Projeto coloca humanos no lugar de animais marinhos vítimas do plástico

O fotógrafo Rúben Caeiro, de 23 anos, desenvolveu um projeto para tentar estimular a empatia e a compaixão nos seres humanos, colocando-os no lugar dos animais marinhos que sofrem com a contaminação do plástico nos oceanos. Denominado “CH2=CH2”, o projeto tem por base a premissa: “e se, em vez de animais marinhos, fôssemos nós, os seres humanos, a sofrer na pele, no corpo, os danos que resultam do contato com o plástico?”

Foto: Rúben Caeiro

De tudo que foi fotografado por Rúben, a imagem de uma tartaruga é uma das mais marcantes para o fotógrafo. “Ela estava deformada porque tinha um anel de plástico em torno do dorso”, conta, em entrevista ao portal Público.

“Não nos deixemos enganar: o plástico que está espalhado pelos oceanos não é, exclusivamente, um problema da fauna marítima. Os microplásticos já se tornaram, infelizmente, parte da nossa dieta e isso trará, mais cedo ou mais tarde, consequências cada vez mais graves para a saúde humana”, diz.

Foto: Rúben Caeiro

Em parceria com o abrigo programa Erasmus+, Rúben fez um ensaio fotográfico, com 50 retratos, que mostra seres humanos nas mesmas situações vividas pelos animais marinhos. O projeto ficará exposto, até o final de julho, na Escola de Tecnologias Inovação e Criação (ETIC), em Faro, cidade de Portugal.

“A intenção do projeto é alertar para este problema e para a necessidade urgente de refletirmos e tomarmos uma atitude. Eu já abandonei, em parte, o uso do plástico na minha vida, assim como as pessoas que estão em meu redor”, conclui o fotógrafo.

Confira outras fotografias do projeto:

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Foto: Rúben Caeiro

Faos SP emite nota de apoio à campanha para reconstrução do site da ANDA

A Federação das Associações e Sociedades Protetoras dos Animais do Estado de São Paulo (Faos SP) emitiu hoje (10) em sua página no Facebook uma nota de apoio à campanha #ResistênciaAnimal, iniciada pela ANDA na última quarta (08), com o objetivo de arrecadar recursos para reconstrução de seu site destruído pela ação de hackers.

A Faos é uma federação que congrega ONGs, grupos e sindicados voltados à defesa dos direitos animais. Entre as bandeiras defendidas por ela está o fim dos testes em animais, a luta pela inconstitucionalidade da vaquejada e outras atividades bárbaras e retrógradas, fim de zoos e aquários, projetos de leis voltados à proteção animal e o incentivo à adoção de um estilo de vida vegano e livre de crueldade contra qualquer outra forma de vida. Conheça o trabalho da Faos SP clicando aqui.

Veja abaixo a nota da íntegra:

“É com perplexidade e indignação que recebemos a notícia de que a ANDA tem sido vítima de ataques de hackers ao seu site e também de campanhas de ódio promovidas por internautas através das redes sociais, cerceando o direito à informação das pessoas, a liberdade de imprensa e seu trabalho de proteção aos animais.

Nós da FAOS nos solidarizamos à ANDA e repudiamos com veemência os ataques sofridos. A ANDA é o maior portal sobre direitos animais da América Latina, com uma inestimável contribuição para a visibilidade dos direitos animais e da necessidade de preservação do planeta ao longo de seus 10 anos.

A ANDA é referência no jornalismo animalista brasileiro, levando informação e consciência a milhares de pessoas todos os dias. É um portal de notícias imprescindível ao grande público e também a ativistas, políticos, jornalistas, blogueiros, publicitários e outros como fonte de informação ética e respeitada. É um canal que não pode ser silenciado, principalmente no atual momento de desconstrução das políticas de preservação do meio ambiente.

Como a ANDA, a FAOS é uma Organização Não Governamental que defende os animais e a vida. É nosso dever, neste momento, nos solidarizarmos com todos aqueles que tiverem ameaçados os seus direitos em nome da causa animal. Nada irá nos calar! À ANDA, toda a nossa solidariedade e apoio”.

Entenda o caso

Desde julho de 2018, a ANDA vem frequentemente sendo atacada por hackers, após publicar uma série de notícias denunciando políticas contra os animais, o meio ambiente e o risco do uso de agrotóxicos. Há cerca de 15 dias, o portal teve sua estrutura quebrada, funcionando atualmente em um modo de visualização básica e limitada. Mais do que um ataque à ANDA, o fato é um atentado à democracia, à liberdade de expressão e à atuação em defesa dos animais e do planeta.

Para reconstruir o site, investindo em tecnologia e segurança, a ANDA lançou a campanha #ResistênciaAnimal, que tem como objetivo arrecadar R$33 mil. Deste valor, R$28 mil serão destinados exclusivamente à reconstrução do site, enquanto os R$5 mil restantes serão usados para cobrir taxas e outras despesas. Além de ajudar a impedir o cerceamento da liberdade de expressão e defender os animais, os doadores da campanha concorrerão a cupons de compras no valor de 50 reais do Sítio do Bem, e-commerce especializado em camisetas e mimos para quem é apaixonado pelos animais.

Ao final da campanha, todos os doadores receberão um agradecimento público no novo site da ANDA. É possível doar a partir de R$1 depositando diretamente na conta corrente da ANDA. Neste caso, é necessário enviar o comprovante para faleconosco@anda.jor.br, para que os doadores sejam identificados inseridos no memorial de reconstrução e possam também participar do sorteio.

