Nove bilhões de animais são mortos por ano pela indústria de carne na União Europeia

Os políticos da União Europeia estão na mira de eleitores, ativistas, ambientalistas e da população em geral, para que ajudem os fazendeiros que vivem da criação de animais em larga escala (agropecuária industrial) a fazer a transição para a agricultura de cultivo de legumes, verduras, e frutas a fim de impulsionar a tendência crescente da alimentação baseada em vegetais que vem se consolidando cada vez mais.

Em um evento ocorrido esta semana no parlamento europeu, organizado pela Humane Society International, fazendeiros, ecologistas e acadêmicos concordaram que há uma necessidade urgente da União Europeia apoiar essa transição ajudando os fazendeiros a se adaptarem e aproveitarem a oportunidade econômica que a mudança na alimentação dos consumidores (queda no consumo de carne, laticínios e ovos) vem causando.

Um importante relatório da Fundação Rise advertiu recentemente que a produção de carne e laticínios da Europa deve ser reduzida pela metade até 2050, como exemplo de atitude responsável a ser tomada, dada sua contribuição significativa para a degradação ambiental do planeta, com as emissões de gases de efeito estufa e a perda de biodiversidade.

Atualmente, a UE cria 9 bilhões de animais para alimentação por ano – com mais de 360 milhões desses animais gastando toda ou parte de suas vidas em sistemas intensivos de criação em cativeiros – e, globalmente, estima-se que 82 bilhões de animais sofram por causa da alimentação humana.

Dr. Marco Springmann, da Universidade de Oxford, e Dra. Helen Harwatt, da Universidade de Harvard, participaram do simpósio realizado em Bruxelas, realizado pelo ecologista e especialista em transição, Alan Watson Featherstone, e pelo agricultor sueco Adam Arnesson, que esta fazendo a transição de sua fazenda de criação de porcos para agricultura de cultivo de aveia para uma empresa de leite vegetal.

Os incentivos políticos também foram tratados na primeira exibição pública na Europa do curta-metragem premiado BAFTA 2019, “73 Cows”(73 vacas, na tradução livre), sobre os fazendeiros britânicos Jay e Katja Wilde que mandaram todo o seu rebanho para um santuário e mudaram seu negócio para o cultivo de colheitas de legumes e vegetais.

Foto: 73 Cows/Divulgação

Foto: 73 Cows/Divulgação

“Os consumidores europeus estão mais conscientes do que nunca das questões relacionadas ao bem-estar animal e aos impactos ambientais da produção de carne, laticínios e ovos. O nível atual de produção de carne de origem animal é simplesmente insustentável, e o crescimento contínuo das alternativas à base de vegetais é inevitável”, disse Alexandra Clark, consultora de política alimentar da HSI/Europa, em um comunicado.

“O momento oferece aos fazendeiros de criação europeus uma oportunidade única de atender a essa demanda variável, fazendo a transição da criação animal industrial para a produção de culturas de vegetais e frutas. Com a atual reforma da política agrícola da UE, os deputados têm uma clara oportunidade de ajudar os fazendeiros na direção dessa transição, deslocando os subsídios da produção animal industrial, para apoiar os fazendeiros a mudar para frutas, legumes, cereais e leguminosas que estão crescendo em demanda para um público cada vez mais consciente e compassivo”, disse Clark.

A UE está atualmente reformando sua política agrícola, com uma votação crucial planejada na Comissão de Agricultura para o início de abril. A Dra. Helen Harwatt, da Universidade de Harvard, acredita que esta é uma grande oportunidade para os políticos assumirem a liderança em em relação as mudanças necessárias para migrar da criação animal para o plantio e cultivo vegetal.

A Dra. Harwatt disse: “Reaproveitar porções de terras utilizadas na agropecuária para remover o dióxido de carbono da atmosfera será crucial para limitar o aquecimento a 1,5°C. Por sua vez, a restauração desta terra ao seu habitat natural abrirá as portas para a reintrodução de espécies animais, o que ajudaria a combater a crise da vida selvagem. Mudanças da criação de animais para consumo para cultivo de colheitas são essenciais e os políticos devem garantir que medidas de apoio sejam implementadas para ajudar os fazendeiros a fazerem essa transição inevitável”.

O agricultor sueco Adam Arnesson mudou sua criação de animais pela carne para o cultivo de várias culturas para consumo humano, incluindo aveia para a produção de leite. Ao fazer isso, ele dobrou o número de pessoas que sua produção alimenta anualmente e reduziu pela metade o impacto climático de seu negócio por caloria.

