Sentient Media noticia o ataque de hackers sofrido pelo site da ANDA

Foto: Sentient Media

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A Sentient Media publicou uma matéria denunciando os ataques de hackers que atingiram e destruíram o site da ANDA em artigo divulgado ontem (10) no site da organização.

A ANDA agradece ao Sentience Media pelo apoio e a solidariedade.

Veja abaixo a nota da íntegra:

Hackers atacam o principal site de notícias sobre direitos animais do Brasil

Desde a eleição do ano passado, o site tem sido derrubado por hackers pró-Bolsonaro várias vezes. O tempo mais longo em que a página ficou fora do ar foram 30 dias.

A ANDA é o principal site de notícias sobre direitos animais do Brasil, publicando mais de 40 conteúdos originais sobre direitos animais todos os dias, ou pelo menos era, até que o site da agência de notícias se tornasse alvo de grupos de hackers de direita que dominaram as eleições gerais no Brasil no ano passado.

Na época, o candidato de direita, Jair Bolsonaro, estava granjeando apoio para as próximas eleições com a ajuda do poderoso lobby do agronegócio do país. Ele já havia se distanciado dos ativistas dos direitos animais, ambientalistas e progressistas, anunciando seus planos para expandir o agronegócio na Amazônia.

Ao longo de sua campanha e em seu atual governo, ele propôs políticas que ameaçavam diretamente os animais e o meio ambiente, o que a ANDA julgou necessário, e totalmente dentro de seu direito de imprensa livre, de responder. Bolsonaro não concordou.

Nos últimos oito meses, segundo informações, a ANDA teria sofrido uma série de cyber-ataques de hackers brasileiros e internacionais, que o grupo suspeita terem sido orquestrados pelo governo Bolsonaro.

“A ANDA se posicionou contra o governo e criticou as ações de Bolsonaro”, disse Antonio Pasolini, um repórter ambiental e ativista dos direitos animais no Brasil de longa data, “e desde que fizemos isso os ataques começaram”.

Ataques ao jornalismo são ataques à liberdade de expressão

A partir de julho de 2018, a ANDA publicou uma série de artigos denunciando as políticas do Presidente Bolsonaro (na época apenas candidato) e sua postura contra os animais e o meio ambiente. A série centrou-se em questões de polêmicas no Brasil como a caça, o desmatamento e o uso de pesticidas, os quais Bolsonaro apoiou, tanto na retórica de campanha quanto depois de eleito, com a política praticada atualmente, enquanto a ANDA se colocou totalmente contra essa postura.

O primeiro artigo da ANDA da série que critica as políticas de Bolsonaro foi publicado em 2 de julho de 2018, em concomitância com um relatório sobre a proposta de proibição do candidato presidencial à venda de produtos orgânicos nos principais supermercados do país.

Os hackers começaram seu ataque no dia em que o primeiro artigo foi publicado. O tráfego do site caiu drasticamente de 1,5 milhão de usuários por mês para 250 mil após o pior dos ataques em julho passado.

A manchete de outro artigo, publicado em 25 de julho de 2018, dizia: “Jair Bolsonaro defende a caça e não tem propostas para os animais”.

“O agronegócio, os caçadores e todo um estilo americano de uma mentalidade de direita maluca se instalaram aqui”, disse Pasolini. “Nós nunca fomos um país de caça. Isso não é um hobby que anunciaríamos em uma mesa durante o jantar”.

Nem é aquele que a ANDA achava que o governo federal deveria apoiar.

Três dias depois, a ANDA publicou um artigo abordando especificamente um projeto de lei que facilitaria a aprovação de pesticidas proibidos no Brasil. Como parte de uma proposta maior apelidada de “pacote do veneno”, a administração Bolsonaro autorizou o uso de 152 novos pesticidas. O Brasil já é o maior usuário de pesticidas do mundo, substâncias nocivas que ameaçam matar populações inteiras de abelhas e prejudicar a saúde das comunidades rurais.

Cada um desses artigos foi invadido logo após ser publicado e todos eles tiveram que ser removidos para que o site pudesse ficar online.

Então, há apenas 15 dias, no que parece ser outro ataque coordenado lançado por grupos pró-Bolsonaro de direita, o site da ANDA foi completamente bloqueado por hackers.

Tentando (e falhando) silenciar os defensores dos animais 

De acordo com a fundadora e presidente da ANDA, Silvana Andrade, será preciso um grande esforço para consertar isso. Toda vez que os hackers entram no código que suporta o site WordPress da ANDA, a formatação no front-end (página principal) fica sem controle.

Em termos leigos, quando os leitores chegam à home page da ANDA depois de um ataque de hackers, eles não conseguem ler o que está lá. O site perde sua função e a ANDA perde sua capacidade de publicar jornalismo independente sobre direitos animais.

Desde a eleição do ano passado, o site da ANDA foi derrubado por hackers pró-Bolsonaro várias vezes. O tempo mais longo que site ficou fora do ar foi de 30 dias.

O site está atualmente operando no modo básico de visualização, o que significa que perdeu a maioria de suas funcionalidades, mas mantém seu compromisso firme de dar voz aos animais através do veículo da liberdade de expressão – mesmo enfrentando oposição do mais alto cargo do país.

A ANDA é considerada a primeira agência de notícias do mundo dedicada exclusivamente a cobertura dos direitos animais. Nos últimos 10 anos, os defensores dos direitos animais usaram a ANDA como uma plataforma para falar livremente sobre o bem-estar dos animais e do meio ambiente antes que fosse socialmente aceitável fazê-lo.

“Quando começamos, toda a ideia de direitos animais estava apenas começando a ser conhecida”. Pasolini disse que a organização foi fundamental para tornar os direitos animais um nome familiar e conhecido no Brasil.

