Carne cultivada em laboratório pode chegar aos supermercados em cinco anos

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A carne produzida em laboratório que pode acabar com o abate de animais e ‘salvar’ o planeta está dividindo opiniões. Enquanto alguns acreditam que ela seja a solução de todos os problemas, outros vão além e levantam questões negativas sobre a cultura de células em laboratório, como o possível aumento dos testes em animais.

Deixando as concepções de lado, a questão é: ela existe e está bem perto de chegar às prateleiras dos supermercados – segundo cientistas, em cinco anos.

A carne cultivada

O produto, também chamado de ‘carne limpa’, envolve a coleta de células animais. As células-tronco dessa amostra são colocadas em um reator em um laboratório, onde são alimentadas com uma solução de glicose, aminoácidos, vitaminas e minerais.

Pesquisadores da Universidade de Bath estão cultivando células em lâminas especiais que permitem que elas se multipliquem e se tornem células musculares maduras que formam carne cultivada.

Marianne Ellis, conferencista sênior em engenharia bioquímica, disse que a textura atual da carne cultivada a torna mais adequada para salsichas e hambúrgueres. As informações são do Daily Mail.

No entanto, espera-se que produtos como bife e bacon sejam desenvolvidos no futuro.

Ela descreveu o processo de criação de carne cultivada como atualmente “muito caro”, mas disse que o trabalho estava sendo realizado para reduzir esses custos e equipará-lo ao preço das carnes tradicionais.

“O Reino Unido é realmente um dos principais atores essenciais em escala global, e é nisso que estamos trabalhando como engenheiros, desenvolvendo sistemas para o crescimento das células em larga escala”, disse Ellis.

“Em termos de quando provavelmente veremos isso nos supermercados, provavelmente a empresa mais avançada no momento é a Mosa Meat e eles estão prevendo de quatro a cinco anos”.

“A enorme vantagem de comer algo como carne cultivada é que ela atende às nossas necessidades e aos nossos desafios globais, tanto de segurança alimentar quanto de mudança climática”, disse Ellis.

“Nossa população global está crescendo e nossos métodos atuais de produção de alimentos não serão dimensionados para produzir o que precisamos para alimentar todo mundo. Precisamos de algo como mais 60 milhões de toneladas de proteína para suprir a população até 2050 e não podemos fazer isso como fazemos atualmente.”

“Essa carne cultivada é uma maneira de fazer isso. Isso pode ser feito em qualquer lugar do mundo.”

“Temos a oportunidade também de abordar nossas questões climáticas porque este método comparado à produção tradicional de carne bovina tem muito menos emissões de gases do efeito estufa, tem muito menos uso de água, tem muito menos uso da terra e uso reduzido de energia para atender a esses dois principais desafios globais.”

Bem-estar animal

O empresário Richard Branson, fundador do grupo Virgin, entrou no mercado crescente de carne cultivada.

“Acredito que daqui a 30 anos não precisaremos mais matar nenhum animal e que toda a carne será limpa ou vegetal, terá o mesmo sabor e será muito mais saudável para todos”, disse Branson em um post no Site da Virgin em 2017 após investir na Memphis Meats.

“O sistema alimentar de carne limpa é seguro, bom para o planeta, para os animais e satisfaz os consumidores. A Memphis Meats espera uma conversão muito melhor de calorias; o uso muito menor água e terra; produção de menos gases de efeito estufa e a redução dos custos em relação à produção convencional de carne. É um enorme passo para o bem-estar animal.”

ONG Surge lança sua primeira campanha de anúncios veganos em Londres

Foto: Supplied

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Chapéu: Inglaterra

Título: ONG, Surge, lança sua primeira campanha de anúncios veganos em Londres

Olho: Com imagens provocativas e frases fortes a campanha abrange a cidade toda, com cartazes em ônibus, outdoors em ruas e até um painel digital, tudo com o objetivo de levar as pessoas à refletirem sobre as mortes por trás do ato de comer carne

 

A campanha foi parcialmente patrocinada pelo restaurante vegano sem fins lucrativos Unity Diner

A organização em defesa dos direitos animais, Surge, anunciou o lançamento de sua primeira campanha publicitária vegana em Londres.

