Moradores colocam animais em telhados para protegê-los de enxurrada no RJ

Moradores de Guaratiba, no Zona Oeste do município do Rio de Janeiro, colocaram seus animais nos telhados das casas para tentar protegê-los da enxurrada que atingiu a cidade na segunda e terça-feira (9). Já foram confirmadas as mortes de 10 pessoas. Animais também morreram.

Foto: Diego Haidar/ TV Globo

Um homem que tinha galinheiros em casa correu para salvar os animais, colocando-os no telhado, assim como fez o vizinho dele, com bodes criados por ele. O esforço, no entanto, não foi suficiente devido às fortes chuvas e mais de 10 galinhas morreram.

“Foi uma correria, morreram umas dez ou 15 galinhas. Os galinheiros todos saíram do lugar e aqui dentro foi perda total”, lamentou o tutor dos animais. As informações são do portal G1.

Na Zona Sul da cidade, uma família procura por uma cadela que foi levada pela água. Preocupados, os tutores de Gaia fizeram uma campanha nas redes sociais para tentar trazer o animal de volta para casa com vida.

Foto: Diego Haidar/ TV Globo

Nos bairros da Barra da Tijuca e de Santa Cruz, moradores contam que viram jacarés nas ruas. Isso acontece porque quando chove e as lagoas alagam, esses animais saem em busca de esconderijos.

“É preciso manter uma determinada distância para o animal. Em toda a região do Rio, quando a água sobe, os animais têm mais espaço para se distribuir dentro da cidade. Quando começa a secar, é que os achamos em lugares inadequados. A melhor coisa é chamar as autoridades, os bombeiros, e avisar que ele está naquele local e é um potencial risco às pessoas e para o animal, que pode sofrer alguma injúria”, afirmou o biólogo Ricardo Freitas.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Grupo de motoqueiros resgata animais e investiga crimes de maus-tratos

Um grupo de motoqueiros norte-americanos tatuados criou a Rescue Ink, uma ONG que trabalha resgatando animais em situação de risco e investigando crimes de maus-tratos para, depois, denunciá-los às autoridades.

Além dos motoqueiros, ex-fisiculturistas, campeões de powerlifting, ex-militares, detetives de polícia, advogados e um ex-caminhoneiro também integram a ONG, que já teve um abrigo próprio, mas que, após as instalações serem destruídas por um furacão, passou a trabalhar exclusivamente através de parcerias com abrigos de outras entidades.

“Algumas pessoas gostam de pensar em nós como super-heróis. A verdade é que somos super amantes dos animais e seus protetores. Ao longo dos anos, e através de muitos casos investigados, obstáculos e francos desafios, continuamos fortes e dedicados à nossa missão”, disse um dos membros da ONG, que sobrevive por meio de doações. As informações são do portal Brightside.

A entidade recebe e 1 mil a 3 mil pedidos de ajuda por dia, enviados por pessoas de todo o mundo, e atende cerca de 250 casos por dia. Com esse trabalho, centenas de cachorros, gatos, cavalos, galinhas, porcos, peixes e até uma cobra já foram salvos.

Foto: RescueInkVideos / youtube

Ao jornal New York Times, o grupo contou que já lidou com diversos casos envolvendo animais, como pessoas comercializando cães para comprar drogas, cachorros sendo explorados em rinhas – que são ilegais nos Estados Unidos -, homens tentando envenenar gatos mantidos em um abrigo e até mesmo uma investigação sobre um serial killer de gatos da Pensilvânia, que terminou com um relatório sobre o caso sendo organizado. Quando investigam crimes, os voluntários juntam provas e as entregam para a polícia.

O grupo também se dedica a ensinar adultos e crianças sobre a necessidade de respeitar os animais. Os voluntários lembram que os agressores possuem características semelhantes e costumam ser inseguros, impulsivos e implacáveis devido a problemas familiares e afetivos.

Para o Rescue Ink, cometer abusos contra animais é o primeiro passo para passar a violentar pessoas. Por isso, coibir crimes contra animais não protege apenas eles, mas também os seres humanos.

