Livro Vermelho da Fauna traz dados de 1173 espécies brasileiras ameaçadas de extinção

Por David Arioch

Obra contou com a participação de 1270 cientistas que avaliaram 12.254 espécies da fauna brasileira (Imagens: ICMBio)

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicou recentemente o Livro Vermelho da Fauna, que traz dados de 1173 espécies brasileiras ameaçadas de extinção.

A obra nacional dividida em sete volumes é considerada o maior esforço já feito sobre o tema no mundo, e contou com a participação de 1270 cientistas que avaliaram 12.254 espécies, incluindo peixes e invertebrados aquáticos.

Segundo o Livro Vermelho, em comparação à edição anterior, houve um aumento de 716 espécies ameaçadas no Brasil, que foram divididas em criticamente em perigo (CR), em perigo (EM) e vulnerável (VU). Por outro lado, 170 espécies deixaram de constar na lista de ameaçadas.

A obra, que tem a finalidade de delinear as melhores estratégias de conservação, traz uma abordagem que apresenta o conjunto de circunstâncias que colocam as espécies em risco, e também quais são e onde estão as principais ameaças.

Na capa do Volume 1 aparece o sapinho-admirável-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus admirabilis), anfíbio endêmico do Sul da Mata Atlântica que em 2014 quase foi declarado extinto pela degradação do seu habitat, às margens do rio Forqueta, em Arvorezinha (RS).

No entanto, um acordo entre pesquisadores, empreendedores e autoridades ambientais permitiu que uma central hidrelétrica que acabaria de vez com o habitat do sapinho não fosse instalada.

“Essa é uma história do quanto o conhecimento é essencial para a conservação da biodiversidade. É a base segura para um diálogo objetivo e transformador”, destaca o cientista Marcelo Marcelino de Oliveira, diretor de pesquisa, avaliação e monitoramento da biodiversidade do ICMBio.

“Temos centenas de espécies de vertebrados, para não mencionar as milhares de espécies de invertebrados, que se distribuem em áreas tão ou mais restritas do que essa, algumas endêmicas a uma única e minúscula lagoa que, pelos mais variados motivos, pode simplesmente deixar de existir e, assim apagar, de modo definitivo e irreversível, milhares de anos de história evolutiva de uma forma de vida única no planeta”, enfatiza Oliveira.

Os sete volumes do Livro Vermelho da Fauna estão disponíveis para download. Para baixá-los, clique aqui.

Cão morre após inalar fumaça em dois incêndios em casa no RJ

Um cachorro da raça yorkshire morreu após a casa onde ele vivia ser afetada por dois incêndios na quarta-feira (8), em Porto Real, no Rio de Janeiro. O cão não resistiu depois de inalar muita fumaça. A residência está localizada na avenida Dom Pedro II.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

O Corpo de Bombeiros informou que, num primeiro momento, as chamas tiveram início às 5 horas e foram combatidas. No entanto, quatro horas depois, três novos focos de incêndio surgiram na mesma casa, fazendo com que a equipe retornasse ao local para novamente combater o fogo.

De acordo com os bombeiros, havia muita roupas e móveis na residência e isso contribuiu para que as chamas se alastrassem. As informações são do G1.

Ainda segundo a corporação, na casa vive um casal de idosos. A mulher sofreu queimaduras leves no rosto e foi levada para o Hospital de Porto Real. De acordo com a unidade médica, ela teve queimaduras de primeiro e segundo graus na parte de cima da cabeça, mas apresenta estado de saúde estável. Ela permanecerá internada para evitar uma infecção devido à falta de pele.

O Corpo de Bombeiros não soube informar qual foi a causa do incêndio, nem onde o fogo começou.

Filhote de jaguatirica e tamanduá são soltos na natureza após resgate

Um filhote de jaguatirica e um tamanduá-mirim foram devolvidos à natureza após serem resgatados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na noite da última terça-feira (7), em Vacaria, na Serra do Rio Grande do Sul.

Foto: PRF/divulgação

A jaguatirica foi encontrada às margens da BR-285, onde poderia ser atropelada. Ela foi localizada por volta das 21h30 da terça-feira, no km 139. As informações são do portal G1.