Agência de Notícias de Direitos Animais
CNPJ: 12.164.456/0001-76
Banco Itaú – Agência: 00367 – Conta: 82489-3

Além de depósito em conta, também é possível doar através da plataforma de financiamento coletivo Vakinha (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/563625), que aceita doações a partir de 25 reais por cartão de crédito, boleto e transferências bancárias.

Depois do caso Manchinha, mais um episódio de crueldade animal está prestes a acontecer em Osasco (SP)

Tudo o que Sorriso (foto) quer é continuar vivendo no cemitério Santo Antônio de Osasco (SP) onde já está há oito anos. Como o próprio nome diz, ele é feliz, saudável e não incomoda ninguém ou, pelo menos, não incomodava até agora. Sorriso e outros nove cães correm o risco de serem despejados sumariamente, incluindo o Negão que vive no cemitério há 15 anos e, certamente, não aguentaria uma mudança brusca a essa altura da vida. Isso se ele não morrer de fome antes já que existe também a proibição dos cães serem alimentados por parte das secretarias de Meio Ambiente e de Obras de Osasco.

A protetora Janaína com o cão Sorriso, ameaçado de despejo (Foto: Arquivo Pessoal)

O município, que recentemente foi alvo de revolta nacional e internacional devido à morte do cão Manchinha no Carrefour, pode colecionar mais um triste episódio de crueldade animal se essas ações se concretizarem. Diante da repercussão que o caso está ganhando, na próxima segunda-feira, dia 13 de maio, a protetora Janaína Dornelas, responsável pela manutenção dos animais, se reúne com o secretário de Meio Ambiente Marcelo Silva, o secretário de Obras Lau Alencar e o diretor de Bem-Estar Animal de Osasco Fábio Cardoso. O objetivo é chegarem a uma solução sem prejuízo para os animais.

“O CCZ de Osasco não tem espaço. Já tem 80 animais lá esperando adoção. Não é justo levarem os cães do cemitério para uma baia lotada sendo que estão sendo bem tratados e não causam nenhum problema à comunidade. Já quebraram casinhas que eu tinha acabado de comprar. Agora estou tendo dificuldade de dar comida e água”, desabafa a protetora.

O deputado estadual Delegado Bruno Lima (PSL) se prontificou a ajudar: “Os animais são cães comunitários e têm o direito de permanecerem no cemitério. Farei tudo que for possível e impossível para proteger esses animais”. De fato, a ordem vinda das duas secretarias contraria a Lei Feliciano ou 12.916 que desde 2008 instituiu a figura do “cão comunitário”.

A Lei dita: “O animal reconhecido como comunitário será recolhido para fins de esterilização, registro e devolução à comunidade de origem, após identificação e assinatura de termo de compromisso de seu cuidador principal. Para efeitos desta lei considera-se cão comunitário aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido”.

Obviamente a lei se refere a animais comunitários instalados em locais públicos já que em áreas particulares quem decide se deve ou não ter animais são os proprietários dos imóveis. “Estão infringindo a Lei Feliciano e também a lei federal 9.605/98 por não permitir que alimentem os animais. Isso pode ensejar um pedido de cassação de mandato do Prefeito por improbidade administrativa por conta de descumprimento de lei.”, comenta Feliciano Filho autor da Lei 12.916 que também pôs fim as terríveis “carrocinhas”.

Prêmio

Vale lembrar que o controle populacional de cães e gatos por meio da castração, vacinação e monitoramento é, aliás, a recomendação da OMS – Organização Mundial da Saúde. Por isso, o método de CED – Captura, Esterilização e Devolução ao local de origem tem sido uma tendência no mundo todo. Até mesmo em importantes pontos turísticos de Roma o governo investe em CED. Cemitérios da França estão cheios de gatos que viraram até atração turística.
Por conta dessa tendência, a Proteção Animal Mundial recebe até 10 de junho inscrições para o prêmio “Cidade Amiga dos Animais”. Voltado para cidades latino-americanas, o prêmio irá identificar as melhores estratégias para lidar com as populações de cães e gatos de forma humanitária. O reconhecimento faz parte da campanha “A vida é melhor com cães”, que visa celebrar a convivência com o “melhor amigo do homem”.

O cão Caramelo é um dos dez cães que vivem há mais de 8 anos no cemitério de Osasco (Foto: Arquivo Pessoal)

O gestor responsável pela inscrição da cidade vencedora ganhará uma viagem para a 3a Conferência em Manejo de Populações de Cães – ICAM, que acontecerá em Mombasa, no Quênia, de 18 a 20 de setembro deste ano. Segundo e terceiro lugar receberão uma placa de reconhecimento “Cidade Amiga dos Animais”. As dez primeiras colocadas terão seus projetos publicados em um livro digital, que será divulgado em toda a América Latina. O regulamento está disponível do site da World Animal Protection.

O prêmio conta com o apoio do Centro Colaborador da OIE em Bem-Estar Animal e Sistemas de Produção Pecuária do Chile, Uruguai e México, da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), do Instituto Técnico de Educação e Controle Animal (ITEC), do Conselho Federal de Medicina Veterinária e Zootecnia do Brasil (CFMV) e da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA).

Questão de saúde pública

Castrar, cuidar e monitorar os animais de áreas públicas não é só uma medida humanitária. É também uma questão de saúde pública já que animais castrados, alimentados e saudáveis impedem a proliferação de doenças. Além disso, quando se “remove” um grupo de animais saudáveis, rapidamente outro grupo não-castrado nem vacinado toma conta do lugar. É o chamado o “efeito vácuo”.

Cães comunitários são protegidos por lei no estado de SP (Foto: Arquivo Pessoal)

Assim, proibir que esses animais sejam tratados, alimentados e investir em sua “remoção” não é nada inteligente e muito menos eficaz. O que deve ser feito é o monitoramento desses animais no local onde vivem e o aumento do controle de segurança para que as pessoas não fiquem abandonando cães e gatos em cemitérios e parques. Alguns cemitérios já possuem câmeras para impedir abandonos.

