A farra do boi é uma proibida pela lei 9.605/95. A proibição, no entanto, não tem impedido que esse evento seja realizado em Santa Catarina, especialmente durante a Quaresma, período celebrado pelos cristãos que vai de 6 de março a 18 de abril.

Foto: Reprodução / Facebook / Nação Vegana Brasil
Explorados para entretenimento humano, os bois são torturados pelos participantes da farra. A crueldade, no entanto, começa antes do evento. Isso porque para ser preparado para participar da farra do boi, o animal é confinado, sem alimento disponível, por vários dias. Para deixá-lo em completo desespero, os organizadores do evento colocam água e alimento em um local onde o boi possa ver, mas não consiga ter acesso.
No dia da farra, o boi é solto e passa, então, a ser perseguido pelos participantes, denominados “farristas”. Com pedaços de pau, pedras, chicotes e outros objetos nas mãos, essas pessoas perseguem o boi, que foge, assustado. É comum, inclusive, que casos de afogamento de animais sejam registrados durante o evento. Isso porque, na tentativa de fugir dos farristas, os bois acabam entrando no mar, onde se afogam.
O evento é típico do litoral do estado de Santa Catarina. E apesar da luta dos ativistas, continua a ser realizado. Nele, inclusive, são celebrados casamentos, aniversários e outras festas.
Na internet, páginas como a “Nação Vegana Brasil” e “Brasil Contra a Farra do Boi” lutam pelo fim dessa prática. “A farra do boi é uma brutalidade religiosa que acontece ao longo do ano, mas sobretudo na Quaresma, se intensificando na Semana Santa. Bandidos perseguem animais pelas cidades do estado de Santa Catarina, a título de ‘malhá-los como Judas'”, escreveu a Nação Vegana Brasil ao publicar a foto de um boi morto, caído ao chão, que, segundo os ativistas responsáveis pela página, foi “torturado e assassinado na chamada ‘farra do boi’ em Santa Catarina”.
Na publicação, os ativistas lembraram que conselhos de Defesa Animal da OAB tem buscado intervir, na tentativa de por fim à farra, mas sem sucesso. “Faça o monitoramento e denuncie pelo inbox da página Brasil Contra a Farra Do Boi. Se você denuncia, possuímos ferramentas para pressionar as autoridades. O monitoramento deve ser constante e a farra não pode mais ser acobertada”, pede o grupo.
O Governo de Santa Catarina informou, através de seu site oficial, que “as forças de segurança e as autoridades em sanidade animal de Santa Catarina estão de prontidão para combater eventuais casos de farra do boi”. O poder público lembrou que a prática configura maus-tratos aos animais e que devido ao aumento de eventos durante o período entre o Carnaval e a Páscoa, foi criada a Operação Quaresma, realizada pela Polícia Militar para reprimir esse tipo de crime.
De acordo com o governo do estado, a mobilização para a operação teve início na primeira quinzena de fevereiro, quando uma reunião foi realizada entre a Polícia Militar, representantes do Ministério Público e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) para articular a atuação no combate aos maus-tratos e sugerir a participação dos municípios na fiscalização, além de estabelecer protocolos para o encaminhamento de animais sem identificação.