Surge Launches Poster Campaign from Plant Based News on Vimeo.

“A vida deles está em suas mãos“

A campanha, que contará com cartazes em ônibus, rodovias e um outdoor digital no leste de Londres, conta três inserções com mensagens separadas: “Por que amar um, mas comer o outro?” – “A vida deles está em suas mãos” – e “O que é mais importante, sabor ou vida?”

Perguntas que causam reflexão

O YouTuber vegano e co-fundador da Surge, Ed Winters, mais conhecido como Earthling Ed, disse: “Estamos muito felizes por ter lançado nossa primeira rodada de campanhas publicitárias em Londres”.

“Nós estamos querendo fazer isso há muito tempo, então é incrível poder levar a mensagem vegana para o público e fazer as mesmas perguntas instigantes que já inspiraram tantas pessoas a se tornarem veganas”.

“A campanha foi parcialmente financiada pelo Unity Diner, o estabelecimento vegano sem fins lucrativos que abrimos no final do ano passado, e por isso queremos agradecer a todos que comeram na lanchonete e contribuíram para tornar essas campanhas uma realidade, assim como todos os outros que apoiaram o nosso trabalho até agora”.

Beyond Meat diz que em breve seus substitutos de carne custarão bem menos

É preciso fazer investimentos na cadeia de fornecimento para baratear os custos (Foto: Divulgação)

O CEO da Beyond Meat, Ethan Brown, anunciou na semana passada que em breve os produtos da marca custarão bem menos. Ele disse que a fórmula de opções já comercializadas, como o Beyond Burger, Beyond Sausage (linguiça) e Beyond Beef (carne moída), serão modificadas para garantir um custo menor de produção que possa beneficiar um maior número de consumidores.

Brown informou que o uso de sementes de girassol, sementes de mostarda e tremoço devem contribuir nesse processo. O objetivo da Beyond Meat é motivar principalmente os não veganos a consumirem seus produtos – passando a ver a proteína de origem vegetal como uma opção muito melhor do que a carne.

Ethan Brown disse à Forbes que é preciso fazer investimentos na cadeia de fornecimento para baratear os custos de seus produtos baseados principalmente em proteínas de arroz e ervilha.

“O reino vegetal está repleto de proteínas, uma vez que pensamos nele como fonte de alimento humano”, declarou. Hoje, os produtos da Beyond Meat são comercializados em mais de 35 mil estabelecimentos do mundo todo e têm o apoio de nomes como Leonardo DiCaprio, Bill Gates, Shaquille O’Neal e Kyrie Irving, entre outros.

Cientistas se unem para pedir o fim do consumo de carne em prol planeta

Livekindly/Reprodução

Livekindly/Reprodução

Mais de 21 mil cientistas do mundo todo atestam que os seres humanos precisam mudar definitivamente seu comportamento, incluindo a redução da quantidade de carne que comem e passar a consumir mais alimentos à base de plantas, a fim de evitar que alcancemos os níveis perigosos de mudança climática que ameaçam o planeta.

Os cientistas assinaram um artigo em conjunto no Journal of Bioscience (Jornal de Biociência, na tradução livre) intitulado “Cientistas do mundo todo avisam à humanidade: Uma Segunda Notificação”.

Publicado inicialmente em 2017, o número de cientistas oferecendo apoio ao artigo e à sua mensagem subiu de 15 mil para mais de 21 nos últimos dois anos.

O relatório avalia o estado do planeta em comparação com 1992, quando a Union of Concerned Scientists – junto com 1700 cientistas independentes – publicou um artigo intitulado “World Scientists Warning to Humanity” (Cientistas do mundo todo: um aviso a humanidade, na tradução livre).

O relatório de 1992 afirmava que “os humanos estavam em rota de colisão com o mundo natural”, pedindo a raça humana que considerasse os efeitos prejudiciais de várias questões ambientais, incluindo o esgotamento da camada de ozônio, o declínio da vida marinha, as zonas mortas oceânicas, a perda florestal e as mudanças climáticas.

