
O vínculo entre uma mãe orangotango – que por natureza cria seus filhotes sozinha – e seu filho é um dos mais fortes e importantes da natureza.
Estudos científicos apontam em consecutivas análises que a primeira infância é o período mais importante de desenvolvimento na vida de um ser humano. As primeiras experiências de um bebê, moldadas em grande parte pela influência e comportamento de sua mãe, terão um impacto no resto de suas vidas. E assim também é para os orangotangos.
As mães orangotangos são mães solteiras e o vínculo entre uma mãe orangotango e seus filhotes é um dos mais fortes na natureza. As mães ficam com seus filhotes por seis a oito anos, ensinando-lhes onde encontrar comida, o que e como comer, como evitar predadores e a técnica para construir um ninho para dormir.
Após o nascimento de um bebê orangotango, estresse físico, doenças e variações no comportamento materno – como a freqüência de lambidas, higiene e enfermagem – podem contribuir para alterar o desenvolvimento neurológico do bebê.
É por isso que é crucial que todos os animais sob cuidados humanos, incluindo os que estão em cativeiro, estejam em um ambiente livre de estresse, que lhes permita se comportar da mesma maneira que fariam naturalmente quando tivessem seus filhotes.
Também é crucial que os descendentes permaneçam com a mãe durante o tempo que permaneceriam caso estivessem na natureza, para garantir que tenham a melhor chance de se desenvolver fisiológica e psicologicamente.
A ONG Animals Asia, que realiza um trabalho de ajuda junto a esses animais, relata ter visto orangotangos jovens arrancados de suas mães na natureza, para serem vendidos como animais de estimação exóticos ou feitos de escravos para atuar em atrações turísticas.
Como perturba a relação entre mãe e bebê, a criação artificial geralmente resulta em animais que podem ser difíceis de se socializarem ao serem colocados em um grupo ou que não possuem as habilidades para o comportamento normal e natural da espécie.
A criação de fêmeas isoladamente também pode ser prejudicial ao seu futuro comportamento materno, já que provavelmente eles estarão menos atentos a seus futuros filhos. A separação também tem um impacto devastador na mãe que perde o bebê.
Como os seres humanos, os orangotangos criam seus filhotes com amor e carinho e, ao fazê-lo, ajudam-nos a se tornarem adultos jovens bem ajustados, com as habilidades necessárias para prosperar em seu próprio ambiente e comunidades.
A importância do vínculo mãe-bebê nunca pode ser subestimada, e esforços não devem ser poupados para impedir que esse laço seja quebrado para todos os animais, tanto selvagens quanto cativos.
Rumo a extinção
Ambientalistas e especialistas preveem que, sem uma intervenção rápida e adequada, logo nenhum desses belos e indefesos animais restará no planeta.
Segundo o premiado Chefe do Executivo da ONG International Animal Rescue, Alan Knight, os orangotangos se encontram atualmente no “precipício da extinção”.
“Se o ritmo atual de destruição da floresta tropical continuar como esta, então não tenho absolutamente nenhuma esperança de que algum orangotango permaneça em estado selvagem.”
O ambientalista previu que os orangotangos só continuariam a existir por apenas mais 10 anos.
“Eu provavelmente diria dez anos se não pudermos parar a destruição. Eu acho que os orangotangos de Sumatra desaparecerão antes disso se eles não resolverem a situação em que estão”.
O orangotango Tapanuli (Pongo tapanuliensis), descoberto por cientistas em 2017, tem os números de suas populações estimados em apenas 800 indivíduos, o que o torna a espécie mais rara de macacos do planeta.
As espécies de orangotango se juntam a uma lista de animais altamente ameaçados que incluem o tigre malaio, o rinoceronte-de-sumatra, o pangolim malaio e muitos outros.
Infelizmente a culpa dessa situação extrema é do ser humano e de suas ações irresponsáveis movidas pela ganância e ambição descontroladas.
Conforme relatado pelo Independent, o declínio nos números da população de orangotangos nas florestas de Bornéu é devido ao desmatamento em massa que ocorre há anos no local.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) relatou: “As florestas em que esses animais vivem são transformadas em plantações de dendê, borracha ou papel, e outras são destruídas por humanos”.
“Como os orangotangos são caçados e expulsos de seus habitats, as perdas dessa espécies de reprodução lenta são enormes e serão extremamente difíceis de reverter.”
Se a tendência atual de desmatamento continuar, o orangotango não será mais do que apenas uma parte da história dos animais que uma vez vagaram pela terra.
Os dados expostos pedem uma atitude urgente e efetiva para garantir que os habitats dos orangotangos seja preservados e a espécie seja salva da extinção e posteriormente protegida das decorrentes ameaçadas causadas pela ação humana.
Populações caem pela metade em uma década
De acordo com informações da Orangutan Foundation International, as populações de orangotangos caíram pela metade na última década. Este é um dado preocupante considerando que os orangotangos já somaram centenas de milhares de indivíduos.
Além das mudanças climáticas, outras atividades humanas têm favorecido à perda e degradação do habitat desses animais. “A IUCN [União Internacional para a Conservação da Natureza] classificou o orangotango de Bornéu como ameaçado de extinção e o orangotango de Sumatra como criticamente ameaçado”, aponta a OFI.
As últimas estimativas mostraram que apenas 7,3 mil orangotangos de Sumatra (Pongo abelii) ainda permaneciam em estado selvagem, embora tais estimativas não sejam tão recentes. Isso significa que a redução pode ser pior do que imaginamos. Outro dado importante é que aproximadamente 150 mil orangotangos da Ilha de Bornéu desapareceram nos últimos 16 anos, segundo o Instituto Max Planck.
“A destruição e a degradação da floresta tropical, particularmente a floresta das terras baixas, em Bornéu e Sumatra, é a principal razão pela qual os orangotangos estão ameaçados de extinção”, lamenta a Orangutan Foundation.
Entre as atividades humanas que têm contribuído para isso estão a exploração madeireira, incluindo a extração ilegal, conversão de florestas em plantações de óleo de palma, mineração e derrubada de mata para a construção de estradas, além de incêndios e comércio ilegal de animais.
“Durante a última década, as populações de orangotangos provavelmente diminuíram em 50% na natureza. O orangotango de Bornéu e o orangotango de Sumatra estão em grave declínio. Isso significa que, sem uma drástica intervenção, os orangotangos podem em breve ser extintos como populações biologicamente viáveis na natureza”, revela a OFI.
Pesquisadores do Instituto Max Planck lamentam o fato de que quase 50 anos de esforços de conservação não conseguiram evitar que os números de orangotangos caíssem. E o que torna a situação ainda mais delicada é que os orangotangos são animais que se reproduzem lentamente.