ONG pede apoio a projeto que prevê uso de fogos silenciosos em Conde (PB)

O projeto também considera outros agravantes do uso de fogos com estampidos, como traumas emocionais, desenvolvimento de fobias, ataques aos tutores e convulsões (Foto: Getty)

No dia 1º de abril, às 14h, vai ser votado na Câmara Municipal de Conde (PB), na Região Metropolitana de João Pessoa, um projeto de lei do vereador Naldo Cell que propõe o uso de fogos de artifício silenciosos na cidade. O PL qualifica como inadmissível continuar utilizando fogos que, em decorrência do barulho, grande mal aos animais em decorrência da audição muito sensível.

O projeto considera alguns agravantes do uso de fogos com estampido, como traumas emocionais, desenvolvimento de fobias, atropelamento, ferimentos por artefatos, ataques aos tutores, convulsões e até mesmo a morte de animais. Um exemplo que gerou bastante repercussão no país em janeiro foi o da cadela Mila, que ficou muito assustada e faleceu em casa, no Rio de Janeiro, durante uma queima de fogos de artifício.

Para evitar situações como essa, a ONG Vida na Rua, de Conde, está pedindo que a população apoie a iniciativa, para coibir definitivamente o uso de fogos de artifício tradicionais, que geram desconforto inclusive em crianças e idosos, além de animais domésticos.

“Esperamos que a Câmara Municipal de Conde faça com que a cidade se destaque, assim como muitos outros municípios brasileiros e países que vêm adotando o uso de fogos silenciosos. Também estamos pedindo que as pessoas se manifestem de forma favorável à iniciativa nas redes sociais, porque isso ajuda a chamar a atenção para a nossa luta”, frisa a ONG.

STF decide que sacrifício de animais em rituais religiosos é constitucional

Foto: Pixabay

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu de forma unânime que sacrificar animais em cultos religiosos é constitucional. Os ministros Marco Aurélio Mello, Alexandre de Moraes, Luis Roberto Barroso, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Luiz Fux, Gilmar Mendes Dias Toffoli e Carmém Lúcia, que em uma ocasião anterior se posicionou contrária a realização de vaquejadas e rodeios devido à crueldade intrínseca das práticas, compartilharam o pensamento que todas as religiões têm direito legal de matar animais em rituais.

A decisão retrógrada surpreendeu ONGs e ativistas em defesa dos direitos animais que questionam por que uma prática bárbara e medieval está sendo discutida quando em todo o mundo movimentos e leis demonstram a maior conscientização sobre a valorização de todas as formas de vida e a construção de um mundo mais compassivo e atento à importância do reconhecimento dos direitos animais.

Para o presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB RJ, Reynaldo Velloso, é incoerente que morte e religião estejam na mesma pauta. “Sou a favor da liberdade religiosa sem o uso de animais. Cada um possui o direito legitimo de ter sua religião, sua crença, e deve preservar a vida”, afirmou.

Nota da Redação: é lamentável que em 2019 ainda seja julgado a legalidade de matar e torturar animais em nome de tradições retrógradas, imateriais, transitórias e equivocadas. Mais uma vez o Brasil perdeu a oportunidade de dar um passo à frente e demonstrar a importância do valor da vida e da civilidade. O que deveria estar em foco são as verdadeiras vítimas, os animais, e não os segmentos que se sentem desfavorecidos por não poderem torturá-las e matá-las tendo como justificativa suas crenças e interesses.

Regras rigorosas para adoção evitam abandono de animais na Alemanha

Ao contrário do Brasil, na Alemanha é comum ver apenas animais acompanhados dos tutores na rua, em ônibus, trens, bares, restaurantes e lojas. No país, é praticamente impossível que um gato ou cachorro viva em situação de rua, como acontece no território brasileiro.

Foto: Clara Rechenberg/Tierheim Berlin/Divulgação

Em Berlim, capital do país, o maior abrigo da Europa estabeleceu regras rigorosas para coibir o abandono. No local, vivem cerca de 1,4 mil animais, que são cuidados por aproximadamente 170 funcionários e mais de 800 voluntários. O Tierheim Berlim é mantido pela ONG Federação pelo Bem-Estar Animal na Alemanha e sobrevive de doações. Para manter os animais, são gastos 9 milhões de euros por ano – o correspondente a R$ 40 milhões.

