Cacatuas caem mortas do céu na Austrália e ONG denuncia envenenamento

Cacatuas mortas caíram do céu na Austrália, assustando moradores da pequena cidade de One Tree Hill. Membros da ONG de proteção animal Casper’s Bird Rescue suspeitam de envenenamento. Segundo a entidade, 60 animais caíram enquanto voavam pelo município.

(FOTO: SARAH KING/CASPER’S BIRD RESCUE)

De acordo com equipes de resgate da entidade, a cena pareceu com “algo saído de um filme de terror”. As aves sangravam pelos olhos e bico durante a queda e algumas delas ainda estavam vivas quando foram encontradas.

“Não é uma morte instantânea. Isso causa sofrimento. Leva algumas semanas para funcionar. Começa internamente e tem hemorragia interna. É uma morte horrível e lenta”, disse Sarah King, fundadora da ONG, ao falar sobre a morte por envenenamento, em entrevista ao The Guardian.

Um conselho local propôs, em março, que uma espécie específica de cacatua, que se reproduziu em larga escala no país, fosse morta. No entanto, de acordo com King, a maior parte das aves encontradas mortas eram de outra espécie, que é protegida pelo governo.

(FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

“É um fato importante para ser exposto. Dos 60 e poucos que encontramos, apenas três eram de espécies não protegidas. Esta não é a maneira de lidar com nada. Também é contra a lei”, afirmou.

As autoridades locais propuseram que as aves fossem mortas sob a cruel justificativa de que elas incomodam a comunidade. Ativistas pelos direitos animais discordam do governo e sugerem outras alternativas para lidar com o problema, sem matar os animais.

De acordo com King, o caso das 60 cacatuas encontradas mortas após caírem do céu será investigado para que os responsáveis pelo envenenamento sejam identificados.


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Dia do Cooperativismo: trabalho em equipe é característica de aves, peixes e insetos

Hoje, 4 de julho, celebra-se o Dia do Cooperativismo. No mundo animal, a cooperação é uma prática bastante comum. Alguns animais, como aves, peixes e insetos têm como característica o trabalho em equipe. Juntos, eles somam esforços e obtém melhores resultados.

Foto: Pixabay

Entre os insetos que promovem ações em grupo estão as formigas e as abelhas. As primeiras são conhecidas por se organizarem de maneira exemplar para obter o resultado desejado. Unidas, as formigas formam grandes grupos e transportam objetos significativamente maiores e mais pesados do que elas. Na hora de proteger o formigueiro, elas também mostram a força que da união, além de dividirem tudo de forma igualitária.

Nas colmeias não é diferente. As abelhas dividem tarefas diariamente, por meio de estímulos visuais, auditivos, táteis e químicos. A forma como esses insetos se organizam se assemelha, inclusive, ao comportamento social humano. Isso porque as abelha dividem tarefas e responsabilidades e formam castas e gerações que trabalham em prol do bom funcionamento da colmeia.

Além dos insetos, outros seres do reino animal se organizam em grupos, como os pássaros. Ver um grupo deles voando de maneira sincronizada é bastante comum e demonstra o quão organizados e unidos eles são. Algumas espécies, como os estorninhos, chegam a desenhar uma perfeita formação no céu durante o voo. O objetivo é confundir predadores naturais ao criar a ilusão de uma só unidade. Segundo informações do portal Pensamento Verde, essas aves executam um cooperativismo exemplar, que precisa ser extremamente bem executado, já que um erro pode levar à colisão de um pássaro com outro, em alta velocidade, o que danificaria a unidade do grupo e, por consequência, a tática de proteção a predadores, e também poderia causar lesões nesses animais.

Foto: Pixabay

No entanto, não é só no momento do voo que os pássaros se unem. No caso do papa-moscas-preto, o trabalho em grupo garante a sobrevivência da espécie. Com a aproximação de um predador, o pássaro emite um guincho alto, alertando as demais aves e fazendo com que elas se unam para defender o grupo.

