Visita ao mercado de carne de cães e gatos na Indonésia choca ator de Downton Abbey

Cães amontados aguardam a morte em gaiolas apertadas | Foto: Dog Free Meat Indonésia

Cães amontados aguardam a morte em gaiolas apertadas | Foto: Dog Free Meat Indonésia

Massacrados na frente de seus companheiros de gaiola, cães aterrorizados esperam a sua vez de serem espancados, queimados, desmembrados e mortos no mercado de carne de cachorro da Indonésia, onde os filhotes são servidos em espetos.

Cães com olhares de extremo pavor aguardam amontoados em gaiolas pequenas e apertadas de arame. Dali eles só saem para apanhar até a morte, enquanto na barraca mais a frente gatos são queimados vivos, esta é a realidade assustadora do comércio de carne de animais na Indonésia.

Há mais de 200 mercados de carne “viva” nos países do sul da Ásia, o ator de Downton Abbey, Peter Egan, viajou para dois dos mais conhecidos, a fim de trazer a luz o sofrimento dos animais condenados a esse destino.

Essas cenas profundamente perturbadoras foram filmadas no “Extreme Market” de Tomohon e no Langowan Traditional Market, ambas localizadas na província de Sulawesi do Norte.

Esses mercados não só vendem carne de cães e gatos, como também oferecem répteis como pítons e lagartos aos clientes mais ávidos.

No entanto, é a carne de cães e gatos que parece ser essencial nesses locais e nunca faltar, infelizmente por trás disso mais de um milhão de animais são mortos por ano na Indonésia.

Vídeos dos dois mercados visitados por Egan, em companhia do grupo responsável pela campanha Dog Free Meat Indonésia (Indonésia Livre de Carne de Cachorro, na tradução livre), mostram animais apertados em gaiolas pequenas, num clima extremamente quente, aguardando o seu destino.

Os animais foram filmados a ponto de serem mortos bem à vista dos companheiros de gaiola, tornando a experiência o mais aterrorizante possível.

Depois de receberem várias pancadas na cabeça com enormes pedaços de madeira, os animais são queimados com maçarico para facilitar a retirada dos pelos.

No entanto, muitos dos pobres animais ainda estão se movendo ou se contorcendo enquanto as chamas são aplicadas em seus corpos.

“Nada até aqui me preparou para o horror doentio que eu testemunhei nesse mercado”, desabafou o Egan chocado.

O ator conta que, a parte visitada por eles, da Indonésia é mundialmente famosa por suas belas e únicas paisagens com montanhas vulcânicas, águas para mergulho perfeitas e praias lindíssimas, mas “a brutalidade monstruosa do comércio de carne de cães e gatos é o que vai permanecer comigo e me assombrará pelo resto da minha vida”.

“A absoluta indiferença ao sofrimento animal era chocante e dolorosa”, desabafa ele.

Egan conta que assistiu a inúmeros cães e gatos esperando para serem mortos e perder suas vidas da maneira mais brutal e cruel. “Não havia nada que eu pudesse fazer para tirar a dor deles, mas seus olhos suplicantes e o cheiro de virar o estomago de sangue e pêlo de cachorro em chamas são componentes de cenas do inferno que nunca esquecerei”.

O ator se assume um compromisso e se declara comprometido a expor todos os horrores que presenciou além de trabalhar junto a comunidade indonésia e mundial para “acabar com a crueldade abominável do comércio de carne de cães e gatos.”

Enquanto esteve lá, o Egan pagou a um comerciante para salvar quatro cachorros da morte certa, mas não conseguiu resgatar mais nenhum.

Filhotes de cães e gatos vendidos como espetos no mercado | Foto: Dog Free Meat Indonésia

Filhotes de cães e gatos vendidos como espetos no mercado | Foto: Dog Free Meat Indonésia

Apenas uma minoria de indonésios come carne de cachorro ou gato, mas aqueles que o fazem justificam-se alegando que elas têm propriedades curativas ou defendem o costume como uma tradição do país.

Ativistas dizem que a prática é cruel, dissemina doenças fatais como por exemplo a raiva e leva os ladrões a roubar cães domésticos para vendê-los aos comerciantes de carne.