A volta da “carrocinha”

Lamentavelmente, parece que algumas prefeituras de SP estão navegando contra a maré e tentando resgatar as antigas e terríveis “carrocinhas”, com o intuito de “remover” animais de lugares públicos como se fossem lixo. O Departamento da Prefeitura que cuida dos cemitérios da capital de SP também já assinalou que não quer que funcionários e munícipes alimentem animais e está proibindo caixas, casinhas e outros objetos que sirvam de abrigo ou para se colocar comida e água.

Reuniões estão sendo agendadas com protetores e associações de defesa animal para se chegar a uma solução. Que tal atender a órgãos internacionais que já estudam há décadas os métodos mais eficientes de controle populacional nas grandes cidades? Fica a dica.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal.

Botos continuam sendo mortos e usados como iscas de pesca no Brasil

Por David Arioch

Endêmico da Amazônia, o que facilita a matança de botos é a ausência de fiscalização (Foto: WAP)

No Brasil, botos continuam sendo mortos para serem usados como isca de pesca da piracatinga, uma espécie de peixe que ganhou valor comercial principalmente nos últimos dez anos.

Endêmico da Amazônia, o que facilita a matança de botos é a ausência de fiscalização, ainda que seja um animal protegido pela legislação brasileira desde 1987.

Normalmente arpões e redes são utilizados na captura e na morte dos botos, e o que intensifica a preocupação é que se trata de um animal dócil com capacidade de viver até 30 anos e com baixo índice de reprodução.

Após o abate, pedaços de botos são colocados em caixas que funcionam como pequenos currais fluviais, que atraem as piracatingas, que costumam se alimentar de restos de outros animais. Então é feita a captura e o abate dos peixes visados comercialmente.

Em 2014, o Ministério do Meio Ambiente estabeleceu uma moratória para tentar acabar com a pesca de piracatinga. No entanto, tudo indica que não foi o suficiente para coibir, de fato, a matança de botos.

E uma prova dessa ineficiência é que no último dia 11, de acordo com a Portaria nº 19/2019, publicada no diário eletrônico do Ministério Público Federal (MPF), o procurador da República Valdir Monteiro Júnior solicitou envio de ofício ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pedindo documentos comprovando a instalação de bases de fiscalização onde os botos são vulneráveis.

“Informe se já existe algum tipo de cooperação para a fiscalização com outros órgãos públicos ambientais (federais, estaduais ou municipais), empresas privadas ou organização não governamental ou forças armadas acerca do enfrentamento da matança de botos-vermelhos na Amazônia para servirem de iscas para a pesca maciça e ilegal da espécie da piracatinga”, cobra em trecho da portaria.

Além disso, a piracatinga, que tem sua pesca associada à matança de botos, é um peixe apontado como tendo alta concentração de mercúrio no organismo. E por esse motivo em 2017 o governo colombiano proibiu a comercialização da espécie após resultados de análises feitas pela Universidade de Los Andes.

Bolsonaro bate novo recorde com 166 novos agrotóxicos liberados em 2019

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) concedeu 12 novos registros de agrotóxicos. Já são 166 venenos liberados em pouco mais de quatro meses de governo. Os novos pesticidas liberados constam no ato nº 29, publicado no dia 30 de abril no Diário Oficial da União.

Nos dois primeiros meses de governo, foram 86 novos registros. Ao final de março, o número chegou a 121. Com os novos agrotóxicos liberados, o país tem um número total de 2.232 herbicidas liberados, considerando os que já estavam em circulação no mercado. As informações são do portal Brasil de Fato.

Foto: Eliana Aponte/Agência Brasil

“Não temos tantos problemas agrícolas no Brasil para que se necessite tamanha multiplicidade de venenos. Se esses novos venenos forem mais eficientes e menos perigosos que os antigos, os antigos têm que ser retirados do mercado”, assinala o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, membro da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. “O que está caracterizado é que o governo está permitindo [novos registros] sem fazer as análises necessárias sob o ponto de vista da saúde e da eficiência dos venenos”, completa.

Entre os novos agrotóxicos liberados em 2019, 24 são altamente tóxicos e 49 são extremamente tóxicos. Eles representam, juntos, 43,9% do total. A classificação é feita pela Anvisa, que responde também pela autorização dos venenos. A chancela final, porém, é dada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“Nós estamos tendendo a ampliar o leque de produtos de pior qualidade. Está claro que o governo está deixando de fazer o seu papel de triagem sob o ponto de vista dos interesses públicos. Está permitindo que o mercado tome as decisões que deveriam ser do Estado”, critica Melgarejo, que lembrou ainda que os agrotóxicos têm reconhecida capacidade de prejudicar a saúde humana e o meio ambiente.

A Adama Brasil S.A. foi uma das empresas que obteve liberação para venda de herbicidas este ano. Apenas ela conseguiu 13 autorizações. Uma cooperativa associada ao grupo francês InVivo Agrosciences e as chinesas Rotam do Brasil e Xingfa & Wenda do Brasil Ltda também foram beneficiadas. A última, inclusive, conseguiu o registro da marca Glifosal, uma variante do glifosato, que conseguiu renovação na validação pela Anvisa em fevereiro sob intensos protestos de especialistas e seguimentos populares, que são contra a liberação do produto, associado a casos de câncer e intoxicações agudas reconhecidas pelo Ministério da Saúde, conforme documento publicado em 2018.