A união como tática de defesa contra os predadores também é usada pelos peixes. Juntos, eles formam cardumes que, com a sincronia do nado, tornam-se uma única unidade que faz com que os predadores não tenham força para atacar um peixe específico, diminuindo assim as chances desses animais serem mortos.

Foto: Pixabay


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Vídeo secreto revela abuso sofrido por galinhas em fazenda de produção ovos

Foto: Animal Liberation/Facebook

Foto: Animal Liberation/Facebook

Uma filmagem contendo imagens fortes de crueldade contra os animais surgiu nas redes sociais mostrando funcionários de uma fazenda de criação torturando e abusando de galinhas nas instalações dessa que é uma das maiores produtoras de ovos da Austrália.

Vídeos secretamente gravados por ativistas dos direitos animais, da ONG Liberação Animal, flagraram a forma repugnante que os trabalhadores tratam as galinhas na fazenda de aves de Bridgewater, em Victoria na Austrália.

Na filmagem, um grupo de funcionários da fazenda manipula brutalmente centenas de galinhas que estão sendo enviadas para serem mortas por gas após serem consideradas não mais valiosas (lucrativas financeiramente, com apenas 18 meses de idade).

Os rótulos Loddon Valley Eggs, Ovos Frescos Vitorianos e Ovos Frescos Caseiros vêm todos da Bridgewater Poultry e foram vendidos anteriormente em Woolworths e Coles.

As galinhas da fazenda foram filmadas sendo chutadas, jogadas no chão e tendo seus pescoços quebrados por diversão enquanto os funcionários riam.

“Eu odeio quando suas cabeças caem desse jeito”, diz uma funcionária em um momento no vídeo.

“Sim, parece bom, olha”, responde um trabalhador do sexo masculino.

Galinhas demoram mais de dois minutos pra morrer em câmara de gás | Foto: Animal Liberation/Facebook

Galinhas demoram mais de dois minutos pra morrer em câmara de gás | Foto: Animal Liberation/Facebook

“Oh, você é cruel”, a mulher diz enquanto uma galinha se contorce no chão. Os outros trabalhadores podem ser ouvidos rindo enquanto todos assistem a galinha sofrer.

“Oh, o que você está fazendo esticando sua cabeça para fora pra quê?”, Diz outro homem.

Em outro ponto, um trabalhador puxa violentamente as galinhas de uma fileira de minúsculas gaiolas e parece jogá-las no chão de forma agressiva, neste momento seus cacarejos se calam.

“Ela pulava de um lado para o outro, com a cabeça quebrada”, diz o trabalhador.

“Pequena desgraçada”, acrescenta ele, antes de atirar o animal no chão.

Muitas das galinhas são gravemente feridas e tem os ossos quebrados antes mesmo de chegarem à sala da morte por gás.

Foto: Animal Liberation/Facebook

Foto: Animal Liberation/Facebook

Libertação Animal NSW afirma que esta é a primeira vez que imagens do abuso contra galinhas poedeiras sendo gaseificadas (mortas por gás) em uma fazenda de ovos da Austrália.

Matar animais é um ato injustificável, porém, em uma medida paliativa perante a indústria de ovos, especialistas consideram a gaseificação com CO2 é considerada uma das formas mais humanas de morte das galinhas, embora o vídeo mostre que os animais podem levar mais de dois minutos para todas as aves asfixiarem.

Este vídeo conta a história, praticamente invisível, da prática padrão da indústria de ovos de morte de galinhas poedeiras “gastas” (também conhecido como “despovoamento”), disse o grupo de defesa dos animais em um comunicado.

“O despovoamento é realizado quando as galinhas atingem aproximadamente 18 meses de idade (12 meses de postura de ovos), pois a produção de ovos diminui e, portanto, não ela não são consideradas mais viáveis economicamente”.