Dog Free Meat Indonésia está lutando pela proibição total dessa prática cruel em toda a Indonésia, seguindo o exemplo de outros países da região, como Taiwan, Hong Kong, Filipinas e Tailândia.

Lola Webber, co-fundadora da Change For Animals Foundation e representante da DMFI que acompanhou Peter Egan aos mercados, disse: “Milhares de cães e gatos são mortos nos mercados de Sulawesi Norte a cada semana, e estima-se que 90% deles tenha sido roubados, sejam animais domésticos ou cães em situação de rua.

“Cerca de 80% são importados de outras províncias, o que é ilegal de acordo com a lei antirrábica do país que proíbe qualquer movimentação de cães através das fronteiras provinciais em áreas endêmicas da doença”.

A ativista conta que mesmo tendo visitado os mercados de carne de cães e gatos no norte Sulawesi inúmeras vezes, os horrores nunca deixam de levá-la ao desespero.

“Apesar de todas as denúncias da DMFI sobre a crueldade cometida nesses locais, dos alertas sobre os perigos para a saúde pública e do risco de transmissão de raiva, da condenação nacional e mundial e ainda das promessas de ação dos governos locais e centrais, os negócios continuam ocorrendo como sempre”, desabafa ela.

Meio bilhão de abelhas são encontradas mortas em três meses no Brasil

Nos últimos três meses, mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas por apicultores em quatro estados brasileiros, segundo levantamento da Agência Pública e do Repórter Brasil. Foram 400 milhões no Rio Grande do Sul, 7 milhões em São Paulo, 50 milhões em Santa Catarina e 45 milhões em Mato Grosso do Sul. As estimativas são de associações de apicultura, Secretarias de Agricultura e pesquisas feitas por universidades.

Especialistas indicam que a principal causa das mortes são agrotóxicos à base de neonicotinoides e de Fipronil, produto que foi proibido na Europa há mais de uma década. Fatais para insetos, esses produtos se espalham pelo ambiente quando aplicados por meio de pulverização.

Foto: Pixabay

Mais de 20% de todas as colmeias em Cruz Alta (RS) foram perdidas entre dezembro de 2018 e fevereiro deste ano, com cerca de 100 milhões de abelhas mortas. “Apareceram uns venenos muito bravos. Eles colocam de avião de manhã e à tarde as abelhas já começam a aparecer mortas”, relata o apicultor Salvador Gonçalves, presidente da Apicultores de Cruz Alta (Apicruz).

No Brasil, existem mais de 300 espécies de abelhas nativas. Cada uma é mais propícia para a polinização de determinadas culturas. A da Mamangaba, por exemplo, que é popularmente conhecida como abelhão, é a principal responsável por polinizar o maracujá. “O que aconteceria se esse inseto fosse extinto? Ou deixaríamos de consumir essas frutas, ou elas ficariam caríssimas, porque o trabalho de polinização para produzi-la teria que ser feito manualmente pelo ser humano”, explica Carmem Pires, pesquisadora da Embrapa e doutora em Ecologia de Insetos.

A pesquisadora explica que a presença de abelhas aumenta a safra até de lavouras que não são dependentes da ação direta dos polinizadores. “Na de soja, por exemplo, é identificado um aumento em 18% da produção. É importante destacar também o efeito em cadeia. As plantas precisam das abelhas para formar suas sementes e frutos, que são alimento de diversas aves, que por sua vez são a dieta alimentar de outros animais. A morte de abelhas afeta toda a cadeia alimentar”, diz.

Os agrotóxicos neonicotinoides, que se espalham por todas as partes da planta, e os venenos à base de Fipronil, que age nas células nervosas dos insetos e são aplicados através de pulverização aérea, são os principais inimigos das abelhas.

Na colmeia, as abelhas vivem em sociedades organizadas, nas quais cada inseto tem um papel. A abelha rainha é uma fêmea fértil que coloca os ovos. As abelhas operárias são responsáveis pela limpeza, coleta de néctar e pólen, alimentação das larvas, elaboração do mel e defesa do mel. Já os zangões são os machos que fecundam a rainha. Uma única colmeia pode abrigar até 100 mil abelhas.