Mas agora, os ativistas dos direitos animais no Brasil temem que Bolsonaro retroceda com a maior parte do progresso que eles fizeram. A administração Bolsonaro até ameaça o ativismo em seu sentido mais básico. Propostas de mudanças nas leis antiterrorismo estão ameaçando o direito de ativistas como Pasolini e outros de protestar, e os laços estreitos de Bolsonaro com o agronegócio só complicam as coisas.

Os protestos pacíficos e não violentos contra a crueldade com os animais serão chamados de “atos terroristas”? Sob as leis anti-terroristas propostas, eles poderiam muito bem ser classificados dessa forma.

“Basicamente, eles venceram as eleições com notícias falsas. Eles têm muitos hackers trabalhando para eles ”, disse Pasolini. E por “eles”, vamos esclarecer, o ambientalista e repórter fala do presidente do quinto maior país e a oitava maior economia do mundo.

A ameaça existencial de Bolsonaro para o Brasil e o planeta

Bolsonaro tem o apoio da “ bancada BBB” no parlamento brasileiro. Os três B’s representam bala, bíblia e bife (ou boi). A maioria dos pontos de discussão de Bolsonaro começa com um dos três B’s e continua por uma longa e escura estrada de retórica pró-negócios e anti-ambiental.

Em suma, ele quer menos restrições do governo, de modo que o agronegócio possa continuar se desfazendo na Amazônia. E como apontou a ANDA em um dos artigos hackeados que a agência de notícias foi forçada a tirar do ar para que o site pudesse se estabilizar, Bolsonaro não tem absolutamente nenhum plano para melhorar o bem-estar dos animais de criação.

No Brasil, mais do que em quase todos os outros países, a intersecção entre humanos, animais não humanos e meio ambiente é bastante clara.

O país abriga cerca de 42 mil espécies de plantas e quase 140 mil espécies de animais – mais vida animal do que qualquer outro país do planeta – e há humanos, que representam menos de 1% da vida na Terra e são responsáveis por quase toda a destruição ambiental no país.

“Somos a casa da Amazônia”, disse Pasolini. “Somos também um país cuja maior fonte de emissões não vem do carvão, mas do desmatamento”.

Este ano, o desmatamento na Amazônia atingiu a maior alta em uma década, em grande parte por causa do aumento da demanda por soja para alimentar animais de criação industrial e das políticas ambientais frouxas (para colocar em termos leves) do governo Bolsonaro.

“Jair Bolsonaro está transformando o Brasil em um ‘exterminador do futuro’”, disse a ativista e política brasileira Marina Silva ao The Guardian. Ela foi uma das oito ex-ministras que advertiram na quarta-feira “que o governo de Bolsonaro estava sistematicamente tentando destruir as políticas brasileiras de proteção ambiental”.

Direitos animais na mira do extremismo de direita

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e, apesar dos intensos esforços da bancada BBB, 80% dela ainda esta lá. Agora é a hora de salvar as árvores, não cortá-las. Por que, então, Bolsonaro e sua gangue de hackers de direita estão de olho em um site de notícias sobre direitos animais?

Os movimentos internacionais de direita estão se tornando semelhantes a uma embalagem conjunta, diz Pasolini. Quando todas as coisas ruins se juntam – como o agronegócio, a caça e o desmatamento – a oposição, neste caso, a ANDA, se torna um alvo brilhante e perfeito para o abuso político desenfreado dos saqueadores no poder.

“Especialmente na América, eu acredito que as pessoas não saibam muito sobre o que realmente acontece aqui”, disse Pasolini. Ele disse que tem sido um inferno para os progressistas no Brasil desde a eleição, e se o último ataque à ANDA é algum tipo de mensagem, Bolsonaro quer continuar da mesma forma.

A fundadora da ANDA está fazendo o que pode para garantir que ele não tenha sucesso nisso, migrando o site da ANDA temporariamente para uma versão manual após cada invasão. Ela disse que às vezes isso pode levar algumas horas, outras vezes pode chegar a levar alguns dias. Uma vez que o site já chegou a ser derrubado até por um mês inteiro. Quando consegue colocar o site no ar de novo, ela continua publicando 40 itens de conteúdo de direitos animais genuínos todos os dias.

Por favor, considere apoiar ANDA em seu esforço para construir um novo site. A meta de financiamento da ANDA é de cerca de US $ 8.500 (cerca de 33 mil reais).

Austrália pretende matar mais de 4 mil cangurus no maior extermínio da espécie já registrado no pais

Foto: Reuters

Foto: Reuters

O holocausto aprovado pelo governo esta previsto para se realizar em torno e dentro das reservas naturais de Canberra, na Austrália, durante as noites de inverno à medida que o ACT (Australian Capital Territory) realiza o maior extermínio de cangurus-cinzentos-orientais já ocorrido na região.

Pouco mais de 4 mil cangurus serão alvejados nas próximas 10 semanas, já que o programa se estende a 14 locais ao redor do ACT, vários incluindo as reservas naturais Mt Majura, Mt Ainslie, Crace e Callum Brae.

Para que não haja testemunhas ou vídeos a atividade cruel forçará o fechamento noturno progressivo das reservas de terça-feira, 7 de maio a 26 de julho.

Não haverá filmagens nos finais de semana, mas os visitantes serão convidados a deixar as reservas afetadas aos domingos às 15h.

Foto: Graham Tidy

Foto: Graham Tidy

A cota de mortes de 2019 é mais do que o dobro da realizada em 2018, quando 1822 cangurus foram mortos no território do ACT. Outros 1431 foram baleados nos arredores de Googong.

Assustadoramente o apoio público a um programa de extermínio de cangurus tem crescido constantemente desde 2008 e, de acordo com uma pesquisa do governo de 2015, fica em 86%. Os números evidenciam a falta de conscientização e compaixão vigente na sociedade.

