Brasil e Estados Unidos lideram retrocessos ambientais, revela estudo

Um estudo realizado pela ONG Conservação Internacional concluiu que o Brasil e os Estados Unidos lidera uma tendência mundial de retrocessos ambientais. A pesquisa, que é a mais abrangente já feita neste segmento, foi feita por um grupo de cientistas de várias universidades estrangeiras. Para chegar no resultado apresentado, os pesquisadores analisaram todos os atos governamentais que resultaram em redução de metragem, diminuição de restrições ou extinções de áreas de proteção ambiental no mundo inteiro de 1892 a 2018. O resultado do estudo sai na edição desta sexta-feira (31) na revista científica “Science”.

(Foto: iStock.com / eppicphotography)

“Antes campeões em conservação global, Estados Unidos e Brasil estão agora liderando uma tendência mundial preocupante de grandes retrocessos na política ambiental, colocando em risco centenas de áreas protegidas”, afirmou uma nota publicada pela Associação Americana Para o Avanço da Ciência (AAAS – na sigla em inglês). “As mudanças regressivas buscam alterar ou remover legalmente o status de proteção e diminuir o tamanho das áreas de conservação natural”, completou.

O estudo analisou os 126 países do mundo e concluiu que 73 deles promulgaram 3.749 legislações que resultaram na extinção de 519.857 quilômetros quadrados de áreas protegidas – o que corresponde a um espaço maior que a Espanha – e no afrouxamento da proteção de 1.659.972 quilômetros quadrados – o equivalente a três vezes o tamanho da França.

Coautor do estudo, o biólogo e geocientista Bruno Coutinho, diretor de gestão do conhecimento da Conservação Internacional Brasil, considera que é importante reforçar que a existência de áreas protegidas “não representa a garantia, para sempre, de proteção legal da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos nelas gerados”.

A bióloga e cientista social Rachel Golden Kroner, da área de governança ambiental e impactos da ONG nos Estados Unidos e principal autora da pesquisa, lembrou ainda, em entrevista à BBC News Brasil, “que áreas protegidas não são para sempre”. “Elas podem ser e estão sendo revertidas por meio de afrouxamentos de restrições, limites de área reduzidas e extinções completas”, disse Kroner.

(Foto: luoman/Getty Images)

“A pesquisa mostrou que alterações na legislação ambiental dos países estudados podem comprometer a durabilidade e a eficácia das áreas protegidas, por recategorização, por redução de área ou por extinção completa”, reforçou Coutinho à BBC News Brasil.

Em 62% dos casos, o afrouxamento feito através de leis está ligado a práticas de extração de recursos e desenvolvimento industrial em grande escala, o que inclui obras de infraestrutura, mineração e agricultura de commodities.

Os pesquisadores indicam que seja realizado um debate estratégico entre os setores impactados e os que impactam as áreas protegidas e seus entornos, além da compreensão dos efeitos, o tratamento dos atos promulgados e a manutenção da efetividade das áreas protegidas.

Ainda de acordo com o estudo, 78% dos atos legislativos voltados para esta questão foram promulgados, em todo o mundo, do ano 2000 em diante. “As reversões legais para áreas protegidas parecem estar se acelerando”, explicou Kroner. “Respostas políticas são necessárias para salvaguardar os esforços de conservação”, acrescentou. Segundo a cientista, os processos devem ser “transparentes, baseados em evidências, participativos e responsáveis” e credores e doadores internacionais devem considerar essa questão na tomada de decisão sobre financiamentos.

O Brasil

No Brasil, 85 atos legislativos foram promulgados, entre 1900 e 2017, atingindo uma área de 114.856 quilômetros quadrados – o equivalente a praticamente metade do estado de São Paulo. “Destes, 60 ocorreram na Amazônia”, afirmou Coutinho. Mudanças na legislação fizeram a região amazônica perder pouco mais de 90 mil quilômetros quadrados de proteção.

“A maioria desses eventos, 42 deles, ocorreram após 2010 – grande parte em função de obras de infraestrutura”, disse Coutinho. “A causa mais prevalente foram decorrentes de autorizações de barragens de energia elétrica na Amazônia”, completou Kroner, que compilou dados que revelaram que o Brasil é responsável por 87% dos retrocessos em áreas protegidas da Amazônia, em um levantamento que abrange outros oito países amazônicos.

“Estamos assistindo a uma aceleração desses retrocessos no Brasil”, disse. “Oitenta e quatro por cento das reduções aprovadas ocorreram desde o ano 2000”, acrescentou.

