Animais mortos a tiros em Brumadinho reafirmam o pouco valor que damos ao que não é humano

Não há como negar que quando se trata de vidas não humanas escolhe-se sempre o caminho mais fácil e mais barato (Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo)

Ontem e hoje, vários meios de comunicação do Brasil repercutiram que animais ilhados, presos na lama ou feridos estão sendo executados por agentes a bordo de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Brumadinho, Minas Gerais. A justificativa é que pouco pode ser feito por esses animais, então resta apenas matá-los.

Realmente não há nenhuma outra solução? Será que os animais afetados pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, e que já foram mortos a tiros não tinham nenhuma chance de salvação ou de, em último caso, serem eutanasiados? No domingo, o Ministério Público de Minas Gerais cobrou da Vale um plano de resgate de animais. Se os animais estão sendo mortos, isso deixa claro que não há um plano de resgate.

Veterinários, ativistas e outros voluntários que se deslocaram a Brumadinho, percorrendo centenas e até milhares de quilômetros, têm reclamado que o acesso aos animais tem sido não apenas dificultado, mas proibido. Se há pessoas dispostas a ajudar por que não aproveitar essa disponibilidade? Ainda que haja animais em áreas sensíveis ou que o acesso só possa ser permitido por via aérea, isso não significa que todos estejam na mesma situação ou que ninguém possa contribuir de alguma forma.

Desde domingo há reclamações sobre a falta de boa vontade da Vale e do poder público em disponibilizar aeronaves para ajudar no resgate de animais. A primeira reclamação partiu do deputado estadual Noraldino Junior e ontem da ativista Luisa Mell. E eles não são os únicos. Muita gente tem se queixado a respeito. No entanto, para matar os animais a tiros há helicópteros disponíveis.

Não há como negar que quando se trata de vidas não humanas escolhe-se sempre o caminho mais fácil e mais barato. Não há uma cobrança mais enfática de uma atitude por parte da Vale. Prova disso é que muitos jornais divulgaram que o Ministério Público recomendou ou sugeriu que a Vale resgate os animais. Recomendar ou sugerir, embora seja a prerrogativa do MP, não ajuda muito quando falamos de vidas, não de coisas inanimadas como objetos.

Infelizmente ainda vivemos em uma sociedade que qualifica os animais como alimentos, produtos, mão de obra, transporte, entretenimento, meios para um fim. Reconhecemos que eles existem e estão vivos, mas nem por isso atribuímos um valor mais do que superficial às suas vidas. Situações como essa descortinam a nossa hipocrisia. Afinal, é apenas mais uma comprovação de que os tratamos como sujeitos menores, substituíveis e mesmo insignificantes.

Os animais merecem que suas vidas sejam interrompidas a tiros? Os colocamos em situações lamentáveis que surgem em decorrência da nossa presunção, displicência, ganância e egotismo. Ainda assim, achamos justo e misericordioso matá-los a tiros, como se suas vidas não fossem tão importantes para eles como as nossas são importantes para nós. Nem assassinos em série são mortos dessa forma por iniciativa do Estado.

Animais são mortos a tiros em Brumadinho

A ordem é matar animais ilhados, presos na lama ou feridos (Foto: Alexandre Guzanshe/EM)

Ontem à tarde, os animais que ainda lutam pela vida após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, começaram a ser mortos. A ação foi confirmada ao Estadão pelo coronel Evandro Geraldo Borges, chefe da Defesa Civil de Minas Gerais.

“O que vamos fazer? Deixar o animal sofrendo? Estamos sim, com equipe em campo executando esse trabalho, mas essa decisão só é tomada nos casos em que não há outra opção”, argumentou Borges.

As execuções estão partindo de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Um agente armado com fuzil dispara contra os animais vivos que é capaz de identificar. A ordem é matar animais ilhados, presos na lama ou feridos.

“Não tem jeito. Tem animal preso, outro com perna quebrada. Temos de fazer escolhas, de retirar as pessoas, ir atrás de sobreviventes. Tudo que está sendo feito foi pensado. É isso”, justificou o coronel.