Por estar sob risco, o animal foi resgatado pelos policiais. Sob orientação da Patrulha Ambiental e da OSCIP Amigo do Bicho, os agentes devolveram o filhote à natureza a 400 metros de distância do local onde ele foi encontrado, em área afastada da rodovia.

No mesmo dia, por volta das 23h30, a OSCIP Amigo do Bicho ofereceu os cuidados necessários a um tamanduá-mirim e solicitou apoio à Polícia Rodoviária Federal para levar o animal até o local de soltura.

Foto: PRF/divulgação

O tamanduá foi devolvido à natureza em uma área de preservação ambiental permanente, localizada na cidade de Muitos Capões, nas proximidades da RS-456.

A Amigo Bicho é uma entidade de proteção animal, fundada em 2003, que realiza uma parceria com o poder público para garantir parte da renda necessária para manter as atividades. O restante é angariado através de promoções, brechós, rifas e trabalhos de voluntários em tarefas específicas.

Ativistas protocolam agravo contra decisão que condena à morte animais resgatados da farra do boi

Por David Arioch

Boi resgatado da Farra do Boi no dia 20 de abril em Governador Celso Ramos (Foto: GOR)

Ontem, o Grupo de Advocacia Animalista Voluntário de São Paulo (GAAV) protocolou, com a titularidade da ONG Princípio Animal e por encomenda do movimento Brasil Contra Farra (BCF), um agravo de instrumento contra decisão que garante a manutenção do abate de bovinos resgatados da farra do boi em Santa Catarina.

Em março, o Juiz Marco Aurélio Ghis Machado, titular da 3º Vara da Fazenda Pública, em Florianópolis, indeferiu a liminar do GAAV, encomendada pelo BCF, que pede o fim do abate sanitário dos bois sem brinco – o que justifica a necessidade do agravo.

O juiz alegou “que as normas sanitárias de Santa Catarina são rígidas, e assim devem ser para garantir a característica privilegiada do rebanho bovino, autorizando o abate de qualquer animal encontrado sem identificação”.

Porém os ativistas explicam que quando os animais são recolhidos da farra, ainda assim são abatidos. Se não pelas mãos dos farristas, acabam mortos pelas mãos do Estado devido às rígidas normas de vigilância sanitária da Cidasc.

Os farristas retiram o brinco do animal para que não seja identificada a procedência, ou seja, o emissário do boi, porque isso configuraria o crime. Diante do fato, a Cidasc alega que bois sem brinco são bovinos sem procedência e, portanto, podem conter doenças e contaminar todo o rebanho.

A inédita ação civil pública protocolada em março sustenta que os argumentos da Cidasc são inválidos, porque se os farristas retiram o brinco do animal, isso significa que os bovinos têm a orelha furada – logo já estiveram com brincos, comprovando que são animais vacinados e saudáveis.

A ACP requer o direito de, após os animais serem recolhidos da farra mediante horas de tortura e linchamento, permanecerem em quarentena, sendo examinados para descartar qualquer doença a fim de serem “rebrincados”; até mesmo em caráter educativo contra os crimes com animais.

“A ação civil pública foi pedida em caráter liminar para proteger os bovinos desde a Quaresma, porém a liminar foi negada pelo juiz. Ontem, entramos com o agravo pela vida dos bois da farra”, reforça o Brasil Contra Farra.

Cão é salvo após entrar no metrô e caminhar mais de 7 km nos trilhos

Um cachorro entrou no metrô no Rio de Janeiro e caminhou cerca de 7,5 km nos trilhos até ser resgatado. O animal foi da estação de Del Castilho até a de São Cristóvão, ambas na Zona Norte. O caso aconteceu na terça-feira (7).

Foto: Reprodução/MetrôRio

O MetrôRio informou que monitorou o animal durante todo o percurso e que, após resgatá-lo, o encaminhou para uma avaliação no Instituto de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, na Mangueira, região central da cidade. Depois de ser examinado, o cachorro foi levado para um abrigo na Baixada Fluminense.

O resgate durou cerca de uma hora, segundo Bruno de Almeida, agente da concessionária que retirou o cão dos trilhos. “O animal não tinha nenhum machucado aparente, apenas estava sujo de poeira. Fizemos um carinho nele, para ele se acalmar, demos água e comida”, contou o funcionário ao G1.

Usuários do metrô usaram as redes sociais para relatar que a aparição do cachorro nos trilhos causou atrasos nas estações da Linha 2. Eles comemoram o resgate do animal.