(Foto: Pixabay)

Ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016, a bióloga e ambientalista Izabella Teixeira afirmou que sua gestão precisou alterar status de áreas protegidas para equilibrar interesses de diversas políticas públicas. Ela argumentou, no entanto, que essas alterações foram feitas sob compensações, considerando a biodiversidade.

“Muitas vezes isso aconteceu”, afirmou à BBC News Brasil. “Por interesses sociais, programas que precisavam ser implantados. Por outro lado, ampliamos ou compensamos a área, como aconteceu no Parque Nacional dos Campos Amazônicos”, completou. Uma medida provisória do governo Dilma Rousseff alterou o limite de seis unidades de proteção, em 2012, para construir hidrelétricas na Amazônia.

Para Teixeira, retrocessos ambientais podem ter diversas origens. “Precisaríamos identificar caso a caso para saber. Mas há natureza técnica, política e econômica. Do ponto de vista político, isso remete a uma situação de fragilidade e de não priorização da política ambiental. É muito comum que interesses econômicos sejam preponderantes a interesses da biodiversidade, mas isso é só um contexto: vejo como algo muito grave”, disse.

O geógrafo Carlos Minc, que foi ministro do Meio Ambiente entre 2008 e 2010 e atualmente é deputado estadual, classificou o cenário como “assustador”. “Reflete a força da bancada ruralista e a cumplicidade de vários governos estaduais”, afirmou Minc, em entrevista à BBC News Brasil.

“Entendo que as reduções têm sua principal origem no interesse econômico. Sobretudo da mineração e da pecuária. Também para obras e empreendimentos do agronegócio”, disse. “Ganhou força o grupo político mais conservador e reacionário que despreza e desqualifica os ganhos ambientais e prega abertamente a extinção de leis e parques que protegem a biodiversidade”, completou.

(Foto: Pixabay)

“Em nossa gestão no Ministério do Meio Ambiente, criamos ou ampliamos 54 mil quilômetros quadrados de parques e reservas extrativistas. Cada uma era uma guerra”, lembrou Minc, que disse ainda que um cabo de guerra existe entre os ministérios quando se trata de criar áreas protegidas. “Eu solicitei um estudo sobre os ganhos econômicos dos parques e reservas para o turismo, o extrativismo, a água e o clima. Mas os demais ministérios geralmente não consideram o ganho ambiental, social, de biodiversidade e até de água para a agricultura”, disse.

Para o jurista, historiador e diplomata Rubens Ricupero, ministro do Meio Ambiente entre 1993 e 1994, “não chega a surpreender que tenha havido redução significativa das áreas protegidas”. “Atribuo a tendência à pressão constante de interesses econômicos – madeireiros, de mineração, agropecuários, grileiros de terras públicas – e, em menor grau, à pressão social de trabalhadores sem-terra”, afirmou à BBC News Brasil.

“Manter as áreas protegidas nunca foi fácil em razão da enorme desigualdade existente entre os recursos de fiscalização e o poder de grupos econômicos regionais”, completou Ricupero.

O atual ministro do Meio Ambiente, o advogado Ricardo Salles, foi questionado pela BBC News Brasil sobre quais medidas devem ser adotadas devido aos dados apresentados pelo estudo. O ministro, no entanto, não respondeu ao questionamento até a publicação desta reportagem.

Decisões atuais e o futuro

Para Ricupero, “o atual governo vem contribuindo para agravar o quadro pela posição pessoal e o exemplo altamente negativo do próprio presidente da República”.

“O sistemático desmantelamento do sistema já precário do Ibama e do ICMBio estimula maiores violações dos espaços ainda protegidos e desencoraja a ação dos fiscais. Isso sem mencionar os numerosos projetos em tramitação no Congresso, que terão certamente impacto igualmente destruidor”, disse.

De acordo com o estudo, é necessário estar alerta às propostas em tramitação. “O estudo encontrou 60 eventos propostos, sendo metade deles na Amazônia”, disse Coutinho. Se aprovadas, as medidas prejudicariam 200 mil quilômetros quadrados de bioma – o que corresponde a uma área do tamanho do estado do Paraná.

“A tendência é só piorar, dada a posição do presidente e do atual ministro, e à maior força da bancada ruralista”, disse Minc. “A maior ameaça à biodiversidade é o projeto de lei que acabaria com a reserva legal, que pode ocasionar o maior desmatamento do planeta, da ordem de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, completou. A área citada por Minc equivale a dez vezes o tamanho da Inglaterra.

“Outros projetos de lei negam ao governo a iniciativa de criar parques ou demarcar terras indígenas. Há ainda os que liberam a caça, a lei do abate, até para espécies ameaçadas – que, segundo os autores, estariam ‘ameaçando os rebanhos nas fazendas'”, disse o ex-ministro. “Os projetos que esvaziam o licenciamento ambiental representam outra grave ameaça aos rios e florestas e à saúde da população”, acrescentou.