A iniciativa tem gerado muitos comentários negativos, de pessoas enfatizando que matar os animais em vez de tentar resgatá-los é apenas uma manifestação de indiferença em relação ao valor da vida animal.

Ontem, a ativista Luisa Mell denunciou que ela e outros ativistas foram voluntariamente até Brumadinho, compraram tapumes para o resgate, o que a Vale não quis comprar, e ainda assim não os deixaram entrar nem para fazer o mapeamento dos animais. Segundo Luisa, a única preocupação da empresa é com a própria imagem: “Eles não querem que as pessoas filmem a tragédia. Não queriam que entrássemos com celular”, lamentou.

É válido lembrar que no último domingo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu que a Vale elaborasse um plano emergencial de localização, resgate e cuidado dos animais atingidos pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão. No entanto, o pedido não foi atendido.

A luta dos animais pela sobrevivência em Brumadinho

Não são apenas cães e gatos que lutam para não morrer sob o denso lamaçal (Fotos: Reprodução)

Todo mundo ou quase todo mundo reconhece a luta humana pela sobrevivência, até porque não é nenhuma novidade que fazemos o que podemos para não morrer diante de situações que fogem ao nosso controle – como por exemplo, um desastre, uma tragédia ou um crime ambiental. Mas normalmente pouco se fala sobre o esforço não humano.

Uma prova disso é que após o rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerias, há três dias, começamos a contabilizar o número de vítimas humanas, mas resistimos a falar das vítimas não humanas, com algumas exceções. Pode parecer que não, mas quando determinadas vítimas são pouco consideradas, como se não fossem tão relevantes, o causador de um crime ambiental tende a se isentar de responsabilidade. Afinal, a reação se baseia na repercussão.

E se dissermos que o mais importante é salvar apenas as pessoas, mas nem tanto ou “talvez os animais se der”, estamos dando o nosso aval para o abandono de vidas não humanas. Mas seria sensato ou justo fazer isso? Além do que sabemos, fotos e vídeos do crime ambiental em Brumadinho deixam claro que não. Macacos enlameados sobre casas aguardando ajuda, bovinos atolados, desviando de galhos e pedaços de pau arrastados pela correnteza – fazendo o possível para manterem a cabeça fora da lama na esperança de um socorro.

Não são apenas cães e gatos que lutam para não morrer sob o denso lamaçal. Também há registros de galinhas se refugiando sobre as árvores, cavalos bufando (com medo) e porcos grunhindo com o dorso coberto de lama. Embora sejam diferentes de nós em inúmeros aspectos, partilham da senciência, da capacidade de sentir dor, de um nível de consciência e são seres sociais. Assim como nós, fazem o possível para evitarem o sofrimento e a morte.

Imagens e vídeos de pontos do Rio Paraopeba mostram o impacto da tragédia para os peixes, que se esforçam para não amargar uma morte dolorosa por asfixia, se debatendo até desfalecerem sob ou sobre a lama de rejeitos. Como podemos dizer que peixes não sentem nada? Que qualquer um desses animais não sente nada?

Será que saberemos quantos animais morreram ou foram atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho? Acho pouco provável, porque na nossa sociedade, vidas não humanas valem pouco, ainda que somem centenas, milhares ou mesmo milhões. Talvez seja um momento oportuno para refletir sobre o fato de que muitos desses animais enlameados, e lutando pela vida, com quem as pessoas se sensibilizam hoje em Brumadinho, são iguais aqueles que estão em pedaços em seus pratos. E se decidíssemos poupá-los diariamente? Afinal, há justiça em salvar alguém hoje para matá-lo amanhã?

Ex-presidente Jimmy Carter quer que senador vegano concorra à presidência dos EUA

Entre as contribuições do congressista estão a introdução de alguns projetos como o fim dos testes em animais na indústria cosmética (Foto: Reprodução)

Dois veganos podem concorrer à presidência dos Estados Unidos em 2020. Este mês o músico Moby anunciou que pretende disputar o cargo, e no último final de semana o ex-presidente Jimmy Carter participou de uma transmissão ao vivo veiculada no Instagram, deixando claro o seu desejo de que o senador Cory Booker, de Nova Jersey, membro do partido Democrata, dispute o cargo eletivo mais importante do país. “Estou muito feliz em tê-lo aqui nesta manhã e espero que você volte. E espero que você concorra à presidência”, disse Carter em Plains, na Georgia, sua terra natal.

