Exportação de gado vivo é crueldade, mas desembargadores não enxergam isso


Desembargadores rejeitam a realidade da crueldade contra animais em benefício de interesses econômicos (Acervo: ANDA)

Não é difícil uma pessoa reconhecer a senciência animal e as necessidades associadas à senciência não humana. Afinal, se você submete um animal à situação de privação ou sofrimento, ele reage, certo? Mas isso, ainda que óbvio, não parece tão claro para todo mundo. Ou, para ser mais específico, esses interesses são facilmente rejeitados quando os interesses econômicos são superestimados.

Um exemplo disso foi o que aconteceu no último dia 30 de janeiro, quando mais dois desembargadores votaram pela manutenção da liminar a favor do embarque de gado vivo, se opondo ao recurso interposto pelo Fórum Animal no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) em São Paulo, que visava derrubar a liminar que suspende a decisão judicial de proibição da exportação de bovinos.

O resultado foi 10 x 7 contra os animais. Dez consideraram apenas os aspectos econômicos da atividade, ignorando todas as outras implicações – como o impacto do descarte de dejetos sólidos nas águas e a crueldade contra animais.

Ainda que sete desembargadores tenham entendido que a exportação de gado vivo é irrelevante para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, além de trazer consequências negativas para o meio ambiente e também para os animais – que são submetidos a viagens longas e inclusive morrem durante o trajeto, o desembargador Toru Yamamoto justificou seu voto favorável declarando que os animais são “objetos de exportação”. Não pude evitar de imaginar se ele convive com animais domésticos e também os considera como “objetos”.

Nos últimos anos, diversos países começaram a rever suas legislações em relação aos animais e passaram a considerá-los legalmente como criaturas sencientes e, assim, os reconhecendo como seres que necessitam de um mínimo de direitos e proibindo uma série de práticas que implicam na ampliação do sofrimento animal e da supressão de suas necessidades mínimas. Exemplos são a Bélgica, Nova Zelândia, Índia, etc.

O assunto também está sendo levado à discussão no Reino Unido e em outros países europeus, além de haver uma proposição nos Estados Unidos. Porém no Brasil a situação parece outra, já que continuamos desconsiderando vidas e supervalorizando um lucro que nem mesmo beneficia a população.

Quem não se recorda das manobras da Minerva Foods? Empresa de exportação de animaisdenunciada por impacto ambiental, vazamento de amônia, pagamento de propina, comercialização de carne contaminada e demissão em massa, mas que ainda assim, com a intervenção do Estado, por meio do então ministro da agricultura Blairo Maggi, da Advocacia-Geral da União e do ex-deputado federal Beto Mansur (que teve seu nome associado à trabalho escravo e sonegação de impostos), conseguiu garantir no ano passado a continuidade da exportação de gado vivo.

Mesmo após perícias no Navio Nada, denunciando que os bovinos estavam em más condições, e que havia inclusive um moedor para descarte de animais que não resistiam à viagem, a exportação de gado vivo foi mantida. Será que os desembargadores que hoje são favoráveis à prática conhecem a realidade desses animais?

Será que já participaram de vistoria de algum navio? Já subiram na carroceria de um caminhão que transportou bovinos espremidos por até mais de 30 horas por longas distâncias até chegarem ao Porto de Santos? Testemunharam animais que não resistiram à viagem e tiveram seus corpos moídos dentro do próprio navio? É bastante cômodo analisar a realidade de animais criados para consumo sem analisar de perto o que realmente acontece.

Como bem observado pelo Fórum Animal em crítica à decisão dos desembargadores favoráveis à exportação de gado vivo, em muitos países essa prática é severamente criticada, sendo desestimulada e proibida: “O Brasil, mais uma vez atrasado, segue na contramão da história de respeito ao bem-estar e proteção animal”, resumiu.

Fonte: Vegazeta

Quer comer carne? Que tal matar um animal antes?

Por David Arioch

Quer comer carne? Que tal matar um animal antes? Esta é a proposta do premiado curta-metragem “Casa de Carne”, disponibilizado hoje no YouTube pela organização Last Chance for Animals (LCA).

No filme de pouco mais de dois minutos, o cliente está em um restaurante com amigos e faz um pedido: “Costeletas de porco”. Então o garçom pede para o homem segui-lo e sugere que ele coloque um avental.