Para Coutinho, “reversões na regulamentação devem ser amplamente discutidas”. “Estamos sempre dispostos a estabelecer diálogos para o desenvolvimento sustentável com base em dados e boa informação científica”, disse.

“O que os dados mostram é que a proteção do capital natural – entendido aqui como a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos – pode ser grande aliada do desenvolvimento econômico e social, respeitando-se direitos e interesses de diversos setores da sociedade uma vez que todos são beneficiários dos serviços ecossistêmicos”, defendeu Coutinho. “A velocidade em que a biodiversidade vem sendo perdida pode comprometer a funcionalidade do sistema e consequentemente a humanidade no planeta”, concluiu.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Imprensa internacional noticia aumento do desmatamento na Amazonia

Reuters/Nacho Doce

Reuters/Nacho Doce

O desmatamento na Amazônia aumentou em 20% no ano passado, revelam informações da entidade ambientalista Imazon, que não possui ligação com governo e monitora a floresta tropical há duas décadas, informa o jornal inglês The Independent.

A extração descontrolada de madeira e a invasão de terras foram atribuídas pelos analistas como responsáveis por grande parte da perda, algumas das quais ocorreram em áreas protegidas e reservas indígenas.

O grupo ambientalista afirmou que imagens de satélite mostraram que a região perdeu 2.169 km² de florestas entre agosto e abril. Este número corresponde a 1,807 km² perdidos a mais em relação ao mesmo período do ano anterior.

O ano-base de monitoramento do grupo começa em agosto, para coincidir com a estação seca do Brasil, quando as taxas de extração são geralmente mais altas.

O presidente do país, Jair Bolsonaro, e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, questionaram a realidade da mudança climática e falaram a favor da expansão da mineração e da agricultura industrial na Amazônia e em áreas protegidas.

Ambos os políticos acreditam que as leis ambientais e os grupos ativistas freqüentemente trabalham para impedir o potencial econômico do Brasil.

Salles disse no início do mês que queria reformar o Fundo Amazônia, uma iniciativa criada para conter o desmatamento em uma área de quase sete milhões de quilômetros quadrados.

O ministro agendou uma reunião com representantes dos governos alemão e norueguês, dois dos principais contribuintes do fundo, esta semana.

Salles disse que seu ministério revisou 103 contratos concedidos pelo fundo a grupos sem fins lucrativos, cerca de um terço de todos os contratos assinados desde o seu lançamento em 2008. Ele disse que a investigação encontrou “irregularidades” em todos os 103 contratos, mas ele não deu quaisquer casos específicos, citando cláusulas de confidencialidade até revisão pelos auditores.

Ele reiterou sua intenção de “sacudir” o fundo apertando regras e a supervisão sobre a alocação de contratos e a escolha de projetos que possam obter financiamento, em uma recente entrevista à TV Globo.

“Queremos melhores resultados para reverter o aumento do desmatamento”, disse Salles, acrescentando que queria resultados “mensuráveis” e um “retorno sobre o investimento”.

Ele não pôde dar mais detalhes sobre as mudanças propostas pelo ministério antes de discuti-las com a Noruega e a Alemanha, disse ele. A estatal brasileira de petróleo, a Petrobras, é o terceiro maior contribuinte do fundo.

O fundo foi criado para receber doações para ajudar a prevenir, monitorar e combater o desmatamento na floresta amazônica, uma vasta área rica em biodiversidade e cuja preservação é vista como essencial para conter a mudança climática.

Cães mantidos presos em espaço insalubre são salvos em Nova Odessa (SP)

Doze cães foram resgatados, nesta terça-feira (28), no bairro Jardim Dona Maria Azenha, em Nova Odessa (SP), após uma denúncia de maus-tratos. Seis cães adultos e seis filhotes eram mantidos confinados em um espaço pequeno, sem higiene e ventilação.

Foto: AAANO/Reprodução/Jornal de Nova Odessa

Um boletim de ocorrência foi registrado sobre o caso. Nele, consta a informação de que os animais eram mantidos acorrentados por longos períodos e que, ao ser questionado sobre as condições em que mantinha os cães, o tutor afirmou que eles ficavam presos porque brigavam entre si e por não haver espaço suficiente para todos. As informações são do Jornal de Nova Odessa.