O deputado Nilton Tatto (PT-SP), membro da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, lembra que a propaganda comercial e política em defesa dos agrotóxicos é bancada por grandes corporações que dominam a cadeia de produção e distribuição desses produtos. Elas buscam, por meio do jogo político e do lobby, apoio estatal para sustentar seus próprios interesses.

No governo Bolsonaro, o problema dos agrotóxicos se intensificou devido ao apoio político da bancada ruralista, e da participação na gestão da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O principal articulador é o Mapa, que tem à frente a ruralista Tereza Cristina, ex-coordenadora da FPA.

“Isso mostra claramente a vocação do governo Bolsonaro, em que o setor mais atrasado da agricultura brasileira é hegemônico no centro do governo, no Ministério da Agricultura e também no Ministério do Meio Ambiente (MMA), que está com uma agenda completamente subordinada aos interesses desse setor agrário atrasado brasileiro”, critica Tatto, apontando os retrocessos promovidos recentemente contra a agenda ambiental no país.

Tatto lembra que a expansão do uso de agrotóxicos afeta a soberania alimentar do povo, o meio ambiente, a saúde da população e tende a atingir inclusive produtores de alimentos com veneno.

“É um tiro no pé da própria agricultura e do agronegócio, na medida em que, em outros países que importam os produtos agrícolas brasileiros, a população local também vem cobrando os seus dirigentes para que comecem a vetar a importação de produtos com muito agrotóxico, o que vem ocorrendo no Brasil”, reforça.

De acordo com a assessoria de comunicação do Mapa, “o registro de agrotóxicos tem relação direta com o aumento no uso apenas nos casos em que não existe nenhuma alternativa já autorizada no mercado. Para outras situações o aumento no registro de agrotóxicos vai permitir o aumento na competição do mercado, um direito previsto na Lei de Agrotóxicos e na Lei Agrícola. Os produtos de baixa toxicidade tem tramitação priorizada, já os demais seguem a fila de protocolo conforme a Lei n. 9784/1999 Lei de Processo Administrativo”.

A Anvisa, por sua vez, disse que “todos esses processos foram avaliados e autorizados não só pela Anvisa, mas também passaram pela análise técnica do Ibama e do próprio Mapa. Ou seja, todos esses produtos foram analisados pelos três órgãos e demonstraram que todos os requisitos legais para a concessão de registro foram atendidos, não havendo outra ação possível a ser tomada pelo poder público além da concessão do registro”.

Ainda de acordo com a Anvisa, os produtos glifosato, 2,4 D, abamectina e tiram passarão por um processo de reavaliação este ano. “A Anvisa tem priorizado esse processo para que mais produtos possam ser reavaliados anualmente, retirando do mercado aqueles que possuem risco inaceitável a população”, finaliza a nota.

Nocivos aos animais

Especialistas alertam que os agrotóxicos são nocivos para os animais. O argumento tem sido reforçado por estudos que demonstram os prejuízos causados por esses venenos à fauna local.

Um deles, divulgado na revista científica Nature, avaliou o impacto dos inseticidas imidacloprido (neonicotinoide) e clorpirifós (organofosforado), ambos usados no Brasil, em aves canoras (pássaros que têm a capacidade de cantar) que se alimentam de sementes. Os tico-ticos de coroa branca (Zonotrichia leucophrys), pássaros das Américas analisados na pesquisa, apresentaram sinais de envenenamento, perda de massa corporal e alteração na capacidade de orientação durante voos migratórios.

“São compostos químicos projetados para ter um efeito biológico prejudicial ao crescimento, ao desenvolvimento, à reprodução ou à sobrevivência dos organismos”, disse à BBC News Brasil Luis Schiesari, professor de gestão ambiental da USP.

As abelhas têm sido gravemente afetadas pelos pesticidas e o fenômeno de declínio populacional desses insetos, relacionado ao uso dos agrotóxicos, vem sendo acompanhado por vários países e comprovado por pesquisas.

Um relatório divulgado, em 2018, pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) comprovou que os danos que os pesticidas causas às abelhas variam de acordo com a espécie, a utilização e a via de exposição. Mas, de modo geral, representa riscos para todas.

Outras pesquisas revelaram que o composto químico neurotóxico danifica a memória do inseto – ao sair para buscar alimento, ele se perde e não consegue voltar para a colmeia – e provoca a morte precoce de abelhas rainhas e operárias.

Uma pesquisa britânica, publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B., concluiu ainda que as abelhas desenvolvem dependência química dos agrotóxicos. Ao longo do tempo, as abelhas são atraídas pelo néctar contendo inseticidas neonicotinóides, o que pode aumentar suas chances de exposição a altos níveis de substâncias químicas.

Destruição ambiental

Os agrotóxicos prejudicam, também, o meio ambiente. O solo dos locais em que venenos são aplicados ficam mais frágeis com o passar do tempo e sofrem uma redução da fertilidade. Os pesticidas desencadeiam também a morte de micorrizas, diminuem a biodiversidade do solo, geram acidez e outros problemas.

Os agrotóxicos também poluem o ar, afetando organismos vivos, e as águas. De acordo com o IBGE, a contaminação de rios pelos pesticidas só perde para a contaminação por esgoto. As águas, por sua vez, sofrem diferentes impactos dependendo do tipo de substância utilizada e da estabilidade do ambiente atingido. Elas são afetadas mediante lançamento intencional e escoamento superficial a partir de locais onde agrotóxicos são usados. As informações, publicadas no portal Brasil Escola, são do artigo “Contaminação ambiental por agrotóxicos”, de Vanessa Sardinha dos Santos.

Em casos graves de contaminação das águas, os agrotóxicos podem levar várias espécies de plantas aquáticas e de animais à morte.