“Essa realidade é a mesma para rótulos de ovos orgânicos, produzidos em gaiolas ou livres de gaiolas/celeiros, aprovados pela RSPCA. Todos podemos ajudar a interromper este ciclo, deixando ovos e produtos de ovos fora de seu prato. ”

Em resposta ao vídeo, a fazenda Bridgewater Poultry disse que ficou “entristecida e profundamente chocada” com a filmagem, alegando que os trabalhadores do vídeo eram funcionários de um terceiro contratado.

Foto: Animal Liberation/Facebook

Foto: Animal Liberation/Facebook

“Essa conduta aparente não foi aceita, aprovada ou permitida de qualquer forma pela gerência ou pela equipe da Bridgewater Poultry Farm”, diz o comunicado.

“A Bridgewater Poultry Farm pede à Animal Liberation e à pessoa ou pessoas na posse do vídeo que forneça imediatamente a filmagem bruta, não editada e não modificada para a polícia ou às autoridades responsáveis, para que os indivíduos envolvidos nesta conduta possam ser investigados e se as autoridades relevantes considerarem apropriado, punidos.”

Maltratar, explorar, matar animais, aves ou qualquer vida é um crime, se não previsto na legislação de todos os países é um crime moral contra o direito de todo e qualquer ser de viver e ser livre, assim como nasceu.

Ao explorar animais e o meio ambiente por dinheiro e ambição e dispor deles quando bem entende, a humanidade apenas se cobre de vergonha e culpa enquanto assiste ao planeta caminhar para o colapso de seus recursos.

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Documentário conta a história da mulher que arriscou tudo para resgatar e abrigar aves

Foto: Supplied

Foto: Supplied

O documentário premiado, For The Birds (Pelos Pássaros, na tradução livre), dirigido pelo cineasta vegano Richard Miron, tem atraído a atenção do publico e da crítica por onde passa.

O filme consta a história de Kathy cujo amor por seus patos, galinhas, gansos e perus – todos os 200 deles – chama a atenção de resgatadores de animais locais e coloca seu casamento em perigo”, diz a sinopse do filme.

Miron conheceu Kathy em 2011, quando ele estava trabalhando como voluntário para o santuário Woodstock Farm Sanctuary. Miron seguiu com sua câmera enquanto os trabalhadores do abrigo tentavam negociar com Kathy a liberação de seus animais domésticos.

Mas a devoção de Kathy a seus pássaros – e seu fervor em proteger a vida que construiu com eles – logo fascinou Miron, cujo filme contempla o impacto do amor de Kathy pelas aves.

“For the Birds” permanece com Kathy por mais de cinco anos, documentando as consequências pessoais e jurídicas da paixão de Kathy, observando sem julgamentos sua luta, seu sofrimento e suas alegrias, segundo o site Plant Based News.

“Quando fui fazer esse filme, meu plano inicial era contar uma história sobre resgate de animais, mas apresentá-lo sob de vários pontos de vista”, diz Miron.

“Mas como a história teve incontáveis reviravoltas nos últimos cinco anos, ela se transformou em algo que eu nunca poderia ter previsto. Quanto mais eu filmava, mais inspirado eu era para me aprofundar na história humana permeando a história dos pássaros.”

Mas o que faz “For the Birds” se destacar é sua edição primorosa de acordo com o New York Times, que cuidadosamente constrói uma história a partir de múltiplas perspectivas, simpatizando com Kathy, Gary e os trabalhadores do santuário Woodstock Farm Sanctuary. Miron evita conclusões fáceis sobre o que leva Kathy a resgatar as aves e seu amor por elas, e ele fica com ela o tempo suficiente para a sua história surpreender.

A recompensa de sua paciência é um retrato psicológico que desenvolve mais mistérios quanto mais revela. De sujeira e do abandono, brota a vida – não menos preciosa por suas origens enlameadas ou tristes.

O documentário, que foi exibido em mais de 20 festivais de cinema ao redor do mundo, recebeu o Grande Prêmio do Júri de Melhor Documentário no New Orleans Film Festival e no Ridgefield Independent Film Festival.

