ONG repudia exploração de cães em buscas por vítimas em Brumadinho (MG)

A União Internacional Protetora dos Animais (UIPA) publicou nota, através das redes sociais, por meio da qual repudiou a exploração de cachorros em buscas por vítimas em Brumadinho (MG) e expôs o risco ao qual esses animais são submetidos. A entidade lembrou ainda que solicitou ao Comando Operacional do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais para que não levasse cães “nas buscas por desaparecidos”, mas que foi “desatendida”.

Foto: MAURO PIMENTEL / AFP

“Sabe-se que os bombeiros se valem de roupas e de aparatos de segurança próprios para atuarem em ocorrências de risco, ao passo que os cães são expostos, sem segurança alguma, à nocividade dos rejeitos tóxicos. A absorção, pela pele, de metais pesados é certa”, escreveu a ONG. “Animal algum deveria ser obrigado a enfrentar um risco, capaz de lesar sua integridade física e até a sua vida, como aconteceu a vários cães usados pelas equipes de salvamento do World Trade Center”, completou.

A ONG disse também que policiais e bombeiros trabalham no resgate de vítimas “por opção, consentindo no risco de aquisição de sequelas e até de morte”. Ao contrário de um cachorro, “que não tem escolha, que não consente no enfrentamento de uma situação de risco. Sem capacidade de entender e de reagir, simplesmente aceita uma conjuntura que lhe é imposta”.

A UIPA citou, também, a vedação à crueldade animal contida na Constituição Federal. “A vida do animal também é tutelada, inclusive juridicamente. Vale lembrar que a Constituição da República impõe ao Poder Público vedar as práticas que submetam animal à crueldade. Cabe, pois, às autoridades, salvaguardá-lo de riscos, e não submetê-lo, diretamente, a tal situação”, disse.

O parecer de especialistas, que reforçam que cães atolados não farejam por se sentirem ameaçados, já que a preocupação com a sobrevivência fala mais alto, também foi apontada pela entidade. “E a lama, por sua liquefação, também não permite a subida à superfície dos gases da putrefação”, escreveu a ONG, que lembrou que “não existe justificativa moral nem técnica” para explorar cachorros em buscas por corpos e sobreviventes.

“Triste exploração sem fim a dos animais. Sem defesa e sem protesto”, finalizou.

Cão resgatado do lixo é explorado em buscas em Brumadinho (MG)

Um cachorro sem raça definida encontrado em um caçamba de lixo em São Paulo e adotado há dois anos está sendo explorado para procurar por corpos e sobreviventes em Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem da Vale.

Resgate (Foto: Mariana Queiroz/GloboNews)

Ao perceberem que o animal tem um bom faro, os tutores decidiram ensinar a ele comandos anti-naturais para que ele participasse de ações que tem o único propósito de beneficiar humanos. O treinamento foi feito com a ajuda de um policial amigo da família. “Tem um policial colega nosso, ele é que treina ele na realidade, eu também faço o treinamento passado por ele (…) para achar corpos”, explicou o tutor ao G1.

Resgate, como é chamado, foi colocado no grupo de voluntários Resgate Sem Fronteiras, do qual também faz parte seu tutor. A diferença entre humano e animal é que o primeiro tem condição de consentir o trabalho voluntário, enquanto o cachorro participa das ações sem que possa decidir se quer fazer parte delas. Na última quarta-feira (30), o animal participou das atividades desenvolvidas pelo Corpo de Bombeiros em Brumadinho.

De acordo com o tutor, Resgate não está no máximo de sua capacidade. Ele afirma que o animal está em 80%, o que indica que pode haver a pretensão de exigir ainda mais do cachorro para que ele atinja a meta de 100%.

Thor (Foto: Reprodução/Instagram)

Além de Resgate, outros 21 cachorros estão sendo explorados para buscar sobreviventes e corpos em conjunto com os bombeiros. Os militares confirmam que a operação oferece riscos à saúde dos animais e que, por isso, eles são “monitorados frequentemente”.

Entre os cachorros do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais está Thor, da raça border collie. Ele tem cinco anos de idade e além de Brumadinho, já foi obrigado a participar de ações de buscas em outras localidades, como Mariana. O sargento responsável pelo animal afirmou ao jornal Extra que o cachorro toma suplementos vitamínicos para que possa integrar a equipe dos bombeiros, o que pode indicar que as ações das quais é forçado a participar são muito exaustivas para ele.