O senador agradeceu e deixou claro que ser apoiado pelo ex-presidente é uma grande honra. “Você me encorajar significa mais para mim do que você possa imaginar”, declarou. Depois de atuar como prefeito de Newark, Cory Booker foi eleito senador por Nova Jersey em 2012.

Entre as contribuições do congressista estão a introdução de alguns projetos como o fim dos testes em animais na indústria cosmética, a criminalização da prática de se domesticar animais como leões e tigres e o fim do comércio de barbatanas de tubarão. Ele também é um dos defensores do Wild Act, que promove a conservação da vida selvagem e visa proteger espécies ameaçadas.

Cory Booker já era vegetariano nos anos 1990, quando tentou ser vegano. Embora não tenha conseguido à época, mais tarde abraçou o veganismo sem retroceder. “[Percebi que] eu não estava vivendo a minha verdade”, revelou a Vance Lehmkuhl do portal de notícias Philly, acrescentando que muitas vezes as pessoas evitam a verdade sobre algo porque é inconveniente, porque sabem que isso não se alinha com seus valores e sua bússola moral.

Comunidade ribeirinha educa crianças para evitarem a exploração turística de animais

As aulas, que tiveram o apoio da Proteção Animal Mundial, ajudaram a promover o conceito de bem-estar animal e alternativas éticas (Foto: Proteção Animal Mundial/Divulgação)

Até o final do ano passado, a comunidade ribeirinha Vila São Pedro, situada perto de Manaus, no Amazonas, desenvolveu um projeto de turismo responsável com crianças e adolescentes. O objetivo maior foi educá-los para evitarem a exploração turística de animais.

“Vi muitos comunitários mudarem seus hábitos por conta desse trabalho e, a partir de agora, podemos entender a situação com mais profundidade e trabalhar para mudá-la, especialmente a partir da formação das nossas crianças”, disse Ariana Coelho, líder comunitária e estudante de pedagogia, à organização Proteção Animal Mundial.

As aulas, que tiveram o apoio da Proteção Animal Mundial, ajudaram a promover ao longo de quatro anos o conceito de bem-estar animal e alternativas éticas, como o turismo de observação de animais na natureza. Segundo a organização, durante o evento de encerramento, os comunitários discursaram sobre a importância do turismo sustentável e sobre como é urgente proteger os animais da região, mantendo-os livres na natureza para que expressem seu comportamento natural.

A Vila São Pedro fica na rota do Day Tour Festival, um pacote turístico comercializado na região de Manaus que oferece aos turistas a oportunidade de tocar, alimentar e tirar fotos com diversas espécies da fauna amazônica – fato que também justifica a necessidade de qualificar as novas gerações para se oporem à exploração turística de animais.

Como os frangos sofrem com o rápido ganho de peso

Bilhões de frangos são mortos anualmente com idade de 40 a 45 dias (Foto: Getty)

Atualmente qualquer pesquisa realizada tanto no mercado nacional quanto internacional informa que os bilhões de frangos abatidos anualmente e em escala industrial no mundo todo são mortos com 40 a 45 dias de vida.

Ou seja, em um período de no máximo um mês e meio, um frango é condicionado a alcançar o peso de três quilos, o que é considerado ideal para o abate. Mas será que isso é saudável ou deveria ser visto com bons olhos?

Com o rápido ganho de peso, os animais tendem a sofrer porque seus músculos, ossos e órgãos se desenvolvem muito rápido, afetando a fisiologia das aves e tornando-as desproporcionais. Outros agravantes são distúrbios metabólicos, problemas respiratórios, calcificação e deformação dos ossos. Também não é tão incomum os frangos criados para consumo sofrerem ataques cardíacos.

Outro problema é que nesse sistema de produção, para lidar com os problemas gerados com o rápido desenvolvimento dos animais e com as doenças que surgem em um cenário de superpopulação, usa-se antibióticos, o que é apontado por diversos especialistas, incluindo pesquisadores do Centro de Ação contra a Resistência aos Antibióticos, da Universidade George Washington, dos Estados Unidos, como bastante problemático.