Colheitas de azeitonas no Mediterrâneo matam milhões de aves canoras anualmente

Foto: Plant Based News/Reprodução

Foto: Plant Based News/Reprodução

A colheita de azeitonas no Mediterrâneo, que vai de outubro a janeiro, está matando milhões de pássaros anualmente, de acordo com pesquisadores.

É relatado que na comunidade autônoma da Andaluzia, na Espanha, 2,6 milhões de aves são mortas pela pelos tratores usados para colher as azeitonas – que são “aspiradas” das oliveiras, enquanto o maquinário coleta as frutas.

De acordo com o The Independent, quando a colheita ocorre à noite – “a luz vinda das máquinas deslumbra e desorienta as aves”, resultando em um número “catastrófico” de mortes, chegando a 100 aves mortas em cada passagem de trator na colheita.

Sugados para a morte

A pesquisadora-chefe do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Vanessa Mata, disse ao The Independent: “A máquina funciona perfeitamente bem se usada durante o dia, já que as aves são capazes de ver e escapar enquanto eles (tratores) estão operando.

“No entanto, durante a noite eles usam luzes muito fortes que confundem os pássaros e os levam à sua morte, uma vez que são sugados pelo trator.”

Tomando uma atitude

As aves – incluindo robins, verdelhões e outras espécies britânicas – estão legalmente protegidas, mas as autoridades ainda não estão proibindo a colheita anual.

Mata acrescentou: “Os governos locais e as comunidades locais, nacionais e internacionais precisam urgentemente avaliar o impacto da prática e tomar medidas para acabar com ela.”

Milhões de pássaros são mortos por ano na colheita noturna de azeitonas

Por David Arioch

“Os governos locais e as comunidades locais, nacionais e internacionais precisam urgentemente avaliar o impacto da prática e tomar medidas para acabar com ela” | Foto: Pixabay

Há uma estimativa de que 2,6 milhões de pássaros canoros são mortos a cada inverno durante a colheita noturna de azeitonas na Andaluzia, segundo o The Independent. A luz das colheitadeiras deixa as aves desorientadas e elas acabam sendo sugadas durante a colheita. Mas isso não acontece apenas na Andaluzia, mas também em outros países – como Portugal, França e Itália.

Na realidade, de acordo com pesquisadores, em qualquer país onde se realiza a colheita noturna de azeitonas com o auxílio de máquinas. À noite, as aves ficam empoleiradas nos galhos das oliveiras e acabam sendo afetadas pela colheita mecanizada que começa em outubro e termina em janeiro.

Muitas dessas aves migram do Centro e do Norte da Europa para a bacia do Mediterrâneo nos meses de inverno. Aparentemente, o que motiva as colheitas noturnas é que as azeitonas preservam os sabores aromáticos quando as temperaturas abaixam mais ao escurecer.

“A máquina não causa nenhum problema nesse sentido se usada durante o dia porque as aves podem ver e escapar enquanto as máquinas são operadas. No entanto, durante a noite eles usam luzes muito fortes que confundem os pássaros e os levam à morte ao serem sugados pelas colheitadeiras”, destacou a pesquisadora Vanessa Mata, do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Recursos Genéticos de Portugal.

Em Portugal, cerca de 96 mil aves são mortas a cada inverno, já sobre a França e Itália, onde o procedimento também é utilizado, não há dados conhecidos. O The Independent afirma que nem Portugal, França ou Itália tomaram alguma iniciativa a respeito até agora. Na Andaluzia há uma discussão em andamento, mas enquanto uma legislação contra a prática não for aprovada, o massacre de pássaros deve continuar.

“Os governos locais e as comunidades locais, nacionais e internacionais precisam urgentemente avaliar o impacto da prática e tomar medidas para acabar com ela”, apontou Vanessa Mata.

Há uma estimativa da Sociedade Real pela Proteção dos Pássaros de que o número de aves caiu em 44% em decorrência da agricultura intensiva nas últimas três décadas.