“Por conta desse cachorrinho eu levei 1h30 para chegar em Botafogo”, comentou uma usuária do metrô. “Atrasei 20 minutos por conta dessa criatura. Atraso mais que aceitável! Bom ver o cachorro bem”, contou outro usuário.

Animais aparecem mortos e moradores suspeitam de envenenamento

Doze animais, sendo 11 gatos e um cachorro, foram encontrados mortos no condomínio Jardim Botânico, na região do Coxipó, em Cuiabá (MT). O caso foi denunciado à Polícia Civil, na segunda-feira (6), por moradores que suspeitam de envenenamento.

Foto: Jenifer Gonçalves/Arquivo pessoal

A ativista Jenifer Gonçalves conta que a morte de animais é comum no local. Ela reforça, porém, que antes os casos eram mais esporádicos e agora estão acontecendo de forma mais frequente.

“A semelhança entre os casos é que todos os animais são encontrados mortos no mesmo local ou próximo”, afirmou Jenifer ao G1.

O tutor do cachorro que morreu contou que o animal passou mal após ingerir algo que estava próximo ao meio-fio. Ele foi socorrido, mas não resistiu. Na clínica, foi comprovada a ingestão de substância tóxica.

“Não conseguimos comprovar que substância é essa, porque não há exames disponíveis no estado, mas diante das evidências e da forma como são encontrados, suspeitamos que estejam sendo envenenados”, explicou ela.

Os moradores afirmam que todos os animais encontrados mortos apresentam as mesmas características: baba na boca e corpo inchado. As regras do condomínio permitem que os moradores criem animais e que eles circulem pelo local.

Após os moradores efetivarem denúncia, a polícia informou que irá investigar o caso.

Mercado de produtos de beleza veganos deve ultrapassar US$ 3,5 bi em vendas este ano

Por David Arioch

Foto: Pixabay

O mercado global de produtos de beleza veganos deve ultrapassar 3,5 bilhões de dólares em vendas este ano, segundo relatório divulgado hoje pela Fact.MR, empresa de pesquisa global de mercado. Um aumento considerável em relação aos 3,3 bilhões alcançados em 2018.

A pesquisa aponta que a “proliferação do veganismo” tem chegado ao universo dos produtos de beleza, ampliando a demanda por produtos mais naturais e éticos.

“O mercado de produtos de beleza veganos está crescendo, em paralelo com a sempre crescente aversão do consumidor por produtos de origem animal devido a razões ambientais e éticas”, destaca a Fact.MR.

E reforça: “O crescente desejo de comprar produtos que atendam à questão acima mencionada, sem comprometer a qualidade, está alimentando o crescimento do mercado de produtos veganos.”

O relatório enfatiza também que com o número crescente da população se adaptando a um estilo de vida vegano, as empresas também são encorajadas a se adaptarem.

Conforme a pesquisa, o aumento do consumo ético está se traduzindo em uma transição massiva para produtos livres de crueldade, sem nenhum derivado animal e livre de testes em animais, favorecendo o crescimento desse mercado até 2028.

Entre os produtos que este ano devem alcançar número recorde de vendas estão os de cuidados com a pele, incluindo cremes, loções, esfoliantes – com uma estimativa de vendas de um bilhão de dólares até o final de 2019.

De acordo com a Fact MR., a convergência da indústria da beleza com o veganismo deve se ampliar ainda mais, já que a tendência é os consumidores monitorarem cada vez mais até que o ponto os produtos de beleza adquiridos são éticos.

Segundo o relatório, há uma preocupação da indústria de produtos de beleza veganos em excluir ingredientes comuns em produtos convencionais como parabenos e glúten.

O que tem favorecido também esse mercado são as lojas virtuais, já que a compra de muitos desses produtos é feita online.

Comissão do legislativo mineiro aprova projeto que reconhece animais como sencientes

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou, nesta terça-feira (7), um projeto de lei que reconhece os animais como seres sencientes. O parecer aprovado é de autoria da relatora e deputada Ana Paula Siqueira (Rede).