A morte das abelhas por contato com agrotóxicos pode acontecer quando a operária sai para polinizar. Se ela não morre imediatamente e volta infectada para a colmeia, acaba contaminando as outras abelhas e o enxame morre em pouco mais de um dia.

Situação alarmante 

O Ibama afirma que não há dados oficiais sobre número de mortes de abelhas no Brasil. Os levantamentos são feitos por associações de apicultores e órgãos ligados à secretarias estaduais de Agricultura. O número de meio bilhão divulgado recentemente, porém, pode ser maior. Isso porque não é possível contabilizar as mortes de abelhas silvestres.

No Rio Grande Sul, dez municípios comunicaram à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural sobre casos de mortes de abelhas. São eles: Jaguari, Sant’Ana do Livramento, Alegrete, Santiago, Livramento, Bagé, Mata, Cruz Alta, Boa Vista do Cadeado, Santa Margarida. “O estado tem cerca de 463 mil colmeias. Dessas, cerca de 5 mil foram completamente perdidas. O prejuízo está em torno de 150 toneladas de mel”, conta Aldo Machado dos Santos, coordenador da Câmara Setorial de Apicultura gaúcha.

Foto: Pixabay

Desde 2005, casos de mortandade de abelhas foram identificados, pela reportagem da Agência Pública, em pelo menos dez estados brasileiros: Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Especialista em sanidade das abelhas, o engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Aroni Sattler, que trabalha na área desde 1973, afirma que as mortes de enxames se tornaram mais comuns na última década. “Devido ao meu trabalho, sempre recebi amostras de abelhas para análises, e vim percebendo que cada vez mais não havia sinais de doenças nos insetos que explicassem mortandades tão agudas”, explica.

No ano passado, o engenheiro foi procurado pelo Bioensaios, um laboratório privado, para orientar um trabalho sobre coleta de amostras em casos de mortandade, que analisou 30 casos ocorridos no Rio Grande do Sul. Os resultados indicaram que cerca de 80% dos enxames ingeriram ou tiveram contato com Fipronil antes de sucumbir.

“Pelos sinais clínicos e pelo histórico apresentado pelos apicultores, percebemos que os agricultores da região misturavam o Fipronil no tanque junto com dessecantes desde o preparo do solo, passando pela fase vegetativa do cultivo e depois na hora da colheita. Se trata de um inseticida, e as abelhas são um tipo de inseto, por isso o ingrediente é bastante tóxico para elas”, detalha o engenheiro, que lembra que o contágio pode ter ocorrido até em insetos que não apresentam vestígio dos agrotóxicos. “Nos outros 20% é notado que a coleta das amostras não foi feita adequadamente, ou foi feita em um período muito longo após a mortandade, o que dificulta a identificação dos tóxicos”, completa.

“O impacto do uso desses agrotóxicos atinge um raio de 3 a 5 quilômetros das lavouras. Tudo no entorno desaparece”, afirma Sattler, que fez análises de abelhas mortas e emitiu 30 laudos que comprovam o contato dos insetos com pesticidas.

A falta de informação, segundo o engenheiro, também é um problema. “Há casos de mortandade que acontecem porque os agricultores utilizam o agrotóxico de modo errado, ou até mesmo, por falta de conhecimento, eles acham que a abelha prejudica a lavoura e passam veneno”, explica.

Há, segundo o coordenador da Câmara Setorial de Apicultura do Rio Grande do Sul, Aldo Machado, a necessidade de realizar uma ação de conscientização. “Precisamos de agrônomos nos campos, acompanhando essas aplicações, vendo se está sendo feito conforme a bula”, diz.

Sobre denúncias, Machado afirma que o canal indicado são as defensorias agrícolas ligadas às secretarias estaduais ou municipais, além da Polícia Militar Ambiental e a Polícia Civil. “O apicultor tem que vencer o medo e denunciar. Há dois anos, após um grande surto de casos no Rio Grande do Sul, fizemos um levantamento e só existiam dois registros de denúncia. Sabíamos que estava ocorrendo mais, mas sem denúncia não se torna oficial para o governo”, explica. Apenas no município de em Cruz Alta, segundo a Associação dos Apicultores de Cruz Alta (Apicruz), entre 2015 e 2016, cerca de 50 milhões de abelhas morreram. No último trimestre, a estimativa é de mais de 100 milhões.