Os fazendeiros Jay e Katja Wilde, que estrelam o curta-metragem “73 cows” de Alex Lockwood, expressam seu desejo de que os deputados europeus compreendam que a pressão e o medo que muitos fazendeiros sentem pelo futuro poderiam ser aliviados se houvesse apoio para que eles pudessem mudar com segurança e pelo bem do planeta.

Ao falar no evento da exibição do curta “73 cows”, no parlamento europeu, Jay Wilde disse: “Estamos entusiasmados com o fato do nosso filme ter chegado ao parlamento europeu, onde esperamos que inspire os políticos a votarem num futuro melhor tanto para os fazendeiros como para os animais. Dando nossas vacas para um santuário para viver em um refúgio seguro foi a melhor decisão de nossas vidas, tornou-se a única decisão certa quando enviá-las para o matadouro não era mais algo que eu poderia fazer e viver com isso. Mas tem sido uma jornada muito assustadora também porque você está entrando em território desconhecido.

“Essa mudança não é apenas uma escolha pessoal, é necessário proteger o meio ambiente, então, se houvesse apoio financeiro e prático para ajudar os fazendeiros como eu a plantar pelo planeta, isso tornaria a vida muito mais fácil”, disse ele.

A eurodeputada finlandesa Sirpa Pietikäinen disse que “se todos mudassem a sua alimentação para uma dieta a base de vegetais, isso seria benéfico para a saúde pública, o bem-estar dos animais, a biodiversidade e o clima”.

STF julga sacrifício de animais em rituais religiosos nesta quinta-feira

O Supremo Tribunal Federal (STF) irá julgar, nesta quinta-feira (28), a constitucionalidade do sacrifício de animais em rituais de religiões de matriz africana. O julgamento terá início às 14 horas.

Foto: Pixabay

O julgamento foi realizado pela primeira vez em agosto de 2018, quando recebeu dois votos favoráveis à manutenção do sacrifício por parte dos ministros Marco Aurélio e Luiz Edson Fachin. No entanto, um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes adiou o julgamento.

A ação que será julgada questiona a constitucionalidade de uma lei do Rio Grande do Sul que, no ano de 2006, permitiu que o sacrifício de animais em rituais de religiões de matriz africana fossem realizados de maneira legal.

Ativistas pelos direitos animais pedem que os sacrifícios sejam proibidos e fazem, inclusive, protestos em defesa dos animais mortos nos rituais.

Número de animais que sofrem maus-tratos aumenta em Gurupi (TO)

O número de animais maltratados aumentou no município de Gurupi, no Tocantins. Toda semana, uma ONG de proteção animal da cidade recebe, em média, 20 animais. Os casos são diversos: abandono, falta de alimentação, espancamento, entre outros.

Foto: Pixabay

A presidente da ONG, Dianna Perinazzo, conta que no final do ano passado, durante as festividades, uma cadela fugiu de casa e foi encontrada por ela e levada para o abrigo da entidade. O animal estava ferido. As informações são do portal G1.

“Diante da situação que ela estava eu não aguentei. Fui lá resgatei e coloquei dentro do carro e deixei lá na associação. Sentia muita dor, estava gemendo de dor. O animal estava com cortes profundos”, conta Dianna Perinazzo. Os casos são frequentes na cidade.

Uma lei estabelece punição de 1 a 3 anos de detenção, além de multa que pode chegar até mil salários mínimos, para quem maltratar animais. A condenação pelo crime, porém, não costuma levar o agressor à prisão, isso porque a infração é considerada de menor potencial ofensivo e, por isso, a pena é substituída, por exemplo, por prestação de serviços à comunidade.

“Se os maus-tratos são evidentes, é um caso flagrante de maus-tratos, a pessoa tem total autonomia e direito de entrar no local e resgatar o animal. Tem se formado esse entendimento. Agora se a pessoa não quer se envolver ou teme por sua integridade física, ela pode acionar os órgãos de segurança”, diz a advogada Naylane Lopes, que atua pela defesa e direito dos animais, na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Tocantins.

Menino de 11 anos recebe vídeos de animais em seus últimos dias de vida

A alegria de Harvey ao assistir os vídeos.

Harvey Hawkins é um menino 11 anos que nasceu com uma série de problemas. Em janeiro deste ano, ele foi diagnosticado com insuficiência intestinal completa e uma condição chamada pseudo-obstrução intestinal.

