por séculos. Porém, recentemente passaram a ser considerados desnecessários para essa finalidade.

Por isso, nos últimos anos alguns criadores de animais e representantes do governo brasileiro e baiano passaram a viabilizar o abate dos jumentos, inclusive daqueles que são abandonados pelos proprietários – o que é uma solução fácil e inadequada para um problema complexo.

Além disso, o consumo da carne de jumento não faz parte dos hábitos dos brasileiros, até porque há uma relação de familiaridade e consideração que se perpetuou culturalmente em relação aos jumentos a partir do século 16.

No entanto, a China que mata cerca de 1,5 milhão de jumentos por ano, tanto para o consumo de carne quanto para a utilização na medicina chinesa, tem dialogado com o governo brasileiro desde 2015, onde a criação de jumentos é uma tradição, na tentativa de intensificar a exportação desses animais com finalidade de abate.

Em 1977, Chico Buarque já cantava sobre a cruel realidade servil desse animal na música “O Jumento”: “Jumento não é o grande malandro da praça. Trabalha, trabalha de graça. Não agrada ninguém. Nem nome não tem…”

Uma prova de que o valor atribuído ao jumento normalmente se resume à sua força é que os animais mais fortes podem não ter preço, mas aqueles que já apresentam algum tipo de desgaste, não raramente são abandonados, abatidos ou comercializados por não mais do que alguns reais.

Rodrigo Maia no Instagram: @rodrigomaiarj

Agropecuária é uma das causas do desaparecimento da biodiversidade no mundo

Segundo o relatório, a expansão insustentável de práticas produtivas tem agravado a dependência do ser humano de um conjunto restrito de plantas e animais para se alimentar (Foto: Getty)

Um relatório concluído pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agropecuária (FAO) no mês passado aponta a expansão da agropecuária intensiva como uma das causas do desaparecimento da biodiversidade no mundo – o que pode comprometer a produção de alimentos.

Com informações de 91 países, o relatório aponta para o uso de um número restrito de espécies no cultivo e produção direta de alimentos. Por exemplo, das cerca de seis mil espécies de plantas cultivadas para alimentação, menos de 200 são utilizadas na produção global de alimentos e apenas nove respondem por 66% da produção agrícola total.

Já a pecuária é baseada em cerca de 40 espécies, com algumas delas sendo exploradas para a obtenção da maior parte da carne, leite e ovos consumidos pelas pessoas. Segundo a FAO, a expansão insustentável de práticas produtivas tem agravado a dependência do ser humano de um conjunto restrito de plantas e animais para se alimentar. Ao mesmo tempo, gera passivos ambientais capazes tanto de esgotar os recursos naturais utilizados nessas cadeias de produção quanto extinguir outras espécies.

A perda da biodiversidade para alimentos e agricultura, segundo o relatório, está associada a mudanças no uso e manejo da terra e da água (inerente à agropecuária), seguidas pela poluição e exploração excessiva, além das mudanças climáticas, crescimento populacional e urbanização.

A FAO lembra ainda que quase um terço das unidades populacionais de peixes do mundo são consideradas super exploradas atualmente; e mais de metade delas já atingiram o seu limite sustentável. Além disso, em decorrência dos fatores de mudança já citados, muitas espécies de alimentos silvestres estão em declínio em países da América Latina e Caribe, seguidos por nações da Ásia-Pacífico e da África.

Menos biodiversidade significa que plantas e animais são mais vulneráveis ​​a pragas e doenças, o que também coloca a nutrição e a segurança alimentar em risco, segundo o estudo.

Beyond Meat diz que em breve seus substitutos de carne custarão bem menos

É preciso fazer investimentos na cadeia de fornecimento para baratear os custos (Foto: Divulgação)

O CEO da Beyond Meat, Ethan Brown, anunciou na semana passada que em breve os produtos da marca custarão bem menos. Ele disse que a fórmula de opções já comercializadas, como o Beyond Burger, Beyond Sausage (linguiça) e Beyond Beef (carne moída), serão modificadas para garantir um custo menor de produção que possa beneficiar um maior número de consumidores.

Brown informou que o uso de sementes de girassol, sementes de mostarda e tremoço devem contribuir nesse processo. O objetivo da Beyond Meat é motivar principalmente os não veganos a consumirem seus produtos – passando a ver a proteína de origem vegetal como uma opção muito melhor do que a carne.

Ethan Brown disse à Forbes que é preciso fazer investimentos na cadeia de fornecimento para baratear os custos de seus produtos baseados principalmente em proteínas de arroz e ervilha.

“O reino vegetal está repleto de proteínas, uma vez que pensamos nele como fonte de alimento humano”, declarou. Hoje, os produtos da Beyond Meat são comercializados em mais de 35 mil estabelecimentos do mundo todo e têm o apoio de nomes como Leonardo DiCaprio, Bill Gates, Shaquille O’Neal e Kyrie Irving, entre outros.

Governadora de Iowa sanciona lei que permite processar quem realiza investigações secretas em matadouros

Lei endossada pela governadora interfere em investigações de grupos como Compassion Over Killing (COK), que denuncia abusos de animais em fazendas industriais em Iowa (Fotos: Getty/COK)

A governadora republicana do estado de Iowa, nos Estados Unidos, Kim Reynolds sancionou na semana passada uma lei que permite processar quem realiza investigações secretas em matadouros.

O projeto é uma reação às denúncias de maus-tratos a animais baseados em investigações realizadas por ativistas e grupos que atuam em defesa dos animais no país.

E a lei não vale apenas para matadouros, mas também para o que é registrado em qualquer propriedade rural e também em locais onde animais domésticos são criados com finalidade comercial.