O motivo é que o uso de antibióticos já culminou no surgimento de bactérias multirresistentes, e que têm se adaptado ao organismo de animais e pessoas. Sendo assim, com tal consequência, os antibióticos passam a não ser tão eficazes nem para lidarem com problemas de saúde de animais nem de humanos. Basicamente, isso significa que, com o tempo, quem consome carne de animais afetados por bactérias multirresistentes também se torna vulnerável em um possível cenário de surgimento de doenças e ineficácia de antibióticos.

Há uma estimativa de que mais de 131 mil toneladas de antibióticos são utilizadas todos os anos nas cadeias de criação da pecuária mundial, o que gera um lucro de cinco bilhões de dólares para a indústria farmacêutica por ano.

Ativistas filmam a realidade dos porcos antes de serem mortos na Grande SP

Na madrugada deste sábado, dezenas de ativistas pelos direitos animais se reuniram em frente ao Frigorífico Rajá, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, para filmarem a realidade dos porcos pouco antes de serem abatidos. No vídeo registrado pela ativista Beatriz Silva é possível ver os animais amontoados, assustados e sedentos dentro dos caminhões que chegavam ao matadouro.

Incomodados com a situação, os ativistas deram um pouco de água aos animais. Imagens: Beatriz Silva

Os porcos estavam em jejum, inclusive de água, prática que visa evitar que evacuem durante o processo de abate, que consiste em choque seguido de degola. Basicamente é a mesma realidade partilhada por dezenas de milhões de suínos que são mortos todos os anos no Brasil. Incomodados com a situação, os ativistas deram um pouco de água aos animais.

Também questionaram como isso pode ser aceitável e criticaram o fato de que os interesses que pesam no destino dos porcos são apenas os dos criadores, dos frigoríficos e dos consumidores – já os interesses dos animais são ignorados porque são classificados apenas como produtos.

O objetivo da filmagem foi mostrar que por trás da carne que as pessoas compram confortavelmente nos açougues, há uma trajetória que inclui privação, sofrimento e morte precoce – já que os porcos têm expectativa de vida de 15 anos, mas são abatidos com seis meses.

A agitação e o estresse dos animais registrados no interior dos caminhões são apontados como uma reação natural de estranhamento diante da realidade, assim como os gritos e gemidos durante o processo de abate. “Não existem abatedouros felizes, mágicos ou éticos. Matar sempre será cruel. Matar um ser que não deseja morrer é assassinato”, destacaram em um banner exibido durante a vigília.

Série exibida na Netflix explica como a indústria criou milhões de consumidores de bacon

A propaganda foi tão eficaz que logo os consumidores passaram a desconsiderar que o bacon é um pedaço de gordura subcutânea extraída de um suíno (Acervo: Life Style Food/We Animals)

A série da TruTV “Adam Ruins Everything”, estrelada por Adam Conover, e também exibida na Netflix, recentemente dedicou um episódio a mostrar como o bacon, um pedaço de gordura subcutânea indesejado até os anos 1980, se tornou tão popular, mesmo não sendo saudável e mais tarde tendo o seu consumo associado ao risco de doenças cardíacas e câncer.

No episódio, Conover relata que nos anos 1980 o US Pork Board, o conselho de suinocultores dos Estados Unidos, tinha facilidade em comercializar os cortes magros de carne suína, porém não os cortes gordos, já que muitos consumidores não achavam uma boa ideia pagar para comer a gordura subcutânea de um animal.

Então, segundo o programa, a indústria de fast food, representada por Bob Archery, se reuniu com o gerente nacional do conselho de suinocultores em Orlando, na Flórida, para encontrar uma estratégia para fazer com que a população passasse não apenas a consumir bacon, mas também a vê-lo como parte de sua própria cultura alimentar.

Para mudar a mentalidade da população em relação ao bacon nos EUA, o tornando popular, a indústria de fast food passou a incluí-lo nos lanches, junto ao hambúrguer e ao queijo cheddar servidos em seus restaurantes – criando assim a imagem do “hambúrguer tradicional americano”. Não demorou, e os consumidores abraçaram essa combinação que nasceu de uma tentativa de lucrar com um pedaço de gordura subcutânea, que até então não tinha valor agregado de mercado.