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SeaWorld anuncia que servirá refeições veganas em evento anual

O SeaWorld Orlando acaba de anunciar detalhes de seu Seven Seas Food Festival, um evento anual realizado pela empresa que reúne várias bandas e culinárias. De acordo com o site, serão servidas refeições veganas aos visitantes do festival.

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Foto: Getty Images

O Seven Seas Food Festival deste ano incluirá pratos veganos como tostadas de abacate, barras de cereais e bebidas alcoólicas veganas. Até mesmo a popular marca de alimentos veganos Impossible Foods venderá seus produtos no evento.

O SeaWorld é conhecido por sua extrema negligência e abuso aos animais, mantendo-os em cativeiros minúsculos, isolados de outros animais, negando-lhes cuidados médicos e forçando-os a realizar truques para o entretenimento humano. Os animais dos parques SeaWorld exibem sinais de estresse severo, como nadar em pequenos círculos repetitivos e tentar morder as paredes do cativeiro.

Inúmeros animais morreram nas instalações do SeaWorld, muitos prematuramente, como a orca de três meses de idade chamada Kyara, bem como outras baleias, pinguins, ursos polares, golfinhos e tubarões.

Após o lançamento do famoso documentário “Blackfish”, que expôs a crueldade e os casos de maus-tratos que ocorrem no parque, as vendas de ingressos do SeaWorld caíram em 175,9 milhões de dólares. Várias organizações, incluindo o Animal Welfare Insitute e a Whale and Dolphin Conservation, entraram com uma ação judicial contra a falta de relatórios da necropsia da orca no SeaWorld, que devem detalhar a causa da morte dos animais. Além disso, o parque foi forçado a pagar 5 milhões de dólares depois de ter sido acusado de fraude contra seus investidores, mentindo sobre o real impacto que o documentário “Blackfish” teve sobre seus índices de visitantes e receita.

A exposição das práticas do parque temático levou várias organizações a cortar os laços com o SeaWorld, como a empresa de viagens Thomas Cook, o clube automotivo AAA Arizona e as grandes companhias aéreas WestJet e Air Canada.

Nota da Redação: o veganismo não é apenas uma dieta, mas um princípio a ser seguido. Ser vegano é uma questão política, é dar voz aos que não podem falar por si próprios. Nenhum vegano pode apoiar esse tipo de estabelecimento, onde ocorre a exploração de animais para o entretenimento humano, além dos graves casos de maus-tratos frequentemente noticiados.

China clona macaco para explorá-lo em estudo sobre distúrbios psicológicos

Cinco macacos foram clonados a partir de um único macaco geneticamente modificado para sofrer distúrbios do sono na China. A clonagem foi divulgada na última quinta-feira (24) por cientistas chineses. Os macacos serão explorados em pesquisas sobre problemas psicológicos. Tratados como objetos, serão vítimas da crueldade para benefício humano. O caso tem provocado debates éticos no país.

Foto: STR/AFP

Genes de um macaco foram alterados por uma equipe do Instituto de Neurociências da Academia Chinesa de Ciências em Xangai. A alteração genética teve o objetivo de causar distúrbios no ritmo circadiano do animal, o chamado “relógio do corpo”. As informações são da Folha de S. Paulo.

A partir deste macaco, outros cinco foram clonados. Eles nasceram seis meses depois com sinais de problemas mentais associados a distúrbios do sono, que incluem depressão, ansiedade e comportamentos ligados à esquizofrenia – o que causa extremo sofrimento neles.

Foto: Jin Liwang/Xinhua

O objetivo da pesquisa, publicada pela revista National Science Review, é criar animais com distúrbios específicos, independentemente do quanto isso os prejudique e os faça sofrer, para pesquisar distúrbios psicológicos humanos e encontrar novos medicamentos e tratamentos.

 

O Instituto de Neurociências já clonou, em janeiro de 2018, outros dois macacos com método semelhante ao usado há 20 anos para criar a ovelha Dolly.

Foto: Jin Liwang/Xinhua

Nota da Redação: a clonagem e a criação de animais doentes são práticas anti-éticas e extremamente cruéis que tratam animais como objetos e os condenam a viver vidas miseráveis, nas quais experimentam todo tipo de sofrimento. É urgente que a sociedade entenda que os animais não devem ser prejudicados para que soluções sejam encontradas para a saúde humana e, assim, liberte-os da exploração promovida pela comunidade científica. 