Ao constatar os maus-tratos, a polícia determinou o resgate dos animais, que foi feito com a ajuda de funcionários do Setor de Zoonoses do município e da Associação Amigos dos Animais de Nova Odessa (AAANO). O presidente da ONG, Carlos Pinotti, afirmou que a ação serve de alerta para a sociedade. “A Polícia Civil e a Zoonoses estão aptas para responder e agir nesses casos de maus-tratos, seguindo todas as leis. Isso tem que servir de lição para todas as pessoas. Nós emitimos, por exemplo, uma notificação para uma moradora que deixava a cachorra escapar e icar na rua. Ela foi alertada que isso também é considerado abandono, portanto, crime, passível de multa, detenção e processo criminal”, disse Pinotti.

Pinotti incentivou também a adoção responsável. “Ninguém é obrigado a ter um animal, mas a partir do momento que você adotou, é sua obrigação cuidar dele até o fim da vida, pois você passa a ser responsável juridicamente por aquela vida. Por isso falamos tato da conscientização e fazemos entrevistas rigorosas nas feiras de adoção para que todos saibam das responsabilidades de se ter um animal”, afirmou.

presidente da entidade lembrou ainda que “até os animais em situação de rua podem e devem ser cuidados, pois temos a lei do Cão Comunitário, que permite qualquer morador colocar casinha, comida e água na calçada para ajudar uma vida. Já que, infelizmente, não temos mais como recolher nenhum animal. Por isso reforçamos sempre nossa feirinha de adoção e somos contra a venda de animais. Temos muitos animais precisando de um lar, que acabam morrendo nas ruas, e esses realmente precisam ser adotados de forma responsável”, concluiu.

A Associação Amigos dos Animais de Nova Odessa se encontra em situação crítica, com uma dívida de mais de R$ 17 mil. “Fizemos mais resgates que o normal e o número de animais que começam a ficar doentes no frio triplica, então tivemos que gastar com cirurgias, medicações, utensílios veterinários, internações em clínicas veterinárias e vários outros serviços. Agora precisamos ajustar a dívida ou vamos parar nossas atividades por um período indeterminado”, lamentou Pinotti.

Para colaborar com o trabalho da ONG, através de doações, basta entrar em contato com os membros da entidade através da página oficial da AAANO no Facebook.

Ativistas revelam o que aconteceu ao porquinho que tremia em vídeo viral

Foto: Natura Umana

Foto: Natura Umana

Ativistas veganos revelaram ao site Plant Based News o que aconteceu com o porquinho trêmulo filmado em um vídeo feito por uma ONG de direitos animais que se tornou viral nas redes sociais.

O vídeo – cujo impacto levou várias pessoas a tornarem veganas, segundo elas mesmas assumiram – mostrava o pequeno animal, chamado Jasmin, convulsionando de tanto medo dentro de uma fazenda de criação. Suas orelhas haviam sido mastigadas pelos outros porcos que estavam tão estressados e assustados que estavam se voltando ao canibalismo.

Ativistas presentes em um evento da “Meat the Victims” (um trocadinho com a palavra carne ‘meat’ e o verbo conhecer: Conheça as Vítimas e Vítimas da Carne) na Holanda entraram na instalação e passaram algum tempo confortando Jasmin, descrita como “tendo espasmos violentos decorrentes de meningite”.

Eles então passaram nove horas negociando sua libertação com a polícia. Infelizmente, as autoridades insistiram que Jasmin fosse deixada na instalação para morrer.

A história de Jasmin

Em declarações à PBN, ativistas disseram: “A sala estava imersa na escuridão e ouvia-se sons de grunhidos combinados com ruídos de centenas de pés batendo no chão de plástico. Apenas um ponto de luz no final do corredor revelava os responsáveis pelo barulho.

“Apesar de apertados e sufocados presos em gaiolas superlotadas, os porquinhos estavam todos curiosos e se movimentavam ansiosos. Este foi o momento em que a vimos – deitada no chão, incapaz de se mover enquanto os outros a comiam viva, ela estava tendo espasmos violentos por causa da meningite. Jasmin olhava aterrorizada a sua volta com seu único olho visível, fraca demais para sequer gritar”.

“Impulsionados por seu desamparo total, nós a pegamos no colo tentando minimizar o sofrimento dela e, naquele momento, decidimos negociar para salvar a vida de Jasmin. Por nove horas, eu segurei seu corpo frágil em meus braços. Depois de um tempo, ela começou a se acalmar e relaxou, enchendo-me de gratidão por poder dar-lhe algum conforto pela primeira vez em sua curta e miserável vida. Ela adormeceu no meu colo e se enrolou no calor do meu corpo”.

Negociações

Eles afirmaram que as negociações continuaram “por horas” – e por algum tempo parecia que eles seriam bem sucedidos e estavam prestes a resgatar Jasmin da fazenda, descrita por eles como um “buraco do inferno”. Mas não foi assim que aconteceu.