(Foto: Juliana Cipriani / EM / D.A. Press)

O projeto inicial reconhece os animais como sujeitos de direito e os enquadra no conceito usado para pessoas físicas e jurídicas, deixado de tratá-los como “coisas”. O termo, no entanto, foi retirado no substitutivo aprovado. Os autores da proposta, porém, já se mobilizam para retomar o texto original na próxima comissão. As informações são do Estado de Minas.

Ana Paula retirou o termo “sujeitos de direito” sob a alegação de que a doutrina jurídica brasileira não adota esse reconhecimento. O novo texto, apresentado por ela, diz que os animais “são reconhecidos como seres sencientes, sujeitos a dor e sofrimento”. A comissão aprovou a mudança por unanimidade. O projeto segue agora para a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

De autoria do ex-deputado estadual (atual federal) Fred Costa (PEN) e do deputado estadual Noraldino Junior (PSC), a medida pretende mudar a condição dos animais na legislação mineira que define maus-tratos.

Na justificativa do projeto, os autores afirmam que em países da Europa os animais já foram reconhecidos como sujeitos de direito. “A Nova Zelândia e a França modificaram suas legislações conferindo aos animais o status de seres sencientes, ou seja, retirando-os definitivamente da condição de coisa. Alguns países como a Alemanha, Suíça e Áustria fazem constar em seus textos legais que animais não são objetos”, afirmam.

Os parlamentares lembram, porém, que para uma mudança efetiva legal para este caso, é preciso alterar a legislação federal.

A atitude da relatora, de alterar o projeto, foi criticada pelo deputado Fred Costa. Para ele, a alteração feita por Ana Paula descaracteriza a proposta. “Lamentavelmente o direito que a gente queria garantir fica prejudicado. Esse substitutivo desfigurou a razão de existir do projeto”, diz. Costa considera ainda que a modificação proposta na lei mineira funcionaria como um paliativo, mas solucionaria a questão no estado de Minas Gerais.

Para justificar a mudança que propôs, Ana Paula afirmou que não pode se sobrepor ao Código Civil. “As políticas e leis voltadas para resguardar os direitos dos animais já conquistaram avanços importantes, como a lei 22.231, que deixa muito clara a questão dos maus-tratos e a punição que cabe nestes casos. O reconhecimento dos animais como sujeitos de direito é uma questão que precisa ser debatida em nível nacional, pois exige mudanças no Código Civil”, explica.

O deputado Noraldino Junior informou que vai apresentar uma emenda para que o projeto volte a ter o texto original. Após ser avaliado pelas comissões, a proposta será encaminhada ao plenário.

Legislações federais

Dois outros projetos, que tramitam no âmbito federal, pretendem mudar o status dos animais no país. No Senado, um deles afirma que os animais não serão considerado coisas no Código Civil. De autoria do senador Antonio Anastasia (PSDB), a proposta foi aprovada pelo Senado e pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados e seguiria para avaliação do presidente, mas teve o prosseguimento impedido por um recurso no plenário movido pela bancada ruralista. O texto aguarda agora deliberação da Mesa Diretora da Casa.

O deputado Ricardo Izar é o autor do outro projeto, também aprovado pela CCJ da Câmara, que quer que os animais passem a ser tratados como sujeitos de direitos despersonificados. No relatório aprovado em 2017, foi expressa a sugestão de que o novo status fosse incluído na Lei de Crimes Ambientais e não no Código Civil. O projeto aguarda avaliação do Senado.

Projeto de lei que pune maus-tratos a animais é aprovado em Sinimbu (RS)

A Câmara de Vereadores de Sinumbu, no Rio Grande do Sul, aprovou por unanimidade um projeto de lei que pune maus-tratos a animais. A proposta é de autoria da prefeita Sandra Marisa Roesch Backes (DEM) e institui a Política Pública de Bem- Estar Animal, baseada na legislação federal.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

“Tivemos alguns problemas decorrentes de maus-tratos a animais e não tínhamos nenhuma lei municipal”, explicou a prefeita. Com o auxílio da advogada e ativistas pelos direitos animais Georgea Bernhard, um projeto já existente foi revisado e encaminhado para a Câmara. “Conversei com ela e aderimos à demanda, para que as pessoas se conscientizem”, afirmou Sandra, que pretende conscientizar a população sobre a guarda responsável de animais domésticos. As informações são do portal GAZ.