E não é só a população que esta a favor de soluções rápidas e fáceis como a morte dos animais, o governo tem se justificado afirmando que as condições climáticas predominantes “criaram um ambiente no qual milhares de cangurus morrerão de fome durante o próximo inverno devido à falta de grama”.

“Nossos ecologistas usaram o melhor conhecimento científico para determinar os números a serem exterminados”, disse o diretor de conservação Daniel Iglesias.

Foto: echidnawalkabout

Foto: echidnawalkabout

Em uma fala de fundo especista e extremamente violenta, ele resume o pensamento governamental: “Como a caça cangurus não é muito atraente, o extermínio é atualmente o método mais humano de gestão populacional disponível”. Ou seja, se não são mortos por caçadores, então nós os mataremos por decreto.

Protestos contra as mortes estão sendo organizados, já que organizações como a Animals Australia e Animal Liberation ACT revelam que a evidência científica usada é frágil e não se sustenta.

Carolyn Drew, da Animal Liberation ACT, disse que havia contradições inerentes ao raciocínio do governo para apoiar a morte dos animais.

“O governo está tentando ganhar dos dois lados; ele diz que a razão pela qual os cangurus do Leste vem tanto para essa região é porque há bastante alimento para eles aqui”, disse ela.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

“Mas então eles vem e dizem ao mesmo tempo que temos que matá-los apenas ´no caso´ de morrerem de fome?”, questiona a ativista.

Ela também afirmou que o argumento da proteção da biodiversidade também não se sustenta porque “os cangurus ja fazem parte da paisagem australiana, vivendo neste ambiente com nossa flora e fauna, por dezenas de milhares de anos”.

A atividade de protesto público contra o extermínio dos animais foi sinalizada, mas a Sra. Drew não forneceu detalhes específicos.

“Estaremos protestando e aqueles que se opuserem ao governo também podem se envolver em desobediência civil, como a entrada de reservas durante as mortes”, disse ela.

Foto: Andrea Izzotti/Shutterstock

Foto: Andrea Izzotti/Shutterstock

O governo combate os ativistas colocando sinais de alerta nos pontos de entrada das reservas, câmeras de vigilância estrategicamente colocadas e patrulheiros nos parques equipados com equipamento de visão noturna. Tudo para poder matar os animais “em paz”

Desde 2015, o governo tem realizado testes com a injeção de uma vacina contraceptiva nos animais. Em torno de 142 cangurus do sexo feminino foram medicados, a reprodução foi impedida em 92% dos animais injetados.

Embora o programa tenha custo elevado e seja de alta complexidade, ele funciona. Se o problema era o excesso de animais e a falta de comida para todos eles, esta medida menos cruel e mais compassiva, evitaria as mortes de tantos animais indefesos.

Esclarecimentos sobre Black e o Projeto GAP

Selma Mandruca*

Black (GAP)

Resisti muito em me manifestar através da internet sobre a questão envolvendo o chimpanzé Black, talvez por acreditar na máxima: “Não se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.”

No entanto, ao perceber que muitas pessoas, ao que parecem “de bem”, têm muitas dúvidas sobre tudo que tem sido falado e acabam sendo influenciadas por manipuladores, falsas notícias, argumentos mal colocados, decidi fazer alguns esclarecimentos.

O Projeto GAP – Grupo de Apoio aos Primatas é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, membro do Great Ape Project, que é um movimento mundial que luta pela defesa dos grandes primatas, procurando garantir-lhes os direitos básicos à vida, liberdade e não tortura.

No Brasil, desenvolvemos um trabalho de conscientização sobre a problemática mundial dos grandes primatas e sobre a importância da preservação destes seres tão especiais que são nossos parentes mais próximos. Apoiamos órgãos públicos em ações de fiscalização e trabalhamos em sintonia com diversas organizações do país e do mundo, seja para apoiar na destinação de animais, seja para buscar políticas públicas, lutar por legislação que ampare a causa animal e propor ações na Justiça em favor dos animais não humanos que dependem da nossa voz.

O projeto conta hoje com quatro Santuários Ecológicos afiliados (locais particulares que comungam dos ideais do GAP), que cuidam de aproximadamente 80 chimpanzés e centenas de outros animais provenientes de situações de maus tratos em circos, zoológicos e entretenimento em geral. Tais santuários são devidamente registrados no Ibama e Secretaria Estadual de Meio Ambiente na categoria de mantenedores de fauna silvestre (nome técnico dado pela legislação).

Há muitos anos iniciamos nossa luta pela retirada dos chimpanzés de circos, já que estes estavam em situação mais grave que os grandes primatas dos zoológicos. Vencedores desta batalha, agora podemos prosseguir no resgate dos chimpanzés que vivem em situação degradante em zoológicos, sofrendo com a exposição pública, com a solidão.

Vejam, além de seu habitat natural, nenhum outro local é ideal. Mas sabemos que, no momento, não podem voltar ao lugar de onde nunca deveriam ter sido retirados. Alguns já nasceram em cativeiro, outros não se adaptariam ao ambiente selvagem, temos também aqueles resgatados de experiências científicas, infectados. Isso sem falar no risco da caça e na destruição das florestas.

Os grandes primatas estão criticamente ameaçados de extinção e os que estão em cativeiro se convertem em importante reserva genética, mas entendemos que não temos mais o direito de transformá-los em objeto de entretenimento.

Nossa experiência com as dezenas de chimpanzés recebidos pelos santuários, nossos contatos com os santuários africanos, nos avalizam a poder falar sobre o que hoje de melhor pode ser oferecido aos grandes primatas cativos e isso é o SANTUÁRIO, onde eles são cuidados, aproximados e, mais do que tudo, podem desenvolver comportamento social da espécie, o que os mantém psicologicamente hígidos.