Há dificuldades, porém, para identificar o culpado pela morte. “Em Cruz Alta, por exemplo, há diversos produtores de soja. Existe a dificuldade de provar quem colocou esse princípio ativo na lavoura. Em muitos casos, diversos produtores utilizam o agrotóxico, aí fica difícil encontrar um culpado para cada caso específico”, pontua.

A Lei Federal 7.802/89, conhecida como Lei dos Agrotóxicos, estabelece como responsáveis pela fiscalização os órgãos estaduais, que são às secretarias de Meio ambiente ou de Agricultura dos estados. A morte de abelha, neste contexto, configura crime ambiental, já que, segundo o artigo 56 da Lei de Crimes Ambientais, é crime “produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos”.

No entanto, há grande dificuldade, segundo o Ibama, para comprovar que a mortandade ocorreu pelo uso dos pesticidas em desacordo com instruções autorizadas no registro. “Quando isso fica comprovado – uso onde não devia, na quantidade que não devia, na época que não devia, usando equipamento que não devia e causando a mortalidade – aí se enquadra no artigo e se trata de crime ambiental”, informa o órgão.

Mortes em São Paulo

Entre 2014 e 2017, um mapeamento sobre os fatores que contribuem para morte de enxames, feito com a participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), contabilizaram a morte de 255 milhões de abelhas em 78 cidades.

Segundo o professor e pesquisador da Unesp Rio Claro Osmar Malaspina, que é um dos responsáveis pelo estudo,  os casos em São Paulo estão ocorrendo desde 2005. “Eles se acentuam a partir de 2012, e até aquele momento os apicultores não sabiam como, mas todas as abelhas passavam a morrer do nada e em menos de 24 horas. A grande suspeita era de agrotóxicos, mas até aquele momento não tínhamos uma análise para provar isso”, afirma.

Em 2013, o projeto Colmeia Viva teve início. Com um telefone 0800 para denúncias, o projeto conta com o patrocínio de empresas produtoras de agrotóxicos. “Após a análise, entregamos um laudo para cada criador, que era público. E ele poderia usá-lo para entrar com ação na Justiça”, explica.

No ano passado, o relatório do mapeamento foi lançado com conclusões direcionadas à criação de um plano de ação nacional para boas práticas na aplicação de agrotóxicos. A iniciativa contou com 222 atendimentos a apicultores, com 107 visitas ao campo. Em 88 dos casos, abelhas foram coletadas para análise na relação dos insetos com agrotóxicos. Em 59 deles, o resultado foi positivo para resíduos de pesticidas. Em 27, a suspeita é o uso do agrotóxico tenha sido feita fora da lavoura onde fica a colmeia e em 21 o uso incorreto teria ocorrido dentro da própria residência – 11 foram causados por produtos à base de neonicotinoides e 10 à base de Fipronil. Um trabalho educativo também foi feito com agricultores.

“Nos últimos meses estamos percebendo uma queda nas ocorrências de mortandade, mas ainda temos que esperar mais alguns anos para fazer um novo estudo que confirme isso e nos mostre os motivos”, explica. Nos últimos dois meses, as mortes em colmeias reduziram para aproximadamente 25.

Foto: Pixabay

Devido às mortandades, o Ibama iniciou a reavaliação de ingredientes químicos usados em plantações em 2012. O órgão tem avaliado o neonicotinoides Imidacloprid e os neonicotinoides Clotianidina e o Tiametoxam. Em seguida, serão iniciados os testes com o Fipronil.