De acordo com a “Segunda Notificação” dos cientistas em 2017, a humanidade não apenas deixou de fazer progressos suficientes na solução geral desses desafios ambientais já previstos, mas na verdade piorou a situação de forma alarmante.

A declaração do grupo é clara, precisamos fazer melhor que isso. De acordo com o relatório, devemos promover uma mudança na alimentação passando a consumir mais alimentos à base de plantas, aumentar a educação ambiental para crianças, interromper o desmatamento das florestas, pastos e outros habitats nativos e, entre muitas outras mudanças, desenvolver e promover novas tecnologias verdes.

Ele afirma que “a humanidade não está tomando as medidas urgentes necessárias para salvaguardar a nossa biosfera em perigo”.

Desde a publicação inicial do relatório, vários estudos científicos chegaram à mesma conclusão. Em 2018, a maior análise da produção de alimentos já realizada revelou que a melhor coisa que uma pessoa pode fazer para reduzir seu impacto no planeta é adotar uma dieta vegana.

As Nações Unidas também apoiam uma mudança na agricultura animal. No final do ano passado, a organização classificou o consumo de carne como o “problema mais urgente do mundo”.

“Nosso uso de animais como tecnologia de produção de alimentos nos trouxe à beira da catástrofe”, disse a ONU em um comunicado.

“A pegada de gases de efeito estufa deixada pela agricultura animal rivaliza com a de todos os carros, caminhões, ônibus, navios, aviões e foguetes combinados. Não há caminho para alcançar o acordo climático de Paris sem uma queda maciça nos números da agricultura animal ”.

Consumidores são a favor de chamar hambúrguer vegano apenas de “hambúrguer”

VegNews/Reprodução

VegNews/Reprodução

Três de cada quatro consumidores nos Estados Unidos e no Reino Unido é a favor de rotular as carnes veganas com termos como “linguiça”, “bife” e “hambúrguer”, segundo uma nova pesquisa.

A empresa de consultoria Ingredient Communications, com a ajuda do instituto de pesquisas Surveygoo, entrevistou cerca de 1.000 adultos de diferentes preferências alimentares (499 no Reino Unido e 484 nos Estados Unidos) com respeito às suas atitudes em relação à rotulagem de carne vegana.

Enquanto os participantes vegetarianos eram os que mais apoiavam o uso da terminologia “carne” para produtos veganos, os participantes veganos eram o grupo mais ativo (um em cada três) a favor da proibição desses termos.

Preferências pessoais à parte, enquanto consumidores continuam a adotar alimentos com base em vegetais, as indústrias de carne e laticínios dos Estados Unidos aumentaram seus esforços e investimentos para fazer lobby junto aoa órgãos legislativos para exigir que empresas veganas rotulem novamente seus produtos com uma terminologia que não concorra com os produtos derivados de origem animal, mesmo quando são utilizados qualificadores como “sem carne” e “sem leite”.

Conscientes da demanda gerada e do poder mercado que possuem as empresas de carnes veganas, que são líderes em desenvolvimento e pesquisa de novas tecnologias além de proteínas alternativas, a indústria tradicional tenta buscar meios legais de barrar a consolidação das concorrentes.

Equiparadas em sabor, aparência e preço às carnes de origem animal, as alternativas veganas ainda tem um diferencial que desequilibra a balança em seu favor: além de mais saudáveis não custaram nenhuma vida para chegarem as mesas dos consumidores.

Empresas de produção de carne vegana atraem investidores na Ásia

Foto: South China Morning Post

Foto: South China Morning Post

O empresário de Hong Kong David Yeung está incentivando as pessoas a comer menos carne para ajudar a salvar o planeta. O problema é que muitas pessoas adoram carne, especialmente carne de porco.

Yeung acredita que há algo que possa convencê-los – um substituto de carne que, segundo ele, pareça, cheire e tenha o mesmo gosto da “coisa real”.

Os chefs começaram a usar o produto desenvolvido pelo empresário, o Omnipork, para preparar bolinhos de carne para sopa em Xangai, uma carne de porco alternativa com sabor agridoce, assim como macarrão, gyozas e almôndegas.