“Quem escolhe adotar aqui precisa preencher uma longa ficha sobre a sua vida. Depois, o animal passa uma semana na casa da pessoa, em uma espécie de teste. Nós também fazemos visitas regulares à casa dos adotantes”, explica Julia Sassenberg, representante do abrigo. As informações são do G1.

Os cuidados, segundo Julia, são para a vida inteira do animal. “Ninguém pode vender ou abandonar um cachorro ou gato adotado aqui. Se por algum motivo a pessoa não quiser mais ficar com o bichinho precisa trazê-lo para nós. Quando o animal morre, também temos que ser comunicados”, explica.

Foto: Clara Rechenberg/Tierheim Berlin/Divulgação

O Tierheim Berlin abriga cães, gatos, coelhos, pássaros, porcos, cabras, ovelhas e alguns tipos de répteis. Muitos deles, porém, não são disponibilizados para adoção. O local recebe animais abandonados na Alemanha e também que chegaram ao país vindos do leste europeu, atravessando a fronteira ilegalmente.

Ao adotar um animal na Alemanha, o tutor precisa registrá-lo junto ao governo. Assim, o animal recebe um microchip e uma documentação vinculada ao tutor. Para viajar entre países da União Europeia, por exemplo, ele precisa ter até passaporte.

Além disso, animais alemães também pagam imposto anual. O valor varia de cidade para cidade. Em Berlim, os tutores pagam 120 euros anuais – o equivalente a cerca de R$ 531 – para o primeiro cachorro e 180 euros – aproximadamente R$ 797 – para os demais animais.

“O amor pelos animais humaniza as pessoas”, afirma o deputado David Miranda

A defesa pelos direitos animais é uma das bandeiras levantadas pelo deputado federal David Miranda (PSOL), que tem feito uso de sua visibilidade e influência para levar à frente pautas necessárias aos animais. Em uma entrevista exclusiva à ANDA, ele contou sobre sua relação com a causa animal, que, inclusive, o levou a iniciar uma transição para o vegetarianismo. Confira abaixo.

David Miranda (Foto: Reprodução / Facebook / David Miranda)

ANDA: Quando iniciou seu envolvimento com a proteção animal?

David Miranda: Quando eu era criança e morava na favela do Jacarezinho, teve início o meu envolvimento com a proteção animal, na época, conseguia, com ajuda de outras pessoas, comprar ração para animais de rua. Mas, atuando de forma mais concreta, foi há 14 anos que eu e meu marido começamos a resgatar animais abandonados e propor aos amigos que os adotassem.

ANDA: A ONG comandada por você e pelo seu marido foi fundada quando? O que levou vocês a terem uma entidade voltada para os animais?

David Miranda: Sou casado com o jornalista americano Glenn Greenwald e a ONG é comandada por ele – o Abrigo Hope, fundado em 2017. Tudo começou com uma experiência nova, no bairro do Alto da Boa Vista, onde morávamos e havia um local vazio. Ano passado, foi transferida para um sítio alugado em Maricá.

David Miranda com o marido Glenn Greenwald e os filhos (Foto: Reprodução / Facebook / David Miranda)

ANDA: Quantos animais são mantidos pela ONG atualmente e de que forma vocês captam recursos para sustentá-los?

David Miranda: No momento, são perto de 50 animais. Os fundos são organizados por doações na internet, como o sistema vaquinha online.

ANDA: O que devem fazer as pessoas interessadas em adotar animais resgatados pela ONG?

David Miranda: Podem entrar em contato diretamente via site ou redes sociais. A partir daí, são mantidas conversas e marcadas datas para equipes de voluntários levarem os animais até as pessoas que vão recebê-los.

ANDA: Você e seu marido têm dois filhos. O amor pelos animais é ensinado para eles?