Georgea comemorou a aprovação do projeto. “É uma vitória de toda a comunidade, daqueles que zelam, amam e sabem o verdadeiro valor que os animais têm”, disse. “Agora iremos atrás de melhorias. Estamos caminhando em direção ao progresso”, completou.

A medida estabelece multa para maus-tratos de R$ 947,61 a R$ 3.158,70, de acordo com a gravidade de cada caso. Se houver reincidência, a multa é dobrada.

O encaminhamento do projeto para votação ganhou força após um cachorro ter o focinho decepado com um golpe de facão na Linha São João. O crime aconteceu no final de março e revoltou a população. O cão ficou impossibilitado de respirar normalmente e de se alimentar e, por isso, foi sacrificado. O caso motivou um protesto na Câmara, além da divulgação de uma nota de repúdio assinada pela prefeita e pela bióloga do município Caroline Cabreira Cagliari.

Visitante joga maços de dinheiro para alimentar girafas em zoo

Câmeras flagram cédulas de dinheiro no cativeiro das girafas | Foto: Yunnan Wildlife Park

Câmeras flagram cédulas de dinheiro no cativeiro das girafas | Foto: Yunnan Wildlife Park

Girafas são animais selvagens, naturais das savanas africanas, belas, esbeltas e únicas, esses animais peculiares carregam o status de seres mais altos do planeta, podendo chegar a medir 6 metros de altura (aproximadamente o correspondente a uma casa de dois andares).

Acostumadas à liberdade e a percorrem grades extensões de terra em seus habitats naturais esses animais podem atingir a velocidade de 56 km/h ao correr de predadores.

Dada sua natureza social e suas longas pernas, esses animais sofrem terrivelmente sendo mantidos em cativeiro onde os ambientes são limitados e eles nada mais fazem que servir de atração para seres humanos omissos.

Além da perda de liberdade as girafas ficam expostas a uma série de riscos, muitas vezes inesperados e cruéis que acabam levando-as a morte como sacolas de plástico jogadas nos ambientes em que elas ficam presas ou alimentos que não combinam com sua alimentação e podem lhes fazer mal.

Há ainda casos mais grotescos e assustadores como o que ocorreu neste zoológico chinês onde um visitante do local tentou alimentar várias girafas com dinheiro jogando maços de notas em seus cativeiros.

Foram os guardas e os funcionários responsáveis pela manutenção dos animais do Yunnan Wildlife Park que notaram um grande número de cédulas no chão do cercado de girafas quando foram fazer a limpeza do local de manhã.

Ao notarem a presença do material estranho aos animais , eles rapidamente levaram as girafas para longe do local onde estavam as cédulas antes que elas pudessem pegar as numerosas notas de papel, que somadas chegaram a quase 10.000 yuanes (aproximadamente 6 mil reais), de acordo com informações do zoológico.

Nenhuma girafa ficou ferida como resultado do gesto absurdo, disse o zoológico em uma declaração publicada nas mídias sociais. O parque também divulgou imagens de trabalhadores limpando o dinheiro do chão no cativeiro dos animais.

O zoológico suspeita que as notas tenham sido jogadas por visitantes ricos que queriam oferecer comida para as girafas.

O Parque de Vida Selvagem de Yunnan, local do ocorrido, está situado em Kunming, a capital da província de Yunnan, no sul da China.

Foto: Yunnan Wildlife Park

Foto: Yunnan Wildlife Park

O parque importou mais de 30 girafas desde 2013 e elas são amplamente exploradas desde então, distantes de seus lares e como atrações principais do zoológico.

Depois de analisar as imagens das câmeras de vigilância, a gerência disse que o culpado havia jogado o dinheiro de um ponto cego do equipamento de filmagem, portanto, eles não tinham como rastreá-lo ou saber a aparência do criminoso.

O zoológico afirma na declaração que no momento esta procurando a pessoa para devolver o dinheiro.

O parque alertou o público contra dar “coisas estranhas” aos animais no mesmo comunicado.

Faz-se desnecessário e redundante ressaltar que esse tipo de exposição e riscos desnecessários jamais ocorreriam se os animais estivessem na natureza, de onde jamais deveriam ter sido tiradas.

Esta não é a primeira vez que animais mantidos presos no zoológico foram vítimas de abuso pelo público.