O Santuário dos Grandes Primatas de Sorocaba,  local para onde o Black foi destinado, a pedido das organizações que propuseram uma ação civil pública, é afiliado ao Projeto GAP. Existe há mais de 19 anos, dispõe de todas habilitações e autorizações legais e é constantemente fiscalizado pelos órgãos públicos ambientais estaduais e federais.

Recebe animais do Brasil todo e até de países vizinhos, como é o caso da chimpanzé Cecília, que veio de um zoológico da Argentina também por uma decisão judicial, assim como muitos outros que ali chegaram. Black não é uma exceção. Importante frisar que a transferência de Black contou inclusive com o apoio de uma organização internacional vinculada à ONU, o GRASP – GREAT APES SURVIVAL, da UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME.

O próprio Zoológico de Sorocaba já enviou definitivamente chimpanzés ao santuário. É o caso de Caco, em 2004. Considerado um chimpanzé problemático e irrecuperável por técnicos da área, no santuário, Caco  obteve uma melhora substancial em sua saúde mental e comportamento. O próprio Black e sua antiga companheira Rita foram enviadas de forma provisória ao santuário no passado. Logo, o próprio zoológico vê o Santuário dos Grandes Primatas como um local adequado para abrigar seus chimpanzés.

Todos os argumentos usados para persuadir as pessoas a se voltarem contra a decisão de enviar o Black ao Santuário de Sorocaba nada mais são do que os mesmos sempre usados por pessoas que têm seus interesses econômicos atingidos por ações das diversas entidades protetoras dos animais. Também é muito importante frisar que foram todos esclarecidos por uma fiscalização do Gaeco, grupo especial do Ministério Público Estadual, que contou com apoio das polícias civil, militar e ambiental, além peritos técnicos (inclusive do próprio Zoológico de Sorocaba) e foi embasada em minuciosa vistoria do local e análise de diversos documentos. A conclusão do Ministério Público, após ampla e minuciosa apuração, foi pelo arquivamento das denúncias, além do relatório AMPLAMENTE POSITIVO sobre todas as condições e o trabalho desenvolvido pelo Santuário (clique aqui para ler o relatório completo – Gaeco arquivamento).

À mesma conclusão chegou a Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Sorocaba em procedimento apuratório instaurado naquele órgão (clique aqui para detalhes – oficio 0238_2012).

Nesses relatórios, que integraram processos públicos, qualquer pessoa poderá obter respostas quanto à questões levantadas novamente com a transferência do Black como: I) alimentação, que inclui, a título de agrado, esporadicamente, algumas guloseimas; II) acordo firmado entre Ibama, Ministério Público Federal e o Santuário  para possibilitar a reprodução dos chimpanzés, mas não incentivá-la, sério dilema enfrentado pelo próprio Projeto, na medida em que o chimpanzé nascido, a princípio permanecerá cativo, mas por outro lado, como a experiência prática indica, confere ao grupo a oportunidade de estabelecer comportamento social complexo e relevante, de extrema importância ao bem estar; III) as atividades desenvolvidas pelas empresas do responsável pelo mantenedor e hoje secretário adjunto do Great Ape Project Pedro Ynterian.

Mas muito relevante é verificar como as pessoas interessadas em manter a troca de animais entre zoológicos e entre circos, são capazes de tentar sujar o nome e o trabalho de pessoas honestas, comprometidas com a conservação, preservação e fiscalização da fauna em geral.

Por fim, importante frisar que a retirada do Black aconteceu sem a necessidade de procedimento anestésico, ele está sendo muito receptivo com as veterinárias e tratadores, alimenta-se normalmente com frutas, verduras e legumes, já circula amplamente pelo recinto, podendo visualizar outros animais de maneira tranquila, sendo que sua adaptação com outros chimpanzés será feita de forma gradual e com toda segurança necessária; tendo, portanto, tudo para acontecer com sucesso.

*Presidente do Projeto GAP – Brasil

Projeto de lei que autoriza morte de leões marinhos é aprovado no senado americano

Leões marinhos serão mortos por se alimentar de salmões | Foto: GoPro

Leões marinhos serão mortos por se alimentar de salmões | Foto: GoPro

Um projeto de lei que facilita a matança de leões marinhos que se alimentam de salmão no rio Columbia foi aprovado no senado dos Estados Unidos.

A medida permitirá um processo mais ágil para que os estados de Washington, Idaho, Oregon e várias tribos do noroeste do Pacífico capturem e matem os leões-marinhos.

Os defensores do projeto dizem que a medida protegerá o salmão e a truta e dará aos gerentes de vida selvagem maior flexibilidade para controlar os leões marinhos.

Os críticos chamam a solução covarde de mal concebido e dizem que matar os animais de forma covarde não vai resolver o problema do declínio das populações de salmão.

Novas diretrizes, envolvendo os animais entraram em vigor no dia 17 de abril, e permitem que qualquer leão marinho que seja visto na área em cinco ocasiões, ou que tenha sido visto comendo peixe (atum) deve ser colocado em uma lista para remoção letal.

Os critérios anteriores exigiam que ambas as marcas fossem atendidas. Autoridades dizem que 10 leões marinhos foram mortos até agora este ano, a maioria como resultado da mudança de política. Um estudo descobriu que a mudança pode aumentar o número de leões marinhos mortos em 66%.

O governo federal atualmente autoriza os estados a matarem leões marinhos perto da represa de Bonneville, a leste de Portland, Oregon, mas somente se os responsáveis documentarem individualmente os animais que estão causando problemas.

O projeto foi patrocinado pelo senador de Idaho, Jim Risch, e a senadora por Washington, Maria Cantwell, e já foi aprovado pelo senado. O texto do projeto é semelhante à legislação que a câmara aprovou em junho do ano passado.