O trabalho da ONG no combate à crueldade animal é facilitado, segundo os voluntários, pela aparência intimidadora de cada um deles. Em entrevista à revista People, os motoqueiros afirmaram ter mais facilidade para se aproximar de um agressor de animais do que a polícia e que a aparência deles é uma vantagem na hora de negociar com um tutor cruel.

Conheça alguns integrantes do grupo:

1. Batso Maccharoli, ex-lutador profissional.

Foto: John Lamparski / Contributor / WireImage / Getty Images

2. Mikey Ink é um campeão do fisiculturismo.

Foto: Janette Pellegrini / Contributor / WireImage / Getty Images

3. Anthony “Big Ant” Rossano já foi um grande lutador de wrestling.

Foto: Astrid Stawiarz / Stringer / Getty Images Entertainment / Getty Images

4. Joe Panz é um dos fundadores e líder da Rescue Ink. Ele era caminhoneiro.

Projeto que autoriza transporte de animais em ônibus é aprovado em Caruaru (PE)

Um projeto de lei que regulamenta o transporte de animais em ônibus coletivos de Caruaru, em Pernambuco, foi aprovado pelos vereadores da cidade.

Foto: Pixabay

A proposta facilita o transporte de animais, já que muitos tutores não possuem veículos, o que dificulta, por exemplo, uma ida ao veterinário. Por essa razão, o vereador Fagner Fernandes apresentou o projeto. As informações são do portal Te Amo Caruaru.

“Conheço tutores de animais que desistiram de passeios e até mesmo viagens por não poderem levar seu animal. Outra situação, simples, mas que fica complicada em função do transporte, é a ida ao veterinário ou posto de vacinação. A possibilidade do uso do transporte público para essas situações facilitará o transporte desses animais e proporcionará tranquilidade e segurança tanto para o animal como para seu tutor”, afirmou Fagner.

A proposta define regras para que os animais possam entrar nos ônibus. Eles devem ser levados dentro de caixas de transporte adequadas e resistentes, com tamanho adequado ao porte dos animais, o tutor deve estar com o cartão de vacinação em mãos e com as vacinas atualizadas, e em caso de animal silvestre é necessário também apresentar autorização emitida pelo IBAMA. O projeto autoriza apenas o transporte de animais de pequeno porte.

Com a aprovação da proposta na Câmara de Vereadores, o projeto segue agora para análise do prefeito, que deverá decidir pela sanção ou veto. Caso seja sancionado, ele se transformará em lei.

Núcleo da UFPB denuncia morte de animais a pauladas e exploração de trabalho análogo ao escravo em dezenas de matadouros

O que chama a atenção também é que todos os matadouros investigados são legais, não clandestinos (Foto: Reprodução)

Um trabalho do Núcleo de Justiça Animal da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) concluído no mês passado denuncia que 71 matadouros da Paraíba abatem animais a pauladas e estão envolvidos em exploração de trabalho análogo ao escravo, além de atuarem sem o mínimo de condições de higiene.

O levantamento também foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que se comprometeu em investigar todas as denúncias protocoladas pelo professor Francisco Garcia, coordenador do Núcleo de Justiça Animal da UFPB. Para endossar as queixas, Garcia reuniu dados de seis relatórios do Conselho Regional de Medicina Veterinária, duas dissertações de mestrado e um artigo científico.

Segundo o professor, em todos os matadouros denunciados foram constatados abate de animais a pauladas. Em 34% dos abatedouros foi identificado trabalho infantil realizado por crianças que deixaram a escola. O que chama a atenção também é que todos os matadouros investigados são legais, não clandestinos.

Ainda assim, foram classificados como locais onde a prática de trabalho análogo ao escravo é comum, além de estarem em situação em que é colocada em perigo a saúde dos trabalhadores e dos consumidores.

Nos 71 matadouros, a atuação sem o mínimo de higiene é padrão, além de não haver controle de doenças. Outra observação é que os animais são tratados de forma identificada como visceralmente cruel, o que inclui o abate a pauladas.