Exploração animal: Brasil exporta até pênis de boi

Os animais são explorados de forma intensa em todo o mundo. No Brasil, até mesmo o pênis dos bois é visto como um produto.

Foto: Theo Marques/Folhapress

Hong Kong recebe 95% da exportação de “despojos não comestíveis de bovinos” do Brasil – como pênis, tendões e artérias -, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). O país exporta também farinha de penas, ossos e sangue, para fabricação de ração de animais.

“Os chineses colocaram tudo dentro da panela junto com os temperos e caldos, e aquilo vira uma espécie de sopão”, disse Péricles Salazar, presidente da Abrafrigo. As informações são do portal UOL.

Foto: Anja Barte Telin/Divulgação

Em 2018, 150 mil toneladas de despojos foram exportadas. Só em farinhas de origem animal foram exportadas 180,7 mil toneladas no ano passado. Há previsão de crescimento para 2019 de 25%. As farinhas são exportadas principalmente para o Chile e para o Vietnã, segundo a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra).

Até o final da década de 1990, os despojos eram descartados ou transformados em farinha para alimentação de animais. “Algumas empresas surgiram e começaram a aproveitar esses despojos”, afirmou Salazar. Esse comércio começou a ser regulamentado pelo Ministério da Agricultura em 2004.

Nota da Redação: o uso de todas as partes dos corpos de animais pela indústria expõe a imensa exploração a qual os animais são submetidos. Tratados como objetos, eles são vistos como coisas que devem ser aproveitadas ao máximo para aumentar os lucros de quem os explora. Criados apenas para que sejam mortos, os animais são condenados a vidas miseráveis, nas quais experimentam todo tipo de sofrimento.

Comunidade ribeirinha educa crianças para evitarem a exploração turística de animais

As aulas, que tiveram o apoio da Proteção Animal Mundial, ajudaram a promover o conceito de bem-estar animal e alternativas éticas (Foto: Proteção Animal Mundial/Divulgação)

Até o final do ano passado, a comunidade ribeirinha Vila São Pedro, situada perto de Manaus, no Amazonas, desenvolveu um projeto de turismo responsável com crianças e adolescentes. O objetivo maior foi educá-los para evitarem a exploração turística de animais.

“Vi muitos comunitários mudarem seus hábitos por conta desse trabalho e, a partir de agora, podemos entender a situação com mais profundidade e trabalhar para mudá-la, especialmente a partir da formação das nossas crianças”, disse Ariana Coelho, líder comunitária e estudante de pedagogia, à organização Proteção Animal Mundial.

As aulas, que tiveram o apoio da Proteção Animal Mundial, ajudaram a promover ao longo de quatro anos o conceito de bem-estar animal e alternativas éticas, como o turismo de observação de animais na natureza. Segundo a organização, durante o evento de encerramento, os comunitários discursaram sobre a importância do turismo sustentável e sobre como é urgente proteger os animais da região, mantendo-os livres na natureza para que expressem seu comportamento natural.

A Vila São Pedro fica na rota do Day Tour Festival, um pacote turístico comercializado na região de Manaus que oferece aos turistas a oportunidade de tocar, alimentar e tirar fotos com diversas espécies da fauna amazônica – fato que também justifica a necessidade de qualificar as novas gerações para se oporem à exploração turística de animais.

Macacos são torturados e explorados nas ruas para entreter turistas

Macacos são cruelmente explorados e mortos em laboratórios de todo o mundo e, em circos e zoológicos, são forçados a aprender, com privação de alimentos, truques “engraçados” para divertir pessoas. Mas a maldade do homem não tem limites e, na Indonésia, eles são torturados e abusados nas ruas de Medan, a quarta maior do país, para entreter turistas e moradores.

Fotos angustiantes mostram os animais acorrentados pelo pescoço, vestem trajes bizarros, máscaras grotescas e andam de motocicletas em miniatura. Como não bastasse tamanha atrocidade, no fim dos “shows”, os pobres e indefesos macacos são mantidos em cativeiros minúsculos, escuros, sujos e com as correntes ainda em volta do pescoço.

Os homens que “cuidam” dos animais também foram registrados nas imagens pegando-os pelas mãos, pelos pés, deixando-os no chão, apenas para trocar as fantasias bizarras.

 

Quem capturou as terríveis imagens foi Sutanta Aditya, que visitou as ruas de Medan, na Indonésia, na semana passada. As informações são do Daily Mail.