Matar os leões marinhos, retirar vidas, nunca será a solução a ser adotada. O declínio das populações de salmão se dão em função do desequilíbrio na cadeia alimentar causado pela pesca (intenções comerciais, ganho, lucro, venda) que impede a reprodução dos animais há tempo de suprir o déficit causado pelos pescadores com suas redes de grande escala.

A natureza tem seu equilíbrio próprio e perfeito as cadeias alimentares obedecem a esses critério endêmicos. Tentar culpar os leões marinhos por consequências que os seres humanos causam, é no mínimo, incoerente e equivocado.

Essa irresponsabilidade custará as vidas de animais inocentes que nada mais fazem do que seguir seus instintos e se alimentar.

Gatinhos são despejados e precisam de um lar em Niterói (RJ)

Divulgação

Uma gatinha em situação de rua deu à luz cinco bebês no estacionamento de um hospital em Niterói, Região Metropolitana do RJ. A administração do local os expulsou à própria sorte. Três filhotes já conseguiram lares responsáveis, mas dois ainda estão à espera da chance de serem adotados.

Um veterinários que se comoveu com a situação ofereceu castração gratuita, então os bebês terão esterilização garantida e sem nenhum custo. Precisam encontrar um lar o quanto antes, pois não não têm onde ficar. Têm cerca de dois meses e são muito fofos.

Interessados em adotá-los entrem em contato com a Lourdes através do telefone (WhatsApp): 21 – 97105-8900.

Celebridades apoiam os direitos animais em evento da ONG Humane Society

Foto: HSUS

Foto: HSUS

As cantoras Kesha e Leona Lewis estão entre as estrelas que estiveram presentes no evento de apoio aos direitos animais organizado pela ONG Humane Society of the United States (HSUS) este ano.

A entidade realizou o baile de gala chamado de To The Rescue (Ao resgate, na tradução livre) de 2019 em Los Angeles, no Paramount Studios, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre as campanhas da organização de proteção aos animais que visam proteger especialmente os animais de fazenda, conhecidos também como animais de criação.

Cerca de 300 amantes de animais, alguns vestidos com peles artificiais e couro vegano, juntaram-se ao baile de gala para mostrar seu apoio à causa e ao esforço da HSUS, bem como homenagear Wallis Annenberg e Kesha por seu trabalho dedicado ao bem-estar animal.

Falando sobre Kesha, a HSUS disse em um comunicado: “Estamos honrados em apresentar a superstar indicada ao Grammy [Kesha] com o Prêmio Voz para os Animais em nosso baile anual de gala”.

“Por meio de sua paixão pelo ativismo animal, Kesha trouxe à tona vários problemas relacionados ao bem-estar e a proteção dos animais, incluindo testes de cosméticos em animais, barbatanas de tubarão, a caça às focas canadenses e muitos outros”, disse a ONG.

“Não temos como agradecer o suficiente por ela usar sua notoriedade para falar por aqueles que não tem voz”.

A CEO da HSUS, Kitty Block, falou sobre a importância de reconhecer o trabalho que visa ajudar os animais, incluindo aqueles reproduzidos e criados exclusivamente para consumo humano.

“Todas essas empresas aqui presentes estão se esforçando para fazer a coisa certa para os animais”, disse Block ao The Hollywood Reporter. “É emocionante ver o poder do consumidor”.

Outras estrelas que se juntaram ao evento foram Leona Lewis, ativista dos direitos animais e dos músicos, que se apresentou cantando na festa, assim como a atriz e cantora Bellamy Young, que foi uma das anfitriãs e organizadoras da festa.

Young, que é vegana e apoiadora da HSUS desde a faculdade, falou sobre sua jornada rumo ao veganismo e sobre como as pessoas podem ajudar os animais.

“Isso não significa que as pessoas precisam ser veganas a qualquer preço, quer dizer apenas que comer de forma ética, comer conscientemente, talvez cortar carne algumas vezes por semana, pode fazer uma grande diferença”, disse ela em entrevista ao The Hollywood Reporter. “Uma atitude simples pode mudar o futuro das pessoas que estão vivas hoje e o de todos os que ainda virão ao mundo”.

A primeira homenageada da festa foi Wallis Annenberg, presidente da Fundação Annenberg, que recebeu o prêmio HSUS “Lifetime Achievement” (Conquistas de uma Vida, na tradução livre).

A filantropa de Los Angeles falou sobre o esforço de sua fundação para ajudar todos os animais, incluindo cães e gatos que se beneficiam dos serviços do Annenberg PetSpace em Playa Vista, bem como da vida selvagem no sul da Califórnia.

“Eu acho que vale a pena gastar um milhão de vezes mais para obter toda aquela alegria, amor e gratidão em troca”, disse ela em seu discurso de aceitação do prêmio.

A segunda homenageada da noite foi Kesha, que recebeu o “Prêmio Voz para os Animais”.

Kesha | Foto: HSUS

Kesha | Foto: HSUS

“Eu só vou falar sobre meus gatos”, Kesha brincou ao subir ao palco e aceitar o prêmio. “A primeira vez que senti amor incondicional verdadeiro – não posso dizer que foi por um membro da família – foi quando eu saí de um lugar em que estava fazendo um show, era um clube de striptease, eu saí de lá e havia um gatinho bebê pequenino e frágil miando em uma lata de lixo.

“Meu instinto falou mais alto na hora, eu simplesmente o agarrei e disse: ‘Eu não posso deixar você aqui’, meu baterista disse: ‘Não toque nisso, ele é um gato do lixo’ e eu respondi: ‘Você que é um lixo de pessoa, nós vamos levar o gato embora e pronto”.

Kesha terminou seu discurso anunciando que planeja criar um filme que dará voz aos animais. Ela também pediu que os participantes contribuam com o projeto para ajudar os animais do mundo todo.