Além disso, os trabalhadores não utilizam equipamentos de proteção individual (EPI) e acidentes de trabalho são apontados como comuns. “Há trabalho degradante e análogo ao escravo”, frisa o professor Francisco Garcia.

Resultado de uma pesquisa realizada ao longo de quatro anos, o levantamento destaca também que nenhum dos abatedouros denunciados passou por qualquer fiscalização.

Em resposta às denúncias, o procurador chefe do MPT, Carlos Eduardo de Azevedo Lima, declarou que o objetivo agora é a resolução da situação. No entanto, tudo indica que o Ministério Público deve apenas exigir termos de ajustes de conduta.

Centros de apoio atendem animais afetados pelo ciclone Idai na África

“Em Moçambique, entre Chimoio e Beira, cuidamos dos animais machucados e fornecemos medicamentos e suplementos veterinários (Foto: WAP/Divulgação)

De acordo com informações da organização World Animal Protection (WAP), quatro centros de apoio estão atendendo animais afetados pelas inundações do ciclone Idai em Moçambique e Malawi. Até o momento, já atenderam mais de 20 mil animais, entre bois, ovelhas, cabras, porcos, gatos e cachorros.

“Em Moçambique, entre Chimoio e Beira, cuidamos dos animais machucados e fornecemos medicamentos e suplementos veterinários como vermífugos, antibióticos, analgésicos, vitaminas e minerais”, informa a WAP.

Veterinários de quatro províncias receberam orientação sobre como prestar socorro aos animais em situação de desastre. “Também recrutamos voluntários para prestar assistência básica aos mais necessitados”, garante.

A prioridade no momento é ajudar os animais que estão em situação de extrema necessidade em relação à fome, desidratação e alto risco de contaminação. A ajuda também está sendo oferecida no Zimbábue.

Ativistas expõem tortura de animais em uma das fornecedoras da Nestlé

No vídeo com duração de pouco mais de cinco minutos, os animais sofrem os mais diversos tipos de violência física (Foto: Reprodução)

A organização em defesa dos animais Compassion Over Killing (COK) divulgou na semana passada um vídeo da sua mais recente investigação. Na filmagem, os ativistas expõem a crueldade contra animais em um dos laticínios da Martin Farms, na Pensilvânia (EUA). A empresa é uma das fornecedoras de leite das marcas de sorvetes Häagen-Dazs e Edy’s, da gigante Nestlé.

Além de receber golpes em diversas partes dos corpos, os animais são hasteados e enforcados na fazenda leiteira; bezerros têm seus crânios queimados e diversos bovinos são arrastados por máquinas. Para forçar os animais a se moverem mais rápido, alguns funcionários jogam água recém-fervida sobre suas cabeças.

Segundo a Compassion Over Killing, não se trata de um raro episódio na indústria de laticínios. “São práticas representativas de como é a vida dos animais em uma fazenda de gado leiteiro”, informa e acrescenta que se trata de abusos terríveis e inadmissíveis.

No vídeo com duração de pouco mais de cinco minutos, vacas são esfaqueadas e abandonadas sangrando. Alguns animais também são pisoteados. Em sua defesa, a Martin Farms divulgou um comunicado informando que ficou “chocada” com a revelação, e declarou que vai assumir total responsabilidade pelas atividades em seus laticínios.

“Estamos desapontados que essas ações não foram imediatamente trazidas à nossa atenção”, frisou e acrescentou que todos os funcionários que aparecem no vídeo foram demitidos.

Já a Nestlé alegou que rompeu contrato com a Martin Farms. No entanto, a COK destacou que enquanto a população continuar consumindo leite de vaca e derivados, situações como essa se repetirão; e o problema subsiste no fato de que pouco do que os animais vivem na indústria de laticínios chega aos olhos do público.

Justiça determina que instituto proteja espécies ameaçadas de extinção em SC

A Justiça Federal de Florianópolis determinou que o Instituto do Meio Ambiente (IMA) apresente em até 90 dias um plano de ação para proteger as espécies da fauna nativa ameaçadas de extinção em Santa Catarina. A decisão liminar é do dia 2 de abril, atendendo a uma ação do Ministério Público Federal (MPF) contra o IMA e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e foi divulgada nesta sexta-feira (5) pela Procuradoria da República em Santa Catarina.