Ela acredita que isto acontece devido a necessidades econômicas. “Os shows são controversos por causa da sensibilidade dos sentimentos humanos”.

Nada justifica torturar outras criaturas e as privar da liberdade em gaiolas e correntes de ferro para ganhar dinheiro.

“Se você está domando uma criatura de Deus, deve haver uma responsabilidade que vem disso. Sinto-me triste pelos macacos e espero que minhas fotos produzam pensamentos e ações”.

As tristes exposições também são encontradas na Índia, Vietnã, Paquistão, Tailândia, China, Camboja, Japão e Coréia do Sul.

 

 

 

Como os frangos sofrem com o rápido ganho de peso

Bilhões de frangos são mortos anualmente com idade de 40 a 45 dias (Foto: Getty)

Atualmente qualquer pesquisa realizada tanto no mercado nacional quanto internacional informa que os bilhões de frangos abatidos anualmente e em escala industrial no mundo todo são mortos com 40 a 45 dias de vida.

Ou seja, em um período de no máximo um mês e meio, um frango é condicionado a alcançar o peso de três quilos, o que é considerado ideal para o abate. Mas será que isso é saudável ou deveria ser visto com bons olhos?

Com o rápido ganho de peso, os animais tendem a sofrer porque seus músculos, ossos e órgãos se desenvolvem muito rápido, afetando a fisiologia das aves e tornando-as desproporcionais. Outros agravantes são distúrbios metabólicos, problemas respiratórios, calcificação e deformação dos ossos. Também não é tão incomum os frangos criados para consumo sofrerem ataques cardíacos.

Outro problema é que nesse sistema de produção, para lidar com os problemas gerados com o rápido desenvolvimento dos animais e com as doenças que surgem em um cenário de superpopulação, usa-se antibióticos, o que é apontado por diversos especialistas, incluindo pesquisadores do Centro de Ação contra a Resistência aos Antibióticos, da Universidade George Washington, dos Estados Unidos, como bastante problemático.

O motivo é que o uso de antibióticos já culminou no surgimento de bactérias multirresistentes, e que têm se adaptado ao organismo de animais e pessoas. Sendo assim, com tal consequência, os antibióticos passam a não ser tão eficazes nem para lidarem com problemas de saúde de animais nem de humanos. Basicamente, isso significa que, com o tempo, quem consome carne de animais afetados por bactérias multirresistentes também se torna vulnerável em um possível cenário de surgimento de doenças e ineficácia de antibióticos.

Há uma estimativa de que mais de 131 mil toneladas de antibióticos são utilizadas todos os anos nas cadeias de criação da pecuária mundial, o que gera um lucro de cinco bilhões de dólares para a indústria farmacêutica por ano.

Galgos descartados são maltratados e explorados para doar sangue

A triste vida dos galgos é fadada ao sofrimento desde o nascimento. Eles são explorados ainda muito pequenos para serem cães de corridas durante sua curta “vida últil”.

Com o desgaste excessivos dos músculos e ossos em competições, os animais sofrem de doenças crônicas após certo tempo em atividade. O destino final é o abandono ou a morte.

Escândalos recentes falam sobre mortes contínuas, uso de drogas nos animais e exportação ilegal.

Foto: PETA

A GREY2K USA, a maior organização sem fins lucrativos de proteção de cães galgo ingleses do mundo, resgatou dezenas deles de um matadouro na China, em junho de 2018.

O sofrimento para alguns animais não acaba quando são “aposentados” e, de alguma forma, ainda são torturados e abusados por pessoas  e empresas.

O Hemopet é uma empresa da Califórnia que afirma operar como um banco de sangue canino que “fornece componentes sanguíneos e suprimentos de última geração para transfusões para clínicas veterinárias em todo o país”.

Eles utilizam galgos que foram descartados da indústria de corridas e os “abrigam” em suas instalações, a fim de retirar regularmente seu sangue, que então é vendido para clínicas veterinárias na América do Norte e na Ásia para ajudar animais de domésticos doentes. Segundo eles, eventualmente, os galgos são colocados para adoção e encontram novos tutores.

Foto: PETA

À primeira vista, a missão do Hemopet parece bastante honrosa – mas os defensores do bem-estar animal têm sérias preocupações com o tratamento de cães nessa instalação.

No ano passado, um investigador da PETA ficou disfarçado no Hemopet por três meses e relatou que os galgos foram severamente maltratados e negligenciados.