Consumo de carne pode reduzir eficácia de medicamentos

Por David Arioch

Indústria farmacêutica lucra cinco bilhões de dólares por ano com a produção de antibióticos para animais criados para consumo (Foto: Shutterstock)

O consumo de carne pode reduzir a eficácia de medicamentos. Não é difícil chegar a essa conclusão considerando quatro trabalhos – um relatório da Animal Pharm, que desenvolve estudos globais sobre nutrição e saúde animal, uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e outra pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique e um estudo da ONU divulgado no final de abril.

O primeiro aponta que a indústria farmacêutica lucra cinco bilhões de dólares por ano com a produção de antibióticos para animais criados para consumo – como bovinos, suínos, aves, etc. Só nos Estados Unidos, o maior produtor de carne bovina, seguido pelo Brasil, cerca de 70% dos antibióticos comercializados são destinados a animais que mais tarde serão abatidos.

O problema é que o uso contínuo de antibióticos, antifúngicos e antivirais, ainda comum na produção mundial de carne, segundo a Animal Pharm, pode fazer com que tanto animais criados para consumo quanto seres humanos sejam afetados por doenças em que o tratamento consiste no uso de medicamentos já ineficazes em lidarem com as chamadas superbactérias.

Segundo a Animal Pharm, no mundo todo as empresas farmacêuticas continuam fazendo lobby contra a regulamentação mais rigorosa dos antimicrobianos que têm uma ampla gama de usos. De acordo com o diretor de políticas da organização Sustainable Food Trust, Richard Young, assim que as empresas produzem um antibiótico, surge o dever de ganhar o máximo possível de dinheiro para os seus acionistas.

“Essa é uma indústria muito sofisticada, com uma longa história de lobby. O problema é que grande parte dos dados usados ​​pelos reguladores é gerada por cientistas ligados às empresas farmacêuticas”, enfatiza o editor da Animal Pharm, Joseph Harvey.

Ele acrescenta que o uso excessivo de antibióticos tem despertado particular preocupação na Ásia, América Latina e África Austral, países que inclusive sustentam frágil legislação contra o uso de alguns tipos de antibióticos.

Harvey destaca que bactérias em humanos e animais criados para consumo continuam mostrando resistência aos antimicrobianos mais amplamente utilizados:

“Por exemplo, a resistência à ciprofloxacina é muito alta em [casos de] campilobacteriose, que causa infecções severas transmitidas por alimentos, e isso reduz a eficácia do tratamento. As salmonelas, que são resistentes a múltiplas drogas, também continuam a se espalhar por toda a Europa e isso tem sérias implicações para a saúde pública.”

Já falando especificamente do Brasil, no ano passado a organização World Animal Protection (WAP) financiou uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), que identificou a presença generalizada de bactérias resistentes a antibióticos em amostras de carne comercializadas em grandes redes de hipermercados do Brasil – como Carrefour, Extra, Pão de Açúcar e Walmart.

Pesquisas realizadas no Brasil, Austrália, Europa, EUA, China e Tailândia já haviam mostrado que quanto maior o uso de antibióticos, especialmente na ração ou água, maiores são as taxas de bactérias resistentes a antibióticos presentes entre animais criados em sistemas intensivos, segundo a WAP.

Há uma estimativa de que mais de 131 mil toneladas de antibióticos são utilizadas todos os anos nas cadeias de criação da pecuária mundial. Segundo levantamento do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, sediado na Suíça, os porcos são os animais que mais recebem antibióticos.

Após o desmame precoce, normalmente os leitões têm as caudas cortadas e são castrados sem anestesia, e é nessa etapa que começam a receber as primeiras doses de antibióticos, de acordo com informações do estudo comandado pelo pesquisador e epidemiologista Thomas van Boeckel.

Já as porcas mães são medicadas para que não desenvolvam infecções causadas por ferimentos e pelo estresse de viver por toda a vida em gaiolas do tamanho de uma geladeira comum.

O uso de medicamentos também é uma alternativa para evitar doenças em galpões superlotados de animais, onde o estresse é constante, e as condições facilitadoras da proliferação de superbactérias.

Se tratando da avicultura, um dos usos mais comuns são dos antibióticos ionóforos, que ajudam a estimular o crescimento e o ganho de peso do animal ao mesmo tempo em que se evita a coccidiose, doença intestinal que afeta frangos e galinhas quando ingerem os próprios excrementos ou de algum parceiro em confinamento. No entanto, com o uso frequente, os efeitos vão sendo minados.

No final do mês passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) também divulgou o seu próprio relatório sobre o assunto, destacando que nesse ritmo até 2050 dez milhões de pessoas no mundo poderão morrer a cada ano devido a doenças resistentes a medicamentos.

Segundo a publicação, infecções que não respondem a remédios são responsáveis por pelos menos 700 mil óbitos anualmente. Dessas mortes, 230 mil são causadas por formas de tuberculose capazes de sobreviver a diferentes fármacos.

O relatório aponta que doenças comuns, como infecções respiratórias, urinárias e também infecções sexualmente transmissíveis, estão se tornando cada vez mais difíceis de serem tratadas.

Botos da Amazônia estão ameaçados de extinção mesmo diante da proibição da caça da espécie

Foto: Green World Warriors

Foto: Green World Warriors

No início de 2000, nas profundezas da selva amazônica, o massacre começava, até os filhotes de golfinhos de água doce ou botos não foram poupados, nem as fêmeas grávidas que tiveram seus filhotes arrancados do ventre covardemente.

Sem hesitação ou remorso, esses monstros bárbaros arrancaram o bebê do útero da mãe, jogando-o para o lado como um pedaço de lixo. O Brasil aprovou uma lei com a proibição efetiva da caça, no entanto os caçadores não pararam de matar os mamíferos indefesos e no Peru, os botos são mortos apenas para servir de isca.