Os vídeos começaram a chegar após um post no Facebook que falava sobre o encontro de Harvey com a equipe de rugbi do País de Gales, no dia 15 deste mês, e também do amor que ele sente por cães.

Sua mãe, Jamie-Louise Wallace, 29 anos, disse ter recebido mais de mil vídeos vindos da Austrália, México e até do Alasca.

“Se Harvey pudesse falar, ele diria ‘obrigado do fundo do coração'”.

“São vídeos de cachorros cantando ou dizendo’ olá ‘. Um cachorro disse ‘eu te amo’ e outro tocava piano”, contou Wallace.

“Não são apenas cachorros. Há vídeos de tartarugas, gatos, galinhas, cavalos, cobras e peixes.”

“Estamos incentivando as pessoas a usar a #HoundsforHarvey e esperamos mostrar a ele todos os vídeos que são enviados.”

A saúde de Harvey

A condição rara impede que o alimento se mova através do trato gastrointestinal e pode ocorrer devido a danos nos músculos ou nervos. Os médicos já disseram que haviam feito tudo o que podiam.

Harvey está sob os cuidados do Hospital Infantil Arca de Noé, no País de Gales. Recentemente, o menino recebeu a visita de Nico, um cão de terapia.

Wallace disse: “Todo o desconforto e agitação de Harvey pareciam desaparecer quando ele acariciava Nico, algo que geralmente só é controlado com medicação.

“Não achamos que ficaríamos sem tempo tão rapidamente, mas agora estamos nos preparando para ir para casa e passar o tempo que nos resta junto com o irmão e a irmã dele.” A família mora em Merthyr Tydfil, South Wales. As informações são do Daily Mail.

Bethan Simmonds, funcionário do hospital, disse: “Por mais que todos nós queiramos, nem sempre é possível curar a todos”.

“Mas juntos, podemos ajudar a fazer pequenas diferenças para famílias maravilhosas e corajosas como as de Harvey.”

Vereadora propõe substituir zoológico por santuário para animais

A vereadora Ana Rita Tavares (PMB) propôs que o zoológico de Salvador, na Bahia, seja substituído por um santuário para acolher animais vítimas de violência.

Foto: Pixabay

A parlamentar apresentou um projeto de lei na Câmara por meio do qual explica que o zoológico daria lugar para um espaço para o “pós-operatório de cães e gatos castrados, que vivem nas ruas ou sob a guarda de pessoas carentes, [e que também serviria] de santuário onde os animais poderão exercer seus instintos e sua natureza selvagem”.

Ana Rita defende os animais e, por isso, é contra locais que os mantenham presos, tratando-os como meras atrações ao público. As informações são do portal Bahia Notícias.

Segundo a parlamentar, não há mais espaço para “a cultura do aprisionamento de animais, retirando-se de sua condição natural de liberdade”.

Animais escapam de matadouros e são resgatados das ruas de Nova York

Foto: NYACC e Farm Sanctuary

Foto: NYACC e Farm Sanctuary

Tem sido um mês movimentado em Nova York (EUA) – embora por razões louváveis – para organizações de resgate de animais e policiais, já que vários animais, felizmente, têm conseguido escapar dos matadouros onde se encontravam presos.

Graças aos esforços combinados de ONGS e de oficiais da polícia, foi possível salvar inúmeras vidas, incluindo a de um bezerro, uma cabra e um cordeiro, apenas nos últimos 10 dias.

“Que dia. Primeiro uma vaca, agora uma cabra”, foi a frase que o Centro de Assistência Animal de Nova York (NYCACC, na sigla em inglês) postou em sua página do Facebook ontem à noite (20), expressando gratidão aos santuários de animais, Santuário Animal Skylands e Santuário da Fazenda, onde os animais que conseguiram fugir, foram acolhidos.

“Um grupo de trabalhadores da construção civil da cidade foi pego de surpresa quando um visitante inesperado entrou na obra onde eles trabalhavam, que fica bem em frente a um matadouro”, dizia o post do Santuário da Fazenda em sua página do Facebook, feito durante o resgate.

Foto: NYACC e Farm Sanctuary

Foto: NYACC e Farm Sanctuary

“Eles conseguiram se aproximar a guiar a cabra, agora chamada Alondra, para dentro de um dos escritórios e pedir ajuda da polícia para lidar com a situação”.