Foto: PETA

“Os cães latem muito alto e persistentemente, e não há descanso para os animais com barulho constante”, disse Dan Paden, diretor associado de análise de evidências da PETA , ao The Dodo.

“Alguns dos trabalhadores gritavam com os cachorros: ‘Cale a boca, fique quieto, pare’, o que só aumenta o estresse, a ansiedade e o medo daqueles animais.”

“O investigador viu esses cães grandes, sociais e cheios de energia reduzidos a ‘bolsas de sangue’ de quatro patas “, disse Paden.

“Eles são mantidos em gaiolas tão pequenas que mal conseguem ficar de pé, mal conseguem se virar. Quando tentam se deitar, suas costas estão contra um lado da caixa, e dificilmente podem esticar seus quatro membros sem tocar o outro lado da grade.

Foto: PETA

Os cães só foram resgatados por dois motivos, segundo Paden – para doar sangue ou para uma curta caminhada.

“Os cães que foram descartados pela indústria de corridas … e, como todo cão, precisam de uma oportunidade para correr e brincar. Eles são retirados das gaiolas por apenas por cinco minutos e colocados em um caminho concreto como o chamado exercício”, ele disse.

Os galgos também não têm conforto e estímulo dentro de suas gaiolas. No máximo, eles podem ter um cobertor fino e um único brinquedo, disse Paden. Este confinamento terrível deixou muitos dos cães com problemas de saúde.

“A testemunha viu uma quantidade enorme de cães com de perda de pelos, calos e até bolsões de líquido acumulados nos membros desses animais”, disse Paden. “O veterinário que consultamos disse que todos esses problemas são os efeitos do confinamento constante em superfícies duras.”

Foto: PETA

Apesar de serem negligenciados por seus cuidadores, a maioria dos cães no Hemopet é desesperada por atenção, de acordo com Paden. Eles abanavam o rabo com força quando alguém se aproximava de seu canil – tanto que machucavam e quebravam as pontas de suas caudas. As informações são do The Dodo.

Estar preso em gaiolas era apenas um elemento da miséria dos cães – outro era o próprio processo de coleta do material. Os cães doam sangue a cada 10 ou 14 dias, e muitos ficaram doentes como resultado, de acordo com Paden.

Foto: PETA

“Muitos dos cães estavam à beira da anemia e com falta de glóbulos vermelhos”, disse Paden.

“Os cães ficavam letárgicos e apáticos após as retiradas e eram colocados de volta suas gaiolas sem monitoramento, o que é uma atitude perigosa e irresponsável. Sangramentos e hematomas no pescoço nos cães após a coleta de sangue é muito comum. ”

O sangue doado de cães são muito importantes para salvar vidas em clínicas veterinárias – alguns donos até mesmo oferecem seus animai como doadores, mas a forma como o Hemopet opera é extremamente controversa.

Nenhum dos cães é isento da coleta de sangue, inclusive aqueles doentes com condições como o lúpus. Tirar sangue de um cão doente não é apenas perigoso para esse cachorro em particular – também é perigoso para o cão que recebe o sangue, apontou Paden.

Mesmo vendendo sangue de cachorro por um alto preço, o Hemopet está registrado como uma organização sem fins lucrativos nos EUA, o que intrigou os defensores do bem-estar animal.

Foto: PETA

“Na verdade, fizemos uma queixa ao procurador-geral da Califórnia, pedindo-lhes para investigar, perguntando por que essa empresa tem status de instituição de caridade”, disse Paden.

“Encontramos discrepâncias muito grandes entre o que o Hemopet afirma em seu site e a verdadeira realidade dos animais – há falhas no exercício, na criação e nos cuidados dos animais”.

Paden também está preocupado com a afirmação do Hemopet de que é um centro legítimo de resgate e adoção.

“O investigador viu inúmeros cães que tinhas um cartaz sobre sua caixa, que dizia  ‘indo para casa’, o que supostamente indicava que esses cães haviam sido adotados”, disse Paden.

“Mas aqueles cães ficavam naquelas gaiolas e continuvam sendo sangrados por mais três ou quatro semanas. Eles não iam para casa porque Hemopet precisava encontrar outro cachorro para substituí-lo na fila de sangue.”

“Foi uma experiência reveladora e também muito dolorosa para a testemunha”, acrescentou Paden.