Os outros eventos nefastos consequências mais sérias. Em 2016, dois pavões morreram em decorrência de trauma e choque com apenas dias de diferença entre um e outro, depois que turistas os retiraram de seus recintos para tirar fotos com eles e arrancaram suas penas “como recordação”. A agressão ocorreu em duas ocasiões diferentes.

Em outros locais da China, girafas morreram em zoológicos em Xangai e Wuxi depois de comerem sacolas plásticas oferecidas pelos visitantes.

Foto: Yunnan Wildlife Park

Foto: Yunnan Wildlife Park

Três anos atrás, trabalhadores do zoológico de Wuxi fizeram uma escultura gigante usando o corpo preservado da girafa que morreu ao comer plástico para alertar o público contra a alimentação de animais.

Animais que vivem em cativeiro sofrem de distúrbios nervosos já catalogados pela medicina veterinária. Zoocoses são desequilíbrios sintomáticos que fazem com que o animal se auto mutile, adquira comportamentos repetitivos e sem finalidade, como bater a cabeça contra as paredes do cativeiro ou a famosa e triste, “dança dos elefantes”, em que os animais ficam se movendo sem para e sem sair do mesmo local, apenas trocando o peso de uma pata para outra.

Todos esses comportamentos são sintomas de sofrimento mental e cedo ou tarde resultam na morte ou na incapacidade total desses animais.

Risco de Extinção

Populações de girafas caíram até 40% nos últimos 30 anos, em consequência da caça, perda de habitat e conflitos humanos que atingiram grande parte de sua área de circulação e habitação, de acordo com o jornal The Independent.

Mas, enquanto o comércio de produtos de elefantes e rinocerontes enfrentam controles cada vez mais rígidos, a “extinção silenciosa” das girafas até agora tem sido negligenciada.

Ativistas alertam que a enxurrada de troféus de caça, ornamentos de ossos de girafas e comércio de peles tem contribuído para a sua morte.

Um grupo de 30 estados africanos preocupados com a situação está fazendo pressão para que as girafas recebam proteção especial sob o CITES, um tratado internacional que controla o comércio de espécies ameaçadas de extinção.

Os membros da Coalizão de Elefantes Africanos – incluindo estados de ocupação de girafas, como Quênia, Chade e Níger – estão pedindo à UE que apoie sua proposta.

Abba Sonko, líder das atividades da CITES na coalizão representando o Senegal, disse que um item (apêndice II) da regulamentação já estabeleceria “o tão necessário controle” sobre o comércio internacional de produtos de girafa.

“Queremos fazer tudo o que pudermos para ajudar a proteger as girafas em nossos países e impedir a extinção da espécie”, disse ele. “A extinção das girafas já se tornou uma realidade no Senegal, infelizmente.”

Do jeito que está, o grupo não deve convencer a maioria necessária de dois terços na próxima reunião da CITES em maio para apoiar o movimento, mas o apoio do bloco europeu pode fazer a campanha ganhar força.

“A EU (União Europeia) é um influenciador de peso para que qualquer proposta seja aprovada”, disse o especialista em tráfico de vida selvagem pela Humane Society Internacional, Adam Peyman, que apoia a proposta.

A classificação da CITES não significa uma proibição total do comércio de produtos de girafa, mas permitiria que as autoridades rastreassem seus movimentos e garantissem que eles não estivessem contribuindo para o declínio das populações selvagens.

Até agora, a relutância da UE em apoiar a medida baseia-se, em parte, na falta de apoio de todos os países africanos e no fato de que o comércio de partes de girafas geralmente se origina em nações onde as populações são relativamente estáveis.

No entanto, a HSI disse que há evidências de produtos de girafas sendo transferidos de países com baixa população (de girafas) para países com população elevada antes de serem enviados para mercados estrangeiros.

Durante a última década, 40 mil itens de partes de girafa foram exportadas para os EUA, as investigações também revelaram demandas no Reino Unido e em outras partes da Europa.

Ao contrário de outros produtos exóticos, como o marfim – que tem sido objeto de proibições muito rigorosas no Reino Unido e na UE – os ossos e a pele de girafa não estão sujeitos a controle.

“A demanda por partes de girafa têm aumentado exatamente porque não há regulamentações protegendo esse animal – são itens fáceis de serem obtidos, você não precisa de uma permissão ou qualquer coisa para comprá-la”, disse Peyman.