De acordo com a Farm Sanctuary, Alondra, que agora reside no abrigo em Watkins Glen, tinha marcas de tinta e cola pelo corpo, o que a ONG chama de “sinais típicos de animais que vieram de instalações de assassinato de animais ou de mercados de criaturas vivas”.

Em um post anterior na página do NYCACC no Facebook, a ONG compartilhou a imagem de um bezerro macho aterrorizado, com menos de um ano de idade, que foi encontrado perto da Major Deegan Expressway, uma estrada movimentada no Bronx.

Foto: NYACC e Farm Sanctuary

Foto: NYACC e Farm Sanctuary

“Apenas mais um dia ajudando os animais”, o NYACC comentou em outro post. “Este adorável bezerrinho, chamado Major Deegan, estava no meio do tráfego de veículos na via expressa, então a polícia levou-o para a única organização que acolhe a todos eles, a NYACC!”.

Major Deegan foi posteriormente transferido para o Santuário Animal Skylands. No início deste mês, o santuário também recebeu um jovem cordeirinho resgatado de um matadouro, Little Palmer, que foi salvo depois de correr desabalado pela via expressa Gowanus, no Brooklyn.

Embora seja reconfortante saber sobre esses resgates de sucesso, eles também servem como um lembrete dos horrores associados às fazendas industriais e aos matadouros.

Foto: NYACC e Farm Sanctuary

Foto: NYACC e Farm Sanctuary

“Existem mais de 80 matadouros com fachadas de lojas comuns em todos os bairros da cidade. Fugas são inevitáveis para os animais aterrorizados que vivem nestas instalações, e é fácil torcer para aquele único animal em fuga, enquanto fechamos os olhos para as centenas de milhares de animais deixados a portas fechadas aguardando a morte. É falar das questões que realmente estão em jogo; crueldade contra animais e saúde pública”.

O grupo Voters for Animal Rights publicou em um post na sua página do Facebook: “Estamos trabalhando com autoridades da cidade e do estado para acabar com a proliferação de matadouros com fachadas de loja e tornar nossos bairros mais seguros, saudáveis e mais compassivos para todos”.

Esperamos que esses resgates, entre outros como eles, incentivem mais pessoas a escolherem a compaixão em seus pratos e renunciarem a comer carne mudando para um estilo de vida vegano.

Empresário boliviano larga tudo para se dedicar a animais abandonados

Fernando Kushner era um executivo de marketing do mundo da moda. A mudança em sua vida, que o fez desistir de tudo para se dedicar aos animais abandonados, teve início quando ele conheceu Choco, um cachorro em situação de rua.

Kushner saía de uma aula de ioga quando encontrou o animal. Comovido com o sofrimento do cachorro, decidiu dar a ele um pedaço do sanduíche que comia. Em um gesto de gratidão, o cão esfregou o focinho no então executivo e lambeu as mãos dele, o que fez Kushner se convencer de que deveria continuar alimentando-os nos dias seguintes.

Foto: Sergio Echazú

Com o passar do tempo, ele estava alimentando cinco cachorros, depois dez, em seguida vinte. Hoje, dedicando-se integralmente aos animais, o ex-executivo cuida de centenas de cães. Com uma van, pouco antes do amanhecer, ele percorre diariamente as ruas da cidade de La Paz, na Bolívia, para alimentar cachorros abandonados em sete ou oito distritos diferentes.

“Desisti de tudo por meus cachorros: romances, família, carreira”, conta. As informações são do site F5, do jornal Folha de S. Paulo.

Kushner alimenta os cães abandonados duas vezes por dia, de manhã e à tarde. No intervalo entre os turnos, ele dirige por cerca de três ou quatro horas para buscar alimentos doados por pessoas sensíveis à causa animal. Em média, ele recebe 15 recipientes com alimentos, cada um com capacidade para cerca de 50 litros.

Mensalmente, Kushner gasta do próprio bolso 9 mil pesos bolivianos – cerca de R$ 4,9 mil – para comprar cerca de 50 sacas de 22 quilos de biscoitos para cachorros, que ele distribui para os animais que alimenta.

O trabalho do ex-executivo, porém, vai além da alimentação dos cães abandonados. Isso porque ele também é voluntário em diferentes instituições que resgatam animais em La Paz.

María Angulo Sandoval, que trabalha em um abrigo no município vizinho de El Alto, afirma que Kushner atua em uma área na qual as autoridades municipais falharam. “As autoridades da cidade são responsáveis ​​pela saúde pública e segurança, o que inclui manter a população de cães sob controle. Mas elas são absolutamente ausentes”, diz.