Pássaros estão globalmente ameaçados por resíduos plásticos

Foto: iflscience

Foto: iflscience

Muito tem sido dito sobre os riscos sérios que a poluição por plásticos representa para a saúde da vida selvagem em todo o mundo, afetando uma ampla gama de espécies, incluindo baleias, tartarugas, peixes e pássaros.

No Dia Mundial das Aves Migratórias, celebrado em 10 de maio, dois tratados de conservação da natureza e conservacionistas da ONU em todo o mundo pedem ações urgentes para impedir a poluição por plásticos, destacando seus efeitos negativos sobre as aves marinhas e outras aves migratórias.

“Um terço da produção mundial de plástico não é reciclável e pelo menos oito milhões de toneladas de plástico fluem ininterruptamente nos nossos oceanos e corpos d’água (rios e afins) a cada ano”, disse Joyce Msuya, Diretora Executiva Interina da ONU para o Meio Ambiente.

Foto: One Green Planet

Foto: One Green Planet

“Este lixo esta acabando nos estômagos dos pássaros, peixes, baleias e em nosso solo e água. O mundo está sufocando em plástico e também são nossos pássaros dos quais depende a vida na Terra. ”

A poluição por plásticos é uma das três maiores ameaças para as aves: o emaranhamento nas redes de pesca e os demais são mais visíveis que o plástico, mas afetam menos indivíduos.

A ingestão de lixo plástico é mais danosa e pode afetar grandes proporções de algumas espécies. Aves confundem pedaços de plástico com alimento, fazendo com que morram de fome, enquanto seus estômagos ficam cheios de plástico indigerível.

Pedaços de plástico também estão sendo usadas como material para que as aves façam seus ninhos. Muitas aves pegam o plástico como material para forrar seus ninhos, confundindo-o com folhas, gravetos e outros itens naturais, que podem ferir e prender os filhotes ainda muito frágeis.

Redes de plástico de pesca descartadas são responsáveis pela maior parte das enredamentos de pássaros no mar, nos rios, lagos e até mesmo em terra. As aves marinhas são particularmente ameaçadas pelas redes de pesca. Muitas aves marinhas enredadas não são detectadas porque morrem longe da terra, longe da vista dos seres humanos.

Foto: ornithology.com

Foto: ornithology.com

“Ficar preso, emaranhado em equipamentos de pesca ou em lixo plástico condena as aves a uma morte lenta e agonizante”, diz Peter Ryan, diretor do Instituto Fitzpatrick de Ornitologia Africana da Universidade da Cidade do Cabo.

Para coletar dados adicionais sobre emaranhamentos remotos, cientistas como Peter Ryan recorreram ao Google Images e a outras fontes baseadas na Web para fornecer uma visão mais abrangente da ameaça, e o número de espécies de aves afetadas foi ajustado para cima.

Das 265 espécies de aves registadas enredadas em lixo plástico, pelo menos 147 espécies eram aves marinhas (36% de todas as espécies de aves marinhas), 69 espécies de aves de água doce (10%) e 49 espécies de aves terrestres (0,5%).

Estes números mostram que quase todas as aves marinhas e de água doce correm o risco de se emaranharem em resíduos de plástico e outros materiais sintéticos. Uma grande diversidade de aves terrestres, de águias a pequenos tentilhões, também é afetada, e esses números tendem a aumentar.

Pesquisas mostram ainda que cerca de 40% das aves marinhas contêm plástico ingerido no estômago. Patos marinhos, mergulhadores, pinguins, albatrozes, petréis, mergulhões, pelicanos, gansos e patas, gaivotas, andorinhas-do-mar, auks e tropicbirds estão particularmente em risco.

A ingestão de plástico pode matá-los ou, mais provavelmente, causar lesões graves, e o acumulo de plástico pode bloquear ou danificar o trato digestivo ou dar ao animal uma falsa sensação de saciedade, levando à desnutrição e à fome.

Aditivos químicos de plástico foram encontrados em ovos de aves em ambientes remotos, como o Ártico canadense.