Em julho de 2012, o Ibama proibiu a pulverização aérea do ingrediente ativo Imidacloprid e determinou que todos os produtos deveriam conter o seguinte aviso na embalagem: “este produto é tóxico para abelhas. A aplicação aérea NÃO É PERMITIDA. Não aplique este produto em época de floração, nem imediatamente antes do florescimento ou quando for observada visitação de abelhas na cultura. O descumprimento dessas determinações constitui crime ambiental, sujeito a penalidades”. No entanto, na época, o Ministério da Agricultura alegou que a aplicação aérea do produto era necessária e, três meses depois, ficou autorizada a pulverização para culturas de arroz, cana-de-açúcar, soja, trigo e algodão.

Devido à reavaliação dos agrotóxicos mais nocivos às abelhas, o Ibama criou em 2015 um Grupo Técnico de Trabalho para debater procedimentos que podem ser adotados para proteger esses insetos. As reuniões do grupo são bimestrais e contam com 13 participantes do setor acadêmico, da Embrapa, da Indústria e também do Ministério do Meio Ambiente. O objetivo é propor uma avaliação obrigatória de risco de agrotóxicos para abelhas, mas não há previsão para isso.

Diante desse cenário, o Ministério Público Federal iniciou procedimentos para cobrar respostas sobre as mortes das abelhas em cinco procuradorias estaduais: no Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, segundo a Procuradoria-Geral da República.

Uma ação civil pública tramita na 9ª Vara Federal de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, ajuizada em 2017 contra o Ibama. O objetivo da ação é obrigar a autarquia a concluir, no prazo de seis meses, o processo de reavaliação da substância Imidacloprid. O Ibama, porém, diz ter dificuldades para conclusão do processo nesse prazo e afirma que está construindo protocolos de testes, por se tratar de avaliações inéditas no país. Para realizar as reavaliações, o Ibama mantém uma equipe com três biólogos, um químico e um zootecnista.

Legislação para salvar as abelhas

Alguns países têm adotado leis para proteger zangões, rainhas e operárias. A União Europeia proibiu o Fipronil há mais de dez anos. Na França, ele foi proibido em 2004, quando cerca de 40$ das abelhas criadas por apicultores morreram. Em 2013, os neonicotinoides tiveram os registros congelados por dois anos e em 2018 foram banidos.

Nos Estados Unidos, um relatório do Departamento de Agricultura americano (USDA) concluiu que quase um terço das abelhas de colônias do país morreram durante o inverno de 2012/2013. Diante disso, no ano seguinte, o uso de neonicotinoides em áreas de vida selvagem foi proibido pelo então presidente americano Barack Obama.

Para lembrar a importância desses insetos, foi criado o Dia Mundial das Abelhas, celebrado em 20 de maio. Para defendê-las, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), criou o Código Internacional de Conduta para o Manejo de Pesticidas. A organização lembra, no entanto, que as abelhas continuarão em risco enquanto os agrotóxicos não forem reduzidos.

“Não podemos continuar nos concentrando em aumentar a produção e a produtividade com base no uso generalizado de pesticidas e produtos químicos que ameaçam os cultivos e os polinizadores”, alertou o diretor-geral da agência da ONU, José Graziano da Silva.

As abelhas são os principais polinizadores da maioria dos ecossistemas do planeta. No Brasil, das 141 espécies de plantas cultivadas para a alimentação de humanos e animais, cerca de 60% dependem em certo grau das abelhas. De acordo com a FAO, 75% dos cultivos voltados para a alimentação da população no mundo precisam das abelhas.

Jaguatirica atropelada em rodovia morre após ser resgatada

Uma jaguatirica foi resgatada após ser atropelada no km 6 da rodovia João Hipólito Martins, conhecida como Castelinho, em Botucatu, no interior de São Paulo.

Unesp Botucatu/Divulgação

O animal foi levado, na quinta-feira (7), ainda com vida, para o Centro de Pesquisa e Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O resgate da jaguatirica, que era um macho adulto, foi feito pela equipe da Concessionária Rodovias do Tietê, por volta das 7 horas. As informações são do portal JCNET.

Após ser resgatado, o animal foi diagnosticado com hemorragia interna torácica e morreu pouco tempo depois de dar entrar no Cempas.

A jaguatirica é uma espécie presente do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina. O animal, porém, já foi extinto em algumas regiões e, no Brasil, é considerado vulnerável à extinção, sob ameaça principalmente por causa da destruição do habitat.