“Sem nenhuma razão real, a polícia decidiu no último momento negar isso a ela, então eu tive que deixar Jasmin para trás. No momento em que a coloquei no chão, parte do meu coração morreu. Nunca mais vou me esquecer de como ela me olhou nos olhos confusa e assustada. Doente e mutilada, ela agora estava sozinha novamente, sozinha em um chão de concreto frio. O cheiro do sangue em suas orelhas ainda está fresco em minha memória”.

“Jasmin nasceu para ser morta, ela morreu em agonia como muitas de suas irmãs e irmãos que vimos. Matar um animal desnecessariamente é cruel e violento. Prometo a Jasmin, não vamos parar. Até que toda gaiola e cela esteja vazia”.

Homem vai pagar pensão alimentícia para animais após divórcio

Um acordo judicial definiu que um homem vai pagar pensão alimentícia para três gatos e um cachorro em Ribeirão Preto (SP) após se divorciar da esposa. Trata-se de um caso inédito no Brasil.

A advogada Taís Roxo Fonseca, advogada de uma das partes do processo, afirmou que a decisão se assemelha a casos que envolvem crianças e que se houver reincidência na falta de pagamento da pensão, o homem pode ser preso. “Quem faz a jurisprudência e trabalha em ampliá-la é o advogado”, disse.

(Foto: Arquivo pessoal)

O valor da pensão mensal será de 10,5% do salário mínimo, o que equivale atualmente a R$ 104,79, e terá que ser pago até a morte dos animais. As informações são do portal A Cidade ON.

“A gente percebeu que muitos casais, na separação, ficam com essa dúvida: ‘quem vai ficar com os animais?’. Eles mesmos alegaram que consideram os animais como filhos. Na primeira consulta, perguntei se ela tinha filhos e ela falou filhos de pelos. Então seguimos com esse termo”, contou.

A mulher que irá receber a pensão, e que preferiu não ser identificada, disse que se sente confortada por saber que os animais que ela tutela estão resguardados pela lei. “Para mim, foi muito legal saber que eles estão protegidos, que eles foram reconhecidos como criaturas, como se fossem filhos mesmo. Quando meu ex-marido saiu de casa, eles [os animais] sentiram, fizeram parte do processo de divórcio”, afirmou.

Segundo a tutora, a guarda compartilhada dos animais é uma ótima opção para casais que se divorciam, desde que os dois lados consigam esquecer as diferenças em prol do bem-estar dos animais.

“Acho importante que seja levantado esse assunto tanto no judiciário como entre o casal. Que seja levantada a importância dos animais, afinal de contas, eles têm sentimentos e fazem parte do nosso cotidiano”, concluiu a tutora.

Noiva abandona festa de casamento pela mais bela das razões

Uma noiva fugindo no meio do dia do casamento pode ser um ato interpretado como sinal de má sorte.

Mas o que fez Carla Reilly Moore sair de sua festa estava longe de ser motivo de azar.

Enquanto Moore e seu noivo estavam realizando o sonho de ter um santuário, se acostumando a cuidar de tantos animais e estavam no meio do planejamento de seu casamento, que aconteceria no próprio santuário, o destino deu uma virada repentina.

“Naquele mesmo ano, enquanto dirigia para o trabalho, eu estiva em um acidente de carro devastador”, disse ela. “Isso causou danos permanentes nas minhas costas.”

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Moore teve que passar por uma reabilitação longa e intensiva. “Passei horas com os animais, uma vez que isso aliviou a minha dor e ajudou-me ao longo do caminho para a recuperação”, disse ela.

Quando o dia do casamento chegou, e Moore já estava muito mais forte e melhor, ela sabia que os animais seriam uma grande parte da celebração.

“Não poderíamos pensar em um lugar melhor para realizar nossas núpcias do que aqui no santuário”, disse ela, “o lugar que me deu paz e cura, e o lugar que ajudamos a curar os outros. Queríamos estar cercados por tudo nós amamos: natureza, família e, claro, os animais”.

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Dois porcos, Franklin e Sylvester, ajudaram a inspecionar a propriedade enquanto a cerimônia estava sendo organizada. E, depois que os votos foram trocados, Daphne, a cachorrinha da raça chihuahua resgatada por eles se juntou a Moore e seu novo marido para a primeira dança.

Em troca de toda a sua ajuda, Moore sabia que teria de aguentar o fim do acordo.

“Enquanto a maioria das pessoas depois de dizer que ‘eu aceito’ é levada para fotos, bailes, jantares e festas, tivemos que fazer uma pausa para cuidar dos convidados mais vulneráveis do nosso casamento – nossos residentes de animais”, lembrou Moore. “Eu não pensei duas vezes em descer para verificar todo mundo, e até mesmo alimentá-los, mesmo com meu vestido de noiva.”