Para resolver a questão da poluição plástica – e garantir que no futuro menos aves morrerão por ingestão ou enredar-se em plástico – a ONU Environment lançou a campanha Clean Seas em fevereiro de 2017. A campanha, que tem como alvo a poluição por plástico marinho em particular, tem foco amplo e pede a indivíduos, governos e empresas que tomem medidas concretas para reduzir suas próprias pegadas de plástico.

A Convenção sobre Espécies Migratórias e o Acordo Africano sobre Aves Aquáticas da Eurásia trabalham com os países para impedir que itens plásticos entrem no ambiente marinho. Uma recente resolução sobre a conservação de aves marinhas adotada pelos países da AEWA em dezembro de 2018 inclui uma série de ações que os países podem adotar para reduzir o risco causado pelos resíduos plásticos em aves migratórias.

Na Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias em 2017, os países também concordaram em abordar a questão das redes de pesca descartadas, seguindo as estratégias estabelecidas no Código de Conduta para a Pesca Responsável da Organização para a Alimentação e Agricultura.

Esforços para eliminar gradualmente os plásticos de uso único e redesenhar os produtos plásticos para torná-los mais fáceis de reciclar estão em andamento em muitos países.

“Não há soluções fáceis para o problema de plástico. Exigirá os esforços conjuntos dos governos, indústria, municípios, fabricantes e consumidores para resolver o problema. No entanto, como destaca o Dia Mundial das Aves Migratórias deste ano – todos neste planeta podem ser parte da solução e tomar medidas para reduzir o uso de plástico de uso único. Enfrentar este problema globalmente não só será benéfico para nós, mas também beneficiará a vida selvagem do nosso planeta, incluindo milhões de aves migratórias”, disse Jacques Trouvilliez, Secretário Executivo do Acordo Eurasian Waterbird Africano.

A poluição por plásticos é uma ameaça séria e crescente para aves migratórias, o que limitará ainda mais sua capacidade de lidar com a ameaça muito maior enfrentada pelas mudanças climáticas.

Casal de pássaros faz ninho em boné e cinco filhotes nascem

Um casal de pássaros fez um ninho em um boné e se reproduziram em Palmas, no Tocantins. Cinco filhotes nasceram. O caso aconteceu na área da casa da professora Maria Neuma Ferreira.

A professora conta que, há cerca de um mês, lavou um boné do marido e, para secar, pendurou em um gancho, usado para colocar rede.

Foto: Arquivo Pessoal

“Teve um dia que percebemos que havia capim seco e lacre de tampinha dentro do boné. Achamos estranho. Meu marido pensou que era rato, mas descartamos a hipótese porque rato não conseguiria subir. Foi quando vimos a movimentação dos passarinhos. Aí resolvemos deixar para ver o que acontecia”, contou ao G1.

Aos poucos, as aves formaram o ninho e passaram a morar dentro do boné. Dias depois, botaram ovos. “Eu fico emocionada, eles vão num mato que tem perto da minha casa, buscam comida e levam para o ninho para alimentar os filhotes”, disse.

Com a chegada dos pássaros, a rotina da família mudou. “Meus inquilinos me expulsaram da minha própria área”, brincou Maria, que evita passar no local para não incomodar os animais e já avisa aos visitantes que chegam na casa para que tenham cuidado com o ninho.

“Outras aves já fizeram ninho aqui em casa, mas foi no pé de maracujá e no gazebo. Esta é a primeira vez que o boné é usado para o ninho. Fiquei impressionada. Fico pensando: ‘Quando será que os filhotes vão embora’? Mas procuramos não interferir. Espero que demore”, disse a aposentada.

Iniciativa plantará cerca de 70 pomares até 2025 para atrair pássaros e abelhas

O número de habitats de pássaros e abelhas caiu mais da metade desde 1950 na Inglaterra

Foto: Steven Haywood (National Trust Images)

Dezenas de pomares tradicionais serão cultivados ao longo da Inglaterra e do País de Gales, pelo fundo National Trust, em uma iniciativa para acabar com o trágico declínio de um dos habitats mais adorados do Reino Unido.