Tutores criam lista de atividades para os últimos dias de seu cachorro


Natasha Bull e Aarron Brown, de Hope Island, na Austrália, montaram uma lista de atividades obrigatórias para “Turbo”, um american staffordshire terrier, de dez anos de idade, depois de descobrir que ele tem pouco tempo de vida.

Tudo começou quando o cão começou a ter problemas para caminhar, seus tutores o levaram para um veterinário que alertou que possivelmente poderia ser câncer nos ossos.

Em uma tentativa de tornar seus últimos dias o mais agradáveis, o casal criou uma lista de desejos para seu adorável cão, que eles descrevem como “um grande bobão”.

“Eu chorei sabendo que ele não estava fazendo o melhor”, disse Bull ao Daily Mail Australia.

“Ele deslocou o ombro e, a partir daí, tudo piorou, por isso precisa de mais testes para descobrir mais”, acrescentou.

“Nossa família está apoiando e quer participar da aventura. Nós já falamos de três coisas até o momento em que nós começamos a lista de desejos na semana passada”.

“Nós comemos um cheeseburger hoje, sorvetes na praia e tomamos uma cerveja”, acrescentou ela.

Bull criou uma conta no Facebook e no Instagram para documentar os últimos dias de “Turbo”.

A lista completa também inclui outras atividades, como: tomar café da manhã na cama, comer em um café para cães, assistir a um filme no drive-thru, fazer um piquenique no parque e escolher um brinquedo no pet shop.

Só quem realmente ama um animal pode entender o que estes momentos significam para um tutor. Nada apaga a dor da perda é irreparável, mas guardar boas e felizes recordações ameniza o sofrimento pela partida destas criaturas fantásticas.

A ligação forte ligação entre cães e humanos é recíproca e ultrapassa o entendimento e a aceitação de algumas pessoas. Perder, em ambos os lado, é extremamente impactante e pode trazer sérias consequências.

Especialistas começam a abordar o luto animal mas já existe o consenso de que bichinhos sofrem tristeza pela ausência momentânea (no caso de viagens, por exemplo) ou permanente de alguém ou de algum animal próximo. Pesquisas também comprovam que os animais podem ter depressão.

“A psicologia animal está investigando o tema, mas alguns sentimentos são entendidos como humanização: o luto é algo humano, de apego emocional após um elo construído. Nesse formato, não se conhece nada nas espécies animais, mas vemos que cães, gatos e até animais silvestres demonstram carinho e dependência e que, na perda do tutor ou do companheiro, podem ter depressão – esta, sim, uma patologia reconhecida, que pede tratamento psicoterápico”, diz a médica veterinária Fabíola Paes Leme.

Ela explica que cães abandonados também podem apresentar a doença, bem como os que lidam com a chegada de outro animal ou de um bebê a seu lar. “Há cães que, inclusive, morrem por depressão. Parece extremo, mas a dor do abandono traz efeitos físicos, e esse sofrimento é tão grande quanto o nosso”, diz.

Corridas de cavalos são canceladas após a morte de 21 animais

Foto: Santa Anita Park Horse

Uma investigação sobre as mortes de 21 cavalos de corrida levou ao cancelamento por tempo indeterminado as corridas no popular circuito de Santa Anita.

De acordo com o Los Angeles Times, a medida foi tomada para que os especialistas pudessem continuar estudando a pista, na esperança de descobrir o que causou o súbito aumento dramático das mortes desde 26 de dezembro.

O Santa Anita Handicap e o San Felipe Stakes, considerado uma “grande corrida preparatória para crianças de 3 anos de idade no caminho para o Kentucky Derby”, serão adiados.

O local já havia sido fechado no fim do mês passado, pela morte de 19 animais em menos de dois meses, mas uma semana depois foi reaberto, causando revolta de ativistas que protestaram do lado de fora da pista com placas dizendo “Suas apostas causam mortes de cavalos” e “Quantos têm que morrer?”

A PETA ajudou a organizar as manifestações e divulgou um comunicado dizendo que a suspensão das corridas é “a coisa certa a fazer”.