A propaganda foi tão eficaz que os consumidores passaram a desconsiderar a origem do bacon, que a princípio era extraído das nádegas do porco após o abate, depois passando a ser extraído das laterais e então da barriga do animal. Hoje, o maior exemplo da eficácia dessa propaganda é o fato de que, mesmo com os comprovados malefícios associados ao consumo de bacon, muita gente não consome um lanche se não tiver algumas tiras de gordura subcutânea suína.

Ameaçada de extinção, vaquita é tema de documentário com Leonardo DiCaprio e Sea Shepherd

Vaquita, o menor cetáceo do mundo – medindo um metro e meio e pesando cerca de 50 quilos (Acervo: WWF)

Ameaçada de extinção, a vaquita, também conhecida como boto-do-pacífico, é tema de documentário com Leonardo DiCaprio, presidente mexicano Enrique Peña Nieto e a organização Sea Shepherd, de conservação da vida marinha.

“Vaquita – Sea of Ghosts”, que está sendo produzido pela Terra Mater Factual Studios, sediada em Viena, na Áustria, é uma continuação do documentário indicado ao Oscar “The Ivory Game”, de 2016, que aborda o comércio ilegal de marfim. A previsão é de que o documentário seja lançado nos próximos meses.

Dirigido pelo austríaco Richard Ladkani, que traz no currículo mais de 50 documentários para cinema e TV, o filme discute a pesca ilegal e as tentativas e meios de salvar a vaquita, o menor cetáceo do mundo – medindo um metro e meio e pesando cerca de 50 quilos.

Segundo informações do Comitê Internacional para Recuperação da Vaquita (Cirva), atualmente restam apenas 30 vaquitas, espécie endêmica do Golfo da Califórnia, no Noroeste do México. E a má notícia é que elas podem ser extintas até 2022, o que endossa a urgência de um documentário sobre a realidade do boto-do-pacífico.

A maior causa do risco de extinção do animal é a pesca ilegal no Golfo da Califórnia, onde as vaquitas sempre foram visadas porque suas bexigas natatórias têm alto valor comercial na China – onde são vendidas por mais de 100 mil dólares cada unidade.

Agropecuária está causando a degradação do solo da Amazônia

Agropecuária tem ido além de derrubar a mata nativa e contribuir com quase 70% das emissões de gases do efeito estufa no Brasil (Foto: OC)

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem mais de 350 milhões de hectares ocupados por atividades agropecuárias. Desse total, 200 milhões são apenas de pastagens, e um grande percentual dessas áreas já sofre as consequências da degradação associada ao mau uso da terra.

De acordo com a divisão de monitoramento por satélite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de um total de 172 milhões de hectares de pastagens avaliadas, mais de 60% está em estágio de degradação. Isso pode explicar o interesse cada vez mais crescente de agropecuaristas de várias regiões do Brasil pelas terras ainda virgens da Amazônia.

No entanto, esse interesse não é recente considerando que a floresta amazônica se manteve intacta só até a década de 1970, quando a quantidade de gado equivalia a um décimo do rebanho da atualidade. Com o passar dos anos e a intensificação do desflorestamento, hoje encontramos uma área que pode ser comparada à extensão territorial da França desmatada. Desse total, 66% transformada em pasto.

Até mesmo o solo da maior floresta tropical do mundo tem sofrido as consequências da agropecuária, e não apenas pela associação da atividade com o desmatamento, mas também porque muitas áreas amazônicas ocupadas pela agropecuária já estão comprometidas pelo mau uso da terra – assim como aconteceu em outras regiões do país.

Segundo a Embrapa, só na Amazônia Legal cerca de 40% das pastagens estão degradadas ou em processo de degradação. Isso prova que a agropecuária não tem apenas derrubado a mata nativa e contribuído com quase 70% das emissões de gases do efeito estufa no Brasil, conforme dados do Observatório do Clima, mas também danificado o solo, inclusive o tornando pobre e até mesmo improdutivo.