Para ele, deixar o lucrativo trabalho como executivo para se dedicar aos cachorros foi uma decisão fácil que aconteceu “de um dia para o outro”. Inicialmente, Kushner teve problemas apenas com a família. Na primeira vez em que ele perdeu a celebração do Natal com os familiares por estar alimentando cachorros, os parentes dele ficaram furiosos. Hoje, no entanto, eles aceitam melhor a situação.

“Pensei que ele ficaria entediado com tudo isso depois de cerca de três meses, e que ele iria deixar [a atividade de assistência aos animais]”, afirma sua mãe, Lolita Kushner. “Mas toda vez que eu o vejo, ele parece mais preocupado que nunca com cachorros e mais comprometido com sua missão”, completa.

Kushner pretende contratar ajudantes em breve, mas afirma que no momento ele é um “exército de um homem só”.

Foto: Sergio Echazú

O trabalho que exerce em prol dos animais consome tanto do seu tempo que não sobra espaço nem para conhecer uma pessoa e se relacionar. Mas Kushner cogita ter um relacionamento no futuro. No entanto, segundo ele, a pessoa “teria de amar os animais, caso contrário seria impossível”.

Quanto às críticas que recebe por se dedicar aos animais ao invés de cuidar de pessoas necessitadas, Kushner não nega que a Bolívia tenha necessidades sociais profundas, mas argumenta que há “centenas de instituições de caridade” que trabalham em prol dos pobres no país, ao contrário das ONGs de proteção animal, que são poucas.

O ex-executivo reconhece, porém, que seus esforços são uma gota no oceano. Isso porque, de acordo com seus próprios cálculos, aproximadamente 250 mil cachorros vivem em situação de rua em La Paz. A única solução, a longo prazo, para resolução desse problema, segundo ele, é investir na educação e na conscientização da população. E Kushner também tem feito sua parte em relação a isso ao entrar em contato com aqueles com os quais trabalhava quando conduzia campanhas para marcas de luxo. Com isso, ele já conseguiu que grandes empresas publicassem seu slogan “Adote, não compre” e garantiu que a companhia aérea privada Bolívia Amazonas aceitasse cobrir o custo total do envio de cachorros de uma cidade para a outra para que fossem adotados.

Atualmente, Kushner tenta arrecadar recursos para a construção de um abrigo para cachorros idosos, que também funcionará como centro de castração. Para isso, ele já convenceu a Incerpaz, uma das maiores fabricantes de tijolos do país, a vender o material a preço de custo.

Para ajudar os animais, Kushner já buscou contato com Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por via diplomática. “Embora tenhamos o mesmo sobrenome, não temos nenhum parentesco. Mas o que há a perder?”, questiona. “Se ele quisesse, poderia pagar para esterilizar todos os cães na Bolívia”, conclui.

MP pede que Justiça determine recolhimento de animais de protetor

O Ministério Público de Santa Catarina pediu à Justiça que seja determinado o recolhimento dos animais do protetor independente Eder Leite e de sua esposa, Alessandra Rech, que tutelam cerca de 70 cães em Brusque (SC).

Foto: Leda Veber

A Justiça já havia concedido uma liminar, a pedido do Ministério Público, determinando que a prefeitura recolhesse os animais e que o casal mantivesse apenas o número máximo de seis animais. As informações são do portal O Município.

Após uma audiência de conciliação, foi estabelecido um prazo de dez dias para que os dois levassem os cachorros para outro local. No segundo encontro, porém, eles disseram que não tiveram condições de realocar os cães.

A liminar acabou sendo suspensa e, por isso, o promotor Rodrigo Cunha Amorim solicitou que a decisão seja revista. Segundo ele, não existe a possibilidade de conciliação e os cachorros permanecem em situação de maus-tratos, por isso é necessário uma renovação da liminar.

Eder nega que os animais sejam maltratados. Ele afirma que os cães são bem cuidados e que ele tem como provar centenas de doações de animais que ele já realizou.

Animais podem ajudar no tratamento de problemas psicológicos e cardíacos

Adotar um animal pode ajudar as pessoas a se recuperar de problemas de saúde. Na área médica, a zooterapia é utilizada desde a década de 1960, quando a psiquiatra Nise da Silveira levava um gato e um cachorro para as sessões terapêuticas por perceber que os pacientes ficavam mais calmos na presença dos animais.