Foto: Pixabay

Ao G1, o IMA disse que vai elaborar o Plano em conjunto com a Polícia Militar Ambiental e que nessa quinta (4) foi feita reunião no Comando da PMA para a parceria.

Conforme a determinação, o IMA deve apresentar normas, procedimentos e previsão de estrutura pessoal a fim de “proteger de forma eficaz as espécies da fauna nativa ameaçadas de extinção em Santa Catarina, com cronograma e previsão de monitoramento através de relatórios com avaliação quantitativa e qualitativa”.

O Instituto ainda terá que, em até 30 dias, juntar no processo judicial um cronograma de fiscalização conjunta com o Ibama, a fim de inibir a captura, a caça e a exploração de espécies da fauna nativa no estado.

Ação civil

A ação proposta pelo MPF teve origem em representação da Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena) sobre a falta de ações dos órgãos ambientais para coibir a caça de animais silvestres, o desmatamento dos habitats, o corte das florestas que os abrigam e a comercialização de fontes de alimentos dos animais.

De acordo com os dados, houve agravamento da situação depois da assinatura de acordo de cooperação para gestão da fauna em 2012, quando o IMA passou a gerenciar os recursos da fauna, antes de competência do Ibama. O Instituto não estaria cumprido as obrigações em relação às espécies de fauna nativa, especialmente as ameaçadas de extinção.

Fonte: G1

Animais que viviam em condições terríveis são retirados de zoo na Faixa de Gaza

Frágeis e magros, 43 animais foram retirados do zoológico de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, no último domingo (7), e levados para a Jordânia, conforme anunciou uma ONG de proteção animal. Entre os animais há cinco leões, um lobo e vários macacos.

De acordo com a associação Four Paws, que organizou a transferência, os animais viviam em “condições terríveis” no zoo. As informações são do Estado de Minas.

Leoa sedada antes da transferência para a Jordânia (Foto: AFP)

Em janeiro, quatro filhotes de leões, recém-nascidos, morreram de frio no zoológico, que é considerado o parque mais antigo da Faixa de Gaza, que vive um bloqueio israelense e egípcio há uma década.

Martin Bauer, porta-voz da associação britânica de proteção animal afirmou à AFP que “os animais não estão em boa forma, mas sua condição é bastante estável” para viajar para uma reserva na Jordânia localizada a cerca de 300 quilômetros do enclave palestino.

A transferência havia sido marcada inicialmente para o final de março, mas a ONG não teve como entrar no encrave, o que levou ao adiamento do resgate dos animais. Segundo Bauer, as passagens de fronteira foram fechadas devido à escalada da violência entre Gaza e o Estado judeu.

Com a transferência se tornando possível no último final de semana, os animais foram sedados e transportados em jaulas. De acordo com Bauer, as autoridades de Gaza colaboraram com a operação, assim como o proprietário do zoológico, que já não dispunha de recursos para financiar os cuidados com os animais, incluindo a alimentação deles.

Desde que o parque abriu, em 1999, muitos animais do zoológico morreram devido a atentados, de acordo com a Four Paws. Os animais chegaram ao local por meio de túneis que ligam a Faixa de Gaza ao Egito e que atualmente estão praticamente fechados.

Uma outra transferência de animais de zoológico, incluindo o único tigre no enclave, foi realizada pela ONG em 2016.

Alemanha fecha sua última fazenda de extração de peles de animais

De acordo com informações da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA), a Alemanha fechou a sua última fazenda de extração de peles de animais. A propriedade situada em Rahden, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, agora não abriga mais nenhum animal com essa finalidade.

Oposição à indústria de peles está crescendo no mundo todo (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

Embora a Alemanha tenha proibido a criação de animais para a indústria de peles em 2017, o governo deu um prazo para quem atuava nesse ramo migrar para outra atividade até 2022. No entanto a maioria dos produtores de peles do país decidiu se antecipar em decorrência da intensificação da fiscalização e da pressão de grupos em defesa dos animais.