Foto: Green World Warriors

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O boto ou golfinho cor de rosa do rio ou ainda golfinho do amazonas, como é comumente conhecido, cientificamente a espécie é identificada como Inia geoffrensis, não são caçados para servir de alimento.

Como muitos pescadores pegam peixes menores para capturar as espécies maiores, os botos são capturados simplesmente por essa razão, assim eles são mortos e divididos em pedaços de carne que depois é jogada em caixas para pegar espécies menores de peixes comumente conhecidos como piracatinga, que se alimentam de carne podre de animais mortos – neste caso, de botos.

Os massacres de golfinhos japoneses são noticiados frequentemente – mas os campos de matança dentro da Amazônia ainda permanecem na obscuridade. Alguns conservacionistas parecem não se incomodar em divulgar esse fato, enquanto os caçadores exterminam esses membros da vida aquática.

Só no início do ano passado, cerca de dois mil golfinhos do rio Amazonas foram mortos. No entanto, os grupos de conservação da Europa e da América do Sul e do Norte estão tomando posição e, entregaram uma petição de 50 mil assinaturas ao governo do país pedindo ações urgentes.

Embora esteja em vigor a proibição da caça no Brasil, ela não é suficiente para parar a matança ilegal que ocorre distante dos olhos da lei. Além disso, a caça no Peru, Equador, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiné Francesa também acontece.

Ninguém foi capaz de parar essas matanças, a população fora da Amazônia fica completamente alheia ao fato de que essa atrocidade realmente existe. A Fundação Internacional de Resgate de Animais do Brasil, além de muitos grupos menores de conservação, soube deste extermínio apenas nos últimos anos.

Quando o governo federal impôs uma proibição temporária cinco anos atrás, tudo parecia mais calmo, infelizmente a proibição da caça foi suspensa com muitos botos mortos em agosto do ano passado, e seria realmente um milagre se a espécie realmente se recuperasse antes que a proibição da caça terminasse. Mas não foi que aconteceu.

Foto: Green World Warriors

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Desde o início de agosto do ano passado, o país impôs uma nova [proibição total], mas isso não explica os caçadores clandestinos e aventureiros assassinos que atualmente estão descendo os rios da Amazônia para matar botos.

Até o segundo semestre do ano [2014] a expectativa era de que mais de três e meio mil botos seriam mortos. O número pode até ser ainda maior sendo que atividade é completamente ilegal.

Mais de 60% da floresta amazônica está no Brasil e, assim, o país abriga mais golfinhos do rio Amazonas, do que qualquer outro país da América do Sul. Os botos vivem nos rios e lagos da Amazônia e entram na floresta alagada durante a alta temporada.

A Amazônia, e particularmente as florestas inundadas, são habitats ameaçados. Desde a década de 1980, a taxa de desmatamento e exploração da floresta amazônica para mineração, extração de madeira, assentamento humano e pecuária aumentou significativamente.

Essas atividades comerciais representam uma grave ameaça para os povos indígenas e a vida selvagem da região.

Boto do sexo masculino só se reproduz após os 10 anos de idade

Especialistas da região afirmam que todos os anos, na região na Reserva de Desenvolvimento de Mamirauá, a população de botos diminui em torno de 7,5%. Isso não é sustentável”, diz ele.

Segundo eles, o agravante é que os pescadores preferem os jovens golfinhos-do-rio, que quase nunca atingem a idade reprodutiva. Um golfinho macho leva 10 anos para atingir a idade reprodutiva e a fêmea entre 6 e 7 anos. A gestação leva entre 11 e 13 meses, além disso, a jovem mãe ainda alimenta os pequenos por dois anos.

A morte dos jovens botos está tendo um enorme impacto sobre as espécies de golfinhos do rio Amazonas, das quais, mesmo com uma proibição, vai resultar no extermínio de toda a espécies se o mundo não se unir agora para impor uma proibição completa na Venezuela, Peru, Colômbia e Bolívia, Guiana, Suriname e Guiné Francesa.

A alimentação do boto consiste principalmente de piracatinga, que é um bagre carnívoro comido pelos habitantes locais e tribos indígenas. No entanto, os seres humanos na Amazônia exigem 4.500 botos para colher (pescar) todos os anos a piracatinga.

Então, por que esse massacre não está sendo visto no mundo ocidental da conservação? Bem, basicamente este método de extração de piracatinga, que se tornou ilegal no Brasil em agosto de 2014, só começou em 2000. Apesar de toda a prática ser 100% ilegal, os governos e as agências de segurança estão fazendo pouco ou nada para impedir isso.

Quando o pescador captura o boto a morte do animal geralmente é feita no mesmo local desta forma o cadáver não apodrece rapidamente. O corpo do animal é então colocado em caixas de madeira que os pescadores usam para capturar o peixe piracatinga.

As caixas de carne de boto são então abaixadas na água. Os pescadores aguardam enquanto os piracatinga se aproximam para atacar as carnes mortas do golfinho de água doce em decomposição. É nesse momento que os pescadores pegam o piracatinga.

Tem sido amplamente divulgado em algumas revistas, artigos e mídias que o Brasil de fato proibiu essa prática a partir de julho 2014. No entanto, esses meios de comunicação e repórteres de imprensa – até os de base científica – podem querer visitar as selvas da Amazônia, nas quais esta prática ainda está ocorrendo e tem sido assim desde 2000.

Conservacionistas ficaram encantados ao ouvir sobre a proibição anunciada pelo governo do Brasil, uma vez que o país possui a maior parte da Floresta Amazônica. “É a maior proibição de pesca desde 1967, quando as leis originais de proteção da fauna do Brasil foram feitas”, diz Jone César, da Associação Amigos do Peixe-boi, um grupo de conservação sediado em Manaus, Brasil.
Só porque o Brasil proibiu a prática, não significa que nos rios do Equador ou do Peru, por exemplo, nos quais o boto também habita e que não estão dentro do território brasileiro, os pescadores não vão continuar matando os botos.