A organização plantará 68 pomares tradicionais até 2025, uma parte de um amplo programa para impulsionar a vida selvagem no país.

A National Trust, que cuida de quase 200 pomares, constata sua preocupação a respeito do desaparecimento de mais de 60% dos pomares tradicionais ingleses desde 1950, sendo este um resultado de mudanças nas práticas agrícolas, novas forças de mercado, negligência e desenvolvimento do capitalismo.

David Bullock, especialista em conservação de espécies e habitats da organização, afirma: “Cada árvore é preciosa, pois tem o potencial de se tornar um lar para os pássaros, como o não muito visto pica-pau, morcegos e Comocrus behri. O incrível número de maçãs e outros variados tipos de frutas que podemos plantar reflete na maravilha da diversidade da vida”.

Aqui no Brasil, existe o projeto Pomar Urbano, em São Paulo. A iniciativa público-privada sob gestão do governador Mário Covas, lançada em 1999 pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, visava promover a recuperação ambiental e paisagística do canal do Rio Pinheiros, localizado na zona sul da capital.

A manutenção, de acordo com o site do governo paulista, ficaram aos cargos de empresas como a Vivo, responsável pela implantação de projetos paisagísticos e conservação das áreas verdes, e as Reservas Votorantim, que administraram as iniciativas na margem oeste do rio.

Nota da redação: segundo dados da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, o rio Pinheiros e sua bacia hidrográfica são alvos de dejetos 290 indústrias e 400 mil famílias. 82% desse esgoto é tratado, mas a vida animal simplesmente não volta com o embelezamento do rio. Não há árvores que façam parte da mata atlântica nativa de São Paulo, não há arbustos, não há nada a não ser descaso e muita, mas muita, poluição por parte dos paulistas que fazem uso da linha de trem CPTM. Temos uma geografia resumida em concreto, com exceções de parques concentrados na zona sul e norte da capital, que recebem pouco tratamento e pouco estudo para solucionar os problemas da nossa invasão ao habitat natural dos animais que aqui sempre viveram. Pomar Urbano é uma piada de mal gosto quando comparada a iniciativa britânica da National Trust.

Deputado Vitor Lippi é contra PL que proíbe criação de pássaros em cativeiro

A justificativa do deputado é que o projeto de lei é prejudicial ao setor de criação de animais (Fotos: IMA-AL/Agência Câmara)

Ontem, o deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP) se manifestou contra o Projeto de Lei 3264/2015, que proíbe a criação de passeriformes nativos ou exóticos em cativeiro em todo o território nacional.

A justificativa do deputado é que o projeto de lei é prejudicial ao setor de criação de animais e pode inviabilizar “toda a atividade econômica relacionada às aves canoras e ornamentais, segmento que está se destacando cada dia mais no setor pet brasileiro e global”.

Em oposição à proibição, Lippi apresentou no último dia 17 um requerimento de redistribuição para análise na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços.

Na matéria do projeto de lei de autoria da deputada Shéridan Oliveira (PSDB-RR) consta que só deve ser permitida a criação de passeriformes em cativeiro com finalidade exclusivamente conservacionista, com o fim de salvar a espécie da extinção e promover sua reintrodução nos ambientes naturais.

“Os pássaros necessitam, para seu normal desenvolvimento, alimentação e reprodução, viver em liberdade. Os pássaros estão adaptados para voar e explorar vastos espaços. Confiná-los dentro de exíguas gaiolas, onde mal podem se mover, privando-os do contato com o diversificado e estimulante ambiente natural, é um ato de crueldade”, aponta o PL.

E acrescenta: “Não é necessário manter pássaros em gaiolas para desfrutar o canto dos sabiás, dos pintassilgos e dos canários, o voo dos beija-flores e dos pardais, o trabalho artesanal do joão-de-barro e a beleza da gralha azul e do bico-de-ferro, apenas para dar alguns pouquíssimos exemplos.” As aves da ordem passeriformes somam quase seis mil espécies.