A proibição do uso de peles tem se tornado cada vez mais comum na Europa. No início deste ano a Sérvia anunciou que a criação de animais para a extração de peles está definitivamente banida do país.

A decisão já era bastante esperada, considerando que a Lei de Bem-Estar Animal criada em 2009 deu um prazo de dez anos de transição para quem atua ou atuava nesse ramo. Agora, quem for flagrado insistindo nesse mercado vai responder criminalmente.

“A imposição da proibição é o resultado bem-sucedido de uma década de luta decisiva e persistente de cidadãos, especialistas e ativistas dos direitos animais”, informou a organização Fur Free Alliance, lembrando que a indústria de peles fez lobby para reverter a proibição, mas ainda assim foi derrotada.

Esta semana a fotojornalista Jo-Anne McArthur lançou o documentário “The Farm in My Backyard”. Com duração de pouco mais de 15 minutos, o filme mostra os impactos éticos e ambientais da criação de animais silvestres com a finalidade de extrair suas peles e comercializá-las.

Segundo o documentário, é importante que o público saiba que além do mal causado aos animais, a cadeia que envolve a produção de artigos baseados em peles também prejudica os ecossistemas ao interferir no ciclo de vida dos animais silvestres.

“The Farm in My Backyard” tem como mote a realidade da Nova Escócia, no Canadá, onde quem atua no mercado de peles se recusa a migrar para outra atividade. E para piorar, a prática tem o apoio do governo da província.

Centro de recuperação de animais em SP cuida de falcão mais veloz do mundo

Um veado catingueiro órfão de 15 dias que mama na mamadeira é a sensação do CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) que fica dentro do Parque Ecológico do Tietê, Zona Leste de São Paulo.

Foto: Deslange Paiva/G1

Ele foi resgatado e entregue ao centro por um fazendeiro no Alto do Tietê, na região de Mogi das Cruzes, e será criado no núcleo até se tornar independente para se alimentar, de acordo com a médica veterinária e diretora do CRAS, Liliane Milanelo, 46 anos.

“Essa espécie é muito comum naquela área, onde há muitas fazendas. Essa espécie fica órfã geralmente por ação trópica (caçador, atropelamento ou morte por cachorro). Acreditamos que a mãe tenha sido vítima e ele sobreviveu”, diz ela.

Atualmente, o filhote mama leite de cabra a cada duas horas e logo vai aprender a comer pequenas folhas, flores e frutas, coisas que ele encontrará na natureza. Ele será solto no mesmo local de origem quando aprender a comer sozinho.

Falcão mais veloz

O CRAS recebe em média 30 animais machucados por dia e os recupera antes de reinseri-los no meio ambiente em áreas de soltura cadastradas pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente e pelo Ibama. Os mais comuns são araras, papagaios, gavião, macacos, cobras, tartarugas e jabutis, jaguatiricas, além de muitos pássaros, entre outros.

Atualmente o centro também recupera um falcão peregrino, espécie rara de se encontrar no Brasil e considerada a ave mais veloz do mundo, podendo atingir até 440Km/h em vôos predatórios dependendo da distância e ângulo de ataque, mas estudos dizem que geralmente fica entre 250 a 380Km/h. Ele foi encontrado na região da Cantareira, Zona Norte de São Paulo.

Foto: Deslange Paiva/G1

“É um animal raro de se aparecer em cativeiro, eles só passam pelo Brasil fazendo migrações intercontinentais. Provavelmente ele saiu dos Estados Unidos em direção à Patagônia. No Oriente Médio essa espécie é muito usada para falcoaria, [esporte que treina falcões e outras aves de rapina para caça], que, para mim, é mais uma dominação animal”, diz Liliane.

O falcão se recupera de uma cirurgia de osteossíntese devido a uma fratura no úmero (osso longo e o maior do membro superior que se localiza no braço da ave) e será solto em breve.