Na sequência, o cliente recebe uma faca de cortar carne, uma porta se abre e ele se depara com um porco em uma sala clara e bem iluminada. Para saber o que acontece a partir daí, é preciso assistir ao filme.

O curta produzido por Dustin Brown, que foi premiado recentemente no Tarshis Short Film Awards, tem o objetivo de fazer as pessoas refletirem sobre o fato de que não existe carne disponível para consumo sem que alguém tenha de degolar e matar um animal.

Filme sobre pecuarista que se torna vegetariano leva o prêmio de melhor curta no BAFTA

Ontem, o filme “73 Cows”, de Alex Lockwood, que conta a história do ex-pecuarista britânico Jay Wilde, que se tornou um vegetariano ético, foi premiado no BAFTA, na categoria melhor curta-metragem. A cerimônia de premiação ocorreu no Royal Albert Hall em Londres.

Jay Wilde é um fazendeiro que atuava no ramo de produção de leite e carne. Um dia, incomodado com a ideia de ter que enviar suas vacas para o matadouro, já que esse é o destino comum quando cai a produção de leite, Wilde decidiu mudar a sua vida e a das vacas que viviam em sua propriedade.

Em vez de enviá-las para a morte, Jay Wilde, de Derbyshire, na Inglaterra, as levou para um santuário, iniciando uma nova jornada de respeito e compaixão pelos animais. No filme com duração de 15 minutos, Wilde rompe uma tradição familiar e passa a investir na produção orgânica de vegetais com o apoio da organização Vegan Society.

Adote um jumento, salve uma vida

Que tal adotar um dos 800 jumentos encontrados por ativistas dos direitos animais em situação degradante na semana passada? Os animais localizados em severo estado de desnutrição em uma fazenda em Canudos, na Bahia, estão recebendo tratamento e sendo assistidos pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Mas como são muitos animais, e que felizmente não serão mais abatidos, em breve eles vão precisar de um novo lar. Por isso, atualmente a organização The Donkey Sanctuary está considerando a possibilidade de encaminhar pelo menos parte dos animais para reservas ecológicas na Bahia.

(Foto: Reprodução / Vegazeta)

Ainda assim, como são 800 jumentos, interessados em ajudá-los ou adotá-los podem obter mais informações entrando em contato com a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos por meio de sua página no Facebook. No momento, há pouco mais de 30 pessoas interessadas na adoção.

Por enquanto, os animais, que têm como fiel depositário o Fórum Nacional de Proteção Animal, vão continuar no local onde foram encontrados, embora recebendo todos os cuidados necessários. Nos próximos dias, os jumentos serão avaliados por técnicos da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), que é responsável por emitir a guia que confirma o estado de saúde dos animais e autoriza o transporte.

Saiba Mais

Além dos 800 jumentos em estado de desnutrição, mais de 200 morreram no mesmo local. Supostamente os animais foram abandonados porque em 30 de novembro de 2018 a Justiça Federal proibiu o abate dos animais, que seriam enviados a matadouros em Amargosa e Itapetinga. Parte dos animais mortos estava em uma vala enquanto outros ainda vivos cambaleavam enfraquecidos pela fome.

Por David Arioch

Documentário produzido por DiCaprio sobre espécie ameaçada de extinção é aclamado no Sundance

Tudo indica que não restam mais do que 30 desses animais que podem desaparecer até 2022 (Acervo: Daily Express)

No domingo, o documentário “Vaquita – Sea of Ghosts” foi aclamado no Sundance Film Festival em Park City, Utah. O filme, dirigido por Richard Ladkani e produzido por Leonardo DiCaprio, apresenta a realidade da vaquita, um cetáceo de um metro e meio e pesando cerca de 50 quilos que está ameaçado de extinção.

Tudo indica que não restam mais do que 30 desses animais que podem desaparecer até 2022. A maior causa do risco de extinção do pequeno cetáceo é a pesca ilegal no Golfo da Califórnia, onde as vaquitas sempre foram visadas porque suas bexigas natatórias têm alto valor comercial na China.

O documentário que discute a pesca ilegal e as tentativas e meios de salvar a vaquita, também conhecida como boto-do-pacífico, conta com a participação do ex-presidente Enrique Peña Nieto e da organização Sea Shepherd. “Vaquita – Sea of Ghosts” é uma continuação do documentário indicado ao Oscar “The Ivory Game”, de 2016, que aborda o comércio ilegal de marfim.