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Os porcos e patos pareciam muito satisfeitos em ver a sua salvadora, mesmo que ela estivesse vestida de forma um pouco diferente do normal.

“Enquanto cuidava dos animais, meu marido cuidava dos convidados da festa”, disse Moore. “E então nós trocamos!”.

Moore sabia que seu sonho seria um trabalho 24/7 (24 horas por dia/sete dias por semana), mas ela vê os animais como parte da família.

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

“Quando você é um cuidador de tantas vidas, não é como se você pudesse simplesmente se ausentar e sair”, disse ela. “Eles confiam em você para tudo.”

Os votos de amor vêm claramente em muitas formas – e Moore se considera feliz por poder incluir tantos indivíduos em sua vida.

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

“Nós tivemos nossa lua de mel aqui!” ela disse. E desde então, o casal não troca por nada a atividade de cuidar dos animais e relaxar ao sol com eles.

“Não poderíamos pensar em um lugar melhor para compartilhar nosso amor um pelo outro”, disse ela. “Parece que já foi feito para ser assim.”

Família arrecada recursos para levar animais de Niterói (RJ) para Portugal

Uma família de Niterói, no Rio de Janeiro, está arrecadando recursos para pagar os custos do transporte de três cachorros e de um gato para Portugal. Os tutores dos animais, Marcelle Rebelo, de 43 anos, e Rodrigo Guerra, de 44 anos, mudaram de país em fevereiro devido a uma proposta de trabalho. Abandonar os animais, no entanto, jamais esteve nos planos do casal, que decidiu fazer uma mobilização para conseguir o dinheiro necessário para pagar a viagem dos cães e do gato.

Foto: Reprodução / O São Gonçalo

Marcelle, o marido e o filho de 9 anos do casal sentem muita falta dos cães Apolo, de 13 anos, Sol, de 13 anos, Brown, de 1 ano, e do gato Felix, de 1 ano. “Nós viemos para esse novo lugar mas nossa família só estará completa com a vinda dos nossos filhos de quatro patas. É muito doloroso saber que eles ficaram no Brasil. Não quero que sofram, quero conseguir trazê-los o mais rápido possível”, desabafou Marcelle ao portal O São Gonçalo.

Para transportar os animais até Portugal, documentos precisam ser devidamente preenchidos, taxas devem ser pagas, além do gasto com passagem aérea de uma pessoa de confiança, que levará os animais, e o preço das caixas de transporte adequadas, que tem alto custo. No total, a família precisa arrecadar R$ 7 mil. Para isso, decidiu recorrer a uma “vaquinha online”.

Foto: Reprodução / O São Gonçalo

“Nós já vendemos muitas coisas e estamos economizando o máximo, e é com esse dinheiro que conseguimos manter uma pessoa cuidando dos nossos animais no Brasil”, explicou a coach.

Para manter os cães no Brasil, o casal alugou uma casa, na qual Apolo, Sol, Brown e Felix estão vivendo. “Todo o esforço para dar esse amparo para aos nossos ‘filhos’ é porque sabemos como está sendo sofrido estarmos longe deles. Não quero que se sintam abandonados. Todos os dias eu choro, desenvolvi ansiedade e depressão nesse período”, lamentou Michelle, emocionada.

Ativistas acusam Facebook de promover e divulgar lutas com animais

Página no Facebook que posta vídeos de briga de cães | Foto: Lady Freethinker

Página no Facebook que posta vídeos de briga de cães | Foto: Lady Freethinker

O Facebook foi acusado de servir como plataforma de divulgação mundial de briga de cães após uma investigação realizada por uma ONG descobrir que o site está sendo usado por organizadores inescrupulosos de lutas entre animais e comerciantes de cachorros, conforme informações do The Guardian.

Lady Freethinker (LFT), a organização de defesa dos direitos animais, afirma que o gigante das mídias sociais não está cumprindo suas próprias políticas, que proíbem conteúdo violento e a venda de animais.

Em um relatório chamado “The Deadly Underground World of Dogfighting on Facebook” (Os Bastidores Mortais das Lutas de Cachorros no Facebook”, na tradução livre), compartilhado com o Observer, a ONG acusa o Facebook de se tornar o “primeiro ponto de encontro” para a discussão de determinados cães e criadores envolvidos no comércio, muitas vezes mortal, com grande parte do debate ocorrendo em fóruns (grupos) fechados.