Atualmente o CRAS mantém 1200 animais, mas sua capacidade máxima é de 1800. O núcleo é o único Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres), órgão gerenciado pelo Ibama, do governo do estado. Ele foi inaugurado em 1986 e é administrado e mantido pelo DAEE ( Departamento de Águas e Energia Elétrica).

Cuidados e tratamento

A maioria dos animais recebidos pelo CRAS do Parque Tietê são oriundos de resgates da polícia após denúncias de tráfico, comércio ilegal ou maus tratos. Além disso, qualquer munícipe pode levar até o parque animais machucados.

Na quarta-feira (27), por exemplo, uma operação da Polícia Civil de Guarulhos levou 63 aves ao parque.

De acordo com Liliane, geralmente as aves que chegam ao CRAS são animais bonitos, mais visados pelo tráfico. Na última leva recebida pelo centro, foram recebidos canário da terra, sanhaço, tico-tico, azulão e sábia.

Foto: Deslange Paiva/G1

Chegando ao CRAS, os animais são examinados, anilhados e têm material coletado (sangue, fezes, pena) para análise clinica e laboratorial. Mamíferos recebem um microchip com suas informações, de origem do animal, condições de chegada, espécie, peso, comprimento, idades, exames, evolução, data de saída e onde foi solto.

“Geralmente ele chegam aqui machucados por ficarem se debatendo na gaiola. Depois que estão bem sanitariamente, nutricionalmente e comportadamente, iniciamos o processo de reinserção. Se o animal vive em grupo, tem de estar inserido em um grupo, se voa, tem de saber voar. As aves primeiro se acostumam em um recinto menor e depois passam para um maior para irem se acostumando”, explica Liliane.

O CRAS conta com um banco de penas, retiradas de animais que morrem, para implante em outros.

“A troca de penas, que chamamos muda, é demorada. Quando o animal chega com a pena quebrada ou amassada por linha de pipa, que é muito frequente, a gente reinsere como se fosse um implante”, explica Liliane.

Segundo a médica veterinária, as pipas são grandes vilãs, inclusive.

“A gente abomina pipa. Não tem nada de bom nisso: motoqueiros sofrem, é ruim para as árvores e péssimo para aves. Mesmo linha que não tem cortante, os animais acabam se enrolando nelas, quebrando a asa, muitos caem na água e se afogam. Às vezes chegam aqui sem asas. Os animais já são sobreviventes por viver em São Paulo, e ainda têm de lidar com essas variáveis”, diz Liliane.

Outro comportamento humano que só faz mal a animais é manter aves em gaiolas.

Foto: Deslange Paiva/G1

“Se você pensar que esses animais vivem em bando, voando a grandes distâncias, comendo o que querem em total liberdade… Aí ficam condenados a ficar em uma gaiola dentro de uma cozinha falando ‘louro’, aprendendo palavrão e cantando hino de time. É deprimente para a espécie”, desabafa.

Alguns animais, segundo Liliane, chegam ao centro de recuperação deprimidos e com problemas psicológicos.

“A gente tinha um macaco prego fêmea que não saía do lugar. Ela foi achada em uma casa de família abandonada na gaiola. Ficou meses sendo alimentada por um vizinho até a polícia resgatar. Há papagaios que chegam aqui extremamente agressivos, alguns se mutilam. Então eles desenvolvem problemas psicológicos. Alguns tomam remédios psiquiátricos e conseguem reverter, outros não. Ficarão sujeitos a cativeiro para sempre.”

Os animais que não conseguem se recuperar para serem reinseridos no meio ambiente são enviados à criadouros autorizados ou zoológicos.

“A retirada de animais da natureza causa um impacto ambiental gigantesco. Cada ser da fauna silvestre faz parte de uma engrenagem, de um equilíbrio ambiental e as consequências nós humanos também vamos sofrer. Cada pessoa que adquire um passarinho, um papagaio, um macaco, um tucano, está cometendo um crime”, resume Liliane.

Como denunciar?

• IBAMA: (11) 3066-2633 ou linhaverde.sede@ibama.gov.br

• Polícia Ambiental: 0800-55-51-90 ou cpamb@polmil.sp.gov.br

Fonte: G1