Premiado documentário que mostra a vida de um leitão desde o nascimento é disponibilizado online

“A cada ano, cerca de 10 milhões de porcas e leitões são criados em confinamento só no Reino Unido e na União Europeia” (Foto: Divulgação)

O premiado documentário holandês de curta-metragem “M6NTHS”, de Eline Helena Schellekens, que conta a história de um leitão criado para consumo, está disponível online e gratuitamente para quem quiser assisti-lo até a semana que vem. Sem narração, o filme possui 12 minutos de duração.

A intenção de Eline em “M6NTHS” é se aproximar do ponto de vista do leitão, assim oferecendo uma perspectiva única e sensível sobre a vida dos animais que passam suas curtas vidas em confinamento até serem mortos e reduzidos a bacon e pedaços de carne.

No ano passado, o filme foi premiado no Panda Awards, conhecido como o “Oscar” dos filmes sobre a vida selvagem. “A cada ano, cerca de 10 milhões de porcas e leitões são criados em confinamento só no Reino Unido e na União Europeia”, lamenta Eline Schellekens.

Filme expõe a realidade da caça de rinocerontes

“A magia daquele momento desapareceu quando descobri que essa criatura magnífica estava à beira da extinção” (Imagem: Sides of a Horn)

Recentemente o diretor Toby Wosskow lançou o filme de curta-metragem “Sides of a Horn”, que expõe a realidade dos rinocerontes, animais que têm sido perseguidos e mortos na África porque seus chifres são muito valorizados no mercado asiático. O último rinoceronte-negro-ocidental por exemplo, foi extinto em 2011, assim como uma subespécie do rinoceronte javanês no Vietnã.

“Em 2016, enquanto viajava pela África do Sul, eu estava andando pela mata com um guarda florestal quando nos deparamos com um rinoceronte branco pastando em paz. Além da beleza do animal, o que mais me impressionou foi que essa cena poderia ser a mesma de 50 milhões de anos atrás. Mas a magia daquele momento desapareceu quando descobri que essa criatura magnífica estava à beira da extinção”, relata Wosskow.

Segundo o realizador, uma demanda absurda por chifre de rinoceronte em partes da Ásia está fomentando uma guerra ilegal na África do Sul. “As organizações criminosas internacionais estão atacando as pessoas mais desesperadas financeiramente que vivem em áreas protegidas e oferecendo a elas uma fração dos lucros no exterior para se aproveitarem de sua própria vida selvagem. Enquanto isso, outras pessoas nessas mesmas comunidades rurais estão tomando o caminho legítimo de se tornarem guardas florestais antipopulares e colocando suas vidas em risco para proteger sua herança da vida selvagem”, enfatiza.

Considerando esses fatos, Toby Wosskow idealizou um curta que mostra como duas pessoas do mesmo nível de pobreza, da mesma comunidade e até mesmo da mesma família podem acabar em lados opostos dessa guerra. “A crise da caça furtiva é uma questão complexa e a discussão deve ir além do simples certo e errado. Espero que ‘Sides of a Horn’ seja um catalisador que inspire uma discussão maior que possa levar a uma mudança positiva. O número de mortes humanas está aumentando e o rinoceronte pode entrar em extinção na próxima década”, lamenta.

Senador vegano confirma que vai concorrer à presidência dos EUA

Entre as contribuições do congressista estão a introdução de alguns projetos como o fim dos testes em animais na indústria cosmética (Robyn Beck/AFP/Getty Images)

Hoje, o senador vegano Cory Booker confirmou que vai concorrer à presidência dos Estados Unidos em 2020. O anúncio está sendo divulgado pelos principais veículos de comunicação do país. No mês passado, ele recebeu o apoio do ex-presidente Jimmy Carter. Membro do Partido Democrata, Booker já foi prefeito de Newark e em 2012 foi eleito senador pelo estado de Nova Jersey.

Entre as contribuições do congressista estão a introdução de alguns projetos como o fim dos testes em animais na indústria cosmética, a criminalização da prática de se domesticar animais como leões e tigres e o fim do comércio de barbatanas de tubarão. Ele também é um dos defensores do Wild Act, que promove a conservação da vida selvagem e visa proteger espécies ameaçadas.