“De veganos a comedores de carne, profissionais a chefs caseiros, todos ficaram impressionados com a versatilidade, aplicabilidade e a facilidade de uso da Omnipork em todos os tipos de cozinha.

“Eles ressaltam o fato de que o produto lhes permite fazer alguns dos pratos caseiros mais comuns da Ásia”, diz Yeung, um dos investidores do empreendimento que levantou 2,5 milhões de dólares para desenvolver um substituto de carne de porco em 2016.

A carne de porco responde por quase 40% do consumo global de carne, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A China é atualmente o maior mercado de carne de porco do mundo, representando cerca de metade da demanda global, de acordo com um relatório de 2017 do DBS Bank.

A FAO projeta que países asiáticos como China, Filipinas, Tailândia e Vietnã continuarão a aumentar o consumo de carne de porco per capita.

O vegetarianismo já se estabeleceu há muito tempo na Ásia, e a “culinária do templo” apresenta carne vegana feita de glúten de trigo e preparada especialmente para se parecer com peixe, camarão e carne. Para muitos não-veganos ou não-vegetarianos que apreciam a carne de origem animal, no entanto, carne vegana é apenas carne falsa. Muitos nem tocam no prato.

Defensor do meio ambiente, Yeung, 42, co-fundador e CEO da empresa Green Monday (Segunda-feira Verde, na tradução livre), diz que seu produto substituto da carne de porco é feito com cogumelos shiitake, proteína de soja, proteína de ervilha e arroz, para obter uma textura e um sabor mais robustos.

Ele faz parte de uma nova onda de empreendedores e investidores da Ásia que estão em uma corrida de tecnologia X preço, para criar substitutos de carne capazes de convencer os consumidores a mudar para alternativas desenvolvidas com base em plantas.

Nos últimos seis anos, eles lançaram substitutos de carne, frango, porco e frutos do mar que podem ser transformados em tudo, de hambúrgueres a filé de peixe e arroz de frango Hainanese.

Seus esforços levam em conta as preocupações com segurança alimentar, meio ambiente, surtos de doenças em animais, como a gripe aviária e a peste suína africana, e questões sobre como alimentar a crescente população mundial.

Um relatório recente, publicado na revista médica The Lancet, diz que a adoção de uma alimentação com mais alimentos à base de vegetais e menos alimentos de origem animal “melhora a saúde e evitará danos potencialmente catastróficos ao planeta”.

Michelle Teodoro, analista de ciência alimentar e nutrição da empresa de pesquisa de mercado, Mintel, com sede em Londres, afirma que a tendência da carne à base de vegetais está acontecendo em um momento em que as pessoas também estão preocupadas com o impacto ambiental de criar e comer animais e com os maus-tratos aos animais criados na agricultura industrial.

“O mercado asiático, com sua imensa população e aumento crescente da classe média e por consequência do consumo de carne, tem investidores lambendo os lábios por antecipação ”, diz ela.

Para empresas que trabalham com os novos produtos de carne vegana, há muito dinheiro a ser feito.

O mercado global de substitutos de carne foi avaliado em 4,1 bilhões de dólares em 2017 e deve dobrar de valor para 7,5 bilhões até 2025, com a região da Ásia-Pacífico projetada para crescer à taxa mais alta em termos de valor (9,4%) de 2018 a 2025, de acordo com a Allied Market Research.

*Uma mãe vegetariana em Hong Kong*

A arquiteta paisagista Euphenia Wong iniciou sua página no Facebook “Hong Kong Vegetarian Mom” (Uma Mãe Vegetariana em Hong Kong, na tradução livre) com receitas vegetarianas e veganas e resenhas de restaurantes em 2013.

“Está moda se tornar vegetariano ou vegano”, diz ela. “As pessoas começaram a ter mais opções – elas se sentem extravagantes e modernas. Os restaurantes são tão bons também. É uma opção descolada”.

Wong era uma ávida consumidora de carne antes de dar à luz seu filho há seis anos. Ela conta que começou a comparar seu filho a filhotes de animais e que não suportava machucá-los, ela então parou de comer carne e mudou para uma dieta quase vegetariana.