David Miranda: Meus dois filhos, de 9 e 11 anos, adoram os 24 cachorros que temos em casa. Eles são ensinados a respeitá-los e amá-los. O que não falta à nossa família é amor aos animais. Lutar pelos direitos dos animais é um compromisso que assumimos juntos e que vai nos acompanhar por toda a vida.

David Miranda com o marido Glenn Greenwald, os filhos e cães da família (Foto: Reprodução / Facebook / David Miranda)

ANDA: Você acredita que ensinar as crianças a respeitar os animais é uma das formas de criar uma sociedade mais compassiva em relação a todos os seres vivos, inclusive os seres humanos?

David Miranda: Juntos, eu e meu marido, já resgatamos centenas de animais. Os nossos filhos sabem dessa nossa história de dedicação e carinho. O amor pelos animais humaniza as pessoas, é transformador. Assim, podemos ajudar a construir um mundo melhor.

ANDA: No seu trabalho na política, você já apresentou algum projeto de lei voltado para a causa animal ou pretende apresentar? Se sim, qual?

David Miranda: Sim. Assim que fui eleito vereador, o prefeito Crivella transformou por meio de um decreto a Secretaria de Defesa dos Animais em subsecretaria. Apresentei um projeto para tornar sem efeito este decreto e lutei muito para termos de volta a secretaria.

Filhos de David com um filhote de cachorro (Foto: Reprodução / Facebook / David Miranda)

ANDA: Você tem usado suas redes sociais para propagar mensagens e notícias de conscientização acerca da causa animal. Isso tem gerado algum retorno positivo que demonstre uma maior abertura das pessoas em prol dos animais?

David Miranda: Uso minhas redes sociais para criar mais consciência sobre os respeitos e a estrutura da vida animal. Faço muitas postagens para criticar os maus-tratos e encaminho denúncias quando recebo informações sobre animais que vêm sofrendo crueldades.

ANDA: Você é vegetariano/vegano ou pretende ser?

David Miranda: Estou num processo para me tornar vegetariano. Glenn, meu marido, é vegetariano, e temos educado nossos filhos para compreenderem que essa forma alimentar é melhor para os animais, para a saúde das pessoas e para o planeta.

Lei que permite transporte de animais no metrô, trem e ônibus é sancionada em SP

O governo do estado de São Paulo sancionou uma lei que regulamenta o transporte de animais de pequeno porte no metrô, nos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e nos ônibus intermunicipais da EMTU.

A dona de casa Patrícia, que mora em Suzano, foi uma das primeiras a usar o transporte. Dentro de um pote de sorvete com furos, ela levou Roberval, um ratinho, no trem. Antes, ela teria que chamar um táxi para transportar o animal até o veterinário.

Foto: Pixabay

“Eu achei ótimo porque isso vai trazer uma economia muito grande, é prático pegar o trem e já descer direto na cidade onde você vai”, explicou ao G1.

O pote de sorvete improvisado como transporte para o animal, porém, não é indicado pelos veterinários. Para segurança do animal, o correto seria uma caixa de acrílico específica para o rato.

De acordo com as regras da nova lei, os animais que podem ter acesso ao transporte público devem ter no máximo 10 quilos e só podem ser transportados durante horários específicos. São eles: das 4h40 às 6h, das 8h às 16h e das 19h a 0h. Fora desses horários, os animais só podem ser levados nos trens, ônibus e no metrô em casos de emergência, com solicitação formal do veterinário responsável.

A orientação do médico veterinário Jefferson Renan de Araújo Leite é de que o animal seja transportado em caixa adequada à espécie para evitar transtornos com outros passageiros e com o próprio animal.

O fotógrafo Mário Rosário apoia a legislação. “Eu acho interessante. O trem é um meio de transporte que agora permite que você possa levar seu animal”, disse.

Dia Internacional do Circo traz reflexão sobre exploração animal para entretenimento

Hoje, 27 de março, é celebrado o Dia Internacional do Circo. A data foi criada para homenagear o palhaço Piolim, personagem de Abelardo Pinto, que comandou o circo Piolim por mais de trinta anos. É necessário, porém, que esse dia seja visto também como uma oportunidade para refletir sobre os animais explorados para entretenimento humano em circos mundo afora.