A organização está pedindo que os procuradores distritais do condado de Los Angeles investiguem as mortes, observando que o cavalo pode ter tido ferimentos “não-revelados”, uma ocorrência comum. O grupo também pediu ao California Horse Racing Board para investigar os treinadores de todos os cavalos que morreram, assim como rever todos os registros veterinários. As informações são do LiveKindly.

“Se 19 jogadores de futebol morreram durante uma temporada, você pode apostar que a NFL estaria sob uma séria investigação”, disse PETA.

De acordo com a HorseracingWrongs, uma organização que trabalha para acabar com corridas de cavalos por meio da educação nos Estados Unidos, mais de dois mil cavalos morrem correndo ou treinando em pistas americanas anualmente.

Baleia encalha em praia e é enterrada após ser sacrificada no RS

Uma baleia-jubarte encalhou em Mostardas, no Rio Grande Sul, na última semana, e após ficar encalhada por dias, teve que ser sacrificada na segunda-feira (4). Após passar por uma necrópsia, o animal foi enterrado na terça-feira (5).

Foto: Divulgação / Ceclimar/Ufrgs

Amostras do corpo do animal foram coletadas por biólogos do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos da UFRGS (Ceclimar) na tentativa de descobrir o motivo do encalhe. A bióloga Janaína Carrion Wickert contou que a baleia não apresentava ferimentos, mas estava magra e debilitada. As informações são do jornal GaúchaZH.

Especialistas afirmam que o animal estava sofrendo e que a logística para salvá-lo era impossível, já que seriam necessários dois barcos de porte grande, cordas, correntes e uma maré alta. A aproximação das embarcações não foi possível, porém, devido à maré muito baixa.

Com 12 metros de comprimento e cerca de 25 toneladas, a baleia tinha entre dois e seis anos de idade, faixa etária em que é considerada “um filhotão”.

A presença de baleias na costa do Rio Grande do Sul tem se tornado mais frequente, uma vez que a população dessa espécie está em crescimento. Nos últimos cinco anos, foram encontradas sete baleias-jubarte encalhadas na orla do litoral gaúcho – cinco delas chegaram mortas à praia.

Leão mata homem que o mantinha em cativeiro na República Tcheca

Um homem foi morto por um dos leões que ele mantinha em cativeiro no quintal de casa no município de Zechov, na República Tcheca. Michal Prasek tinha 33 anos e o corpo dele foi encontrado pelo pai dentro de uma jaula trancada por dentro.

Foto: Zdenek Nemec / MAFRA / Profimedia/BBC

Prasek confinava dois leões em sua casa, um macho de nove anos, responsável por matá-lo, e uma fêmea mais nova. Os dois viviam em compartimentos separados, privados da vida em liberdade.

Após a morte de Prasek, os dois leões foram mortos a tiros pela polícia. Tratados como animais domésticos, os animais que passaram a vida aprisionados também perderam o direito de viver. Segundo a polícia, matá-los era a única forma de recuperar o corpo. Os policiais não explicaram porque não foram utilizados tranquilizantes, que preservariam a vida dos animais, ao invés de tiros.

O leão macho foi comprado por Prasek em 2016. Um ano depois, ele comprou a leoa. O objetivo dele era reproduzir o casal, condenando filhotes a ter a mesma vida dos pais. As informações são do portal BBC.

Ele mesmo construiu jaulas no quintal de casa, apesar das licenças para a construção terem sido negadas e Prasek ter sido multado pela criação dos animais. As autoridades tentaram intervir no caso, mas o homem passou a impedir que entrassem em sua propriedade. Além disso, não havia um local alternativo para encaminhar os leões, nem provas de maus-tratos. Por essa razão, as autoridades alegam que não poderiam retirar os animais da casa de Prasek à força.

No verão passado, a leoa foi parar nas manchetes dos jornais locais após um ciclista colidir com o animal durante um passeio. Ela caminhava na rua com Prasek amarrada a uma corrente. Na época, a polícia foi acionada, mas o caso foi considerado apenas um acidente de trânsito.