O The Dodo revelou que entrou em contato com o Hemopet  e que um porta-voz enviou uma declaração dizendo que a PETA “transmitiu informações infundadas sobre os serviços do Hemopet e dos bancos de sangue animal”.

A empresa enfatizou seu status de instituição de caridade e alegou ser uma “instalação exemplar” que leva em conta o bem-estar de seus cães.

“Nossos cães são atendidos por mais de 40 pessoas e voluntários adicionais que, direta e regularmente, andam e brincam com eles”, disse o porta-voz do Hemopet.

“Há uma escassez nacional de sangue seguro e compatível com o sangue para animais de companhia e de trabalho. Se não fosse pelos serviços de banco de sangue animal do Hemopet, inúmeros pacientes com necessidade de transfusões sofrerão e alguns morrerão”.

Enquanto o sangue é muitas vezes necessário para ajudar os animais de estimação doentes, Paden acredita que existem formas mais éticas de obter esse sangue.

“Há um número crescente de escolas de veterinária, que operam bancos de sangue comunitários bem-sucedidos, onde os animais, sejam cães ou gatos, vivem em casa com a família e, a cada três ou quatro meses, o guardião os leva até a clínica, ou até mesmo uma clínica móvel, e um técnico veterinário ou veterinário vai tirar sangue de animal com a finalidade de doá-lo”, disse Paden.

“Em troca disso, os animais recebem frequentemente cuidados veterinários gratuitos e, é claro, o animal chega em casa no final do dia, como um doador de sangue humano faria, e não apenas é jogado de volta em um ambiente não natural e estressante.”

Outra alternativa é que os veterinários peçam aos clientes que doem sangue de seus animais domésticos para ajudar outros animais em necessidade.

 

Zoo encerra apresentações de elefantes asiáticos  

Zoológicos são ambiente extremamente cruéis com os animais. Performances com elefantes e outras espécies causam grande sofrimento a eles, pois são forçados a se comportar de maneira não natural, o que causa danos a longo prazo em seus corpos. Tais atividades são alcançadas através da ameaça, violência e privação de alimentos para forçarem os animais a obedecerem comandos.

Foto: Animals Asia

Finalmente, o zoológico de Saigon, o maior do Vietnã, na Ásia, encerrou todas as apresentações com elefantes após anos de pedidos e manifestações de organizações de bem-estar animal, incluindo a Animals Asia .

Embora o zoológico não tenha feito nenhum anúncio formal de que os shows terminaram, a organização teria recebido garantias de que nenhum deles ocorreu desde dezembro de 2018. A organização também confirmou que as performances dos elefantes não serão reintroduzidas.

Como explicado no site da Animals Asia, durante anos, quatro elefantes foram forçados a fazer truques, como se levantar em suas patas traseiras e ficar de pé em banquetas todo fim de semana e feriados.

Foto: Animals Asia

“Estamos felizes pelo fato do zoo de Saigon ter percebido que os shows com elefantes são cruéis, desatualizados e totalmente em desacordo com os princípios do bem-estar animal”, afirmou o diretor de bem-estar animal Dave Neale em um comunicado.

“Oferecemos conselhos gratuitos de bem-estar para ajudar o zoológico a fornecer os mais altos padrões de atendimento para os elefantes e até nos propomos a disponibilizar veterinários qualificados para ajudar a cuidar de um dos animais que está parece estar doente”.

Infelizmente, eles ainda não aceitaram as ofertas de apoio da Animals Asia, mas elas continuarão disponíveis a qualquer momento porque, como a organização afirmou, ela “nunca se afastará de um animal em necessidade”.

Foto: Animals Asia

Oposição em toda a Ásia

Na China, a pressão da Animals Asia contra circos com animais em cativeiro resultou em uma diretriz do governo em 2011, proibindo o uso de animais em apresentações. No entanto, a mais recente investigação da organização sobre o desempenho zoológicos da China revelou que, a partir de 2018, mais de 30% deles, além de parques de safári não encerraram as atividades com exploração animal conforme a lei determinou.

Atualmente, o zoo de Saigon possui seis elefantes asiáticos, quatro dos quais foram forçados a se apresentar. Lamentavelmente, os seis continuarão em exibição pública em seus recintos.

A entidade de defesa dos direitos animais espera que esse seja o primeiro passo para acabar completamente com o confinamento dos elefantes em Saigon e que eles possam ser transferidos para um santuário, onde viverão o resto de suas vidas em paz.