Lewis Hamilton publica que a crueldade contra os animais “dói muito em seu coração”

Por David Arioch

Imagem publicada por Lewis Hamilton no Stories do Instagram esta semana (Foto: Getty)

O piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton publicou esta semana em seu Stories no Instagram uma foto de um asno visivelmente cansado puxando uma carroça.

Junto à imagem, o piloto que decidiu se abster do consumo de alimentos de origem animal em 2017, depois de assistir ao documentário “What the Health”, de Kip Andersen e Keegan Kuhn, declarou o seguinte:

“Eu só queria poder estar lá para dar a este belo animal um abraço, tirá-lo da dor e levar luz para sua vida. É um mundo tão cruel, como alguém pode fazer essas coisas com outros seres. Me dá muita dor no coração.”

Hamilton, que a princípio decidiu cortar alimentos de origem animal da alimentação por uma questão de saúde, começou a criar publicações casuais em defesa dos animais a partir de fevereiro, quando compartilhou com seus seguidores no Instagram uma crítica à matança de baleias na Islândia.

Governo vai fazer revisão das 334 áreas de proteção ambiental do Brasil

O governo, através do Ministério do Meio Ambiente (MMA), fará uma revisão das 334 áreas de proteção ambiental do país, que estão atualmente sob a administração do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), que terá um grupo de funcionários dedicados à revisão. Para o ministro da pasta, Ricardo Salles, parte dessas áreas “foi criada sem nenhum tipo de critério técnico”. Segundo ele, o objetivo é fazer “um trabalho de revisão preciso na lei que nunca foi feito”.

Parque Nacional dos Campos Gerais, no Paraná (Foto: Denis Ferreira Neto/Estadão)

Distribuídas em 12 categorias diferentes, sendo cinco de proteção integral, com regras rígidas de uso e acesso, e sete de uso sustentável, que permite níveis de exploração, essas áreas equivalem a 9,1% do território nacional e a 22,4% da faixa marinha do Brasil. As informações são do jornal Estadão.

O Ministério não descarta transformar as categorias ambientais de cada região, fazendo com que áreas atualmente restritas passem a se tornar locais abertos ao turismo e ao extrativismo. O governo avalia também, em alguns casos, revogar unidades de conservação, o que só pode ser feito através de lei. Cada mudança precisaria passar pelo Congresso.

“Vamos criar um grupo de trabalho para analisar o processo de criação e categorização de todas as unidades de conservação federais”, declarou Salles. Segundo ele, de 2006 em diante, quase 190 unidades de conservação teriam sido criadas pelos governos petistas “sem nenhum tipo de critério técnico”. Isso, ainda de acordo com o ministro, fez com que essas áreas acumulassem “passivos de indenização e conflitos fundiários”. “Vamos acabar com isso”, disse Salles.

Na quarta-feira (8), Bolsonaro afirmou que pretende revogar o decreto que criou a Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis (RJ), onde foi multado por pesca ilegal em 2012, para transformar o local no que ele chamou de “Cancún brasileira”. A área é protegida desde 1990 e não pode ser explorada comercialmente.

Em janeiro, a multa de R$ 10 mil aplicada ao presidente foi anulada pelo Ibama. Em março, o servidor que aplicou a multa foi exonerado do cargo.

“A Estação Ecológica de Tamoios (em Angra) não preserva absolutamente nada e faz com que uma área rica, que pode trazer bilhões (de reais) por ano para o turismo, fique parada por falta de uma visão mais objetiva, mais progressista disso daí”, disse o presidente.

Salles também quer rever decretos de unidades de conservação e tem mobilizado o Ministério do Meio Ambiente para essa finalidade. Segundo ele, o objetivo é que as alterações comecem a ser feitas no segundo semestre de 2019. Em março, o ministro determinou que a possibilidade de cancelamento do decreto do Parque Nacional dos Campos Gerais, no Pará, seja avaliada pelo ICMBio. Criada em 2006, durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a unidade tem 21.298 hectares. A bancada do agronegócio solicitou a abertura da área ao Ministério, que analisa o pedido.

Imagem: Estadão

O MMA também já solicitou que o Ibama fizesse a revisão de um parecer técnico feito pelo próprio órgão, com o objetivo de liberar a realização de um leilão de campos de petróleo localizados na área do Parque Nacional de Abrolhos, que é um santuário ecológico localizado na Bahia. Documentos oficiais da pasta mostram que o presidente do Ibama foi procurado pelo Ministério para que a revisão fosse feita devido à “relevância estratégica do tema”. O leilão foi liberado pelo presidente do órgão, Eduardo Fortunato Bim.

Em abril, o ministro se reuniu com produtores no Parque Nacional Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul, com o objetivo de rever o decreto da unidade. Na ocasião, ele determinou abertura de processo administrativo contra funcionários do ICMBIo depois de ter cobrado a presença deles no evento. Os servidores justificam que não foram convidados. A situação levou a um pedido de demissão do então presidente do órgão e de três pedidos de exoneração conjunta de diretores. O diretor do parque também foi exonerado pelo ministro, que nomeou policiais militares para cargos de diretoria.

Conheça as diferenças entre as categorias de preservação:

Estação ecológica

Trata-se de uma área de proteção integral, que tem o objetivo de proteger a natureza e promover pesquisas científicas. O uso dos recursos naturais só é permitido de forma indireta, ou seja, sem consumo, coleta, dano ou destruição. A visitação pública, exceto com objetivo educacional, é proibida.

Reserva biológica

Com preservação integral de fauna e flora, a reserva biológica é uma área de proteção integral, se interferência humana direta ou modificações ambientais. São autorizadas apenas medidas de recuperação de ecossistemas alterados e ações de manejo necessária para recuperação e preservação do equilíbrio natural. A visitação é restrita a passeios com motivo educacional e a pesquisa depende de autorização prévia.