“Tornei-me flexitariana não por religião, mas por saúde e compaixão pelos animais. Penso que tenho que protegê-los como protejo meu filho ”, diz ela.

Em sua opinião, os taiwaneses aperfeiçoaram a arte de produzir substitutos de carne a partir do tofu e do glúten de trigo, mas os americanos tiveram uma vantagem inicial na produção de substitutos de carne, pois eles são mais parecidos com carne real em sabor e aparência.

Impressionados pela atenção e aceitação que a proteína alternativa e a alimentação baseada em plantas têm recebido na Ásia, especialmente em Hong Kong e na China como um todo, especialistas e investidores atentos, enxergam a mudança o comportamento do consumidor como um fator consolidado e irreversível. O planeta e os animais agradecem.

Fazendeiro espanhol compara touradas ao consumo de carne

Foto: Josep Lago / AFP

Um artigo publicado pelo portal El Español na última sexta-feira (15) chamou atenção de ativistas em defesa dos direitos animais. Assinado por um fazendo identificado como Victorino Martín, o texto, que pode ser lido na íntegra e em espanhol aqui, conta a história de um ex toureiro, que após a proibição das touradas, foi impedido de viver seu sonho: torturar e matar animais indefesos para deleite de seu público e prosperidade para seu bolso.

Conservador e antropocêntrico, o artigo acusa a sociedade catalunha de hipocrisia, por ser favorável ao fim das touradas, mas financiar ativamente a morte de milhões de animais para consumo humano. Como exemplo, o autor afirma que diariamente apenas na cidade da Catalunha, 14 mil porcos são mortos e a maior parte da sociedade ignora a vida destes animais.

A motivação do artigo tem como base a uma tentativa recente de ignorar a proibição de touradas decretada em 2016 para realizar um suposto espetáculo onde seis animais seriam brutalmente mortos. Victorino, que também é presidente da Fundación del Toro de Lidia, organização pró touradas, defende que a prática é uma tradição centenária e que sua proibição deve ser considerada censura.

Há um claro interesse financeiro e sede de violência, por trás da tentativa de minimizar a luta em defesa dos direitos animais que conseguiu proibir a continuação dessa prática bárbara na cidade espanhola. Propositalmente, também foi ocultado pelo autor do famigerado artigo, que a Espanha é um dos países com grande crescimento de interesse pelo veganismo, apesar de uma forte cultura carnista.

Foi conscientemente omitido também que a nova geração espanhola combate fortemente a exploração e crueldade contra animais e é ativa em ações positivas para a evolução da sociedade e criação de um mundo mais pacífico e compassivo com todas as espécies.

Cresce o movimento que não tolera a morte e sofrimento de nenhum ser vivo, principalmente animais mortos apenas para atender o egoísmo humano.

Segundo Victorino, aceitar a proibição de touradas “é uma armadilha que mais cedo ou mais tarde se voltará contra si mesmo”, ironicamente, o fazendeiro inconscientemente falou sobre a extinção de sua própria espécie, que cada vez mais sofrerá com a falta de habitat em um mundo em constante transformação e busca por esclarecimento.

6,4 milhões de canadenses estão reduzindo ou eliminando o consumo de carne

Atualização do Guia Alimentar tem contribuído para uma mudança de consciência da população canadense (Foto: Mikaela MacKenzie / Winnipeg Free Press)

Uma pesquisa concluída recentemente pela Universidade de Dalhousie com o apoio da Universidade de Guelph revela que 6,4 milhões de canadenses estão reduzindo ou eliminando o consumo de carne.

De acordo com o coordenador da pesquisa, o professor Sylvain Charlebois, a última atualização do Guia Alimentar do Canadá, que incentiva mais o consumo de alimentos à base de vegetais e qualifica uma dieta vegana ou vegetariana estrita como saudável, tem contribuído para uma mudança de consciência dos consumidores.

Regionalmente, a população de Ontário é a que provavelmente consome menos carne. O relatório mostra também que as mulheres são mais propensas a acreditarem que a carne é substituível. Os homens, no entanto, particularmente os mais velhos, consideram a ingestão de carne como “um dos grandes prazeres da vida.”