Cory Booker já era vegetariano nos anos 1990, quando tentou ser vegano. Embora não tenha conseguido à época, mais tarde abraçou o veganismo sem retroceder. “[Percebi que] eu não estava vivendo a minha verdade”, revelou a Vance Lehmkuhl do portal de notícias Philly, acrescentando que muitas vezes as pessoas evitam a verdade sobre algo porque é inconveniente, porque sabem que isso não se alinha com seus valores e sua bússola moral.

Leonardo DiCaprio endossa crítica ao rompimento da barragem da Vale em Brumadinho

“Isso acontece apenas três anos depois do maior desastre ambiental do país, quando outra barragem se rompeu” (Foto: Leonardo DiCaprio Foundation)

Ontem, o ator e produtor Leonardo DiCaprio lamentou no Instagram o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, e endossou uma crítica feita originalmente pelo Greenpeace. A publicação já recebeu mais de um milhão de curtidas.

“Na sexta-feira passada, uma barragem de mineração desmoronou em uma pequena cidade no Brasil, liberando quase 13 milhões de metros cúbicos de lama tóxica e deixando para trás um rastro de morte e tristeza. Isso acontece apenas três anos depois do maior desastre ambiental do país, quando outra barragem se rompeu”, destaca a mensagem, acrescentando que já basta, e que governos e corporações devem parar de colocar o lucro acima da vida das pessoas e da natureza.

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Quantos animais morreram em Brumadinho?

As pessoas estão acostumadas a não ver importância no que não é humano, e a Vale deveria agradecer por isso (Foto: Flávio Tavares/Hoje em Dia/Futura Press)

Talvez para a Vale um alívio seja o fato de que jamais saberemos realmente quantas vidas foram ceifadas em consequência do rompimento da barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho, Minas Gerais, na sexta-feira. Só a área atingida pela lama equivale a 300 campos de futebol. As estimativas de mortes de pessoas estão sendo atualizadas diariamente, mas as de animais jamais serão. Não há qualquer possibilidade de nos aproximarmos de um número real de vítimas. Vertebrados, invertebrados, animais que vivem na terra, na água.

Talvez a Vale, que já comprometeu a mata atlântica da região e impactou na vida selvagem, tenha contribuído para aproximar alguma ou algumas pequenas espécies do risco de extinção, espécies que normalmente passam despercebidas pela desatenção humana. Mas é apenas uma reflexão. Afinal, nunca saberemos. E isso é benéfico para a mineradora, principalmente porque vivemos em uma sociedade em que a vida não humana é subvalorizada.

As pessoas estão acostumadas a não ver importância no que não é humano, e a Vale deveria agradecer por isso. O retrato desse crime ambiental, e suas consequências para os animais, e que chega à população, é baseado em imagens de alguns cães e gatos enlameados sendo resgatados; de alguns bovinos atolados. E quando alguém diz que naquela situação não há muito a ser feito, muita gente não vê problema em sacrificar “alguns animais”. Estão tão anestesiados por considerarem bois e vacas como fontes de alimentos que executá-los não parece algo a se lamentar.

Honestamente, se eu estivesse atolado, impossibilitado de sair de um local por minhas próprias forças, e de repente alguém dissesse que, porque quebrei algumas costelas ou as pernas, talvez o melhor a se fazer seja me matar, eu seria tomado por desespero inenarrável. Dizem que alguns animais são pesados demais e nessa situação o “melhor é sacrificar”. Isso me preocupa, porque fico imaginando se fosse eu naquela situação e de repente alguém dissesse que dependendo do meu peso pode ser que eu deva ser abatido, “porque o resgate seria impossível” ou “não haveria recursos o suficiente” para tal tarefa.

Não consigo ignorar que a objetificação dos animais é vantajosa para a Vale porque reduz responsabilidades; até porque sua reação é baseada na comoção. Não creio que a mineradora será cobrada legalmente pela morte de tantos animais que jamais quantificaremos. Milhares? Não saberemos. No Brasil é provável que a Vale não seja responsabilizada nem mesmo por crime ambiental. E daqui a algum tempo, quando as pessoas começarem a esquecer das vítimas humanas, menos ainda se lembrarão das não humanas.