Nota da Redação: aprisionar animais selvagens em cativeiro para tratá-los como se fossem domésticos, no intuito de realizar um desejo do próprio ego, é uma prática extremamente cruel. Matá-los, como ocorreu na República Tcheca, é igualmente grave. Isso porque esses animais devem ter resguardados os direitos à vida e à liberdade, que não podem ser retirados deles em hipótese alguma.

Cavalo debilitado abandonado ao relento morre após ser resgatado

Um cavalo morreu após ser resgatado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Goiânia, em Goiás. Ele havia sido abandonado, com a saúde debilitada, no Setor Madre Germana 2.

(Foto: Reprodução/Instagram)

Testemunhas contam que o animal foi deixado ao relento no local, no sábado (3). Apesar dos cuidados recebidos, ele não resistiu aos ferimentos e morreu no domingo (4).

O resgate do animal foi feito após moradores da região usarem as redes sociais para denunciar o caso de abandono. Acionados, o Corpo de Bombeiro e o Batalhão Ambiental da Polícia Militar estiveram no local. Devido ao estado de saúde do cavalo, foi necessário levá-lo ao CCZ. As informações são do portal Mais Goiás.

A morte do animal foi confirmada pelo vereador Zander Fábio, que esteve no Centro de Controle de Zoonoses para acompanhar o caso. Através das redes sociais, o parlamentar lembrou que o cavalo foi deixado em um pasto sob chuva e sereno e que ele estava com a saúde fragilizada.

“Estivemos no CCZ hoje pela manhã em companhia da médica veterinária @carla_m_amorim, na tentativa de levar alguma ajuda a esse animal. Infelizmente não havia mais o que fazer para salvar este”, lamentou o vereador.

MP denuncia matadouro que abate animais a marretadas no Pará

Além da crueldade, o matadouro situado às margens da Transamazônica também contaminou o solo ao descartar partes de animais mortos (Fotos: Getty/MPPA)

Em Medicilândia, no Pará, um matadouro localizado no km 90 da rodovia BR-230 abate animais a marretadas, de acordo com informações do Ministério Público do Pará (MPPA), que denunciou a situação e ajuizou uma ação contra o proprietário e a prefeitura.

Além da crueldade, o matadouro situado às margens da Transamazônica também contaminou o solo ao descartar partes de animais mortos. Um relatório da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) confirmou que o abatedouro não deveria estar em funcionamento.

A ação do MPPA exige o fechamento definitivo do matadouro, a descontaminação do solo e o pagamento de multa de R$ 200 mil.

Cão morre em incêndio após homem atear fogo em casa da ex-esposa

Um cachorro morreu em um incêndio após um homem atear fogo na casa da ex-esposa na segunda-feira (4) no município de Serra, no Espírito Santo. O caso aconteceu no bairro Novo Horizonte.

(Foto: Pixabay / Ilustrativa)

De acordo com o montador de andaimes Edilucio Alcântara da Conceição, de 37 anos, uma adolescente de 14 anos que estava na residência tentou salvar o cachorro, da raça poodle, mas foi alertada sobre o risco de entrar no local. As informações são do jornal Gazeta Online.

Horas depois do fogo ser controlado, o corpo do cachorro, chamado Dog, foi encontrado no segundo andar da casa. “Eles estavam preocupados com o cachorro, mas se fossem procurar pelo bichinho, poderiam se queimar ou até morrer por causa da fumaça. Foi tudo muito rápido. Infelizmente, o animal morreu”, disse Edilucio.

(Foto: Ricardo Medeiros)

O homem ateou fogo na casa durante a madrugada. Ele chegou na casa por volta da meia noite para tentar reatar o casamento com a auxiliar de serviços gerais de 47 anos, que não teve a identidade revelada. A mulher não concordou em voltar a viver com o homem, mas permitiu que ele dormisse no sofá da casa, no primeiro andar. Por volta das 4 horas, ele acordou, ateou fogo no imóvel e fugiu.

No local, estavam quatro pessoas, dentre elas uma grávida de seis meses. Eles pularam de uma altura de cerca de quatro metros para fugir do fogo. Feridos devido ao impacto da queda, todos foram levados ao Hospital Jayme Santos Neves. O cachorro, no entanto, não teve a oportunidade de sair do local e acabou morrendo.