Segundo a pesquisa, os entrevistados mais jovens e mais instruídos têm “menos apego à carne” e são mais propensos a preferirem alternativas baseadas em plantas. “63% entrevistados que seguem uma dieta vegana, livre de todos os produtos de origem animal têm menos de 38 anos. Os consumidores mais jovens também são menos propensos a acreditarem que comer carne é um direito fundamental”, aponta Sylvain Charlebois.

O pesquisador Simon Somogyi, da Universidade de Guelph, frisa que até 2050 o planeta terá mais de 10 bilhões de pessoas e por isso essas mudanças podem ser vistas como um avanço, já que as proteínas de origem vegetal são produzidas de forma mais sustentável.

Beyond Meat pretende levar seus substitutos de carne para pelo menos 50 países

Atualmente, só nos Estados Unidos, a Beyond Meat já distribui seus produtos em mais de 27 mil estabelecimentos comerciais (Fotos: Divulgação)

A partir deste ano, a Beyond Meat promete priorizar a sua expansão global que tem como compromisso levar seus substitutos de carne, que inclui versões vegetais de hambúrguer, linguiça e carne moída, para pelo menos 50 países.

Para conseguir isso, a startup fundada por Ethan Brown em Los Angeles (CA) em 2009 tem contado com o apoio de grandes investidores – como Bill Gates e Leonardo DiCaprio, que tem não apenas injetado dinheiro na Beyond Meat, mas também divulgado seus produtos em suas mídias sociais.

Além disso, a marca tem sido endossada por atletas da NBA, NFL e também de esportes radicais. Segundo o CEO, Ethan Brown, Canadá, Europa, Austrália, México, América do Sul, Israel, Coréia do Sul e África do Sul devem ser beneficiados com a expansão global.

Atualmente, só nos Estados Unidos, a Beyond Meat já distribui seus produtos em mais de 27 mil estabelecimentos comerciais, entre grandes, médias e pequenas empresas. O que também motivou a startup a se aprofundar na realidade do mercado internacional é o grande volume de mensagens recebidas de consumidores questionando quando seus produtos serão chegarão até eles.

O último lançamento da Beyond Meat foi o Beyond Beef, “carne moída” à base de proteínas de ervilha, arroz e feijão mungo. O produto livre de soja e glúten possui um pouquinho mais de proteínas do que o seu equivalente de origem animal e 25% menos gorduras saturada.

“Há muito tempo estamos de olho na criação de um produto que permita aos consumidores desfrutar da versatilidade da carne moída enquanto aproveitam os benefícios para a saúde humana, ambiental e animal dos alimentos à base de plantas”, diz Ethan Brown.

Visita ao mercado de carne de cães e gatos na Indonésia choca ator de Downton Abbey

Cães amontados aguardam a morte em gaiolas apertadas | Foto: Dog Free Meat Indonésia

Cães amontados aguardam a morte em gaiolas apertadas | Foto: Dog Free Meat Indonésia

Massacrados na frente de seus companheiros de gaiola, cães aterrorizados esperam a sua vez de serem espancados, queimados, desmembrados e mortos no mercado de carne de cachorro da Indonésia, onde os filhotes são servidos em espetos.

Cães com olhares de extremo pavor aguardam amontoados em gaiolas pequenas e apertadas de arame. Dali eles só saem para apanhar até a morte, enquanto na barraca mais a frente gatos são queimados vivos, esta é a realidade assustadora do comércio de carne de animais na Indonésia.

Há mais de 200 mercados de carne “viva” nos países do sul da Ásia, o ator de Downton Abbey, Peter Egan, viajou para dois dos mais conhecidos, a fim de trazer a luz o sofrimento dos animais condenados a esse destino.

Essas cenas profundamente perturbadoras foram filmadas no “Extreme Market” de Tomohon e no Langowan Traditional Market, ambas localizadas na província de Sulawesi do Norte.

Esses mercados não só vendem carne de cães e gatos, como também oferecem répteis como pítons e lagartos aos clientes mais ávidos.