Foto: Pixabay

Animais domésticos, especialmente cachorros, e selvagens, como tigres, macacos, ursos, elefantes e leões, são vítimas de exploração. Forçados a aprender truques anti-naturais, eles vivem aprisionados e, no caso dos silvestres, privados da vida em liberdade, na natureza, ao lado de suas famílias.

Os maus-tratos nestes ambientes também são frequentes. Para que aprendam a realizar os comandos, os animais são ensinados na base da agressão. Muitos deles ficam traumatizados, passam a desenvolver movimentos repetitivos e apresentam sinais claros de estresse.

A ursa Marsha é um desses animais. Nascida na Rússia, ela foi explorada por 25 anos por um circo que fazia excursões pelo Brasil. Após uma vida de sofrimento, ela foi condenada a viver, até os 32 anos, no Parque Zoobotânico de Teresina, no Piauí, onde sofria com o calor intenso do estado e realizava movimentos repetitivos frequentemente, devido ao estresse. No ano passado, porém, a ursa foi resgatada e encaminhada para um santuário onde ganhou não só uma vida nova, mas também outro nome: Rowena.

Apesar de ainda haver exploração animal em circos, muitos deles deixaram de explorar animais, por iniciativa própria ou após proibições feitas por legislações. Entre os locais que criaram leis para proibir a presença de animais em circos estão: a cidade de Los Palmas, na Espanha, Havaí, Portugal, os estados brasileiros da Paraíba e de São Paulo, a Guatemala, o País de Gales, os estados norte-americanos de Nova Jersey e Nova York, a Escócia, a Itália e a Irlanda.

Foto: Pixabay

Um marco significante para os direitos animais no que se refere à exploração para entretenimento humano foi o fechamento do circo norte-americano Ringling Bros Circus. Durante 36 anos, o circo foi alvo de protestos contra a presença de animais nos espetáculos, o que o levou à derrocada.

No entanto, apesar da vitória, a luta pela libertação dos animais ainda está longe de acabar, conforme lembra Chris DeRose, presidente e fundador da organização Last Chance For Animals, em artigo no Los Angeles Times. “Enquanto o fim do Ringling é uma vitória para cada ativista que escreveu uma carta, assinou uma petição ou protestou em frente ao circo, a luta para libertar os animais da crueldade, incluindo da indústria do entretenimento, está longe de acabar. Outros circos continuam explorando animais em nome do lucro, assim como zoológicos, aquários e rodeios”, reforça.

A opinião pública, porém, está do lado dos animais e dá apoio às entidades que lutam para que eles deixem de ser explorados e maltratados. Uma pesquisa feita em 2015 pela Gallup descobriu que 62% dos norte-americanos acredita que os animais merecem proteção e 32% defende que os animais devem ter os mesmos direitos que as pessoas. Em relação aos circos, uma pesquisa da YouGov, conduzida pela AAP Animal Advocacy e pela Protection of the Netherlands, concluiu que 65% dos europeus não pagariam para visitar um circo que explora animais selvagens. De acordo com os resultados do levantamento, 63% na Alemanha, 71% na Itália, 73% na Espanha e 76% no Reino Unido votaram contra a exploração de animais silvestres em circos.

Trabalhar em matadouros pode alterar a personalidade humana

Eu não sinto mais nada, mas no começo foi muito ruim”, frisou um homem identificado apenas como RP9 (Foto: Vegan Australia)

Recentemente, o professor do Departamento de Psicologia Organizacional e Industrial da Universidade da África do Sul, Antoni Barnard, republicou um estudo concluído em 2016 sobre o impacto psicológico e emocional de se trabalhar em matadouros.

Para a realização do trabalho, ele entrevistou dezenas de magarefes, pessoas que matam animais criados para consumo. Todos disseram que jamais se esqueceram da primeira vez que abateram um animal. Além do desconforto, muitos relataram tremores, tristeza, aflição e vergonha.

“Eu estava com muito medo, mesmo segurando uma arma”, disse um dos entrevistados. Um dos maiores pontos de estranhamento foi reconhecer que estava trabalhando em um local por onde centenas de animais entram a cada dia e não saem de lá com vida.