Sob a lei “ag-gag” qualquer pessoa que entrar em uma instalação mentindo sobre as próprias intenções pode ser acusado de grave contravenção, segundo o jornal Des Moines Register.

A nova lei interfere diretamente em investigações de grupos como Compassion Over Killing (COK), que denuncia abusos de animais em fazendas industriais em Iowa.

A governadora disse que pessoas não treinadas e não desejadas nessas propriedades colocam os produtores e a economia do estado de Iowa em risco.

“Leis como essa ajudam ainda mais a segurança de nossos produtores, nosso estado e nossa nação, e tenho orgulho de sancioná-la hoje”, declarou Kim Reynolds.

Por outro lado, a deputada democrata Liz Bennett disse que esse tipo de lei vai funcionar como uma mordaça, que impede as pessoas de denunciarem situações de maus-tratos por medo de serem penalizadas legalmente.

“Esse projeto mostra o dedo do meio para a liberdade de expressão, proteção ao consumidor, segurança alimentar e bem-estar animal”, lamentou Liz ao Register.

Mapa Veg aponta São Paulo como o estado com maior número de veganos e vegetarianos

Foto: Projeto São Paulo City

Um censo realizado pelo Mapa Veg aponta São Paulo como o estado com maior número de veganos e vegetarianos. Embora os dados sejam baseados em cadastro voluntária no site do Mapa Veg, as estatísticas servem como referência para se ter uma ideia da distribuição dos adeptos do veganismo e do vegetarianismo no Brasil.

Depois de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina são os estados, em ordem do maior para o menor em número de adeptos, com mais veganos e vegetarianos.

Já entre as cidades, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte ocupam as primeiras posições. Por enquanto, o censo do Mapa Veg cadastrou 29,5 mil veganos e vegetarianos, e qualquer pessoa pode acessar o site e participar. O processo é simples e rápido.

Esse tipo de iniciativa contribui para quem quer saber se há veganos ou vegetarianos onde vive, ou se há um mercado específico a ser explorado voltado a esse público em determinada localidade. Uma estimativa do Ibope Inteligência afirma que no Brasil 30 milhões de pessoas não consomem carne, mas não é possível dizer quantos são vegetarianos estritos e veganos.

Para participar do censo do Mapa Veg, clique aqui.

Cão tenta impedir que ovelhas sejam levadas para o matadouro

A intenção do cão pastor era proteger as ovelhas com quem ele convivia (Foto: Guardia Civil de Fogars de la Selva)

Este mês, a Guarda Civil de Fogars de la Selva, na província de Barcelona, na Catalunha, encontrou um cão correndo atrás de um caminhão que transportava ovelhas para o matadouro.

Piqué perseguiu o veículo por quilômetros na rodovia AP-7, o máximo que pôde, até que foi interceptado pela Guarda Civil após receber um alerta de vários condutores.

A princípio, pensaram que o animal estivesse perdido, até que souberam que Piqué é um cão pastor que convive com ovelhas desde que era apenas um filhote.

A intenção do cão pastor era proteger as ovelhas com quem ele convivia, evitar que fossem levadas para o matadouro. Infelizmente, Piqué não conseguiu realizar o seu objetivo.

Apesar disso, a Guarda Civil de Forgars de la Selva publicou que é inegável que os animais nos ensinam muitas coisas que acreditamos que sejam instintivas, quando na realidade são qualidades naturais que ignoramos.

“O Fim da Carne” já está disponível para brasileiros no Vimeo e no iTunes

Pierschel foi até a Índia conhecer a primeira cidade vegetariana do país (Foto: Divulgação)

O documentário “The End of Meat” ou “O Fim da Carne”, de Marc Pierschel, que discute um futuro sem carne sob diversas perspectivas, já está disponível para brasileiros no Vimeo e no iTunes, e com legendas em português. O preço é cinco dólares pelo aluguel de 48 horas ou dez dólares para assistir quando quiser e/ou baixá-lo pelo Vimeo.

“Embora as evidências do impacto negativo do consumo de carne no planeta e na saúde humana continuem se acumulando à medida que o bem-estar animal está em declínio, o caso de amor da humanidade com hambúrgueres, bifes, nuggets e costeletas simplesmente não termina”, informa o documentário dirigido e produzido pelo mesmo diretor do documentário “Live and Let Live” ou “Viva e Deixe Viver”.

Partindo dessa reflexão, ambientada na Alemanha da bratwurst e da schnitzel, que Pierschel mostra que, embora o mundo não seja vegano, as transformações estão acontecendo. Cada vez mais pessoas estão abraçando a redução ou a completa abstenção do consumo de alimentos de origem animal. Nessa esteira, a Alemanha é um exemplo, considerando que, em resposta à demanda, hoje é o país que mais lança produtos veganos.

“As preocupações com a saúde e os escândalos da carne levaram a um debate público sobre as implicações éticas do consumo de carne e o aumento das dietas baseadas em vegetais. Os produtores de carne lançaram seus próprios produtos veganos”, diz o diretor.

E continua: “Hoje temos supermercados veganos e quase todos os fabricantes de alimentos estão adicionando e rotulando opções veganas. É esse o começo do fim da carne? Estamos nos aproximando de um ponto de virada no relacionamento humano-animal?”

Em “The End of Meat”, Marc Pierschel também apresenta um breve relato da história do movimento vegano na Alemanha, visita a primeira cidade vegetariana da Índia, conhece a famosa porca Esther e levanta questões sobre o futuro dos animais na sociedade.

Assista online:

Vimeo – Clique aqui

iTunes – Clique Aqui