Parque nacional

O tipo mais popular e antigo de unidades de conservação para ecossistemas de relevância ecológica e beleza cênica, o parque nacional permite a realização de pesquisas científicas, atividades educacionais, recreação e turismo ecológico.

Monumento natural

É uma área de proteção integral que tem o objetivo de preservar locais naturais raros. Pode ser formado por propriedades privadas, desde que com acordos com o setor público. A visitação é permitida.

Refúgio de vida silvestre

Trata-se de uma área de proteção integral para locais de reprodução de espécies de fauna e flora residentes ou migratórias, com possibilidade de envolvimento de áreas públicas e privadas.

Área de proteção ambiental (APA)

De uso sustentável, é uma área geralmente extensa, com determinado grau de ocupação humana, que tem o objetivo de proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade da utilização dos recursos naturais. As condições de pesquisa e visitação são definidas pelo Instituto Chico Mendes.

Área de relevante interesse ecológico

Área, em geral, de pequena extensão, de uso sustentável, com pouca ou nenhuma ocupação humana, que abriga espécies raras da fauna e da flora regionais.

Floresta nacional

A floresta nacional é uma área de uso sustentável, com cobertura florestal de espécies nativas, criadas com o objetivo de uso sustentável dos recursos florestais e promoção de pesquisa. A permanência de populações tradicionais, visitação pública e pesquisa é permitida.

Reserva extrativista

Utilizada por populações extrativistas tradicionais, para agricultura de subsistência e criação de animais de pequeno porte, trata-se de uma área sustentável criada para proteger os meios de vida e a cultura dessas populações.

Reserva de fauna

Com populações de animais de espécies nativas, terrestres e aquáticas, residentes e migratórias, voltada para estudos científicos, a reserva de fauna é um espaço de uso sustentável, com visitação pública permitida, desde que compatível com o manejo da unidade. A caça, amadora ou profissional, é proibida.

Reserva de desenvolvimento sustentável

Local onde vivem populações tradicionais, que sobrevivem devido a sistemas sustentáveis de exploração de recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações.

Reserva particular do patrimônio natural

Unidades de uso sustentável em áreas privadas, que tem o intuito de conservar a diversidade biológica local. Nelas, o cidadão atua na proteção ambiental e, em troca, recebe incentivos, como isenção de impostos.

Animais são explorados a vida inteira em fazendas industriais para abastecer o apetite humano

Foto: humanesociety

Foto: humanesociety

O Dia do Campo ou dia da fazenda é comemorado anualmente em 10 de maio. Em algumas regiões do Brasil, no entanto, a data pode ser celebrada no dia 5 de maio. A data surgiu com o objetivo de homenagear e conscientizar a população sobre a importância do campo.

Infelizmente para os animais como vacas, bois, porcos, galinhas, tidos como animais “de fazenda” não há motivos de comemoração, o campo, que deveria ser seu habitat natural, fonte de alimento e desenvolvimento tem se convertido em sinônimo de tortura de escravidão.

Muitos desses animais jamais vão sentir a grama do campo em seus pés, a brisa orvalhada do vento nas manhã ao ar livre e o calor do sol esquentando sua pele. Nascidos em confinamento e para um único fim, só encontrarão a liberdade com a morte.

Os seres humanos tem convertido os campos em verdadeiras fazendas industriais de produção de carne, leite e ovos. Num modo de operação que despreza deliberadamente qualquer valor à vida desses seres sencientes e capazes de amar, sofrer e compreender o mundo ao seu redor.

Em alguns países, como os EUA, mais de 99% dos animais se encontram em fazendas de criação, sendo explorados como produtos para gerar lucro e ao não servirem mais são descartados e mortos.

Foto: pasadosafehaven

Foto: pasadosafehaven

Vacas são exploradas por seu leite, passando sua vida inteira presas a equipamentos desenvolvidos especialmente para sugar seu leite, o leite de seus filhos, retirado de suas mamas diariamente.

Após o nascimento de seus filhos em uma sequência cruel de reprodução sem intervalos, essas mães sequem podem ver seus recém-nascidos, sendo afastadas deles antes mesmo que sintam seu cheiro.

Caso sejam do sexo femininos essas vacas vão encontrar pela frente o mesmo destino de suas mães, um vida inteira de exploração confinadas a alojamentos mínimos e super lotados, sem qualquer possibilidade de interação ou liberdade.

Caso sejam do sexo masculino outro destino aguarda os bezerrinhos, como não poderão dar leite para comercialização dessa indústria de laticínios são mortos aos montes, jogados em valas ou terão sua carne aproveitada na indústria de carne de vitela (novilhos), cujos tipos de morte são ainda mais assustadores e menos misericordiosos (sem balas para preservar a carne, morte a marretadas).

Galinhas são mantidas em compartimentos de “produção fordista” do tamanho de seus corpos, sem poder se mexer, sem poder caminhar, nada além de botar ovos para abastecer o consumo humano.

treehugger

Foto: treehugger

Os pintinhos do sexo masculinos são moídos em máquinas de grande porte, especialmente desenvolvidas para “descarte” desses seres inocentes. As pintinhas, assim como as vacas bebês, vão encontrar o mesmo destino da mãe: exploração e morte.

Da mesma forma se repete o círculo de exploração e crueldade com porcos e porcas, sendo que elas são mantidas em caixas de gestação de aço, frias e de proporções mínimas, com o único propósito de dar à luz e trazer ao mundo mais leitõezinhos prontos para serem “industrializados”.

Após nascerem, os bebês mal consegue chegar perto de sua mãe para mamar com uma parede se interpondo entre eles apenas com o espaço das mamas para que possam se alimentar do leite materno e por poucos dias.