“A primeira vez que matei não foi fácil. Eu sinto vergonha disso. Só queria fechar os olhos, me virar e fugir. Foi muito triste, mas quanto mais você faz, mais fácil fica. Ontem, por exemplo, tive que atirar na cabeça de algumas vacas. Eu não sinto mais nada, mas no começo foi muito ruim”, frisou um homem identificado apenas como RP9.

Barnardi conta que nos primeiros meses, os funcionários de matadouros costumam ter sonhos vívidos e pesadelos paranoicos repletos de medo e ansiedade. Alguns citaram experiências em que eram perseguidos pelos animais que mataram; outros os viam em um sofrimento que parecia não ter fim, agonizando incessantemente. Sentimentos de culpa, medo e vergonha são os mais comuns na “fase de adaptação”.

Um participante declarou que sonhou que uma vaca saltava da caixa de abate e o perseguia. Outros lembram de experiências em que os animais se comunicavam com eles, perguntando algo como: “Por que você está me matando?”

As respostas emotivas são bastante intensas durante um período que pode variar muito de pessoa para pessoa, mas há uma certa unanimidade em relação ao fato de que seus dias fora do matadouro também são tomados por emoções negativas em decorrência da prevalência da raiva e do temor. O entrevistado RP9 revelou que começou a se tornar mais impaciente e explosivo. Se alguém o magoa, “seus punhos balançam”.

Por outro lado: “Os funcionários de matadouros transmitem uma preocupação moral, acreditando que terão que responder por suas ações quando morrerem. Sentimentos de tristeza também são frequentemente mencionados em histórias de abate”, destacou o pesquisador.

Outro entrevistado, RP10, contou que quando chegava para trabalhar o seu encarregado dizia que ele deveria abater uma grande quantidade de animais, e quando ele olhava para os bovinos, grandes e fortes, aquilo parecia errado e o deprimia.

O estudo também apontou que quem trabalha diretamente no abate de animais acaba desenvolvendo baixa tolerância à frustração e, em decorrência disso, seus níveis de irritação aumentam. RP8 segredou que nunca havia agredido um animal como um cão ou gato, mas desde que começou a matar bovinos ele já não sente a mesma inibição de antes:

“Eu acredito que posso chutar se eu quiser porque eu mato boi todos os dias. Chutar um cão ou gato e jogá-lo para longe já não é uma preocupação.” Relatos como esse são consequências da mudança de personalidade que os funcionários do matadouro experimentam quando o cotidiano se resume a tirar vidas.

Mesmo que não falem abertamente a respeito com qualquer pessoa, os participantes da pesquisa deixaram claro que perceberam tanto mudanças em si mesmos quanto nos colegas de trabalho ao longo do tempo:

“Os participantes narram que o abate afeta suas capacidades de pensar com clareza e percebem que se sentem ‘loucos’. Fazer o trabalho de abate também impacta de uma forma que eles parecem se tornar mais agressivos do que antes, com uma atitude descuidada no que diz respeito às consequências de suas ações em relação a outras pessoas.”

As emoções intensificadas de medo, ansiedade, culpa, vergonha e tristeza diminuem com o tempo. Algumas até mesmo desaparecem, mas a adaptação à realidade do matadouro como algo banal não impede que ninguém que ganhe a vida matando animais passe por um embrutecimento que pode ter consequências sociais. E isso é parte da realidade de quem vive nesse universo.

Referência

Barnard, Antoni; Victor, Karen. Slaughtering for a living: A hermeneutic phenomenological perspective on the well-being of slaughterhouse employees. International Journal of Qualitative Studies in Health and Well-being (2016).

Justiça determina que animais mantidos em casa insalubre sejam resgatados

O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) determinou que 16 animais, entre cães e gatos, mantidos em condições insalubres na casa de um idoso na avenida Independência, em Belém (PA), sejam resgatados. De acordo com a decisão judicial, a responsabilidade de retirar os animais do local é da prefeitura.

Animais vivem em ambiente insalubre (Foto: Ascom/MPPA)

A determinação da Justiça acata um pedido do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). O resgate foi requerido devido ao acúmulo de animais na casa do idoso, que vive em situação de extrema pobreza.