Entre dezembro de 2018 e fevereiro deste ano, um investigador da ONG pesquisou no Facebook e encontrou grupos, páginas e perfis promovendo brigas de cães e o tráfico de animais usados para brigas de cães. Mais de 2 mil posts e 150 páginas foram encontradas. Os cinco principais grupos tiveram um acompanhamento combinado de mais de 160 mil usuários do Facebook.

O investigador relatou 26 postagens no Facebook por violar suas políticas. Mas a empresa se recusou a remover todos, com exceção de seis, sugerindo que o investigador simplesmente bloqueie, desate ou pare de seguir as postagens que reconheceu “ainda podem ser ofensivas ou desagradáveis”.

Alguns posts registraram quantas lutas os cães haviam vencido. Outros vendiam cachorros que haviam sido criados por combatentes de sucesso. Inúmeras fotos mostravam cachorros acorrentados, com os dentes à mostra e cicatrizes no rosto.

“Este nível de violência e exploração de cães é terrível”, disse a fundadora da LFT, Nina Jackel. “O Facebook é frequentemente usado como uma plataforma para que a defesa dos direitos animais realize mudanças positivas, mas, como mostra o nosso relatório, não está protegendo os animais inocentes do abuso e da possível morte. Ao não aplicar suas próprias políticas contra a crueldade com os animais, o Facebook é cúmplice na perpetuação de atos criminosos contra cães”.

O investigador pesquisou no Facebook os termos comumente usados associados à briga de cães. Ele também seguiu os grupos “sugeridos” do Facebook, que frequentemente eram encontrados na busca para promover atividades de briga de cães, e apontou preocupações sérias sobre um número de grupos fechados que acreditavam promover a atividade.

Muitas das páginas e grupos usam terminologia codificada que não sugere imediatamente a promoção de brigas de cães. Um cão pode ser descrito como um “grande campeão” (Gr Ch) com cinco vitórias ou um “campeão” com três vitórias (Ch). Outra referência comum era o tipo de ringue em que os cães geralmente lutam, com uns medindo 4 pés por 4 pés comuns (cerca de 1,20m por 1,20m).

A ONG Lady Freethinker, que tem sede em Los Angeles, lançou uma petição on-line, DefeatDogfighting.org, pedindo que o Facebook encontre ativamente e remova com urgência todo o conteúdo que promove a briga de cães, o que é ilegal na maioria dos países, mas continua sendo uma atividade clandestina comum.

Criminalizada no Reino Unido desde a implantação da lei de crueldade contra os animais (Cruelty to Animals Act 1835) e crime também em todos os estados dos EUA, os grupos de direitos animais temem que a atividade possa agora ter migrado para as mídias sociais.

Um porta-voz do Facebook disse que a empresa estava investigando as acusações. “O conteúdo que promove ou retrata lutas de animais contra animais não é permitido no Facebook”, disse ele. “Agradecemos a Lady Freethinker por trazer esses posts à nossa atenção e conhecimento, nós os contatamos para que possamos obter as informações necessárias para investigar esse conteúdo”.

“Se as pessoas virem algo no Facebook, que acharem que fere ou quebra os padrões da nossa comunidade, nós os incentivamos a denunciá-lo usando as ferramentas da plataforma para que nossas equipes possam investigar e tomar as medidas adequadas”.

Preocupações com o bem-estar animal têm impacto de mais de 3 bilhões de dólares na indústria de carne

Foto: Livekindly/Foto

Foto: Livekindly/Foto

Com um ativismo jovem, corajoso, ousado e incansável o movimento em defesa dos direitos animais e o veganismo crescem e se espalham cada vez mais e ao contrário do que a indústria de carne imaginava, não vão desaparecer com o tempo ou se intimidar, na contramão disso, ele cresce cada dia mais e quem se intimida são os criadores e exploradores de animais.

Na outra ponta do debate, Jacqueline Baptista, gerente de envolvimento comunitário na Meat and Livestock Australia (MLA), falou em uma recente reunião da Federação de Fazendeiros de Victoria, em Darnum, Victoria (Austrália), sobre “desafiar o crescente movimento vegano”, informa a ABC. Baptista conversou com mais de 30 produtores de carne, laticínios e ovelhas no encontro.

A agropecuária – atualmente avaliada em 15 bilhões de dólares – deverá sofrer uma perda de 3,8 bilhões até 2030, e 84% dela é resultado do fato dos produtores não se adaptarem às mudanças que tem ocorrido nas atitudes dos consumidores envolvendo o bem-estar animal, disse ela.

“Não podemos mudar o que as pessoas escolhem para comer, se preferem comer legumes, ou vegetais, carne vermelha ou não – essa é a escolha individual de cada um e respeitamos isso”, disse Baptista.