No entanto, é a carne de cães e gatos que parece ser essencial nesses locais e nunca faltar, infelizmente por trás disso mais de um milhão de animais são mortos por ano na Indonésia.

Vídeos dos dois mercados visitados por Egan, em companhia do grupo responsável pela campanha Dog Free Meat Indonésia (Indonésia Livre de Carne de Cachorro, na tradução livre), mostram animais apertados em gaiolas pequenas, num clima extremamente quente, aguardando o seu destino.

Os animais foram filmados a ponto de serem mortos bem à vista dos companheiros de gaiola, tornando a experiência o mais aterrorizante possível.

Depois de receberem várias pancadas na cabeça com enormes pedaços de madeira, os animais são queimados com maçarico para facilitar a retirada dos pelos.

No entanto, muitos dos pobres animais ainda estão se movendo ou se contorcendo enquanto as chamas são aplicadas em seus corpos.

“Nada até aqui me preparou para o horror doentio que eu testemunhei nesse mercado”, desabafou o Egan chocado.

O ator conta que, a parte visitada por eles, da Indonésia é mundialmente famosa por suas belas e únicas paisagens com montanhas vulcânicas, águas para mergulho perfeitas e praias lindíssimas, mas “a brutalidade monstruosa do comércio de carne de cães e gatos é o que vai permanecer comigo e me assombrará pelo resto da minha vida”.

“A absoluta indiferença ao sofrimento animal era chocante e dolorosa”, desabafa ele.

Egan conta que assistiu a inúmeros cães e gatos esperando para serem mortos e perder suas vidas da maneira mais brutal e cruel. “Não havia nada que eu pudesse fazer para tirar a dor deles, mas seus olhos suplicantes e o cheiro de virar o estomago de sangue e pêlo de cachorro em chamas são componentes de cenas do inferno que nunca esquecerei”.

O ator se assume um compromisso e se declara comprometido a expor todos os horrores que presenciou além de trabalhar junto a comunidade indonésia e mundial para “acabar com a crueldade abominável do comércio de carne de cães e gatos.”

Enquanto esteve lá, o Egan pagou a um comerciante para salvar quatro cachorros da morte certa, mas não conseguiu resgatar mais nenhum.

Filhotes de cães e gatos vendidos como espetos no mercado | Foto: Dog Free Meat Indonésia

Filhotes de cães e gatos vendidos como espetos no mercado | Foto: Dog Free Meat Indonésia

Apenas uma minoria de indonésios come carne de cachorro ou gato, mas aqueles que o fazem justificam-se alegando que elas têm propriedades curativas ou defendem o costume como uma tradição do país.

Ativistas dizem que a prática é cruel, dissemina doenças fatais como por exemplo a raiva e leva os ladrões a roubar cães domésticos para vendê-los aos comerciantes de carne.

Dog Free Meat Indonésia está lutando pela proibição total dessa prática cruel em toda a Indonésia, seguindo o exemplo de outros países da região, como Taiwan, Hong Kong, Filipinas e Tailândia.

Lola Webber, co-fundadora da Change For Animals Foundation e representante da DMFI que acompanhou Peter Egan aos mercados, disse: “Milhares de cães e gatos são mortos nos mercados de Sulawesi Norte a cada semana, e estima-se que 90% deles tenha sido roubados, sejam animais domésticos ou cães em situação de rua.

“Cerca de 80% são importados de outras províncias, o que é ilegal de acordo com a lei antirrábica do país que proíbe qualquer movimentação de cães através das fronteiras provinciais em áreas endêmicas da doença”.

A ativista conta que mesmo tendo visitado os mercados de carne de cães e gatos no norte Sulawesi inúmeras vezes, os horrores nunca deixam de levá-la ao desespero.

“Apesar de todas as denúncias da DMFI sobre a crueldade cometida nesses locais, dos alertas sobre os perigos para a saúde pública e do risco de transmissão de raiva, da condenação nacional e mundial e ainda das promessas de ação dos governos locais e centrais, os negócios continuam ocorrendo como sempre”, desabafa ela.