A Justiça estabeleceu um prazo de 60 dias para que o resgate seja realizado. Caso a Prefeitura de Belém descumpra a decisão judicial, será aplicada uma multa no valor de R$ 1 mil por dia. As informações são do portal G1.

O MPPA explica que o idoso procurou ajuda no Centro de Controle de Zoonoses porque, segundo ele, os animais estavam doentes e famintos e ele não tem condições de oferecer aos cães e gatos os cuidados necessários. A resposta que o homem recebeu, no entanto, foi de que o órgão não poderia receber os animais.

Em seguida, o idoso procurou o MPPA, que enviou uma veterinária à casa dele para fazer uma análise técnica, que constatou grave estado de enfermidade dos animais. De acordo com o relatório técnico elaborado pela profissional, os animais estavam em extrema magreza, com micoses e feridas causadas por sarna, descarga nasal e ocular, e também apresentavam sintomas de doenças infectocontagiosas e parasitárias.

O MPPA afirma que, após ser notificada, a Prefeitura de Belém pediu à Justiça a extinção da demanda sem julgamento, alegando que é “de responsabilidade dos proprietários a manutenção dos animais em perfeitas condições de alojamento, alimentação, saúde e bem-estar ”. O juiz, no entanto, não acatou o argumento da administração municipal.

Conferência aborda apuração de denúncias de maus-tratos a animais

A conferência “Apuração de denúncias de maus-tratos a animais”, promovida pela Comissão de Proteção Animal da OAB Sorocaba, será realizada na Casa da Advocacia e Cidadania, em Sorocaba (SP), às 19 horas.

Foto: Pixabay

O objetivo da conferência é fazer que a população tenha conhecimento das atribuições de cada uma das instituições aptas a receberem denúncias. As informações são do portal G1.

A Comissão explica que a realização e a fiscalização efetiva de denúncias relacionadas a violência e a negligência as quais os animais são submetidos fazem parte das maiores dificuldades apontadas pelos protetores que fazem trabalho voluntário em Sorocaba.

Participarão da conferência representantes da Zoonoses, da Seção de Bem-estar Animal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), da Central de Atendimento da Prefeitura de Sorocaba, da Guarda Civil Municipal, da Patrulha Ambiental, da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Ministério Público.

A Casa da Advocacia e Cidadania de Sorocaba, local do evento, está localizada na Avenida Três de Março, 495, no Alto da Boa Vista.

A entrada para a conferência é gratuita. No entanto, é preciso realizar uma inscrição antecipada através da Secretaria da Casa da Advocacia e Cidadania ou por meio dos telefones (15) 3228-1134, 3228-6656 e 3228-6652.

Fazenda suspeita de disponibilizar animais para farra do boi é fiscalizada

Uma fazenda localizada em Tijucas, na Grande Florianópolis, em Santa Catarina, foi alvo de fiscalização. A suspeita é que o local seja responsável por disponibilizar animais para serem explorados e maltratados na farra do boi.

Foto: Polícia Militar/Divulgação

A farra do boi é uma prática proibida por lei em Santa Catarina. Apesar disso, ela continua sendo realizada, especialmente durante a Quaresma. Nesse evento, o boi é perseguido e maltratado pelos farristas. As informações são do portal G1.

Na fazenda fiscalizada havia menos bois do que o número registrado no órgão responsável pelo cadastro. Por essa razão, o proprietário do local terá que apresentar os animais ausentes.

Os fiscais estiveram na fazenda após receberem uma denúncia. No local, os brincos de identificação dos bois foram fiscalizados. Caso o dono da propriedade não apresente os animais ausentes, a fazenda será embargada e autuada. O prazo para que os bois sejam apresentados não foi divulgado.

A operação foi feita em conjunto entre a Polícia Militar e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). A fazenda que foi alvo da fiscalização está localizada no bairro Terra Nova.

Os órgãos receberam denúncia. No local, a equipe fiscalizou os brincos com a identificação dos animais. Caso o dono da fazenda não apresente os bois ausentes, a propriedade será embargada e autuada. A PM não informou o prazo dado ao proprietário para isso.