Foto: Pixabay

De acordo com especialistas, ao ter contato com animais, o ser humano ativa o sistema límbico, responsável pelas emoções mais instintivas e, por isso, ocorre a liberação de endorfina, gerando uma sensação de tranquilidade, bem-estar e melhora da auto-estima. Pacientes em estado grave ou terminal frequentemente apresentam melhora no quadro de saúde ao receber a visita de um animal da família.

Um estudo realizado em 1980 por Erika Friedmann, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, concluiu que tutores de animais internados com problemas cardíacos mostraram, um ano mais tarde, uma taxa de sobrevivência maior do que o grupo que não tutelava animais. As informações são do portal UOL.

Outra pesquisa, de 1999, feita também nos Estados Unidos, sob a coordenação da cardiologista Karen Allen, da Universidade do Estado de Nova York, descobriu que a convivência de humanos com animais é benéfica para o coração. O estudo dividiu em dois um grupo de 48 pessoas que apresentavam um quadro clínico de estresse. Uma das partes passou a conviver com cachorros e gatos, a outra não. O resultado indicou que os pacientes que conviveram com animais apresentaram taxa normal de pressão e estresse reduzido.

Foto: iStock

Um terceiro estudo, publicado na revista científica The American Journal of Cardiology, revelou que pacientes que tutelam animais se recuperam rapidamente e estão menos sujeitos a problemas cardíacos.

Os animais, no entanto, não ajudam apenas no tratamento de doenças do coração. Isso porque o contato com eles também é recomendado para pessoas que sofrem de distúrbios psicológicos, como esquizofrenia, desordens de personalidades, ansiedade e depressão. O convívio com os animais faz com que pacientes com esses problemas de saúde apresentem melhora na elaboração de estratégias para lidar com pessoas e situações, além de evoluírem na criação de vínculos.

É comprovado também que a incidência de depressão é menor em idosos que tutelam animais. E os casos depressivos entre pessoas infectadas pelo vírus HIV são duas vezes maiores nas que vivem sozinhas do que nas que contam com a companhia de um animal, segundo um estudo desenvolvido pela psicóloga americana Judith Siegel, da Universidade da Califórnia.

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A solidão também é superada mais facilmente por idosos que são tutores de cachorros, segundo uma tese publicada no Journal of Gerontology: Medical Sciences. Por essa razão, muitos médicos têm incentivado os pacientes mais velhos a adotar um cachorro ou um gato. A presença do animal em casa incentiva a pessoa a manter as atividades regulares, já que ela terá que se levantar para alimentá-lo e levá-lo para passear e ao veterinário. Pesquisadores calculam que um animal representa ao tutor um ganho de 22 minutos de caminhada a mais por dia, o correspondente a 2760 passos.

Uma outra pesquisa, feita pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake, doutor em bioquímica por Harvard e autor do livro “Os cães sabem quando seus donos estão chegando”, da editora objetiva, concluiu que, no que se refere ao afeto e consolo proporcionados por um animal, a maioria das pessoas que vivem com cachorros têm um aumento na auto-estima e uma melhor superação à perda de um ente querido, já que os cães interagem com os tutores dando a eles carinho e atenção, o que auxilia no processo de recuperação.

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Lei permite a entrada de animais em hospitais do Rio

Foto: Pixabay

Seguindo o exemplo de São Paulo, a Câmara Municipal do Rio aprovou o PL 980/2018 que autoriza a entrada de animais domésticos para visitar pacientes em hospitais públicos e particulares da capital carioca.

A iniciativa é de autoria do vereador Luiz Carlos Ramos Filho (PODE), que também é presidente da Comissão de Defesa dos Animais. Segundo a medida, são considerados animais domésticos todas as espécies que possam interagir com seres humanos sem lhes causar nenhum maleficio.

De acordo com a lei, o tempo de presença dos animais nas unidades de saúde será pré-determinado e precisará os critérios definidos pelo próprio hospital. Entre as regras pré-estabelecidas estão:

– Os animais candidatos a visitas precisam estar com a carteira de vacinação em dia, higienizados e saudáveis;

– A entrada do animal será avaliada por pela comissão de infectologia do hospital;

– Os animais precisam estar em caixas de transportes adequadas ao seu tamanho. Cães e gatos precisam usar guias presas por coleiras;

– A visitações ocorrerão apenas após a autorização do médico responsável pelo paciente humano;

– O local para encontro entre paciente e animal será determinado pela administração do hospital;

– As visitações serão submetidas a regras estabelecidas pela organização mundial da saúde.