Estes são apenas alguns exemplo de como o campo tem sido utilizado para explorar, usar, torturar e matar os animais.

Que a data sirva de reflexão para que os seres humanos possam se conscientizar de que os animais não são produtos. São vidas.

Companheiros de planeta, não são inferiores a humanidade, são sim sensíveis, inteligentes e amorosos e sofrem calados as duras penas que lhes impomos, tendo em vista nossa ganância, vaidade e falsa superioridade.

Projeto de lei prevê multa de R$ 10 mil para participantes da farra do boi em SC

Por David Arioch

“Fica vedada a participação de pessoas em qualquer ritual típico conhecido como “farra do boi” no Estado de Santa Catarina”, informa a matéria do PL 0103.7/2019 (Foto: PMSC)

Um projeto de lei de autoria do deputado estadual Marcius Machado (PR) prevê multa de R$ 10 mil para participantes da farra do boi em Santa Catarina, além de proibir o abate de animais saudáveis resgatados da farra.

“Fica vedada a participação de pessoas em qualquer ritual típico conhecido como “farra do boi” no Estado de Santa Catarina”, informa a matéria do PL 0103.7/2019.

De acordo com o deputado, a farra do boi é um ritual típico do litoral brasileiro, trazido pelos descendentes de açorianos, que consiste em soltar um boi com fome, em um local ermo e assim, correr atrás do animal, com pedaços de pau, pedras, chicotes, facas, cordas lanças até que fique exausto.

“Estando próximo de morrer, os ‘farristas’ o matam e dividem a carne. Ou seja, a crueldade acaba com um churrasco”, destaca Machado. O projeto de lei lembra que a farra do boi é proibida desde 1998, com a promulgação da Lei Federal nº 9605/1998, e mais tarde, com a criação da Lei Estadual nº 12.854/2003, que versa sobre o Estatuto de Proteção aos Animais.

“Ainda há a necessidade de endurecer a penalidade/sanções com o fim de coibir práticas nefastas, como forma de educação, para que as próximas gerações não cometam o mesmo erro. Como diz o slogan: farra do boi não é cultura, mas sim tortura”, enfatiza o deputado.

Para apoiar o projeto de lei, clique aqui. Antes é preciso preencher um cadastro para confirmar dados pessoais.

Mais de 500 tamanduás-bandeira morrem em rodovias do MS

Dados do Projeto Bandeiras e Rodovias, divulgados recentemente, registraram a morte de 520 tamanduás-bandeira e mais de 8 mil atropelamentos de animais da espécie em rodovias do Mato Grosso do Sul. O tamanduá-bandeira é o animal ameaçado de extinção mais atropelado no estado e a terceira espécie mais atingida.

O último animal morto por atropelamento foi Pequi, um dos 45 que eram monitorados pelo projeto. O animal usava um colar com GPS desde agosto de 2018. Segundo os pesquisadores, Pequi sempre atravessava a BR-262, uma rodovia que liga Corumbá a Vitória, no Espírito Santo, em busca de abrigo e alimento. Ele foi atropelado em 9 de abril. As informações são do portal O Eco.

Foto: Mário Alves

“A BR 262 tem alguns pontos de travessia que foram feitos para os bois. Porém, não é uma rodovia bem preparada para evitar atropelamento de fauna, já que não tem cercas nem a quantia adequada de travessias”, informou Mário Alves, veterinário do projeto. “Não fizemos necropsia do Pequi porque quando encontramos a carcaça, ela já estava em estágio avançado de decomposição”, lamentou o veterinário.

Ben, outro animal monitorado pelo projeto, também foi atropelado e morto em agosto de 2018 na BR-267. “Também houve animais que foram atropelados depois que tiramos o colar. Apesar de os dados de número de mortes de animais serem assustadores, é importante destacar que eles são subestimados. Tem muita carcaça que desaparece antes que nossa equipe possa registrar, além de animais que morrem fora da pista, por exemplo”, informou o veterinário. Para ele, “o atropelamento de fauna é obviamente uma problemática muito importante para a conservação da biodiversidade, mas também para a segurança dos motoristas, pois muita gente morre aqui no Estado com colisões assim. É importante frisar que não estamos de forma alguma culpabilizando os motoristas quando debatemos o problema. O que o projeto busca é viabilizar rodovias que previnam esse tipo de acidente”.

A bióloga Fernanda Abra, doutoranda em ecologia de estradas pela Universidade de São Paulo (USP), sócia-fundadora da empresa de consultoria ViaFAUNA e vencedora do Prêmio Future For Nature 2019, lamentou o atropelamento de Pequi. “Toda morte de animal por atropelamento é digna de ser lamentada, porém, esse episódio com o Pequi nos faz refletir quão grave é a questão dos atropelamentos nas rodovias do MS. Um animal que estava retornando dados valiosíssimos para a pesquisa e para o pessoal do Bandeiras e Rodovias. Houve um esforço de recursos humanos, recursos financeiros, esforços para capturar o animal, equipar com rádio colar e depois continuar monitorando o deslocamento desse animal. O Pequi estava retornando dados muito importantes para entender a dinâmica do tamanduá com as rodovias e, futuramente, os dados do Pequi também poderiam contribuir para entender quais são os pontos prioritários para receber medidas de mitigação”.