Além disso, até que a proibição brasileira seja completamente aplicada, é esperado que os pescadores matem mais milhares de botos para armazenar para pescas posteriores. Então, é claro, temos caçadores que podem e ainda vão desrespeitar essa proibição e, infelizmente, isso já foi visto outras vezes.

Estamos agora a muitos anos depois e o golfinho da Amazônia parece que logo estará extinto. Os botos foram classificados com o status “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em sua última “Lista Vermelha”, publicada em novembro de 2018.

‘Afirmativa que gatos não se importam com tutores é mito’, diz veterinário

Os gatos são vítimas de preconceito. É comum que pessoas afirmem que eles não gostam dos tutores, o que reforça a antipatia da sociedade em relação a eles e dificulta a adoção. Disposto a por fim a essa ideia preconceituosa, o médico veterinário Renald Giovanni lembra o quão carinhosos e companheiros os gatos são.

Boris é um dos gatinhos do Tiago, que costuma criar felinos desde os cinco anos de idade — Foto: Tiago Fonseca/Arquivo pessoal

“A afirmativa que os gatos não se importam com os tutores é um mito porque, na verdade, quando as pessoas falam isso do gato é comparando ao comportamento dos cachorros. Temos que lembrar que os dois animais são espécies diferentes, com evoluções diferentes em relação ao convívio com o ser humano e características particulares”, explica o veterinário. As informações são do portal G1.

Segundo o especialista, os gatos têm hábitos de caça ao alimento, o que é feito de forma solitária, são independentes, autônomos e mais autossuficientes. Isso, no entanto, não quer dizer que eles dispensem o convívio humano. Pelo contrário, os gatos amam os tutores da mesma forma que os cães, mas demonstram esse sentimento de maneira diferente.

O técnico em informática Lucas Fonseca Gomes sempre dizia que não gostava de gatos. O discurso dele mudou em 2011, quando ele acolheu uma gata que apareceu na casa dele. Abandonada e grávida, ela foi adotada por ele e teve quatro filhotes.

Depois da experiência de acolher uma gata com filhotinhos, Lucas se apaixonou pelos felinos — Foto: Lucas Fonseca/Arquivo pessoal

“Não gostava de gatos por falta de convívio. Nunca tinha criado um até que dei abrigo a uma gata que estava esperando filhotes. Acabei por cuidar deles quando nasceram. Eu percebi que são animais dóceis e fáceis de cuidar. Eles são muitos apegados a mim. Na hora de dormir, por exemplo, se não fechar a porta do quarto, minha cama enche de gato”, brinca.

Depois da primeira adoção, Lucas se apaixonou completamente por gatos e já chegou a tutelar 13 ao mesmo tempo. Atualmente, ele tem cerca de 10 gatos na casa onde vive, em Montes Claros (MG). Entre eles estão Severó, Rodolfinho, Kita e Piscainha.

Tiago ao lado do gato Pink — Foto: Tiago Fonseca/Arquivo pessoal

A história do músico Tiago Rodrigues Santos, de 28 anos, é diferente. Tutor dos gatos Pink, Loki e Boris, ele ama gatos desde a infância. Aos cinco anos, ele adotou o primeiro animal da espécie. A paixão dele pelos gatos é tamanha que contagiou o restante dos moradores da casa.

“Eles são bem mimados por todos da casa. Adoro gatos! Admiro demais a beleza, esperteza e autossuficiência deles”, conta.

Fundador da Sea Shepherd ganha mais um documentário sobre o seu trabalho em defesa dos oceanos

Por David Arioch

Watson: “São 42 anos de campanha em prol da vida selvagem no oceano” (Foto: Barbara Veiga/Sea Shepherd)

O fundador da organização de conservação da vida marinha Sea Shepherd, o canadense Paul Watson, ganhou no mês passado mais um documentário sobre a sua vida como um ambientalista defensor dos oceanos.

Dirigido por Lesley Chilcott, de documentários como “Uma Verdade Inconveniente”, o filme “Watson” é qualificado pelo próprio homenageado como um bom trabalho. “Realmente cobre a minha vida – é mais do que ‘Whale Wars’. São 42 anos de campanha em prol da vida selvagem no oceano”, disse Watson ao jornal diário AM New York.

“Whale Wars – Defensores de Baleias” foi uma série veiculada pelo Animal Planet em 2008, que mostrava as táticas do grupo para bloquear navios baleeiros e garantir que as leis contra a caça de grandes mamíferos marinhos como as baleias fossem respeitadas.

À frente da Sea Shepherd, Watson fez história, e hoje a Sea Shepherd provavelmente é a organização mais conhecida quando se fala em ações diretas de defesa da vida marinha. E foi por querer buscar esse caminho que Paul Watson se afastou da organização do meio ambiente mais famosas do mundo – o Greenpeace.

Watson justifica que a sua saída do Greenpeace teve um motivo bem simples – uma agenda passiva e ineficaz. Além do seu trabalho contra navios baleeiros e caçadores marinhos, Watson se orgulha do trabalho que a Sea Shepherd faz limpando praias e oceanos de várias partes do mundo.

Com mais de quatro décadas atuando em defesa dos oceanos, Watson sintetiza com simplicidade e objetividade o seu chamado para esse trabalho: “A mensagem que tento transmitir a todos é muito simples. Se os oceanos morrerem, todos morreremos.”

Saiba mais

Em 2011, o fundador da Sea Shepherd ganhou um documentário intitulado “Eco-Pirate: The Story of Paul Watson”, dirigido por Trish Dolman.