Ação de resgate de 562 animais silvestres em ônibus encontra 16 animais mortos
Dos 562 animais resgatados na manhã da última quinta-feira (18) pela Polícia Ambiental de Guarulhos, 16 chegaram mortos ao Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras) que fica no Parque Ecológico do Tietê – todos foram esmagados dentro das caixas de papelão onde foram escondidos. Os animais vieram da Bahia e seriam vendidos em mercado clandestino. Três pessoas foram detidas e liberadas em seguida. Vão responder por maus-tratos e por manter os animais silvestres em cativeiros.

Foto: Veruska Donato/TV Globo
Foram resgatados 427 jabutis, 87 iguanas, 21 saguis, 2 falcões, 2 corujas e 23 pássaros de várias espécies. As imagens impressionam quem não está acostumado a ver ações de resgate de animais silvestres. Muitos pássaros estavam sem penas, as duas corujas filhotes estavam muito assustadas na gaiola e um dos dois falcões fugia ao menor sinal de aproximação.
Os animais que sobreviveram foram alimentados, beberam água, alguns com dificuldade, como os pássaros que não estão acostumados a tomar água em recipientes de plástico, já que bebem em rios e lagos ou nas poças de chuvas. Os animais foram colocados em salas aquecidas e a maioria recebeu tratamento veterinário para os ferimentos.
A ação foi feita pela manhã pela delegacia ambiental de Guarulhos. Os animais estavam no bagageiro de um ônibus de turismo que saiu do interior da Bahia, na terça-feira (17), da cidade de Senhor do Bonfim, distante 2.048 km da capital paulista, e chegaram nessa quinta-feira ao estado de São Paulo.
A Polícia Ambiental chegou aos animais depois de uma denúncia anônima e montou uma operação na quarta-feira à noite para interceptar o ônibus na rodovia Ayrton Senna. Às 5h desta quinta, o veículo foi parado num acesso próximo à rodovia e que leva ao Jardim Helena, na Zona Leste de São Paulo.

Foto: Veruska Donato/TV Globo
O delegado Carlos Roberto de Campos disse que três pessoas foram detidas acusadas de tráfico de animais, elas foram ouvidas e logo depois foram soltas. O delegado abriu inquérito para investigar o caso, e pretende chegar aos receptadores. “Pela quantidade de animais obviamente é comercialização, por isso que a gente vai continuar investigando pra chegar em outras pessoas”, afirmou.
Ainda segundo o delegado, um dos detidos tem parentes em Guarulhos e na Zona Leste da capital paulista, para onde provavelmente os animais seriam levados, mas como se trata de uma contravenção penal, ninguém ficou preso. “Eles praticaram a infração no artigo 29 da lei 9.605 e artigo 32, que seria maus-tratos a animais e manter em cativeiro animais silvestres. Infelizmente é uma infração pequena, de três meses a um ano de prisão”.

Foto: Veruska Donato/TV Globo
Depois de tratados, os animais serão levados, de avião, para a cidade de Senhor do Bonfim, de onde vieram, e serão devolvidos à natureza. Só que nem todos vão ter essa sorte, de acordo com a coordenadora do Cras, Liliane Milanelo. Ela conta que muitos animais não vão suportar os ferimentos. “Eles estavam amontoados em caixas de papelão, as iguanas estavam em sacos plásticos, eles sofreram muito, a gente calcula que de 30 a 50% dos animais não devem sobreviver.”
Essa é a segunda maior ação de resgate que Liliane acompanha. Ela diz que “há alguns anos, a polícia trouxe para cá 800 animais, todos muito machucados, uma tristeza”.
“Muita gente acha bonitinho ter um jabuti em casa, mas esses animais não são de cativeiro, eles foram tirados de lá que é o lugar deles, a gente tem que combater o comercialização dos animais.”
Fonte: G1


