Investir na modernização de rodovias é considerado fundamental para a bióloga. Segundo ela, essa é maneira de manter animais e motoristas mais seguros. “Claro que a implantação de medidas de mitigação tem um custo. O valor médio por metro instalado de cerca ao longo das rodovias, por exemplo, varia entre 40 e 80 reais. Já o valor da passagem de fauna varia bastante, dependendo se a rodovia é de duas ou quatro faixas ou se a passagem é metálica ou de concreto. Mas o importante é ressaltar que, independentemente do valor, o custo-benefício é sempre positivo. Já foi demonstrado em estudos que soluções para passagens de fauna se auto pagam, porque existem menos acidentes e, por isso, menos custos para a concessionária ou para o administrador rodoviário em atender a esses acidentes, remover veículos e animais, atender às vítimas, cuidados hospitalares decorrentes, dentre outros”, explicou a bióloga. “Além disso, quem é responsabilizado criminalmente pelos acidentes é o gestor da rodovia, que não cuidou para que os animais ficassem fora da pista. Eles são legalmente responsáveis e tem o dever de compensar as vítimas humanas de eventuais danos materiais, físicos, lucros cessantes etc.”, ressaltou.

Foto: Mário Alves

Fernanda afirma que Mato Grosso do Sul precisa de políticas públicas para coibir casos de mortes nas rodovias. “É necessário salientar que todas as rodovias do MS são muito impactantes para a fauna, e que a fauna silvestre nesse Estado não foi e atualmente não é contemplada pelos licenciamentos ambientais dos projetos rodoviários. Não vemos um exemplo de licenciamento de nova rodovia, de pavimentação ou duplicação de rodovias que considerou os impactos sobre a fauna, principalmente atropelamento e efeito barreira, além de não haver o planejamento de medidas de mitigação, instalação e monitoramento dessas medidas. Então eu espero que a morte desses animais sirva, em curto prazo, para demonstrar para os órgãos, tanto de meio ambiente quanto de transporte, que é necessário que haja uma melhor coordenação entre os órgãos e um melhor planejamento para as novas rodovias ou os novos licenciamentos que virão, para que a fauna seja, enfim, contemplada nesses projetos”.

“O Projeto Bandeiras e Rodovias é um dos mais completos que temos no Brasil em termos de coordenação da questão da conservação da biodiversidade com os impactos que as rodovias causam, seja com a perda direta dos indivíduos por atropelamento ou pelos impactos às populações da fauna”, observa Fernanda.

Arnaud Desbiez, pesquisador associado da Royal Zoological Society of Scotland (RZSS), fundador e coordenador do Projeto Bandeiras e Rodovias, conta que o monitoramento teve início como uma forma de combater os atropelamentos. “O projeto foi fundado em janeiro de 2017 para responder a uma triste realidade que temos no MS, que é a morte de animais por atropelamento em rodovias. O Projeto Tatu-canastra já tinha feito um monitoramento em 2013-2014, em parceria com a Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira, das três rodovias do MS, e constatamos que o tamanduá-bandeira é o terceiro animal mais atropelado. Nós percorríamos 900 km de estradas a cada quinze dias e em um ano registramos 135 tamanduás-bandeira. Foi devido a essa constatação que o Projeto Bandeiras e Rodovias foi criado, para tentar entender quando, onde e como os tamanduás estão atravessando, para buscar formas de mitigar esse perigo”, disse. Em 2015, a Fundação Whitley premiou o Projeto Tatu-canastra. A honraria é uma das maiores da área ambiental no mundo todo.

Foto: Projeto Bandeiras e Rodovias

Desbiez explica que o projeto tem diversos componentes e atua em várias frentes para estudar os impactos. “O primeiro é o monitoramento das estradas, no qual percorremos 1.300 km a cada 15 dias. Ao todo, foram 60 mil km monitorados nos últimos dois anos e meio. Registramos animais de médio e grande porte que estão sendo atropelados, e conseguimos identificar os principais pontos onde ocorrem. Também monitoramos os animais por meio de radiotelemetria, no qual colocamos colares nos animais que, via satélite, nos mandam os pontos dos animais. O Pequi era um desses animais que foi capturado próximo a uma rodovia. Colocamos um colar nele e desde agosto do ano passado vinha sendo monitorado. Os dados dele ainda não foram analisados, mas temos os pontos onde ele caminhou nesse período, que eram coletados a cada 20 min. Com isso, conseguiremos entender bem como ele se movimentava”, afirmou.

O projeto também realiza necropsias nos animais para avaliar a saúde deles, quando os corpos não estão em estado avançado de decomposição. “Já fizemos necropsias em mais de 50 tamanduás-bandeira e temos cerca de 28 parceiros diferentes contribuindo com esses estudos”, explicou Desbiez. “Temos também a parte social do projeto, coordenada pela doutoranda Mariana Catapani, que busca entender como as pessoas percebem essas colisões e quais os impactos disso. No passado suspeitávamos que havia atropelamentos propositais dos tamanduás devido a algumas crenças, mas isso não se confirmou. A Mariana está estudando a relação desses animais silvestres com alguns grupos focais, como caminhoneiros, em relação aos atropelamentos. Temos ainda um outro doutorando, o Vinícius Alberici, que está colocando armadilhas fotográficas perto e longe da estrada, para avaliar o impacto sobre a fauna, além de vários estudos paralelos que estão sendo efetuados. Por fim, temos os veterinários Mário Alves e Débora Yogui que trabalham full time no projeto, coordenando a parte logística e o dia-a-dia das atividades”, explicou.

O funcionamento do projeto é garantido não só pelos pesquisadores, mas também pela comunidade local e por diversas organizações. “Esse projeto depende muito do apoio local. Todas as fazendas onde trabalhamos e capturamos os animais são privadas. Todos os proprietários rurais nos dão apoio, sem eles seria impossível fazermos nosso trabalho, por isso somos muito gratos a eles. Esse projeto também é apoiado pela Fundação Segré e vários zoológicos internacionais, além do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE)”, conclui Desbiez.