“Na verdade, temos um problema com o comportamento e as campanhas dos ativistas”, disse ela. “Invasões agrícolas são obviamente um problema sério para nós”.

Ativistas realizaram invasões em fazendas e protestos pacíficos em toda a Austrália para conscientizar as pessoas sobre a crueldade envolvida nas indústrias de carne, laticínios e ovos.

Foto: Livekindly/Foto

Foto: Livekindly/Foto

Muitos desses protestos encorajam o público a assistir “Dominion”, um documentário que investiga o “lado negro da criação de animais industrial” através do uso de câmeras escondidas e drones aéreos.

Baptista observou que a MLA, uma autoridade pública que fornece pesquisas para o mercado de carne do país, quer “proteger nossos produtores”.

Ela afirmou que as questões subjacentes aos protestos não desapareceriam. “Passamos décadas pensando que essa ameaça desapareceria, ou mudaria, ou seria apenas uma espécie de grupo ativista de esquerda que sumiria magicamente e lidamos com isso de maneiras diferentes”, disse ela.

“Um deles foi ignorá-los e esperar que eles fossem embora, outra tática foi agressiva ou defensiva – nenhuma dessas atitudes realmente funcionou muito bem para nós como indústria”, disse Baptista.

Ela incentivou a indústria a ser mais transparente sobre suas práticas e encontrar “o método de entrega que as pessoas querem”.

Em um comunicado, a ONG Animal Liberation Victoria, um grupo independente e sem fins lucrativos de direitos animais, disse que “ficaria feliz em ver a indústria se abrir sobre suas práticas”, mas afirmou que “a trajetória do movimento vegano” não está diminuindo.

“O movimento dos direitos animais é jovem e só está ficando cada dia mais forte”, disse ela.

Animal Liberation Victoria acrescentou: “Com a disponibilidade cada vez maior de proteína de carne vegetal, que o próprio MLA reconhece que ‘é cada vez mais semelhante à carne’, na aparência, sabor e até mesmo cheiro” – bem como a crescente consciência de questões éticas na pecuária, e a destruição causada ao nosso meio ambiente, o movimento, sem dúvida, continuará a crescer ”.

Jerome Flynn, de Game of Thrones, conta como abdicou dos alimentos de origem animal

Por David Arioch

Ator abdicou completamente do consumo de alimentos e produtos de origem animal há três anos | Foto: Divulgação

Em entrevista publicada na semana passada pelo jornal britânico Daily Mail, o ator Jerome Flynn, mais conhecido pelo personagem Bronn, da série Game of Thrones, da HBO, disse que, a princípio, decidiu parar de se alimentar de animais porque estava gostando de uma colega vegana na escola de artes dramáticas:

“Ela costumava rosnar para mim se eu me sentasse ao seu lado para comer uma linguiça na hora do almoço. Eu era um pouco ingênuo sobre o processo de produção de carne e ela me trazia folhetos educativos da PETA e Viva!.”

Flynn disse que achou difícil ser vegano à época, principalmente porque ele não sabia como obter proteínas a partir de fontes vegetais.

“Continuei com o queijo de cabra achando que havia menos crueldade envolvida. Mas então minha amiga Juliet Gellatley [fundadora e diretora da organização vegana Viva!] compartilhou informações sobre uma campanha que estava realizando sobre a indústria de caprinos”, lembra.

Foi então que há três anos o ator abdicou completamente do consumo de alimentos e outros produtos de origem animal: “Ficou explícito o tipo de crueldade que está acontecendo [nessa indústria].”

Jerome Flynn enfatizou também que é muito mais fácil ser vegano agora do que há 40 anos quando ele decidiu parar de comer carne.

“Há maravilhosas alternativas para a proteína da carne, como os queijos fermentados de castanha-de-caju que são incríveis. Você pode até obter substitutos de ovos”, citou e acrescentou ainda que parar de se alimentar de animais o ensinou a cuidar mais de si mesmo e a amar cozinhar: “É um presente.”

Segundo o ator, se quisermos evitar mergulhar o planeta em uma profunda catástrofe, teremos que mudar nossos hábitos alimentares e consumir muito mais proteínas à base de vegetais. Do contrário, continuaremos castigando também os animais e os ecossistemas.

Ele revelou também que a abstenção do consumo de alimentos de origem animal começou a ganhar popularidade nos bastidores de Game of Thrones. Quando a filmagem da série começou há 10 anos, os atores tinham de levar o seu próprio leite vegetal para o set de filmagem. Com o tempo, passaram a ter três opções oferecidas pela produção.

A principal dica de Jerome Flynn para quem pensa em abdicar completamente dos produtos de origem animal é se educar sobre o assunto. “Para que você tenha energia, paixão e estímulo.”